A EXPECTATIVA É O QUE MATA
“Esperando Godot” tem uma idéia muito interessante sobre a expectativa e a espera que tornou o texto uma obra prima do teatro. Todos nós já esperamos algum Godot.
Desde que me entendo por gente, eu vivo alguma expectativa, aquela coisa de “o que será que o Papai Noel vai trazer”, primeiro dia de aula depois das férias, viagem, aniversário, e assim por diante, até hoje a sensação não mudou muito. Até hoje, qualquer entrega de prova é um suplício, assim como era quando eu tinha meus 10 anos. Quando a distribuição é feita em ordem alfabética o efeito é de uma bomba relógio, quando por ordem randômica, há um efeito surpresa, quando a nota é pronunciada em voz alta há uma bomba de efeito moral, tanto pro bem como pro mal dependendo da nota. Em relação a espera de que o telefone toque e seja uma determinada pessoa. Sem comentários. Haja expectativa.
Depois do ápice da expectativa, que é o segundo anterior a situação esperada, a sensação varia bastante, as vezes a desilusão, em outras a felicidade, o certo é que o antes nos deixou ansiosos.
Quando o tempo passa e a idade aumenta dizem que conseguimos controlar a expectativa e não ficamos mais tão ansiosos. Das duas uma, ou eu não envelheci ou eu sou um cara errado. Fico ansioso como uma criança quando estou esperando uma tv nova que está para ser entregue, fico como um adolescente quando estou esperando o telefonema da mulher amada, fico sem dormir na véspera de provas importantes assim como sempre fiquei. E que a vida me guarde ainda muita expectativa e que o friozinho na barriga jamais envelheça.
Dois caras sentados num banco de praça ficavam olhando as pessoas passando. Ficaram ali horas, analisando, criticando e discutindo sobre a vida. Lá pelas tantas um deles diz: Nós estamos aqui nos sentindo os críticos do mundo! O outro acreditou que ele realmente seria o crítico do mundo e criou esse blog. Bem-vindo!
terça-feira, setembro 28, 2004
terça-feira, setembro 21, 2004
PRAÇA
Acho que todo mundo tem que ter uma praça na vida. Sem uma praça no caminho, uma praça perto da qual possamos tomar um chopp, uma praça na qual vejamos crianças brincando durante o dia, pessoas conversando à noite, idosos jogando dama ou baralho e adolescentes adolescendo.
Dei sorte, minha atual casa tem uma praça perto, adoro dar uma passada na praça e ver como anda a vida naquele microcosmo. Tenho gostado de almoçar em frente à praça, pra quem almoça sozinho e tem a televisão como companhia a praça é ótima, ela faz às vezes da televisão sem ter o inconveniente dos intervalos comerciais. Acho que até o garçom me atende melhor por conta do visual da praça ao fundo.
A praça faz parte da vizinhança, uma das coisas de mudar é a necessidade de estar aberto a uma nova vizinhança, novos horizontes, novos costumes e novos vícios. Saber o apelido do cara da mercearia, ver qual o caminho mais rápido pros lugares, entender um pouco sobre aquela coletividade que mora por ali. E a idéia de mudar não é restrita a vizinhança, aspecto externo, a parte mais relevante é a mudança interna e esta é mais complicada e a cada dia mais recompensadora. E que as mudanças continuem sendo para melhor.
Acho que todo mundo tem que ter uma praça na vida. Sem uma praça no caminho, uma praça perto da qual possamos tomar um chopp, uma praça na qual vejamos crianças brincando durante o dia, pessoas conversando à noite, idosos jogando dama ou baralho e adolescentes adolescendo.
Dei sorte, minha atual casa tem uma praça perto, adoro dar uma passada na praça e ver como anda a vida naquele microcosmo. Tenho gostado de almoçar em frente à praça, pra quem almoça sozinho e tem a televisão como companhia a praça é ótima, ela faz às vezes da televisão sem ter o inconveniente dos intervalos comerciais. Acho que até o garçom me atende melhor por conta do visual da praça ao fundo.
A praça faz parte da vizinhança, uma das coisas de mudar é a necessidade de estar aberto a uma nova vizinhança, novos horizontes, novos costumes e novos vícios. Saber o apelido do cara da mercearia, ver qual o caminho mais rápido pros lugares, entender um pouco sobre aquela coletividade que mora por ali. E a idéia de mudar não é restrita a vizinhança, aspecto externo, a parte mais relevante é a mudança interna e esta é mais complicada e a cada dia mais recompensadora. E que as mudanças continuem sendo para melhor.
quinta-feira, setembro 16, 2004
CONVERSA COM A MOSQUINHA DURANTE O BANHO
- Minha querida, acabei de me mudar e você já aparece aqui dentro do meu box. Assim vai ficar complicado. Coisa mais invasiva. Aposto que você deve ter saído do banheiro do 307, porra aquele cara até nisso me pentelha a paciência.
- BZZZZZ.
- Acho ruim esse lance de ficar tomando banho e você ficar me olhando. Também acho bem cafona esse lance de mosquinha dentro do box.
- BZZZZZ.
- Dá uma idéia de sujeira a sua presença. Sei que você está aqui só pelos bichinhos que ficam na umidade ou alguma merda do gênero mas realmente me incomoda.
- BZZZZZ.
- Sei lá, acho que você deveria procurar algum outro lugar. Aqui não vai rolar. Quando fecho os olhos embaixo d’água fico com medo de acabar te engolindo e outros inconvenientes. Pior do que você estar no cantinho toda molhada e com cara de paisagem é você de repente não estar.
- BZZZZZ. BZZZZ.
- Sou um cara pacífico. Você tem trinta segundos para sair do meu banheiro.
- BZZZZ. (um minuto se passa. O banho continua em sua forma contida.)
- E então, já se passou um minuto. Qual vai ser?!
- BZZZZ!! BZZZZ!!!
- Já estou pegando o papel higiênico pra te espremer na parede. Vai sair ou vai continuar nessa.
- BBZZZ.
- Bem, te avisei!
- BBBZZZ!!!! BZZZZZ!!!!! BLLAARRHHHH!! (mosquinha foge uma vez mas na segunda o papel higiênico de forma certeira amassa a mosquinha contra a parede. Fim da mosquinha).
- Pô, eu te avisei mas você não me levou a sério. A vida é assim, nem sempre dá pra ficar moscando de bobeira. Foi mal aí mas foi minha espécie que aprendeu a usar o polegar. (som de descarga sendo acionada).
- Minha querida, acabei de me mudar e você já aparece aqui dentro do meu box. Assim vai ficar complicado. Coisa mais invasiva. Aposto que você deve ter saído do banheiro do 307, porra aquele cara até nisso me pentelha a paciência.
- BZZZZZ.
- Acho ruim esse lance de ficar tomando banho e você ficar me olhando. Também acho bem cafona esse lance de mosquinha dentro do box.
- BZZZZZ.
- Dá uma idéia de sujeira a sua presença. Sei que você está aqui só pelos bichinhos que ficam na umidade ou alguma merda do gênero mas realmente me incomoda.
- BZZZZZ.
- Sei lá, acho que você deveria procurar algum outro lugar. Aqui não vai rolar. Quando fecho os olhos embaixo d’água fico com medo de acabar te engolindo e outros inconvenientes. Pior do que você estar no cantinho toda molhada e com cara de paisagem é você de repente não estar.
- BZZZZZ. BZZZZ.
- Sou um cara pacífico. Você tem trinta segundos para sair do meu banheiro.
- BZZZZ. (um minuto se passa. O banho continua em sua forma contida.)
- E então, já se passou um minuto. Qual vai ser?!
- BZZZZ!! BZZZZ!!!
- Já estou pegando o papel higiênico pra te espremer na parede. Vai sair ou vai continuar nessa.
- BBZZZ.
- Bem, te avisei!
- BBBZZZ!!!! BZZZZZ!!!!! BLLAARRHHHH!! (mosquinha foge uma vez mas na segunda o papel higiênico de forma certeira amassa a mosquinha contra a parede. Fim da mosquinha).
- Pô, eu te avisei mas você não me levou a sério. A vida é assim, nem sempre dá pra ficar moscando de bobeira. Foi mal aí mas foi minha espécie que aprendeu a usar o polegar. (som de descarga sendo acionada).
segunda-feira, setembro 13, 2004
CRIVELLA II
Outro dia eu estava falando mal do Crivella por estar querendo usar sua imagem para conseguir ocupar mais de um cargo público, deixando suplentes e vices pelo caminho e utilizando sua imagem carismática e de bom moço. O sujeito é senador da república e está se candidatando a prefeito do Rio.
No entanto, dei uma pesquisada superficial e conclui que este artifício é mais utilizado do que parece. É um tal de senador assumindo ministério, deputado federal assumindo cargo de secretário de estado, deputado estadual assumindo cargo em autarquia estadual e por aí vai longe, vide Serra, Benedita da Silva, Hugo Leal, etc. Normalmente saem do poder legislativo e assumem algum cargo dentro do poder executivo. Deixam o suplente, que na maioria das vezes ninguém conhece e vão se divertir com orçamento de porte nas diversas secretarias, autarquias, sociedades de economia mista e assim por diante. Além de gerir, à distância, seus negócios em terra natal.
Enfim, se eu votei numa pessoa eu quero que ela me represente e não um suplente desconhecido. Acharia justo o retorno ao sistema em que assumindo um outro cargo, o político perde o cargo legislativo e assume o colocado seguinte. Exemplo, nas últimas eleições foram eleitos 2 senadores, Crivella e Cabral Filho. Em assumindo a prefeitura do Rio, abriria mão do cargo de senador e assumiria o cargo vago o sujeito que ficou na terceira colocação e assim por diante. Acho que a legitimidade de um terceiro colocado assumir um cargo é maior do que a de um suplente e em outro ponto de vista, o senador eleito que abriu mão do cargo teria que se explicar para seu eleitorado. A festa é maior ainda entre deputados estaduais e federais.
Lamentavelmente, os representantes escolhidos pelo povo têm afazeres mais importantes do que representar o povo. É uma pena.
Outro dia eu estava falando mal do Crivella por estar querendo usar sua imagem para conseguir ocupar mais de um cargo público, deixando suplentes e vices pelo caminho e utilizando sua imagem carismática e de bom moço. O sujeito é senador da república e está se candidatando a prefeito do Rio.
No entanto, dei uma pesquisada superficial e conclui que este artifício é mais utilizado do que parece. É um tal de senador assumindo ministério, deputado federal assumindo cargo de secretário de estado, deputado estadual assumindo cargo em autarquia estadual e por aí vai longe, vide Serra, Benedita da Silva, Hugo Leal, etc. Normalmente saem do poder legislativo e assumem algum cargo dentro do poder executivo. Deixam o suplente, que na maioria das vezes ninguém conhece e vão se divertir com orçamento de porte nas diversas secretarias, autarquias, sociedades de economia mista e assim por diante. Além de gerir, à distância, seus negócios em terra natal.
Enfim, se eu votei numa pessoa eu quero que ela me represente e não um suplente desconhecido. Acharia justo o retorno ao sistema em que assumindo um outro cargo, o político perde o cargo legislativo e assume o colocado seguinte. Exemplo, nas últimas eleições foram eleitos 2 senadores, Crivella e Cabral Filho. Em assumindo a prefeitura do Rio, abriria mão do cargo de senador e assumiria o cargo vago o sujeito que ficou na terceira colocação e assim por diante. Acho que a legitimidade de um terceiro colocado assumir um cargo é maior do que a de um suplente e em outro ponto de vista, o senador eleito que abriu mão do cargo teria que se explicar para seu eleitorado. A festa é maior ainda entre deputados estaduais e federais.
Lamentavelmente, os representantes escolhidos pelo povo têm afazeres mais importantes do que representar o povo. É uma pena.
sexta-feira, setembro 10, 2004
OS IGNORANTES
Depois de um longo período afastado do teatro pelos mais diversos motivos, fui assistir “Os Ignorantes”. Monólogo com Pedro Cardoso dá uma certa impressão de que vão haver risadas e mais risadas, a questão é: Será que a peça vai ser só umas risadas vendidas ou será que vai haver um humor de qualidade.
Felizmente a segunda opção se concretizou, a peça tinha o lado pastelão e um humor meio vendido em certos momentos mas também tinha um lado do humor de qualidade, poesias no estilo cordel para quebrar o concerto de gargalhadas e acima de tudo, muita, mas muita, interpretação. Que o Pedro Cardoso tem jeito de bom ator dá pra perceber na televisão e filmes e em outras peças mas que ele é um excelente ator isso só fica patente em um monólogo e a forma como ele conduz a história e o público deixa claro que ele é um grande ator. Além de ator o cara é uma grande personalidade daquelas que todo mundo gostaria de ser amigo, desde o playboy, até o mais alternativo, todo mundo acha o cara maneiro, isso é legal do estilo do cara.
Gostei da peça, só recomendo para aqueles que acham que teatro é uma grande diversão porque a peça não é tão profunda e nem tem o intuito de sê-lo. Enquadraria a peça no famoso pop de qualidade.
De qualquer forma, fiquei refletindo sobre a poesia de cordel declamada e fiquei pensando sobre o que é ser ignorante. Também gostei do lado sério da peça.
Depois de um longo período afastado do teatro pelos mais diversos motivos, fui assistir “Os Ignorantes”. Monólogo com Pedro Cardoso dá uma certa impressão de que vão haver risadas e mais risadas, a questão é: Será que a peça vai ser só umas risadas vendidas ou será que vai haver um humor de qualidade.
Felizmente a segunda opção se concretizou, a peça tinha o lado pastelão e um humor meio vendido em certos momentos mas também tinha um lado do humor de qualidade, poesias no estilo cordel para quebrar o concerto de gargalhadas e acima de tudo, muita, mas muita, interpretação. Que o Pedro Cardoso tem jeito de bom ator dá pra perceber na televisão e filmes e em outras peças mas que ele é um excelente ator isso só fica patente em um monólogo e a forma como ele conduz a história e o público deixa claro que ele é um grande ator. Além de ator o cara é uma grande personalidade daquelas que todo mundo gostaria de ser amigo, desde o playboy, até o mais alternativo, todo mundo acha o cara maneiro, isso é legal do estilo do cara.
Gostei da peça, só recomendo para aqueles que acham que teatro é uma grande diversão porque a peça não é tão profunda e nem tem o intuito de sê-lo. Enquadraria a peça no famoso pop de qualidade.
De qualquer forma, fiquei refletindo sobre a poesia de cordel declamada e fiquei pensando sobre o que é ser ignorante. Também gostei do lado sério da peça.
quinta-feira, setembro 09, 2004
CRIVELLA?!?
Eu não sou um cara muito chegado em teorias da conspiração mas também não deixo de me sentir incomodado por mutretas óbvias, ou atitudes cuja suposta inocência não passa de um disfarce para a malandragem.
No município do Rio temos um candidato, Marcelo Crivella, lançado no mundo político pelos evangélicos e em sua primeira eleição em 2002 foi eleito senador da república. Atualmente, está como segundo colocado nas preferências na eleição para a prefeitura carioca.
O que questiono não é origem do apoio ou a religião do candidato, mas o fato de uma pessoa que ocupa o posto de senador da república, cargo com atribuições das mais altas no nosso sistema republicano (vide nossa Constituição da República de 1988!) ter interesse em ocupar um cargo executivo de uma cidade como o Rio de Janeiro. Tecnicamente falando, isto não faz o menor sentido!
Pode-se imaginar que Crivella sendo eleito prefeito do Rio deixaria seu suplente atuando em Brasília e se dedicaria a atividades “lucrativas” na prefeitura. Ele não teria que abrir mão de nada e ainda aumentaria seu poder. Caso queira, pode se candidatar a governador do estado do Rio em 2006, deixaria um suplente no Senado, o vice na prefeitura e assumiria o cargo de governador do estado. Poder na esfera federal, estadual e municipal, poder este alcançado com a utilização de uma figura carismática que fez um lindo trabalho social que eu nunca vi. Ingênuo, ele?! De forma alguma, ingênuo são aqueles que votam nele esperando que ele esteja pessoalmente fazendo alguma coisa pelo povo.
Eu não sou um cara muito chegado em teorias da conspiração mas também não deixo de me sentir incomodado por mutretas óbvias, ou atitudes cuja suposta inocência não passa de um disfarce para a malandragem.
No município do Rio temos um candidato, Marcelo Crivella, lançado no mundo político pelos evangélicos e em sua primeira eleição em 2002 foi eleito senador da república. Atualmente, está como segundo colocado nas preferências na eleição para a prefeitura carioca.
O que questiono não é origem do apoio ou a religião do candidato, mas o fato de uma pessoa que ocupa o posto de senador da república, cargo com atribuições das mais altas no nosso sistema republicano (vide nossa Constituição da República de 1988!) ter interesse em ocupar um cargo executivo de uma cidade como o Rio de Janeiro. Tecnicamente falando, isto não faz o menor sentido!
Pode-se imaginar que Crivella sendo eleito prefeito do Rio deixaria seu suplente atuando em Brasília e se dedicaria a atividades “lucrativas” na prefeitura. Ele não teria que abrir mão de nada e ainda aumentaria seu poder. Caso queira, pode se candidatar a governador do estado do Rio em 2006, deixaria um suplente no Senado, o vice na prefeitura e assumiria o cargo de governador do estado. Poder na esfera federal, estadual e municipal, poder este alcançado com a utilização de uma figura carismática que fez um lindo trabalho social que eu nunca vi. Ingênuo, ele?! De forma alguma, ingênuo são aqueles que votam nele esperando que ele esteja pessoalmente fazendo alguma coisa pelo povo.
quarta-feira, setembro 08, 2004
DURVAL DISCOS
Tinha visto o trailer do filme mas não me interessei muito em assistir. Mais tarde, um amigo meu que tem um gosto que eu levo a sério me recomendou o filme. Com tal recomendação, acabei pegando o filme em DVD pra assistir.
Achei legal o Durval, tipo de personagem que todo mundo conhece alguém parecido ou pelo menos alguém com algumas características do sujeito e que se a atuação não for levada a sério fica parecendo personagem de novela das 7. A impostação corporal do personagem é bem feita, assim como as falas e a dicção. Um personagem e tanto.
No mais, todo o resto do filme é estranho. A história que começa normal se torna estranha e faz uma fronteira que não consegui apreciar entre a comédia e o drama. Comédias que se dirigem para um drama não é algo estranho e existem filmes que aprecio que utilizam esse tipo de coisa, mas no caso do Durval Discos essa forma não conseguiu me cativar. Nem ri e nem fui contagiado pelo drama, acabei ficando perdido no meio do caminho.
Achei o personagem bom e a história começa bem. Infelizmente, o filme cai num redemoinho que acaba levando a história e até mesmo os personagens que de um momento para o outro se tornam rasos. Não recomendo o filme mas quem quiser assistí-lo que aproveite o começo porque o final não faz jus ao começo.
Tinha visto o trailer do filme mas não me interessei muito em assistir. Mais tarde, um amigo meu que tem um gosto que eu levo a sério me recomendou o filme. Com tal recomendação, acabei pegando o filme em DVD pra assistir.
Achei legal o Durval, tipo de personagem que todo mundo conhece alguém parecido ou pelo menos alguém com algumas características do sujeito e que se a atuação não for levada a sério fica parecendo personagem de novela das 7. A impostação corporal do personagem é bem feita, assim como as falas e a dicção. Um personagem e tanto.
No mais, todo o resto do filme é estranho. A história que começa normal se torna estranha e faz uma fronteira que não consegui apreciar entre a comédia e o drama. Comédias que se dirigem para um drama não é algo estranho e existem filmes que aprecio que utilizam esse tipo de coisa, mas no caso do Durval Discos essa forma não conseguiu me cativar. Nem ri e nem fui contagiado pelo drama, acabei ficando perdido no meio do caminho.
Achei o personagem bom e a história começa bem. Infelizmente, o filme cai num redemoinho que acaba levando a história e até mesmo os personagens que de um momento para o outro se tornam rasos. Não recomendo o filme mas quem quiser assistí-lo que aproveite o começo porque o final não faz jus ao começo.
sexta-feira, setembro 03, 2004
CICLOS E MAIS CICLOS
Mais ou menos a cada trinta dias meu chefe, que é bem gente boa mas apesar de tudo é um chefe, vem me dar uns esporros em relação a coisas meio escrotas. Felizmente, não é nada relacionado ao meu trabalho mas a aspectos de comportamento. Ele diz coisas que são parcialmente pertinentes o que acaba me incomodando e me fazendo pensar.
Sim, a vida são ciclos. Na época do colégio tinham as famosas provas, a cada dois meses o tempo fechava e lá vamos nós ralar para afastar o fantasma da recuperação e do janeiro sem férias. Quando jogava volley o ciclo era o campeonato, meses de preparação para o campeonato carioca, turno e returno, uma semana entre um jogo e outro, o ciclo de preparação grande e um pequeno ciclo de execução.
Numa relação tem os ciclos de altos e baixos, inexplicavelmente às vezes surgem discussões ocasionadas pelo tempo e intensidade do convívio. Logicamente que se o ciclo for muito pequeno aí é porque tem alguma coisa de errado com as partes.
Um dos aspectos da idade é a criação de novos ciclos, ciclos diferentes, as provas são mais complexas, os avaliadores são menos justos, os quesitos são bastante subjetivos, as comemorações são menos óbvias.
E que eu consiga lidar com esses novos ciclos.
Mais ou menos a cada trinta dias meu chefe, que é bem gente boa mas apesar de tudo é um chefe, vem me dar uns esporros em relação a coisas meio escrotas. Felizmente, não é nada relacionado ao meu trabalho mas a aspectos de comportamento. Ele diz coisas que são parcialmente pertinentes o que acaba me incomodando e me fazendo pensar.
Sim, a vida são ciclos. Na época do colégio tinham as famosas provas, a cada dois meses o tempo fechava e lá vamos nós ralar para afastar o fantasma da recuperação e do janeiro sem férias. Quando jogava volley o ciclo era o campeonato, meses de preparação para o campeonato carioca, turno e returno, uma semana entre um jogo e outro, o ciclo de preparação grande e um pequeno ciclo de execução.
Numa relação tem os ciclos de altos e baixos, inexplicavelmente às vezes surgem discussões ocasionadas pelo tempo e intensidade do convívio. Logicamente que se o ciclo for muito pequeno aí é porque tem alguma coisa de errado com as partes.
Um dos aspectos da idade é a criação de novos ciclos, ciclos diferentes, as provas são mais complexas, os avaliadores são menos justos, os quesitos são bastante subjetivos, as comemorações são menos óbvias.
E que eu consiga lidar com esses novos ciclos.
quarta-feira, setembro 01, 2004
PÓS-ADOLESCÊNCIA II
“Se o meu filho nem nasceu, eu ainda sou um filho.”
Essa frase que faz parte de uma das canções do Ira! – Dias de Luta - me diz muito. Tenho menos responsabilidades do que um adulto, um dos motivos é porque eu não tenho um filho, não pago escola nem plano de saúde de ninguém, nem prestação da casa própria. Na pior das hipóteses, só quem fica sem educação ou sem direito a assistência hospitalar ou sem teto sou eu, não causo danos a ninguém, muito menos a uma pessoa inocente e que depende de mim como um filho.
Não assumo dívidas a longo prazo, não tenho dívidas em valores que superem o valor da minha rescisão contratual, não tenho nada no meu nome, tenho poucos bens que eu não posso colocar embaixo do prazo e levar embora. Tenho uma poupança que ajuda e daria pra fazer uma graça mas também não dá pra fazer milagres.
Gosto de sair molhado do banho, de ficar no final de semana sem fazer barba, de ir com meu amigo ao Maracanã e xingar o árbitro ou o Botafogo, de ir pra boite e ficar meio bêbado, de ficar fazendo piadinhas que ninguém entende e rir sozinho, de não ter que usar terno para trabalhar, de dormir até não sei que horas no final de semana, entre outras coisas que me fazem parecer um pós-adolescente.
“Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou um filho. E hoje eu canto esta canção, o que cantarei depois”. Tenho curiosidade de saber qual será a próxima canção.
“Se o meu filho nem nasceu, eu ainda sou um filho.”
Essa frase que faz parte de uma das canções do Ira! – Dias de Luta - me diz muito. Tenho menos responsabilidades do que um adulto, um dos motivos é porque eu não tenho um filho, não pago escola nem plano de saúde de ninguém, nem prestação da casa própria. Na pior das hipóteses, só quem fica sem educação ou sem direito a assistência hospitalar ou sem teto sou eu, não causo danos a ninguém, muito menos a uma pessoa inocente e que depende de mim como um filho.
Não assumo dívidas a longo prazo, não tenho dívidas em valores que superem o valor da minha rescisão contratual, não tenho nada no meu nome, tenho poucos bens que eu não posso colocar embaixo do prazo e levar embora. Tenho uma poupança que ajuda e daria pra fazer uma graça mas também não dá pra fazer milagres.
Gosto de sair molhado do banho, de ficar no final de semana sem fazer barba, de ir com meu amigo ao Maracanã e xingar o árbitro ou o Botafogo, de ir pra boite e ficar meio bêbado, de ficar fazendo piadinhas que ninguém entende e rir sozinho, de não ter que usar terno para trabalhar, de dormir até não sei que horas no final de semana, entre outras coisas que me fazem parecer um pós-adolescente.
“Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou um filho. E hoje eu canto esta canção, o que cantarei depois”. Tenho curiosidade de saber qual será a próxima canção.