terça-feira, dezembro 23, 2003

SOCIEDADE IDEAL

Fui incitado por um amigo a pensar um pouco em como seria a sociedade ideal. Além daquelas coisas básicas de que todos seriam iguais, as pessoas viveriam em paz, não haveria poluição e demais questões que podem ser observadas em qualquer discurso cotidiano na ONU estive pensando em alguns aspectos pessoais dessa dita sociedade perfeita...

Numa sociedade perfeita todos os homens seriam barbudos (não ter que fazer barba de manhã!!! Todo mundo no estilo Los Hermanos), gordinhos (churrascarias seriam mais populares do que comida à quilo), todo mundo só andaria de bermuda e camiseta. Jogos de futebol seriam todos de qualidade, gratuitos e com transporte de qualidade.
Nos mais diversos lugares haveria bebedores públicos com chopp, caipirinha de caju, capuccino, milkshake de Ovomaltine e pespsi twist (não precisa ser light pois todo mundo já é gordinho mesmo!!).
Toda casa teria um video-game e um computador ligado em rede, todos programas seriam freeware, filmes seriam alugados de graça e livros bons seriam igualmente gratuitos.
Não haverá limite de velocidade nas estradas e nosso combustível não seria fóssil nem poluente, se não quiser dirigir é só ligar o piloto automático.
À noite, diversos bares de blues e boites onde todo mundo ficaria bêbado e se divertiria. Logicamente, não haveria ressaca pois as bebidas seriam feitas de forma que não houvesse pesadelos ou gosto de cabo de guarda-chuva no dia seguinte. Haveria diversas raves nas quais seriam liberadas as diversas substâncias que pesquisas conclusivas determinaram que não fazem mal a saúde e que houve intriga da oposição em tal afirmação.
Todos poderiam transar com as mulheres mais gatas do mundo e curtir a vida adoidado. Quando cansasse poderia ter uma esposa gatíssima, inteligente e bem humorada que ainda gostaria de jogar video-game, assistir jogo do Botafogo, de pizza de pepperoni, de assistir desenho animado de manhã e que não seria paranóica em relação ao estado de seu cabelo ou de sua pele.
Seria possível viajar pelo menos duas vezes por ano, uma vez dentro do Brasil e uma viagem ao exterior, isso sem contar que haveria tempo para dar umas boas velejadas com os amigos.
Pegando embalo num antigo samba-enredo, não se paga pra sonhar...

segunda-feira, dezembro 22, 2003

INVASÕES BÁRBARAS

Fui assistir o filme quase obrigado, todo mundo estava falando bem, desde a crítica até os meus amigos cinéfilos e acinéfilos. Lá vou eu...

Gostei do filme, não vou dizer que é a maior obra prima do século e coisas do gênero que a crítica faz para ver se consegue atrair gente pra salinha escura mas vou dizer que já fazia um tempo que eu não via um filme tão bem feitinho com fotografia adequada e elenco harmônico e de qualidade, um roteiro sensível na dose certa (e olha que a própria idéia de um filme cujo tema é os últimos dias do protagonista já daria margem a um dramalhão guarda-chuva, o que não acontece!!).

Achei interessante o contraponto das gerações, o pai de uma geração dos anos 70 cheio de ideais sociais, apaixonado pelas mulheres e pela vida boêmia e por outro lado o filho dos anos 90, cético, apegado ao seu objetivo de vida e com a objetividade dos resultados como ideal. Ironicamente, diversos filhos dos anos 70 aparecem recalcados com o fato de não serem parte de uma família de comercial de margarina.

O filme tem diversas frases e situações de impacto. Gostei de diversas delas. O filho ao se despedir do pai é uma cena bastante bonita. As conversas do filho com a junkie são legaizinhas. A cena em que a esposa do filho explica a relação dela com o filho é bastante curiosa e acho que reflete bem a lógica dos anos 90 do tipo “eu não preciso amar, mas quero alguém que faça sentido e não seja como meus pais”.

Gostei do filme, fazia um tempo que eu não assistia um filme que eu pudesse pensar e que me fizesse discutir um pouco com os outros sobre os diversos sentimentos humanos. Não é uma obra prima, mas que faz pensar, faz.
TESE DE MESTRADO / DOUTORADO

Está rolando na internet e já foi até mesmo tema do Fantástico o sujeito que fez uma tese de doutorado em antropologia sobre o churrasquinho de rua no subúrbio. Após alguns segundos de hesitação fiquei puto com a história.

Existe todo um interesse coletivo no ensino e por isso existem faculdades públicas nas quais o aluno não paga pra estudar ou em certos casos chega até mesmo a ser remunerado para estudar. Imagina-se que o objeto do estudo nessas faculdades devem igualmente refletir o interesse coletivo que gerou a criação e manutenção de tais cursos.

Não consigo ver o interesse da coletividade em um tese de doutorado sobre o churrasquinho de fundo de quintal, assim como tenho dificuldade em enxergar a necessidade de teses sobre o chorinho, samba ou futebol. Esses são temas populares mas não de interesse público. A pesquisa sobre samba ou churrasquinho pode ser muito interessante de se fazer, no estilo “unir o útil ao agradável”, mas a minha ressalva é justamente quanto a utilidade para a coletividade que com seus impostos mantêm a faculdade.

Como não sou completamente preconceituoso, acho que aqueles que queiram pesquisar tais assuntos devem utilizar um pouco a imaginação e buscar patrocínio privado para sua pesquisa que não necessariamente tem que ser uma tese mas pode ser um livro ou um artigo. Por exemplo, se eu quero fazer uma pesquisa sobre o churrasquinho de subúrbio posso buscar um patrocínio na Sadia, Perdigão ou outro frigorífico, se o pesquisador conseguir mostrar a relevância de sua pesquisa duvido que eles se neguem a financiar tal trabalho. Em relação ao Samba, temos a Associação de Escolas de Samba com dinheiro até dizer chega (se com os valores que eles cobram eles não tiverem dinheiro, isso pode até mesmo ser a matéria da pesquisa), acho que um projeto bem feito deverá ser patrocinado pela associação sem problemas.

Por outro lado, sinto falta de pesquisas bem feitas em que há interesse público. Não vejo pesquisas contendo números claros sobre a educação, saúde, violência e assim por diante. Esses são assuntos muito debatidos na mídia mas as fontes são um tanto quanto escassas. A polícia ainda utiliza como referencial para a questão da violência na favela uma tese de 1985 que traça o perfil das diversas favelas do Rio e aspectos correlatos a estas.

Acho que a conclusão é óbvia, dá muito mais trabalho fazer um trabalho sério sobre um assunto sério do que comer um churrasquinho na casa do vizinho. Então, que o malandro saiba ser malandro para conseguir o dinheiro para viver da sua malandragem em outra freguesia, e que tal a freguesia privada.

sexta-feira, dezembro 19, 2003

VOLTEI !!!!!

Após problemas técnicos dos mais diversos e uma quarentena forçada eu consegui voltar...

Ainda continua a velha configuração esquisita, os acentos estranhos, a falta total de saber como inserir anexos e mais um monte de coisa mas pelo menos estou de volta.

Citando Roberto Carlos:
"Eu voltei, voltei para ficar
Por que aqui, aqui é meu lugar..."

quinta-feira, julho 03, 2003

ANTÍTESE

No jornal hoje publicaram duas coisas no mínimo antagônicas.

Na primeira se dizia que porte ilegal de armas passaria a ser considerado um crime hediondo, algo que tecnicamente soa muito estranho e extremamente populista. Temos pena para o crime, temos processo legal, o que falta não é considerar um crime como hediondo mas sim punir o crime que está sendo cometido e apreender as armas ilegais. Curiosamente, a maior parte das armas frias são utilizadas por policiais fora de serviço. Será que a minhoca come o próprio rabo?
Em tempo, estupro não é crime hediondo mas porte de arma ilegal agora é.

No bloco seguinte aparece que os fazendeiros do pontal do Paranapanema estão se armando para encarar os Sem Terra. Os caras com vários rifles, vários revolveres e até mesmo uma AK-47, isso já é sacanagem. O cara aparecer com arma ilegal na televisão e mostrando a cara. Na boa, isso é muita certeza de impunidade.
Será que esses capatazes vão ser presos e processados pelo crime hediondo que estão cometendo?
DUVIDO. E a gente ainda consegue sair na rua sem saco de papel na cabeça e acabam sabendo por aí que a gente é brasileiro. Que mico.
QUE SACO!

Impossível acessar meu blog. Eu não consigo ver se meus posts estão sendo publicados, eu não sei o que fazer, não sei com quem reclamar e aposto que se eu reclamar só para eu me dar mal e ficar sem razão o blog vai estar funcionando normalmente.

Que a sorte esteja lançada e que esse blog volte a funcionar normalmente...

terça-feira, julho 01, 2003

MTV ROCK GOL

Qualquer um odeia assistir uma pelada ruim e sem graça, como exceção daquele pessoal que assiste XV de Piracicaba contra Porciúncula pela 3a. divisão do campeonato paulista. No entanto, o MTV Rock Gol é uma pelada ímpar, os jogos são horrorosos como em qualquer pelada mas o esquema dos narradores e da galera que faz a parada é muito boa. Acho que os jogos da Seleção Brasileira e do Botafogo seriam bem mais interessantes se ao invés do Galvão Bueno, do Casagrande e do enxaqueca do Noronha os narradores fossem os mesmo da MTV. O jogo ia continuar sendo horroroso mas pelo menos o público iria se divertir.
Estou meio sem tempo de escrever. Acho isso horrível!

Tanta coisa a ser dita, tanta coisa a ser criticada e eu não tenho um tempinho para escrever umas linhazinhas.

Fica a promessa de que vou tentar manter minha meta de Ano Novo de escrever pelo menos um post por semana.

Se eu não criticar nada, fica sem sentido o blog e fico me sentindo um cara hermético como um daqueles personagens de filme que grita no travesseiro ou grita dentro de um balde e apesar do grito, ninguém ouviu, ou pior ainda, houve um grito que enquanto durou foi ouvido pelos que estavam ao redor mas que depois se perdeu como palavras soltas no ar. E como palavras soltas no ar acabaram esquecidas.

Definitivamente, não quero me esquecer do que eu tenho a dizer...
BRASIL X FRANÇA

Gosto do Veríssimo mas não gostei da resenha dele de quinta-feira. Ele demonstrou um desconhecimento de causa que contraria tudo o que ele afirma.

As greves contra a alteração no sistema de previdência na França têm em vista a proteção de um direito da população francesa caracterizado por um sistema razoavelmente justo de aposentadoria na qual os aposentados têm uma vida digna, sistema de saúde e mais uma série de benefícios que são distribuídos por toda a sociedade. O povo vai para rua porque não que ver seu direito se esvair e a alteração de seu wellfare state que sempre foi um símbolo do poder francês e acima de tudo um direito do cidadão francês.

Por outro lado, no Brasil está-se combatendo uma classe de privilegiados que tem uma aposentadoria francesa enquanto a maioria do país tem uma aposentadoria queniana. Chamo a atenção de que a grande mudança no sistema de aposentadoria do serviço público só vai ser alterado em relação àqueles que ganham mais de R$2400.00, o que não é qualquer um.

Convenhamos, Seu Veríssimo, é por isso que a população não vai para a rua fazer greve geral e greve dos transportes. Pelo simples fato de que a maioria da população não vai ser em nada prejudicada pela alteração no sistema e quem sabe talvez seja até um pouco beneficiada. Pra não dizer que não houve nenhuma reivindicação contra, vira e mexe um ministro do Supremo Tribunal Federal ou um Procurador Geral de Justiça reclamam e fazem cara de muchocho quando falam em reforma da previdência e outro dia teve uma passeata de bem afortunados que pegaram aviões e lotaram os hotéis de Brasília para se manifestar contra a perda de privilégios.

Espero que o país e a sua mídia kaneiana acordem para o fato de que não existe fórmula secreta para fazer um país socialmente mais equilibrado. São necessárias ações diretas e uma delas com certeza é acabar com privilégios.

Agora, meu caro Lula, explique para as pessoas a sua intenção porque a grande maioria dos beneficiários da reforma não está entendo bulhufas do que está se propondo, assim fica mais difícil conseguir apoio.

terça-feira, junho 24, 2003

PREVIDÊNCIA

Existe uma grande diferença entre um direito e um privilégio, em alguns momentos, no entanto tentam fazer com que a diferença seja inexistente ou extremamente sutil.

Atualmente está na moda se falar no Brasil em reforma da previdência. Muito antes de ser tema do Jornal Nacional um amigo meu economista me explicou os vários aspectos da necessidade de uma reforma de previdência no país e concluiu: “são muito poucos os que mamam muito nas tetas da mãe gentil enquanto uma grande maioria é completamente desassistida de previdência social”.

Concordei com ele e fiquei feliz em ver que o governo Lula se prontificou a acabar com tais privilégios, quem quiser se aposentar ganhando salário integral de fim de carreira que faça descontos progressivos e que façam sentido em termos atuariais. O oficial das forças armadas, por exemplo, começa como tenente e faz uma longa carreira, no final da carreira chega a coronel e depois de uns 3 anos na função pode se aposentar com ganhos na função acima, ou seja, general. O cara nunca colaborou para a previdência como general e vai ficar até morrer recebendo como um. Não quero entrar no mérito dos baixos salários militares que não justificam esse tipo de privilégio. Apesar de eu mencionar os militares, cabe ressaltar que em outras diversas carreiras públicas existe esse mesmo tipo de “contabilidade”. Não precisa dizer que quem tapa o buraco financeiro é o governo, União, a pátria mãe gentil.

Enfim, isso não é um direito. Isso é um privilégio. Enquanto a maioria da população chega a idade de aposentadoria e se depara com um salário mínimo ridículo com o qual ele supostamente tem que viver sua terceira idade, uma minoria continua ganhando, e bem, para não fazer nada, ou nos piores casos em que há uma aposentadoria cedo o sujeito se aposenta, ganha a sua grana e ainda vai trabalhar em um escritório ou em uma consultoria. Convenhamos, isso não é razoável, isso não é justo, isso não é um direito. Abaixo o corporativismo e viva a esperança de um sistema de previdência social justo.

sexta-feira, junho 13, 2003

DIA DOS NAMORADOS

Botei o título só pra zoar. Na boa que seria um tema óbvio, possivelmente superficial e acabaria recaindo no piegas. Alguns posts atrás prometi a mim mesmo que tentaria não ser mais um cara óbvio.

Acho que estou conseguindo, mesmo que para isso tenha que colocar um título óbvio e depois me explicar que não vou falar sobre um assunto óbvio. Que armadilha...
BODE PRÉ FINAL DE SEMANA

Queria falar um pouco sobre o Lula e seu começo de governo mas estou completamente cansado e com vontade de fazer as pazes com Morfeu.
Promessa de post sobre o assunto em breve.

Um monte de aniversários nesse final de semana e estou no maior bode. Desinteresse total de rever pessoas que não vejo há um tempão, sendo que o pior não é nem que eu não goste das pessoas, o que eu não quero encontrar são aquelas pessoas que eu conheço mais ou menos e vou acabar me sentindo obrigado a tentar achar um papo em comum e ficar forçando um lance social e babaquices do gênero.

Acho que vou passar o final de semana pensando num nome para o meu bode.
EXISTE ESPERANÇA

Estava saindo hoje cedo para o centro e encontrei com minha vizinha do apartamento de baixo no elevador. Acabou que ela também ia para o centro e fomos juntos batendo papo sobre os mais diversos assuntos fúteis. Apesar de ela viver no casulo embaixo do meu eu nunca tinha tido oportunidade de conversar com ela. Rolava no máximo um papo de elevador de 20 segundos e só.

Achei legal bater um papo despretensioso e fútil sem grandes pretensões além de um papo matinal no ônibus. Me senti como uma daquelas pessoas de cidade do interior que podem conversar umas com as outras sem que fique caracterizado algum interesse. A conversa é para passar o tempo e ao mesmo tempo conhecer um pouco mais de uma pessoa, e só. Não rola azaração, não rola golpe do baú, não rola tentativa de estrangulamento, não rola papinho de status sem graça, em resumo, não rola nada mais do que um papo light matinal sem qualquer relação com as paranóias urbanas de não fale com estranhos.

Fiquei feliz em conhecer a pessoa que mora abaixo de mim há não sei quantos anos e ver que às vezes no susto encontramos pessoas interessantes nas esquinas da vida. Ainda existe uma esperança na humanidade.

Já ia me esquecendo, também pedi desculpas pela infiltração que obrigou a quebrar todo o banheiro dela.

terça-feira, junho 10, 2003

TIROS EM COLUMBINE 2

Finalmente consegui assistir o filme, me atrasei e perdi uns 10 minutos do filme mas deu pra entender o contexto.

O aspecto negativo é que o Michael Moore tem aquela típica pretensão norte-americana de se achar o cara mais fodão do mundo e vai seguindo essa trilha de o sujeito que busca a verdade acima de tudo. O que acontece é que ele usa a sua prepotência de uma forma diferente ou alternativa o que faz com que haja uma torcida a seu favor em qualquer berço semi-intelectual brasileiro que vê o americano típico com ressalvas.

No mais, o filme é um bom documentário. Cenas das mais diversas, assuntos dos mais diversos, alguma comédia, algum drama e aquele aspecto de colcha de retalhos chique que não faz com o que filme pareça um daqueles documentários malas do People & Arts. Achei curiosa aquela coisa dele chamar atenção quando ele fala o óbvio na frente das pessoas e fica se repetindo esperando uma resposta e o interlocutor com cara de bunda sem saber o que responder, é meio didático e mas a torcida gosta desse tipo de atitude.

O que eu mais gostei foi do humor dele em certos momentos, aquela coisa de ficar abrindo as portas no Canadá ou o filminho sobre a história dos americanos. O ponto culminante do filme foi o fato de ele não fechar com uma conclusão. Já temos tantas conclusões na vida e às vezes é bom assistir um bom documentário sem conclusão e depois ficar debatendo por um certo tempo o filme comendo pizza e tomando chopp com uns amigos gente boa.
FRASE DO DIA

“Sou contra qualquer forma de opressão ao homem, a começar pela cueca”.

(autor anônimo)

terça-feira, junho 03, 2003

MATRIX RELOADED

Achei muito maneiro aquele lance de “Por que a pergunta se você já sabe a resposta?”. Interessante observar que na vida uma grande maioria das perguntas que nós fazemos já sabemos as respostas mas fazemos mesmo assim pra confirmar nossas expectativas ou confirmar a nossa certeza. Nós não somos tão bobos quanto parecemos e nosso cérebro funciona bem direitinho.

O complicado que esse nosso mecanismo de pré-respostas cria o preconceito, ou seja, um conceito antes do conceito, o que por vezes é ruim pois damos passos maiores do que deveríamos com base em aspectos superficiais ou em premissas que vira e mexe estão erradas.

Tenho que admitir que sou preconceituoso, adoro criar conceitos anteriores e ver que acertei ou errei em relação aos mais variados aspectos. Algumas pessoas são previsíveis e não tem a menor graça pois são o óbvio ululante Nelson-rodrigueano. Já em relação as outras, imprevisíveis, não tenho como não dizer que isso não me fascina numa pessoa.

Quero não ser óbvio. Me desculpe se isso soou como um comentário óbvio.

segunda-feira, junho 02, 2003

TIROS EM COLUMBINE

No meu domingo lamentável e deprê eu queria ter ido assistir esse filme. Acabou não rolando, fiquei com preguiça de ligar pra todo mundo e as pessoas ou dizerem que não tavam a fim de ir ou me chamar para fazer algum programa que eu não estava a fim.

Acabei combinando com uma amiga de ir no próximo domingo. Estou me sentindo completamente europeu nesse esquema de combinar as coisas com uma semana de antecedência.

Duas coisas esquisitas é que estou criando uma expectativa animal em relação ao filme que dificilmente será correspondida e que estou ficando com uma vontade surreal de furar e fazer alguma outra coisa melhor. Sinistro! Eu nunca tive tanta vontade de furar um programa só pra fazer jus aquele lance de “no Brasil nada se combina com antecedência pois nós somos muito informais”.

Já sabe, se na próxima segunda não houver um post sobre o Tiros em Columbine é pq honro a minha origem latina acima de tudo e não porque sou um chato mimado que gosta de ir no contra em tudo e que acha que as pessoas devem fazer o que eu estiver a fim de fazer quando eu estiver a fim de fazer.

... também estou a fim de assistir o Conto de Outono. Mas isso já é assunto para outro post.
DOMINGO

Às vezes acho que o domingo é uma ode a morte disfarçada no fim de semana. Acaba sendo um dia em que se faz menos do que deveria, e se faz-se mais do que deveria haverá resquício ao longo de toda a semana que se inicia.

Se rola um certo bode no final de semana, o domingo é o dia no qual o bode toma proporções absurdas que beira a depressão.

Todo domingo eu fico com dor de cabeça, seja porque dormi demais ou porque dormi de menos. Dormir a tarde no domingo é um paliativo. O pior é que acaba rolando uma insônia dominical e stress porque tem que acordar cedo no dia seguinte. Que saco!

Domingo tem várias coisas escrotas. Meu domingo típico ideal seria: acordar umas 8, assistir Globo Rural tomando café da manhã, assistir a Formula 1 lendo o jornal, voltar a dormir. Acordar e ficar lendo algum livro interessante na cama. Receber um telefonema de uma alguém interessante e ir andar nas paineiras. Depois da caminhada, almoço em Santa Teresa. Ir para casa, tomar um banho, ver o Botafogo ganhar de algum time difícil, ir ao cinema assistir um filme maneiríssimo, cheio de idéias novas e sem uma gota de sangue. Sair do cinema e ir com pessoas interessantes tomar 3 chopps e discutir o filme e o mundo todo em nossa volta. Dormir bem de domingo para segunda.

Na boa, não falei nada demais e tenho consciência de que não estou pedindo muito nesse domingo dos sonhos palpáveis. Acho que nunca vou realizar esse domingo típico ideal, seja por culpa do Botafogo, pelos filmes em cartaz, pelo fato de que eu não poderia me dar o prazer de desfrutar de um domingo típico ideal. Com licença, tenho que voltar ao trabalho e até o próximo domingo.

sexta-feira, maio 30, 2003

VOCÊ EXISTE?


Sabe o que eu gosto em você? Sua humanidade. Vejo tantos estereótipos por aí e você é tão humana. Você pensa, fala sobre coisas sérias, bota os óculos quando quer fazer charme intelectual, fala bobeira, faz fofoca, chora quando ouve histórias tristes, liga para a sua mãe a cobrar porque acabou o cartão, jura que não vai mais comer doce, chama o conhecido que está sozinho para sentar-se na sua mesa, gosta de passear na loja de CDs mesmo que não seja pra comprar nada, não se lembra da primeira vez que recebeu flores, admira intelectuais, vai dar esporro na galera que tá fazendo zona na biblioteca, não deixa sublinhar os seus textos, passa a limpo cadernos, fica de vez em quando olhando para o nada, dá boa noite para o porteiro, fica vermelha quando tá sem graça, finge que gosta de dirigir, tenta organizar eventos pra juntar todo o pessoal e mais um monte de coisa...

Você tem diversas qualidades mas tenho que ser sincero de que a que mais me impressiona é a presença explícita de humanidade em você. E o que eu mais gostei ainda foi quando eu lhe disse tudo isso e você ficou vermelha.
BIGODE

Quem será que foi o primeiro cara a usar bigode no mundo?

Quem será que foi o cara que a navalha ficou cega antes dele barbear-se acima da boca e sem tempo nosso prezado inventor acabou deixando uma pelugem bizarra mas que acabou sendo elogiada pelos colegas de trabalho e depois virou moda na região e no mundo.

Apesar de jurar a mim mesmo que jamais usarei um bigode, gostaria de saber quem foi o cara que inventou algo tão inusitado e dar-lhe meus sinceros parabéns por uma invenção tão peculiar.

... ainda vão inventar o feriado do bigode.

quarta-feira, maio 28, 2003

MATRIX RELOADED

Não sou nerd, não sou fã do Keanu Reeves, não sou adorador de efeitos especiais, não sou de ir ao cinema na estréia só pra ficar tirando ondinha, não acho a premissa do Matrix genial, não sou mais um monte de coisa. Fui assistir ao Matrix Reloaded e achei animal, não vou ficar descrevendo porque não faz sentido e além disso ainda estou digerindo alguns aspectos do filme.

É tão bom ir ao cinema e sair pensando depois. Discutir algo diferente do cabelo da Glenn Close ou do sapateado do Richard Gere. É aliviante ver que ainda existe espaço para se divertir e pensar um pouco ao mesmo tempo.

Recomendo assistir o Matrix 1 antes só pra dar um relembrada na história e depois é só partir pro abraço. Bom Reload e enjoy the journey.
DROGAS

Acho que todos estão convencidos que a melhor propaganda contra as drogas já feitas são bem recentes e estão surtindo efeito.

Diferente daquele papo de “Droga é uma merda” ou “Droga é brega” com desenho do Ziraldo que não colava pelo simples motivo de que se as drogas fossem ruins, ninguém ia querer curtir um barato, não ia fazer o menor sentido fumar bagulho em Mauá ou cheirar com os colegas de mercado financeiro, ou seja, dizer que droga é ruim, não cola.

Bem, a primeira das campanhas contra as drogas recentes que foram bem feitas é aquela que mostra o sujeito matando alguém num sinal e num rewind acabamos vendo que a grana com a qual ele comprou as armas veio de uma venda de drogas. Simplesmente deixou claro que as drogas estão relacionadas com o tráfico de armas (se traficante só tivesse estilingue não ia rolar o caos atual) e a violência de uma forma geral.

A segunda boa campanha foi o The Osbournes na MTV. Depois de ver o Ozzy Osbourne completamente lesadão e cheio de seqüelas de uso pesado de tudo o que via pela frente eu estou com medo até de tomar dois chopps. Sinira, pra ficar daquele jeito eu prefiro virar um vegetariano ortodoxo pelá-saco.

Acho que o caminho de quem quer fumar seu bagulinho sem peso na consciência é longo e tortuoso, simplesmente é fazer campanha a favor da descriminalização das drogas leves ou plantar em casa e consumir discretamente. Só cuidado pra não ficar que nem o Ozzy Osbourne.

segunda-feira, maio 19, 2003

GELOL

Na boa que as propagandas de Gelol são coisas que marcaram a minha infância e até hoje uso a expressão pai gelol para identificar aquele pai que fica o tempo todo pajeando o filho.

Aqueles estabacos da galera no anúncio são geniais, neguinho desce do ônibus, cai em cima da barraquinha de frutas, empurra o cara da bicicleta que esbarra na freira e assim por diante e sempre achei muito maneiro, com a felicidade de que passando gelol a dor dos atores iria passar e nenhum animal silvestre havia sido ferido nas gravações do comercial.

Com as pegadinhas e vídeo cassetadas as propagandas do gelol ficaram meio esquecidas. Hoje, no meio de um programa de televisão veio a nova propaganda. Me senti recompensado! Muito maneiro, é o cidadão caindo daqui, o outro agarrando de lá, toda uma tradição presente naquela propaganda.

Surge a pergunta, será que os caras de machucam na gravação? E quando eles se machucam, só passam gelol ou rola uma visitinha ao posto de saúde mais próximo.

Vale a pena assistir...

sábado, maio 17, 2003

BIENAL

Tenho trauma de bienal. Fui uma vez num sábado nublado, pior dia impossível porque todo mundo que não tinha o que fazer estava lá. O Riocentro estava cheio pra caralho, os livros estavam caros ou o mesmo preço da livraria. Os importados, que eram uma esperança, estavam mais caros do que na internet. Não consegui encontrar o Veríssimo no dito Café dos Artistas (aliás não vi nenhum artista apesar de dizerem que eles vêm para a Bienal!). Como se não bastasse a acústica da parada é uma merda e fica um eco mega stressante. Programa de índio 8 machadinhas.

A única coisa boa que fiz foi comprar uns livros de um real na LP&M, e só (na época os livros pockets da LP&M custavam um real).

Seria melhor ir durante a semana? Acho que deve dar pra ver as coisas com calma e curtir o programa apesar dos moleques de escola pública que atulham o lugar porque entram de graça e a professora acha que está lhes dando cultura uma vez que eles estão olhando uns livros e uns mais exaltados até mesmo folheando.

Não, bienal não é a boa.

sexta-feira, maio 16, 2003

TREVAS

Às vezes a gente lê algo bonito e tem que colocar no blog pra não esquecer. Li o seguinte trecho de poesia nas considerações finais de um livro, a poesia é de um poeta turco chamado Nazim Hikmet Ran e diz:

“Se eu não me queimo,
se tu não te queimas,
se nós não nos queimamos,
como as trevas
se tornarão claridade?”

Acho que isso foi pertinente no livro e acho que também se aplica ao caos de violência existente atualmente no Rio. O Rio precisa de uma resposta da sociedade civil, a população não pode ficar esperando resposta das autoridades de braços cruzados.

A sociedade civil tem que se mexer, dedurar o traficante que vende drogas na esquina, dedurar o policial corrupto que solicita propinas, não pode aceitar que o tráfico dite feriados, não pode ficar assistindo tudo no RJ TV e depois soltar palavras de ordem inertes no cafezinho do escritório achando que está fazendo algum bem. Quero deixar claro que não necessariamente são necessários atos de heroísmo mas são necessários pequenos atos que digam a bandidagem que eles não venceram e que as trevas vão virar claridade.

quinta-feira, maio 15, 2003

NA SURDINA

Interessante observar que o ilustre Senador Sérgio Cabral (RJ) apresentou um projeto de lei no Senado que concede porte de armas a policiais municipais de cidades com mais de 2 milhões de habitantes. Eu tenho que admitir que fiquei chocado com a notícia.

A notícia foi sutilmente colocada no jornal, ou seja, a mídia não que discutir profundamente o assunto mas atendeu a assessoria de imprensa do ilustre (!?!) senador. Solta a notinha, coloca o nome dele pra chamar a atenção e tá bom.

A outra coisa que me chamou a atenção foi o conteúdo. Não bastando o caos de autoridades que temos no Rio de Janeiro, o projeto quer criar mais uma milícia armada. Isso é no mínimo absurdo! Já temos armas demais na polícia (diferente do antigo policial que subia o morro com um .38, atualmente a polícia não faz feio frente a bandidagem) e parece um pouco óbvio que tudo que a política de segurança do Rio menos precisa é mais gente armada.

Espero que o Sérgio Cabral Filho cresça e amadureça e perceba que violência não se combate com violência sob o risco de aumento da violência tender a extremos. Espero que ele também perceba que violência não se combate com populismo barata. Lamentável, senador.

segunda-feira, maio 05, 2003

TUBARÃO 2

Lamentável o linchamento do tubarão no Rio de Janeiro, os especialistas já tinham cantado a bola de que aquela espécie de tubarão só ataca humanos em casos excepcionais e que está de passagem no litoral carioca e coisa e tal. A mídia cria um pânico e os bestas quadradas vão lá e lincham o bicho que não tem nenhuma culpa no cartório. A espécie que está em risco de extinção aumenta mais ainda o seu risco e fica todo mundo com cara de bunda depois quando o Brasil é considerado um país ecologicamente incorreto.

Um dos problemas do tubarão enquanto espécie é que ele não tem uma boa assessoria de marketing. Deixaram veicular os famosos filmes Tubarão 1, 2 e 3, apesar do protagonista do filme ser um tubarão branco toda a espécie acabou vítima do preconceito e acaba tendo que pagar com suas vidas pela má fama, vão ser necessários largos investimentos pra reverter essa imagem. Temos outros animais aquáticos que tem famas em vista de sua assessoria de marketing, a baleia orca, por exemplo, tem aqueles programas do Discovery Channel dela comendo pingüim sanguinolentamente na Antártida, mas para compensar tem uns filmes tipo Free Willy e no Sea World elas se exibem e viram animal de pelúcia. A assessoria das tartarugas tem feito um bom trabalho com o projeto Tamar e tudo mais mas convenhamos que é um bicho meio feinho e o fato de ter fama de lerda adquirida pelas espécies terrestres não ajuda muito mas faz-se o possível.

Mas a melhor assessoria de marketing de animais marítimos é a do golfinho, essa sim é de invejar, o golfinho é conhecido como um animal gentil, inteligente, simpático, gosta de crianças, ágil, afetuoso e ainda por cima são mamíferos, são bichinhos de pelúcia, símbolo de um monte de coisa boa, nome de banda em Portugal, ironicamente no Tubarão 3 são eles que salvam uns mergulhadores que iam ser comidos pela Sra. Tubarão que estava furiosa.

Acho que vou deixar de ser um tubarão para ser um golfinho, tem tudo pra dar certo.

terça-feira, abril 29, 2003

TUBARÃO 1

Sempre que leio uma reportagem sobre tubarão mordendo gente em Recife eu fico agoniado. Porra, será que esses surfistas pernambucanos são uns imbecis ou é impressão minha.

Desde não sei quando se ouve falar que os tubarões estão atacando direto surfistas e mesmo assim neguinho insiste em surfar, isso pra mim não é amor ao esporte, é só burrice mesmo. Li uma reportagem na Trip uma vez e a parada é bizarra, neguinho perde perna, se fode todo, fica o maior tempão de molho. Depois que eu li a reportagem eu fiquei duas semanas com medo até de molhar o pé na beirinha, e olha que depois que eu assisti Tubarão 1 eu só fiquei uns 3 dias sem entrar na água, pra sentir o drama da reportagem.

Têm tantos outros esportes e neguinho insiste em surfar, vai soltar pipa, jogar futebol de praia, peteca, cuspe em distância, qualquer coisa que não consista em entrar na água numa prancha e ficar parecendo uma tartaruga ou qualquer outro animal que seja o prato predileto de tubarão.

quarta-feira, abril 16, 2003

SILVEIRIÑA OU FOMOS SALVOS POR UMA EX-MULHER

Sei que o assunto é meio batido mas não me canso de ver a cara do Silveirinha e sua trupe presos. Porra, quem dedurou os caras foi uma ex-mulher de um deles que botou a boca no trombone e lá vai a galera para o xilindró light (a cadeia dos caras é um dormitório de quartel da PM, prisão super especial se comparada as casas de custódia do Rio).

Como todos devem saber, existem diversos métodos investigativos para se encontrar provas que incriminem uma pessoa. No entanto, no Brasil não temos a menor tradição investigativa e as coisas acontecem e ou é feito um flagrante ou a coisa acaba ficando de graça. Aquela coisa de filme do cara heroicamente conseguir umas provas que incriminem um sujeito não existe.

Em vista de nossa tradição, muita coisa fica no achismo e achismo não é suficiente pra incriminar ninguém. No caso do Silveirinha e trupe, havia polícia estadual, polícia federal, ministérios público estadual e federal e ainda uma Comissão parlamentar de inquérito da assembleia estadual envolvidos e ninguém conseguiu arrumar nada que incriminasse o sujeito, e lá estava ele passeando na praia aproveitando sua licença da fiscalização.

Sorte nossa que a ex-esposa de alguém da trupe colocou a boca no trombone e soltou o verbo e falou que o cara fez e aconteceu. Fomos salvos por uma ex-mulher.

Se vai ser o suficiente pra incriminar e condenar a prisão, eu não sei. Mas aprendi duas lições:
- dá pra gente ter fé na punição de picaretas,
- cuidado com aquela pessoa que dorme ao seu lado, ela não é boba.
... minha resolução de fim de ano foi pro espaço.

Não estou conseguindo escrever um post por semana, nem que seja pra falar mal de alguma coisa óbvia ou comentar alguma notícia de jornal.
O pior é que existem diversas coisas sobre as quais eu gostaria de falar e cadê o tempo para escrever.

Como se não bastasse tudo o que está acontecendo estou disvirtuando o meu lado crítico para falar sobre outros assuntos. Bem, isso é uma auto-crítica e acho que pode ser vista como uma crítica!

terça-feira, abril 15, 2003

FRAGMENTOS DE UMA RESPOSTA

Não tenho idéia do motivo pelo qual o cartão de aniversário foi enviado pra vc. Foi mal.

Em relação a nossa amizade, tenho que admitir que acho tudo muito complicado. A última vez que falei com vc ao telefone achei tudo muito estranho e me senti mal, eu só queria continuar seu amigo e não queria que vc sumisse do dia para a noite da minha vida mas deu pra sentir que vc não tinha o menor interesse nisso e precisava de um tempo. Naquele telefonema, tive a sensação de que para vc eu era um nada, um sinônimo de indiferença, um cara que não tinha noção do que é ser inconveniente e isso me incomodou.

Não, não quero lhe ver e ter uma sensação semelhante a daquele telefonema. Fui grosso quando vc quis falar comigo depois ou quando lhe encontrei por algum ocaso. O problema é que não queria falar com vc. A situação me incomodava. Por esse mesmo motivo eu nunca lhe convidei para o reveillon, eu não fui no aniversário da nossa amiga, não liguei no seu aniversário e fico morrendo de curiosidade em saber como está a sua vida mas não pego o telefone.

Não, eu não consigo ficar indiferente em relação a você. Já tentei, mas apesar da gente ter terminado há mais de um ano em alguns momentos vc continua presente em minha vida e a cicatrização é muito difícil. Tenho sentimentos complicados de definir, vc ainda é um dogma, ou seria um paradigma? Às vezes tenho a sensação de que quando terminamos eu ainda gostava muito de vc e ficou um vazio muito grande. Eu gostava de vc não só como namorada mas também como uma pessoa que me ouvia, me entendia e com a qual eu tinha afinidade e de repente não restou nada. Vc me fazia uma pessoa melhor.

Estou aliviado depois de falar um pouco do que estava engasgado. Não sei se vc queria ouvir, mas eu precisava falar. Não sei se foi uma resposta muito longa para um despretencioso e-mail de 5 linhas. Não sei se vc vai achar estranho, beirando o psicótico, eu, do nada, dizer que vc não é indiferente para mim. Não sei se vc vai ler esse e-mail e muito menos responder. Não sei se estou usando o tom certo. Não sei se estou falando exatamente o que gostaria de falar. Algumas incertezas como tempero...

Espero que vc seja feliz, vc merece.


sábado, março 29, 2003

BROOKLIN FUNK ESSENTIALS

Já aviso pra não criarem expectativas, o som não é genial. No entanto, achei meio maneiro a coisa meio reggae, meio black music, com uns ritmos meio diferentes de vez em quando. Logicamente nenhuma banda de black music (não sei se são negões roots porque nunca vi foto deles!) estaria completa sem um cara com voz Barry White, sendo que diferente do original o instrumental é mais bacana. No mundo das metáforas, poderia dizer que eles são um UB40 só que mais black, são um Lenny Kravitz que não saiu para o rock, são um Bob Marley que viveu nos anos 90 viajou ao redor do mundo e tomou ecstasy em Amsterdam.

Gostei de Martha e Mambo con Dancehall mas ainda não ouvi relativamente pouco eles.

Não sei ainda a hora do dia em que cai bem ouvir ou se dá pra tocar em uma festa mas, sei lá, é uma dica. Só não vai pagar mico e sair dançando naquele esquema gringo bêbado e depois botar a culpa em mim.

sábado, março 15, 2003

HUMANISMO

Escrevi outro dia que apesar de ter uma série de preconceitos eu ainda poderia me considerar um humanista, principalmente se comparado a outras pessoas do meu meio que são tem umas posições fascistas que fariam o Hitler corar.

Estou reproduzindo uma parte de um texto do Dostoieviski que reflete a minha idéia de humanismo. Seria algo como “O homem é um enigma, se você passou a vida inteira tentando decifrar esse enigma, não diga que perdeu seu tempo” e “Eu quero aprender esse enigma, porque eu sou antes de tudo um ser humano”.

A vida humana e o homem têm que ser valorizados para que se possa manter a fé na humanidade. É fato que algumas barbaridades acontecem mas ainda assim precisamos ser humanos e tentar entender qual foi o erro, fazer o possível para evitá-lo e punir aqueles que cometem as ditas barbaridades dentro de limites razoáveis. Sou contra o olho por olho e dente por dente, a resposta à violência com mais violência, aos grupos de extermínio, a pena de morte e demais soluções que fazem uma analogia entre a vida humana e o extermínio de uma erva daninha.

Por favor, me deixem ter um pouco de fé na humanidade. Preciso ler mais Dostoieviski.

sexta-feira, março 14, 2003

SEXTA-FEIRA

Existem varias odes a sexta-feira e tenho que admitir que hoje estou num clima completamente sexta-feira hoje. Tem musica do Cidade Negra, Sertaneja, The Cure e mais um monte de gente que nao me lembro. Porra, estou cantando todas as musicas ao mesmo tempo e feliz pra caralho!

Mandar uma cervejinha gelada, fumar um cigarro relaxado, ver gente diferente, bater papo com os amigos sendo que todo mundo meio bebado, sair a noite de bermuda e agradecer a Deus por ser carioca e poder ser informal, ficar vendo uma mulheres gatas passando e me considerar feliz por estar vivo, nao levar ninguem a serio, bater papo com aquela mulher que vc tem uma queda e descobrir que ela estah solteira, ir num lugar que nao tenha nenhum pitboy num raio de 500 metros, cantar parabens e fazer nada menos obvio do que cantar "com quem serah" (sei que eh brega mas ainda acho maneiro!!), pensar se esqueceu algum carona, nao estar a fim de ninguem pra poder ficar efetivamente livre, leve e solto e mais tanta coisa que nem sei como contar aqui.

No fim, pra relaxar antes de dormir, lembrar que no dia seguinte nao tem que acordar cedo ou fazer barba tambem eh impagavel.

Agora, eh soh aguardar tocar o sinal.
Chefe is around...

Ativar site com alguma coisa interessante. Site ativado.

Fazer cara de serio. Cara ativada.

Colocar mao no queixo. Ainda nao ativada pq eu nao consigo digitar com uma mao soh.

O pior eh que o bendito chefe vira e mexe chega na minha mesa por tras. Acho que vou comprar um espelho retrovisor...
(ainda sem acentos)

Quando eu iniciei este blog, tinha o intuito de falar o que vinha a minha cabeca sem papas na lingua e sair esculachando tudo e todos. No entanto, cheguei a algumas conclusoes dramaticas.

A primeira e de que posts muito grandes nao sao atrativos de se ler. Por outro lado, pra conseguir demonstrar uma linha de raciocinio acerca de alguma ideia eu tenho que fazer um post grande e perder um tempao escrevendo. Acho que vou dar preferencia a posts menores e criticas pontuais, mas eh claro que pretendo ocasionalmente botar uns mega posts pra manter a tradicao.

Outra parada dramatica eh que eu achava que poderia colocar coisas polemicas deixando claro o meu ponto de vista e todos os meus preconceitos. No entanto, cheguei a conclusao de que tem tanta gente com mais preconceitos e posicoes polemicas e radicais ao meu redor que estou comecando a me sentir um cara light. Eh um tal de neguinho falando em torturar nao sei quem, jogar bomba nao sei onde, estuprar o estuprador, esquecer na prisao e coisas do genero que alem de light estou me sentindo tambem um humanista. Taih, quem falou que o humanismo morreu? O problema eh que os humanistas vao ter que se contentar comigo no time deles...
E.R. & ALIAS

(Estou provisioramente sem acentos!!)

Como todo sujeito de classe media que possui tv a cabo sou meio que viciado em algumas series enlatadas e fico falando mal de novelas. Meus dois vicios sao E.R. e ALIAS.

Acho maneirissimo E.R. e olha que eu tenho nojo de sangue e nao tenho nenhuma grande simpatia por medicos. No entanto, o que eh maneiro do seriado eh o ritmo frenetico e personagens bem interessantes tipo o Dr. Mark Green ou a enfermeira Abby. O Mark Green eh um personagem que acho bem humano e bem sacado, o cara CD que passa perrengue pra se formar que acaba sendo abandonado pela mulher por vocacao a profissao e que vira e mexe se fode, apesar dos contratempos ele eh bem humano. A Abby eh meio depre e estah sempre se fudendo mas acho a atriz uma gracinha e por isso ela tem minha simpatia. .

Em relacao ao ALIAS, um dia li uma critica dizendo que era uma das poucas coisas que o Tarantino assistia na televisao. Fui conferir lah no AXN (canal meio esqusitao cheio dos programas B). Assisti uns episodios e fiquei viciado. Eh um seriado de espionagem e tem aquelas coisas bem forcados de "querer conquistar o mundo" que eu acho muito fodas. A protagonista tambem eh bem gatinha e cheio daquela coisa de mulher inteligente, dah porrada em todo mundo e ainda eh sensivel. E a historia ainda eh bem curiosa e vai tomando uns rumos muito loucos.

Tudo bem que os seriados tem suas pieguices e seus personagens e atores canastroes mas qual boa novela nao tem? Enquanto isso fico viciado na parada e esperando pelo proximo episodio.

terça-feira, março 11, 2003


FRAGMENTOS DE UM DIÁLOGO

Estou andando na rua com ela ao meu lado, devo parecer gay porque os caras não se inibem de a secarem com os olhos quando não chegam nela.

Ela diz:
- Acho estranho esses caras que saem chegando e não consigo me sentir nem um pouco confortável. Por que esses caras estão dando em cima de mim?

Minha resposta:
- Eles dão em cima de você porque você é uma pessoa muito bonita, charmosa, consegue ter uma sobriedade sexy peculiar. Você tem um olhar profundo, um jeito de andar leve e sutil. Poucas pessoas têm um jeito de falar tão gostoso quanto o seu e ainda por cima a conversa rola fácil nos mais variados assuntos. Além do mais, você é uma pessoa interessante, tem um trabalho maneiro e ainda realiza trabalho voluntário, tem um humor peculiar. Acho que qualquer cara na face da Terra se apaixonaria perdidamente por você.

Agora, vocês querem saber a verdade? Eles dão em cima dela porque ela é gostosa mesmo. Que merda.

sábado, março 08, 2003

Tá difícil de manter uma média razoável de posts mas vou continuar tentando manter minha resolução de ano novo.

Tanta coisa rolando e eu sem tempo de comentar.

Carnaval no Rio de Janeiro. Eu não sei se gosto ou se a mídia me faz achar que é algo normal. Bons fluídos x maus fluídos.

O caos da segurança no Rio. Eu até a pouco achava que era uma coisa normal numa metrópole de terceiro mundo o caos na segurança. Metralharam um ônibus da 1001 que ia para São Paulo e comecei a ficar bolado.

O Botafogo. Lamentável tudo. Tá tudo errado.
O Campeonato Carioca, tá só errado, ou seja ainda tem conserto. Já o Botafogo.

Varig. Aquilo faliu e não sabem. Acabou, já era, parte para outra.

Acho que estou mais pra um historicista. A minha dificuldade de assumir tal rótulo é porque eu ainda tenho um pouco de esperança.

Panamericano e outro vexame brasileiro prestes a acontecer. Por que? Vide última olímpiada e vou soar como o óbvio ululante.

Tem mais coisa mas não tenho tempo agora, a campainha tocou.
Essa guerra contra o Iraque está toda errada.

Como se não bastasse tudo que está rolando, o nome do comandante geral do exército inglês é Michael Jackson.

Tá tudo errado!!

quinta-feira, fevereiro 27, 2003

HISTORICISMO X ILUMINISMO

Tenho lido algumas coisas sobre direito e filosofia do direito. Estou lendo, junto com outras coisas, “O Positivismo Jurídico” do Norberto Bobbio e estou achando o livro muito interessante.

Tem umas questões bem legais que o Bobbio coloca de uma forma simples o que faz tudo soar ainda mais interessante a discussão.

Uma das coisas que acho interessantes nesse tipo de discussão é tomar partido de um dos lados, mas às vezes as correntes tem ponto de vista tão interessante que fica até difícil a gente escolher uma. Estou intrigado com as diversas linhas de pensamento, fico na dúvida de qual dos dois seria mais maneiro, ser um historicista ou ser um iluminista.

Pseudo conclusões em breve...

quarta-feira, fevereiro 26, 2003

TRECHOS DE DOIS BÊBADOS INCONCLUSIVOS FALANDO SOBRE MÚSICA CLÁSSICA E MÚSICA POP

Estava discutindo com um amigo meu sobre o fato do Gil ter sido escolhido ministro da Cultura (sei que parece assunto de 2 meses atrás mas ainda o acho pertinente!).

Meu amigo achava muito bom pois o Gil como ministro significa que o pop havia alcançado algum reconhecimento e que não mais poderíamos ignorar os diversos movimentos culturais existentes no país. Ele usou uma argumentação muito interessante na distinção entre as funções do ministério da cultura e o da educação e o papo foi muito interessante. Estive pensando também em algumas outras discussões que já tive dentro do conflito entre música clássica e música pop, mais especificamente quando dizem que a música clássica não atrai mais a juventude.

Não entendo muito de música mas acho que a música pop é aquela que hoje em dia está em voga, melodias simples e curiosas, letras colantes e mais um monte de coisa. O Pop nas suas mais variadas vertentes está presente no nosso dia a dia com suas guitarras, sintetizadores e assim por diante. Dentro desse contexto eu incluiria também as variantes do techno, dances, heavy metal e rock.

Por outro lado, existe a música clássica ou erudita. Muito mais complexa, de um técnica extremamente complicada e de uma coordenação que só é possível depois de muito ensaio e treinamento. Um dos momentos em que é fácil notar a complexidade é quando vemos 10 violinistas tocando a mesma coisa e por outro lado numa banda de rock de 5 caras dá umas erradas bizonhas num arranjo mais simples.

Porra, tocar uma sinfonia (por mais bundona que seja) direito é foda! Por outro lado, tocar um rock mais ou menos não exige mais do que um ano de prática de 5 caras normais. Compor uma música techno também não é das coisas mais difíceis, se alguém vai dançar sem estar muito doidão é outra história.

A música erudita é extremamente complexa enquanto a música pop é algo bem mais simples. Não adianta você beber um whisky de 60 anos ernvelhecido em barril de não sei o quê se no final for se misturar com guaraná, uma caipirinha de limão com cachaça 51 pode ser algo mais simples e mais gostoso. Acho que o paladar musical atual está sem condições de degustar algo mais complexo em vista de vários fatos característicos do desenvolvimento de nossa sociedade e do fato da música ser considerado um lazer secundário da coletividade.

Se for se buscar um pop de qualidade, você vai ter uma porrada de cara velhão levando um som do caralho. Por outro lado uma sinfônica de amadores é uma merda. Meio que dá pra concluir que influencia no fato do som ser bom ou ruim os seus interpretes, não é só questão de estilo.

A sensação de ouvir os primeiros acordes entoados no ópera de Viena até hoje não me sai da cabeça. Porra, não me pergunte o nome da peça (acho que era As Valkirias!) mas a sensação do som foi foda. O som de um violino bem tocado faz com que eu me sinta perto de Deus. E não sei nada de música clássica, imagina se eu soubesse.

E o Jazz, o que seria?
O Jazz é meio erudito e meio pop, é mais complexo do que o pop e tem uns arranjos fodésimos mas não tem ainda aquela quantidade de gente tocando instrumentos diferentes de forma homogênea que é de tirar o folêgo. Muito maneiro aqueles negões meio figuras que fazem um som do caralho. Tem uns que são meio enrolões e fingem que tocam bem mas tem um cara bem engraçada.

A sensação de ouvir os primeiros acordes de um show de Oasis também é bem maneira. A guitarra distorcida, o vocal irado, a fumaça, a galera gritando. Rock também é uma porrada de sensação maneira. Dá vontade de pular. Porra, e o Silverchair no Rock in Rio tem como não achar muito foda o som porrada dos três caras.

Eu relaxo geral ouvindo música clássica. Tem uma que dão umas sensações muito fodas. O Quebra Nozes, mesmo sem o ballet a música é muito maneira. Uma parada que dá mais ânimo é se você souber da historinha por trás da música e entender o contexto histórico. Porra, esse negócio parece vinho que você tem que saber a historinha da região, da safra e de não sei mais o quê antes de dar o primeiro gole. Isso as vezes é maneiro mas também é meio caído.

Outro dia passou um show do Roger Waters na televisão. Achei uma merda, achei o som um merda, achei tudo nada empolgante, o cara é pretensioso. Um bando de coroa se sentindo rock ‘n roll e malandrão, que coisa mais depressiva. Quase mais depressivo do que show dos Stones. Mas o show dos Stones tem aquelas guitarrinhas do Keith Richards que só de pensar já fazem a gente pular.

Tá foda, queria chegar a alguma conclusão sobre esse assunto mas acho que vai ser difícil, não estou com condições psicológicas. O violino é muito maneiro, um som de uma guitarra bem levada, idem. A música trás umas sensações indescritíveis, são tão indescritíveis que eu escrevi esse post todo e a coisa toda não fez o menor sentido. Que se foda a porra toda e aumenta o som aí...
O FILHO DA NOIVA

Estava enrolando um pouco para escrever sobre esse filme porque tinha medo de estar sendo movido pela emoção e minha opinião acabar não sendo uma coisa sincera mas pateticamente empolgada. Passadas algumas semanas que assisti o filme posso dizer categoricamente que o filme é um dos melhores que já assisti.

Não sei se já falei isso antes, mas acho que numa avaliação de um filme existem diversos fatores subjetivos que entram na conta queiramos ou não. Se você está meio apaixonadinho e vai assistir um filme da Meg Ryan com a dita pessoa amada você pode até acabar falando bem do filme. Por outro lado, se você acabou um relacionamento a pouco tempo, acho até difícil que vá assistir um filme da Meg Ryan. Relendo essa frase, sei que estou forçando a barra porque filme da Meg Ryan em geral é de dar dó. Por outro lado, tenho algumas lembranças favoráveis de um longínquo Harry & Sally. Enfim, como você está se sentindo antes de entrar no cinema é um ponto de influência.

Fui assistir ao Filho da Noiva sozinho numa sexta-feira começo de noite e saí emocionado do filme. Achei o filme muito sensível, principalmente no que se refere as relações dos velhinhos pais do protagonista, assim como na relação dele com a filha. Até mesmo a relação dele com o restaurante é muito foda. Tá aí, eu descreveria o filme como um filme sensível. Fica claro que não é sensível e piegas mas um filme muito bem dosado e que não fica forçando a barra pra tentar emocionar o público.

Além da sensibilidade nas relações, o filme tem um humor muito sutil e preciso. Piadas muito bem sacadas que são colocadas no filme e por vezes representam até mesmo um contraste com o drama reinante. Tem umas 3 piadas que não saem da minha cabeça e que não vou dar o desprazer de repeti-las porque fora de contexto não tem a menor graça.

Me impressiona como um filme pode ser tão simples nos aspectos visuais e estéticos e ao mesmo tempo tão foda no que se refere a conteúdo.

Recomendo assistir sozinho (filme bom sempre é melhor quando se assiste sozinho pra não ter que ficar comentando com alguém depois, até porque a outra pessoa pode não ter gostado tanto quanto você e ao invés de degustar o filme acaba tendo que se defender o filme!). Num daqueles dias em que você está meio pensativo, meio sonhando, meio derrubado, meio puto, meio feliz, meio sem saco, em resumo, num dia em que a sua humanidade esteja a flor da pele. Nesses dias não há nada melhor do que um filme sutil e sensível e acima de tudo humano.

quinta-feira, fevereiro 20, 2003

Tanta coisa acontecendo e não tenho tempo para criticar.

O Cesar Maia querendo fazer um outro Teatro Municipal na Barra mas continuar pagando um salário ridículo para os músicos da orquestra sinfônica do Rio de Janeiro. Se for fazer um novo teatro municipal pra ter show do Zezé Di Camargo e Luciano, na boa que eu prefiro que ele invista em algo que preste.

A Rosinha Garotinho se fazendo de vítima de uma forma brega e escrota. Quem será que votou nessa mulher pra governadora?

O Bushinho dizendo que respeita outros pontos de vista diferentes do dele mas que caga pra tais opiniões. Vai pra guerra mesmo e foda-se o mundo e a história americana cujos presidentes americanos anteriores a ele suaram a camisa pra fazer a Liga das Nações e depois a ONU. Segurança coletiva não funciona pro Cowboy.

O Botafogo está em quinto lugar no Campeonato Carioca e vai ficar fora das finais. Que merda de time sem vergonha! O Americano está em quarto e se tornou a nova "potência" do combalido futebol carioca. Será que existe algo sério a fazer pelo Botafogo pra que ele não naufrague de vez. Nem adianta ameaçar vender a camisa porque não dá pra trocar nem por um picolé.

E pra quem achou que ia me esquecer do regime de cotas. Sinto muito, não esqueci. Esse tema vai dar muito pano pra manga aqui no Blog. Estou com o dedo coçando pra escrever sobre esse assunto.

Taxa de juros a 26,5%. Será que estou bêbado ou alguém não leu a cartilha e o projeto de governo direito.

Aliás, radicalismo ou revolução cinza? Alguma dessas seria adequada ou sendo tramada no Brasil atual?

Também assisti uns filmes: O Filho da Noiva, Minority Report, uns filmes do Eric Rohmer. Revi Amores Perros. Queria também falar sobre eles.

Tenho que começar a escrever um pouco mais pra manter a minha resolução de ano novo (que coisa mais brega esse papo de resolução de ano novo!). Estamos em fevereiro e está funcionando mesmo que tenha que forçar a barra com posts como esse.

Até mais ver...

terça-feira, fevereiro 11, 2003

MOMENTO DESABAFO

Esse Blogger.com é uma zona! Esse lance de computador é tudo uma merda! Esse Bill Gates é um bobão porque inventou algo que funciona parcialmente (pior do que não funcionar é funcionar parcialmente porque cria a ilusão de funcionar e na hora que você precisa - tela azul !).

Acabo de fazer um post e a parada saiu toda sem pular linha, sem parágrafo, sem porra nenhuma. Um merdel sem tamanho. Espero que dentre os famosos milagres da informática acabe acontecendo do blog ficar arrumadinho de novo, incluindo o meu último post.

Tanta coisa pra eu falar sobre e eu tenho que ficar me preocupando se o blog vai funcionar ou não.
Aliás, meu computador acabou de travar parcialmente. Eu nunca vi isso! O Outlook travou, um dos Explores que abri também travou. O Word e um Explorer estão funcionando (até por isso que eu estou fazendo esse post). Esse papo de computador é realmente complicado e não adianta vir com aquele papo de erro do operador porque eu não fiz nada diferente do meu padrão normal. Que saco!

Assim não dá pra ser feliz....

BOB’S

Não vejo um lugar mais criticável do que o Bob’s mas não sei porque alguma força oculta sempre me faz voltar lá, mesmo que seja para falar mal do atendimento ou da sujeira depois. Parece um daqueles lugares temáticos nos quais o lance é ser atendido por um pirata, ou comer comida de forma medieval ou ainda ser mau tratado pelos atendentes. Será que o Bob’s é um lugar temático e passei a vida toda achando que o lugar é uma zona...

Introduzindo a história do Bob’s, ele é um fast food carioca criado nos anos 60 por um gringo que preferiu ficar aqui pelo Rio. O primeiro Bob’s foi aberto em Copacabana (assim como o primeiro McDonald’s do Brasil viria a ser, ou seja, Copacabana era um ícone de alguma coisa no âmbito nacional!). O Bob’s inovou em diversos aspectos trazendo o esquema de junk food americano (o que será que as pessoas comiam ao invés do hamburguer?!?) e como qualquer símbolo de imperialismo novo, fez grande sucesso.

Abriu outras lojas no Rio e não sei exatamente quando foi vendido. Abriu outras lojas em outros lugares e foi vendido. Fechou umas lojas em outros lugares e foi vendido. E assim foi indo a história do Bob’s até chegar aos dias de hoje sob o controle de não sei quem. Comparações entre o Bob’s e um corrimão acho que são válidas, afinal ambos já passaram na mão de um monte de gente. No entanto, não é disso que eu quero falar.

O Bob’s em geral é um lugar depressivo porque está vazio e os funcionários ficam com uma cara de bunda de dar pena. Pra piorar, quando ele está vazio a pessoa acaba tendo uma relação pessoal demais com os atendentes o que é uma contradição uma vez que a maior característica do fast food é a impessoalidade, o cara nem deveria saber que você existe. Se você quiser ser reconhecido ao comer besteira é só ir a um boteco duas semanas seguidas comer coxinha que na terceira semana quando você chegar o cara já vai colocar uma coxinha no prato quando você passar da porta. Voltando ao assunto, no Bob’s vazio você fica vendo o cara fazendo um monte de presepada pra tentar atender o seu pedido, um funcionário fica tentando lhe atender como ele aprendeu no manual, o sub-gerente fica dando esporro escroto em outro funcionário na sua frente achando que você não se incomoda, um sujeito fica fazendo a faxina com um esfregão mais sujo do que o chão e por aí vai.

O Bob’s vazio é um lugar estranho mas na boa que o milk shake de Ovomaltine mau batido é um paraíso terreno. Pode-se comer de colherzinha ou ficar fazendo um exercício de sucção no canudo mas qualquer uma das opções vale a pena. Não vou tentar descrever a sensação, quem quiser que prove.

Em oposição ao Bob’s vazio, temos o Bob’s cheio. Se o Bob’s for um daqueles que vive vazio você tá ferrado porque a coisa vai degringolar e vai ficar tudo uma merda. No entanto, no centro da cidade tem uns Bob’s que estão sempre cheios que são ótimos. Nesses Bob’s dá pra curtir um outro lado bom do Bob’s. Os sanduíches ficam prontos na hora, aquela gritaria, neguinho queimando a mão na hora de tirar a batata frita, o melhor de tudo é que o sabor do sanduíche do Bob’s é incomparável, só de pensar no Big Bob ou no Franfilé feitos na hora e quentinhos já fico com água na boca. As batatas não são essas coisas mas estão quentes. Só não vale a pena pedir milk shake quando o Bob’s está cheio porque é feito meio que na pressa e acaba não tendo o mesmo sabor. Os sanduíches de atum, o franlitos ou o queijo com banana podem ser boas pedidas pra variar.

Uma coisa maneira do Bob’s é que ele praticamente só existe no Rio até porque faliu quando quis abrir em outras cidades, o que não poderia ser diferente tendo em vista que o atendimento em geral é ruim (todo mundo tem uma história pra contar!) e a coisa toda é uma zona e meio sujinho. O Bob’s só dá certo no Rio porque na maioria dos lugares de comida o atendimento é horroroso. Ruim por ruim, a pessoa acaba indo no Bob’s. Um segundo fator é que o carioca já ficou viciado no Bob’s e não se incomoda em ser mau tratado porque já esperava isso mesmo. Por outro lado, em outras cidades, o cliente é mau tratado e nunca mais volta e não dá tempo das pessoas se acostumarem com a relatividade do conceito de atendimento e eficiência do Bob’s.

Enfim, o Bob’s é animal e vai ser difícil alguém superá-lo, realmente concordo com a propaganda, “Gostoso é no Bob’s”.

sexta-feira, fevereiro 07, 2003

Após o meu interesse inicial em fazer um blog que ficasse falando mal de tudo e de todos, acabei saindo um pouco pra uma crítica cinematográfica que acho bem mais interessante e relaxante de ser feita.

Convenhamos que falar de filmes é melhor do que ficar falando das não poucas escrotices do mundo. No entanto, tenho um negócio entalado na garganta que está difícil de não criticar.

Vamos falar sobre Lula, PT e governabilidade.

Dentro do estudo dos três poderes que regem o modelo republicano brasileiro, quais sejam, o poder executivo (responsável pela gestão do Estado), legislativo (responsável pela criação de leis entre outras funções) e judiciário (fiscal da lei no Estado), explicação sumária, simples e incompleta. Temos o modelo presidencialista pluripartidário adotado no Brasil.

Dentro dos vários modelos de governo existentes, temos alguns modelos onde a coesão governista é mais simples como por exemplo o parlamentarismo bipartidário, modelo adotado na Inglaterra, no qual um dos dois partidos existentes acaba por eleger a maioria dos representantes do congresso. Essa maioria elege o primeiro ministro que acaba por ter um amplo apoio do poder legislativo. Portanto, o primeiro ministro consegue aprovar praticamente tudo o que lhe interessa e tem efetivamente o timão do governo. A oposição fica assistindo e torcendo pro governo errar e ter chances na próxima eleição.

Nos modelos parlamentaristas pluripartidários, após a eleição dos representantes do povo que formam o legislativo existe a escolha do primeiro ministro. Como raramente um partido consegue 50% mais um dos representantes do congresso são necessárias coalizões que escolhem um primeiro ministro. A coalizão deixando de existir, dá uma lambança e há a possibilidade de cair o primeiro ministro e ser escolhido outro. É um modelo interessante onde muita coisa pode acontecer e a pluralidade das alianças pode prejudicar a governabilidade. Como exemplos de países que adotam esse modelo temos a Holanda, a Alemanha e Israel.

Saindo do parlamentarismo e indo para o presidencialismo, temos o presidencialismo bipartidário onde o poder executivo fica na mão de um presidente eleito pelo povo e o congresso/poder legislativo é eleito independentemente. Um presidente que tenha um congresso de maioria do outro partido tem que saber negociar muito bem para conseguir a governabilidade e a aprovação das várias medidas necessárias para o país. Como exemplo deste presidencialismo temos os Estados Unidos.

Por fim temos o presidencialismo pluripartidário adotado em nosso país que veio a ser novamente implementado com o fim do governo militar. Como nesses casos é difícil o partido do presidente ter a maioria do congresso do mesmo partido tornam-se necessárias alianças para que seja alcançada a tal governabilidade. No entanto, temos alguns problemas.

Vivemos num país emberbe onde reina um capitalismo selvagem e um coronelismo ainda mais selvagem. Somos o país do jeitinho, do você sabe com quem está falando e mais um monte de merda. A idéia de democracia é rala, tão rala quanto a educação das pessoas e até mesmo da classe média que deveria ser formadora de opinião e ocasionalmente influenciar o rumo a ser seguido pelo país.

Antigamente as pessoas tinham aula obrigatória de OSPB (Organização social e política do Brasil) mas com o fim do regime militar as aulas perderam a função doutrinadora e se entendeu por bem tirá-las do currículo escolar de forma que um típico cidadão de classe média com boa educação e ensino universitário não tem idéia da estrutura social e política do país e muito menos da função de um senador ou de um deputado federal no congresso. O que acaba acontecendo é que nas eleições as pessoas votam no senador e deputado que para elas seja o mais bonito, mais mentiroso, com a história mais peculiar, campeão de volêi, da mesma igreja, mais engraçado, mais relacionado com a sua comunidade ou uma outra série de motivos. No entanto, as pessoas não tem a menor idéia do que o deputado ou o senador vai fazer no congresso. Que merda de voto!

Voltando a questão do presidencialismo pluripartidário no Brasil, nós temos praticamente um monstro criado em Brasília em vista da lambança política derivada da falta de conhecimento e educação de nosso povo. Acabamos por eleger um presidente que, de certa forma, reflete o interesse nacional de uma maior atenção as questões sociais e assim por diante. Por outro lado, temos um congresso bizarro de uma ecleticidade sem ideologia no qual figuras como Landims da vida são re-eleitos em seus currais eleitorais e transitam livremente, e o pior, votam. Votam naquilo que há de ser o projeto de futuro do país.

Todo esse texto é para colocar o drama que entendo que vá ser a governabilidade do Lula. Existe um risco um tanto quanto nítido de que o país continue ancorado em vista do poder concedido em alianças como as que o PT está fazendo com velhos coronéis como ACM e Sarneys da vida, assim como em relação aos novos coronéis como Garotinho, Ciro Gomes e Aécio Neves (este último será nosso futuro presidente, podem escrever!). Ele repetiria aquilo que o governo FHC havia prometido e não cumpriu em vista de uma desonrosa aliança com o PFL.

Em resumo, o PT vivia uma angústia de ser a eterna oposição e não ter alcançado a presidência nas eleições anteriores. Agora, o problema será ficar no poder sem ter a governabilidade, tendo que ceder a barganhas de fundo político e efetivamente chegar perto de implementar o projeto de um governo petista. Bem complicada a situação de nosso país.

Como deu para perceber, o nosso futuro continua mais complicado do que nunca. Solução? Isso eu não tenho e duvido que alguém tenha uma que seja concretizável antes de eu morrer. Eu me propus a colocar o problema, solução já é outra história.

Bem, acho que tenho uma. Vamos jogar para o alto todo e qualquer conhecimento que tenhamos obtido na vida que nos permita ter um pouco de razão e liderar uma caravana a Nossa Senhora de Aparecida. Se o Brasil vai ser salvo, eu não sei, mas a esperança de viver em um país melhor só acho que só pode ser alcançado é na base da reza mesmo. Oremos...

quarta-feira, fevereiro 05, 2003


Tenho visto algumas coisas estranhas atualmente no que se refere as relações entre amigos. Sinto que a cada dia estou ficando mais hipócrita e meus amigos também, não só entre eles mas também comigo.

Vejo a afilhada da minha irmã e ela chega pra as outras crianças e diz “vamos brincar?” e se a outra criança for extrovertida ela vai, se for mais tímida se agarra na perna da mãe e depois de um mínimo trabalho de convencimento ela acaba indo brincar. Se a criança for chata, ela não vai brincar mas ela que se foda e fique sem se divertir pra deixar de ser chata.

As relações infantis são extremamente simples, diretas e objetivas, na qual até uma criança de 3 anos consegue ver que a outra não quer brincar.

Esse meu universo adulto é mega escroto. Não vou falar de trabalho ou de ambientes onde existe um concorrente querendo comer seu cérebro, mas da relação com meus amigos e pessoas que de certa forma quero bem.

Vejo amigos se degladiando porque estão a fim da mesma mulher ou ex-namorados meio enrolados mas nesses casos interesses divergentes, sentimentos, paixão e hormônios tornam a coisa toda bem delicada, o amor não é lógico e todo mundo sabe que essas situações sempre acabam dando merda...

Pretendo falar daquelas situações onde você não pode ser você mesmo, ainda que esteja num ambiente de amigos, porque uma coisa que vocÊ faça ou diga poderia ser vista de forma negativa. Você abre mão de ser você para ser alguém que os outros querem que você seja e agir dessa forma de uma forma que soe praticamente natural. Entendo que isso seria a hipocrisia nas relações entre amigos.

Estou falando de situações normais como aquele amigo que nunca liga. Gosto dele mas fico meio de saco cheio de ficar sempre ligando e lá pelas tantas desencano de ficar ligando, no máximo um forward de piada e só. Um dia o cara liga e diz “vou fazer meu aniversário em um lugar da moda, caro, cheio de gente desconhecida e beirando o insuportável”. Bem no meu mundo hipócrita vejo duas possibilidades:

- ir e ficar com cara de bunda. Se estiver namorando levar a namorada após barganha básica e ficar falando mal das pessoas no ambiente.

- dizer que vai e na hora dar um belo no-show e quando encontrar novamente inventar uma desculpa esfarrapada

Convenhamos que as duas possibilidades são hipócritas tendo em vista que o ideal seria sair com meu amigo um dia desses que não necessariamente fosse o aniversário dele e botar o papo em dia ou fazer alguma outra coisa na qual eu fosse efetivamente me divertir.

Ao mesmo tempo sem hipocrisia as amizades não seriam possíveis. Aquele que nunca foi num filme mais ou menos com a amiga que só ficava falando do namorado (pior ainda, do ex-namorado) mas que em compensação depois daquele suplício teve a sensação de maior amizade. Quem nunca saiu com um amigão num dia em que o cara estava mega depressivo só pra dar uma força? Quem nunca teve que inventar maravilhas sobre uma viagem pra ver se conseguia formar um grupo maneiro para ir na dita viagem? Quem não teve que aturar o amigo ranzinza no dia em que roubaram o carro dele? Ou ainda, quem não teve às 3 da manhã que ajudar na faxina pós-festa na casa do amigo?

Enfim, acho que a hipocrisia é necessária em pequena quantidade e dentro de um contexto de reciprocidade. Sem reciprocidade já é pedir demais!
De qualquer jeito, acho necessário ter limites e às vezes eu acho que estou chegando perto do meu com certas pessoas. Tento ser hipócrita, até porque esta atitude é associada a educação, mas fico bem se saco cheio em certas situações ficando a beira de explodir, estourar animal, mandar neguinho ir se fuder, bloquear e-mail, não atender telefonema e nunca mais querer falar na vida.
Tudo na vida tem limite, até mesmo a hipocrisia.

Desabafei, agora deixa eu tomar um banho, preparar um sorriso porque tem um chopp de aniversário do namorado da minha amiga. Chopp desinteressante, o cara é chato, os amigos dele são chatos, preferia ficar em casa lendo alguma coisa interessante mas vou encarar um hipocrisil e seguir em frente e de repente tem alguém interessante ou eu posso bater papo com minha amiga enquanto seu namorado entretém seus amigos péla-sacos.

Só posso prometer uma coisa. Um dia ainda estouro com alguém que esteja chegando ao limite, adeus hipocrisia e sim a liberdade de ser. Perco a amiga mas tenho certeza de que vou dormir bem mais leve e com um sorrisinho de alívio.

terça-feira, fevereiro 04, 2003

Que calor é esse?!?
Assim não dá pra ser feliz. Na boa, 42 graus no centro da cidade com sol a pino é demais.

Não dá pra visualizar uma cena de felicidade sem que esteja presente um ar-condicionado ou uma praia parasidíaca com um vento fresco e coisas geladas por perto.

Outro dia, durante o recesso de natal tive que resolver algumas coisas no centro. Nada interessante e só coisas burocráticas chatas e que exigem aquela montanha de documentos que a gente fica com medo de ter esquecido um e ter que voltar pra casa pra fazer tudo de novo no dia seguinte.

Enfim, fui entrar no prédio e o cara falou. "Só pode entrar de calça."
Que coisa ridícula, eu estava com uma respeitosa bermuda na altura do joelho e não poderia entrar, a tchuchuca com sainha funk pode, a mulher do umbigo meio cabeludo de fora pode, o sujeito humilde com a roupa esmelinguida pode, o office boy fedido pode, em resumo, eu por estar mais confortável sem aqueles trinta centímetros de pano não poderia entrar no prédio.

Na boa, não me stressei com o segurança porque o cara com certeza estava ali só cumprindo ordens e não faria sentido tal comportamento, mas que isso é ridículo, é.

Aproveitemos nosso calor sem dignidade e continuemos a importar nossa moda e costumes dos países da Europa ou dos EUA, com certeza isso vai dar a impressão de que somos um país civilizado onde pessoas de bermuda em prédios não entram e não existem índios andando pelados pela rua. Vamos continuar vivendo na nossa ilusão barata de que somos civilizados porque usamos calças, dessa forma algum dia nos tornaremos um país de primeiro mundo.

sexta-feira, janeiro 31, 2003

Vi o counter do blog atingindo os 100 acessos e tenho que admitir que fiquei feliz.

Considerando os acessos que eu faço pra ver se os posts entraram, pessoas que entram sem querer, pessoas que entraram uma vez depois que eu comentei só por educação e assim por diante, não deixo de ficar envaidecido com os acessos. Um dos motivos que me envaidecem é que não faço um blog tradicional de historinhas engraçadinhas sobre o meu dia mas a minha intenção é fazer algo meio pretencioso que eu não tenho idéia de onde vai chegar. Valeu pela curiosidade.

Que este seja o primeiro de muitos agradecimentos ao público espectador...
DOMINGOS DE OLIVEIRA

Fui assistir o “Separações” e há um tempo atrás assisti a peça “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, ou seja, já conheço um pouco do Domingos de Oliveira e acho que já posso ter uma opinião por mais superficial que seja.

Para defini-lo em uma palavra, eu diria, ele é um bêbado. Sem anglicismos, sem palavras que ninguém conhece, nada mais simples do que isso, o cara é um bêbado.

Apesar do que muitos podem achar, eu não vejo uma coisa somente negativa nesta definição, muito pelo contrário, acho que apesar dos aspectos negativos existem também alguns pontos positivos em ser rotulado de bêbado. Bêbados são alegres, falam o que lhes vem a cabeça, conseguem ver certas coisas que um indivíduo sóbrio não consegue, são desapegados de coisas materiais (começando pela carteira e celular) e conseguem ver poesia em momentos não tão lógicos. O lado ruim dos bêbados é que eles em diversas ocasiões são chatos ou inconvenientes, tendem a ser depressivos, não aceitam questionamento da sua lógica, existe uma certa dificuldade em descobrirmos se eles estão um pouco altos, bêbados ou pra lá de Bagdad e existem coisas que você se lembra no dia seguinte que eles não se lembram de terem ouvido, e pior ainda, de terem falado.

A maioria dos bêbados que conheço são românticos em relação as mulheres, o momento que complica é quando o alvo do romantismo de alguma forma repele o bêbado. Aí vão horas de xingamentos repetidos, promessas de nunca mais se envolver com ninguém, risco eminente de baixaria, barraco ou porrada e assim a coisa vai indo.

Sobre o ilustre Domingos de Oliveira, o filme dele é a história de um bêbado e sua relação com as mulheres em um determinado momento de sua vida. Desta forma, existem momentos muito legais e de rara poesia, e existem momentos nos quais você não sabe onde o filme quer chegar. A direção e certas atuações em certos momentos são teatrais demais o que acaba deixando o filme sem uma personalidade mais forte na direção e na atuação.

O eterno lance de usar o Rio de Janeiro como sendo um lugar único e tomadas de helicóptero que pretendem convencer os espectadores de outros estados de que a cidade é maravilhosa continua sendo uma coisa que não me desce pela garganta. Uma certa preguiça na elaboração do filme fica aparente quando colocam um filme dos anos 70 para retratar a Paris atual e quando numa das cenas finais passa no fundo da cena um contra-regra ou alguém e não houve interesse em fazer a cena novamente ou no momento da edição/telecinagem do filme.

Vale a pena assistir o filme num domingo de chuva com alguém da qual você esteja se separando, pelo menos você vai poder fazer menções a certas situações do filme quando a separação de fato vier. O filme é legal mas não chega a ser tudo aquilo que a crítica especializada em filmes, possíveis amigos bêbados do diretor, escreveram nos jornais.

Em relação ao “Todo mundo tem problemas sexuais”, é uma peça engraçadinha que dá pra dar umas risadas e só. O ritmo é bom e as menções ao cotidiano sexual de um típico membro de classe média alta são bem feitas, o que facilita as diversas gargalhadas do público alvo que não entenderia nada mais complexo. Dá pra perceber que o nosso ilustre bêbado não é bobo e sabe conseguir uma grana com as risadas da classe média alta. Estão vendo, nem todo bêbado é burro, nem todo bêbado é depressivo, os bêbados também conseguem dizer algumas coisas interessantes, ganhar dinheiro e fazer seu público rir.

segunda-feira, janeiro 27, 2003

TORCIDA NO CINEMA

Um amigo meu veio me contar todo feliz que achou muito legal a sessão de cinema na qual ele assistiu Senhor dos Anéis – Duas Torres porque parecia o Maracanã em dia de clássico. Sinceramente, se eu quisesse torcer eu iria ao Maracanã, cinema é lugar para se assistir filme, se a finalidade é assistir filme, atrapalhar os outros que estão assistindo o filme é uma atitude errada.

Eu odeio esse pessoal que vai ao cinema num esquema vamos fazer uma zona e nos divertir, uma vez assisti ao Missão Impossível 2 num cinema de shopping de Belo Horizonte na sessão das 4 da tarde de sábado. Minha amiga fez milagres para conseguir os ingressos e lá vou eu. Cheguei no cinema e já estava tudo imundo, cheio de pipoca pelos cantos e uma algazarra surreal, parecia sala de aula quando o professor sai para atender um telefonema sendo que nesse caso não havia perspectiva do professor voltar. Contei até 10 e encarei. Quando começou o filme cessaram as piadinhas sem graça em voz alta para chamar atenção dos amigos e da garotinha que se está a fim e o pessoal começou a torcer pelo Tom Cruise. Pensei que neguinho estava de sacanagem mas na verdade estavam torcendo sério pelo seu ídolo, no final do filme uma grande ovação de um público emocionado. Convenhamos, que coisa mais brega!

O cinema é um lugar de introspecção, silêncio e de uma interação sutil entre o filme e o espectador. Ali, só quem fala é o filme e nós o ouvimos pois foi ele quem nos fez sair de casa. Se for ruim depois a gente critica e fala mal pros amigos. Mas aquele momento é espectador x filme.

Em outra possibilidade, o cinema é o lugar para se ter paz, isso explica porque pessoas stressadas ou angustiadas ocasionalmente entram no cinema sem nem saber o nome do filme. Por isso o cara matou a família e foi ao cinema ao invés do Maracanã.

Quem nunca foi assistir a um filme ruim com uma pessoa que estava rolando um certo flerte no qual o maior interesse seria a possibilidade de ficar com a dita pessoas duas horas em uma sala escura. Duvido que houvessem tantas letras de música protagonizadas no cinema se ele fosse uma algazarra sem fim.

Minha crítica vai para todos que fazem zona no cinema ou de alguma forma incomodam os outros que querem assistir um filme. Essa crítica inclui também aqueles que agem como se estivessem assistindo um vídeo em casa (falando pelos cotovelos, fazendo piadinhas e comentando tudo!) ou aqueles que esquecem o celular ligado (que saco!) e por vezes ainda tem a petulância de atender e dizer “estou no cinema mas blá, blá, blá”.

Cinema é lugar de assistir filme e só. Se quiserem torcer vão ao Maracanã, se quiserem ficar comentando o filme, espere ele sair no vídeo e o assista em casa. Celular, deixe no silencioso e ligue depois do filme. Um pouco de bom senso às vezes é uma coisa difícil de se achar.

quinta-feira, janeiro 23, 2003

Começo a acontecer o que eu temia, posts que são escritos e somem no espaço virtual. Isso é bem estranho, você aperta um botão e tchanam, o negócio funciona. Você aperta novamente o botão e tchunum, não funciona. Que coisa bizarra! Fico feliz em não ser um expert em informática nessas horas...
CIDADE DE DEUS

Finalmente assisti ao mega-sucesso nacional de bilheteria. O filme em si é um marco pois finalmente a Xuxa perdeu o trono herdado dos Trapalhões de campeã de bilheteria entre os filmes brasileiros. O fato de só agora essa marco ter sido derrubado já é uma vergonha que demonstra a falta de capacidade dos diretores nacionais de fazer filmes comerciais e o baixo nível de nosso público que só sabe assistir enlatados americanos. Mas, enfim, vamos falar do Cidade de Deus.

Inicialmente, eu li o livro, que por sinal é bem legal. O filme tem pouca coisa em comum com o livro, o que é negativo, aquele papo de inventar personagem para deixar a história redonda acabou ficando meio estranho mas acabou funcionando. Além disso, o filme tem 30% do livro, o que não é pouco mas tudo bem. Cabe ressaltar que se imaginarmos um Senhor dos Anéis com somente 30% do livro, ia ser a maior chiação e fã quebrando o cinema, como pouca gente leu o livro do Paulo Lins, felizmente não houve quebradeira no cinema.

Focando no filme, gostei da direção, rápida e eficiente, achei bacana as cores e a trilha sonora. Alguns atores mandaram muito bem, outros quebraram um galho. As cenas ficaram bem feitas, com exceção daquelas de guerra de quadrilhas que ficaram meio artificiais (qualquer pessoa que já tenha jogado Counterstrike Favela sabe do que estou falando!). O excesso de gírias e umas falhas de dicção quase não me permitiram entender o que alguns personagens estavam fazendo, e olha que sou carioca. Imagina pro nordestino fala lenta entender os diálogos, bem complicado.

Apesar das críticas, achei o filme muito bom. Fico feliz que o cinema nacional tenha conseguido produzir algo de qualidade e interessante.

Assim como Carlota Joaquina foi um marco do renascimento do cinema nacional sobrevivente aos militares e ao Collor, o Cidade de Deus também é um marco no sentido de que podemos produzir bons filmes que atraiam as massas.

Em relação ao Oscar, acho que estamos acertando a mão. O Central do Brasil merecia mas competindo com o brega do A Vida é Bela, ficou difícil. O Cidade de Deus tem boas chances, vai depender mais dos concorrentes do que nunca, se tiver algum excelente aí realmente vai ser difícil porque o filme, na minha opinião, é somente “muito bom”.

E aí fica a frase do dia pra quem assistiu o filme e pra quem ainda vai assistir:
Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno.
[1/21/2003 11:15:23 PM | Crítico do Mundo]
DIOGO MAINARDI

Aí está um cara que eu admiro. Acho que ele inclusive poderia ser um patrono, um homenageado ou sei lá mais o quê deste blog. O cara é um crítico do mundo no melhor estilo.

Tenho curiosidade de ouvir ele falando, aquela coisa do amigo do amigo que acabou chamando o cara para o jantar e de repente estaria ele lá meio mau humorado, ou até mesmo bem humorado, mas batendo um papo de alto nível e espinafrando um ou outro pelo caminho.

Tenho que admitir que só o conheço pelo que ele escreve na Veja. Todo domingo está ele lá dando um esculacho nas mais diversas pessoas ou situações e às vezes até mesmo se auto-esculachando (ficou estranho “auto-esculacho” mas vou deixar assim mesmo). Acho interessante a forma como ele em duas colunas consegue criticar uma situação de uma forma pontual e ao mesmo tempo profunda. Mesmo que eu discorde do ponto de vista dele, tenho que admitir que ele tem uma opinião bem formada. Agora, o melhor mesmo, é ele ser um dos recordistas de cartas da Veja, e olha que não falta gente escrevendo coisas questionáveis na Veja. Essa coluna do cara é animal!

Sei que ele tem alguns trabalhos e participou da elaboração de um filme que foi completamente esculachado e que nem deu tempo de eu assistir no cinema e que vai ser difícil achar em locadora.

Uma das últimas dele foi esculachar um texto do Zuenir Ventura. Tenho que contar rapidamente minhas más experiência com o Seu Zuenir. O cara ficou todo famoso com o Cidade Partida, foi elogiado por Deus e o mundo, ficou curioso para ler alguma coisa dele. Ao tentar inovar acabei comprando o Ciúme da série sobre os sete pecados capitais. Que arrependimento, o livro é caidésimo! Superficial, com história patética e sem graça que não diz ao que veio ao mundo. O pior é que é um livro enganado, começa bem e parece que vai ser interessante, o livro cai no marasmo e no lugar comum, mas como começou interessante, o intrépido leitor acaba seguindo em frente acreditando na hipótese de que o livro vá melhorar. Que decepção! Hoje em dia qualquer coisa que o Zuenir Ventura assine eu já olho torto e não compro mas nem bula de remédio que ele seja o autor.

Enfim, como o Veríssimo agora só escreve no Globo as quintas e domingos ocasionalmente acabo dando uma olhada no espaço que ele escrevi diariamente só por curiosidade. Acabou que ele escreveu uma coluna que eu achei uma merda, um misto de brega com superficialidade e pretensão de dar dó. Ironicamente, lá vem o Diogo Mainardi caindo em cima e mandando ver, na boa que me senti vingado pelo crítico mor.

Muito obrigado, Diogo, espero que você continue criticando o que tem que ser criticado e dando uma espinafrada nas mais diversas coisas espinafráveis. Se quiser esculachar o meu humilde blog, fique à vontade, você pode.

quarta-feira, janeiro 22, 2003

DIOGO MAINARDI

Aí está um cara que eu admiro. Acho que ele inclusive poderia ser um patrono, um homenageado ou sei lá mais o quê deste blog. O cara é um crítico do mundo no melhor estilo.

Tenho curiosidade de ouvir ele falando, aquela coisa do amigo do amigo que acabou chamando o cara para o jantar e de repente estaria ele lá meio mau humorado, ou até mesmo bem humorado, mas batendo um papo de alto nível e espinafrando um ou outro pelo caminho.

Tenho que admitir que só o conheço pelo que ele escreve na Veja. Todo domingo está ele lá dando um esculacho nas mais diversas pessoas ou situações e às vezes até mesmo se auto-esculachando (ficou estranho “auto-esculacho” mas vou deixar assim mesmo). Acho interessante a forma como ele em duas colunas consegue criticar uma situação de uma forma pontual e ao mesmo tempo profunda. Mesmo que eu discorde do ponto de vista dele, tenho que admitir que ele tem uma opinião bem formada. Agora, o melhor mesmo, é ele ser um dos recordistas de cartas da Veja, e olha que não falta gente escrevendo coisas questionáveis na Veja. Essa coluna do cara é animal!

Sei que ele tem alguns trabalhos e participou da elaboração de um filme que foi completamente esculachado e que nem deu tempo de eu assistir no cinema e que vai ser difícil achar em locadora.

Uma das últimas dele foi esculachar um texto do Zuenir Ventura. Tenho que contar rapidamente minhas más experiência com o Seu Zuenir. O cara ficou todo famoso com o Cidade Partida, foi elogiado por Deus e o mundo, ficou curioso para ler alguma coisa dele. Ao tentar inovar acabei comprando o Ciúme da série sobre os sete pecados capitais. Que arrependimento, o livro é caidésimo! Superficial, com história patética e sem graça que não diz ao que veio ao mundo. O pior é que é um livro enganado, começa bem e parece que vai ser interessante, o livro cai no marasmo e no lugar comum, mas como começou interessante, o intrépido leitor acaba seguindo em frente acreditando na hipótese de que o livro vá melhorar. Que decepção! Hoje em dia qualquer coisa que o Zuenir Ventura assine eu já olho torto e não compro mas nem bula de remédio que ele seja o autor.

Enfim, como o Veríssimo agora só escreve no Globo as quintas e domingos ocasionalmente acabo dando uma olhada no espaço que ele escrevi diariamente só por curiosidade. Acabou que ele escreveu uma coluna que eu achei uma merda, um misto de brega com superficialidade e pretensão de dar dó. Ironicamente, lá vem o Diogo Mainardi caindo em cima e mandando ver, na boa que me senti vingado pelo crítico mor.

Muito obrigado, Diogo, espero que você continue criticando o que tem que ser criticado e dando uma espinafrada nas mais diversas coisas espinafráveis. Se quiser esculachar o meu humilde blog, fique à vontade, você pode.

BIG BROTHER BRASIL

Tenho que admitir que sou influenciado pela mídia e propaganda de uma forma geral, dentro dessa estrutura tento ter o mínimo de discernimento para não me tornar um abobado completo.

Como sou influenciável pela propaganda, acabei assistindo ao BBB3. Assisti o BBB1 e um pouco do BBB2 e tenho que admitir que a coisa cada vez mais me surpreende negativamente. Acho a idéia do BBB muito maneira, essa coisa voyeur de acompanhar o dia-a-dia das pessoas, as conversas, as situações limites, as barreiras ao ambiente externo, a convivência com pessoas que você não conhece e assim por diante. No entanto, o que tenho achado ruim nos BBBs recentes é a qualidade dos participantes.

Fico impressionado em como a Globo consegue selecionar tanta gente desinteressante e oca. Analisando o perfil dos participantes é possível achar que vai rolar alguma coisa bacana, mas eles acabam se perdendo em um universo politicamente correto meio sem sal. Acaba que as pessoas têm um papo completamente ridículo e superficial. Na boa que eu tenho a impressão de que com treze anos eu já conseguia ter idéias mais profundas sobre alguns assuntos do que aqueles participantes, e olha que não me considero um exemplo de cultura ou conhecimento. Tem um cara todo tatuado com um perfil meio punk não sei lá o quê que mal consegue articular uma frase direito, tem o coroa pintoso que só sabe falar da avó, tem o outro lá que se muito sabe falar. Dentre um dos momentos ridículos, um que achei peculiar foi ouvir as conversas sobre religião, assunto em que qualquer pessoa com algo na cabeça pode ter uma opinião interessante mesmo que não seja aprofundada, além da atual tendência a confusão entre credos, onde o cara é católico-umbandista-budista, um dos participantes disse que acreditava em Jesus mas que ele não havia morrido na cruz mas fugido com Madalena para a Índia e que todos os discípulos ralaram e o único que ficou para segurar o tranco foi Judas. Ou esse cara tem uma teoria muito inovadora ou ele é um completo imbecil. Fico com a hipótese dele ser um imbecil.

O que acaba acontecendo é que pela influência da mídia acabo assistindo uns episódios do BBB pra ver as gatas que eles escolheram e logo depois já estou de saco cheio e não consigo nem passar perto da Globo no horário do BBB.

Minha crítica vai para a Globo, acho que é possível ter um formato de programa pop e que ao mesmo tempo tenha qualidade. Esse BBB poderia ser interessante mas o programa é simplesmente destruído por um grupo de amebas participantes. Revejam esse tipo de coisa e façam um programa decente, eu certamente contribuirei com a minha audiência.

segunda-feira, janeiro 06, 2003

Chegou o ano novo e após aquela depressão de fogos de artifício que fazem você se lembrar de que o ano foi muito mais ou menos e que você não sabe o que as pessoas comemoram tão apreensivamente, vem aquelas famosas resoluções de ano novo.

Como o crítico do mundo deve ser considerado um personagem e suas idéias não necessariamente são as minhas pessoais, vou ser sincero que tenho poucas resoluções, que digam respeito aos leitores do blog. A principal delas é de que pretendo fazer posts pelo menos uma vez por semana. As vezes fico pensando em algo e acho que é legal transpor para o papel/blog. Em alguns casos o resultado é interessante, em outros momentos, nem tanto, acho que o post ficou uma merda mas não faz sentido ficar me corrigindo o tempo todo.

Entendo que o importante é transpor as idéias até para que no futuro eu tenha o prazer, ou desprazer, de ver minhas idéias expressas em algo palpável. A minha resolução é a de escrever para que as idéias não se percam no abismo profundo das idéias que não passaram de meros lampejos neuroniais.

Espero que vocês gostem do que será exposto e fiquem à vontade para comentar, reclamar, questionar e até mesmo criticar.
Mulheres solteiras de 30

Já posso começar dizendo que o texto não tem nada a ver com uma análise da obra prima de Balzac ou algo do gênero, meu interesse é de falar tão somente das mulheres de 30 e nada mais.

Tenho o dever de criticar essa nossa sociedade de aparências baseada na hipocrisia e numa moral altamente questionável. Os valores estéticos são estipulados de uma forma cruel e objetiva sem uma margem para questionamentos. Surge a pergunta, o meu gosto é baseado no que eu realmente gosto ou o meu gosto é um mero reflexo daquilo que querem que eu goste e ache esteticamente aprazível. No que se refere as mulheres acho que existe uma imposição estética violenta que ignora a diversidade cultural e social e reduz a lixo feio aquilo que não condiz com os valores estéticos estipulados.

Em relação as mulheres de 30, no mundo atual de uma expectativa de vida de 80 anos, elas são mulheres que ainda estão na primeira metade da vida, gozam de saúde e estão experimentando desenvolvimento profissional, sexual e mais um monte de “al” mas, caso estejam solteiras, são automaticamente definidas como destinadas a solidão, ou vulgarmente falando, dizem que vão ficar para titia. O homem ainda é diferente uma vez que ser solteirão significa que ele tá pegando geral ou pode vir a pegar geral. A mulher, por outro lado, é induzida a pensar que ficou no esquecimento vendo o bonde do tempo passar não lhe restou nada a não ser um olhar de desilusão por ter sido deixada para trás por um motorneiro apressado.

Mulheres, se unam e não deixem a coisa ficar assim. Dêem um enorme foda-se pra qualquer um que venha fazer uma piadinha sobre a sua vida solteira e independente, lembre aquela sua amiga certinha de que enquanto a vida sexual dela está em descendência, a sua está em ascendência e que possivelmente você já dobrou o número de parceiros sexuais dela, vejamos numa matemática simples:

Mulher razoavelmente quadrada com uma média de 2 parceiros por ano

Teríamos nesses casos um mulher dos 16 anos aos 24 anos = 8 anos, 16 parceiros

Casada / relação estável iniciada aos 24 anos, 1 parceiro. Aos 33 anos, 17 parceiros

Solteira / mantendo a média de 2 parceiros por ano. Aos 33 anos, 34 parceiros.

E olha que a minha matemática foi bem conservadora.

Além da vantagem nas experiências sexuais, existem outras diversas vantagens em ser solteira tais como poder ler mais livros, pode fazer mais aquilo que deseja e mais uma porrada de coisa.

O grande problema de ficar mais velho está em não saber ficar envelhecer e acabar incorporando os preconceitos e os vários conceitos de fundo essencialmente comercial de nossa sociedade. É estranho como a maioria dos textos sobre idade de mulheres acabam sempre tendo uma coisa meio mal resolvida em relação a idade que por vezes beira a depressão.

Deve ser muito escroto você envelhecer e só por isso ser induzido a se sentir uma pessoa pior. Envelhecer é algo além do nosso alcance. O que pode ser depressivo é a sensação de sentir o tempo passando e não ter realizado coisas que poderia ter feito, outra coisa é se deprimir simplesmente porque o tempo passou e estão lhe induzindo a se sentir velha. Que merda!

Não sei se consegui expressar o que queria, espero que tenha ficado claro que a idade por si não pode definir a felicidade de uma pessoa. Isso é futilidade demais!

Minha crítica vai para todas as mulheres de trinta ou mais que ficam deprimidas somente porque a sociedade lhes induz a se sentirem assim. Tenham um pouco de personalidade e vejam que existem coisas além dos valores lugar comum.