segunda-feira, agosto 30, 2004

PÓS-ADOLESCÊNCIA

Recentemente descobri que não sou adulto, por outro lado também não sou adolescente, talvez eu seja um jovem mas acho o termo muito genérico e prefiro me considerar um pós-adolescente.

Quando eu tinha uns 13 anos não via a hora de me tornar um adulto, ou seja, ter uns 19 ou 20 anos, eu teria minha própria casa, meu carro esporte, um trabalho e não teria que ficar aturando minha mãe me deixando de castigo. Muitas vezes eu me imaginava casado mas ainda sem filhos. Enfim, minha vida seria bem legal.

No entanto, quando cheguei aos dito vinte anos vi que a banda tocava bem diferente. Continuava estudando, dependia financeiramente dos meus pais mais do que nunca, trabalhei durante as férias e vi que meu suor valia muito pouco.

Hoje em dia, eu transpiro bastante, meu suor vale um pouco mais do que valia antes mas nada que me permita grandes devaneios. Tenho um Play Station 2 que eu não tive com meus 13 anos e o utilizo mais do que seria imaginável e tenho um blog com um quê de diário. De certa forma, continuo dependendo da minha família. Ironicamente, meus sonhos profissionais têm a ver com a atividade policial. Uso mais o discman do que o carro. Continuo passando a maior parte do meu dia fazendo coisas que não gosto do que fazendo aquelas que me dão prazer. Talvez a grande descoberta tenha sido o sexo, as bebidas e o fato de que meus planos estão mais concretos e sei mais ao certo as dificuldades que terei para alcançá-los.

Dentro da minha lógica, sou um pós-adolescente. Não sou velho, não sou cético, não sou conservador e nem tenho medo de envelhecer, definitivamente não sou adulto. Tenho algumas responsabilidades e tenho um futuro pela frente. Acabo por passar boa parte do meu dia plantando sonhos para colher realidade.

quarta-feira, agosto 25, 2004

O MENDIGO DANÇARINO

Moro em Copacabana, lugar de farta fauna e flora, infelizmente mais fauna do que flora, dentro da fauna tem um mendigo que é razoavelmente bem tratado uma vez que está sempre barbeado, cabelo cortado e um figurino peculiar que inclui terno, uniforme do Flamengo e fantasia de escola de samba, como bom doidinho de rua a mania dele é ficar ouvindo um walkman e dançando. Sob certa ótica ele é até lírico considerando a realidade da mendigagem no Rio. Quem mora na altura do Posto 3 sabe de quem eu estou falando.

Enfim, ontem eu o vi quando estava voltando do trabalho e ele estava meio stressado. Tudo bem, um cara que passa o dia inteiro dançando deve ter momentos de stress. Depois vi uma molecada de 13 ou 14 anos correndo e olhando pra esquina, daqui a pouco chegou ele e ficou se dirigindo aos moleques. Em resumo, alguma coisa devem ter aprontado com ele e lá estava o coitado stressado e resmungando.

Na hora pensei - lá tá a molecada querendo dar umas risadas as custas do retardado, sacanagem. Depois fiquei pensando, eles estavam aprontando com um cara que não tem capacidade mental de se defender, eles estavam em grupo e fisicamente também teriam vantagem e tudo isso para dar umas risadas. Na boa, isso é muita covardia.

Fiquei com um certo peso na consciência, devia ter feito alguma coisa e não fiz nada ao convenientemente me acomodar em casa. Adolescentes como aqueles um dia acabam queimando um índio num ponto de ônibus e as pessoas se esquecem que aquilo não aconteceu só pela vontade de adolescentes se mostrarem uns para os outros, aquilo aconteceu porque os moleques não tinham limite, seus pais e seus professores não lhe deram educação e não houve uma pessoa que lhes dissesse que a liberdade de um acaba onde começa a do outro. Aqueles meninos na minha rua estavam seguindo o mesmo caminho.
Dentre tantos momentos em que pequei pela omissão, aquele foi mais um. Crescer como ser humano é se tornar mais reativo, agir ao invés de ficar esperando os outros agirem, não se omitir e ter personalidade de atuar, brigar a luta justa, ser fiel aos seus ideais e não aceitar a opressão. Ontem senti que perdi a chance de crescer um pouco, espero que da próxima vez eu haja ao invés de me refugiar em casa.

E que o mendigo dançarino continue dançando na esquina da minha rua.

segunda-feira, agosto 23, 2004

... E SE VOCÊ DISSER QUE ME AMA

Se você disser que me ama,
O sol vai brilhar mais forte,
A baía de Guanabara vai ficar como um espelho refletindo o céu,
O calor vai me abraçar suavemente pela manhã,
Quando a brisa me tocar vou fechar os olhos e sentir suas mãos.

Se você disser daqui a pouco,
A demora vai soar longa,
A sua falta vai ser grande,
A distância será infinita.

Se eu falar sobre meus sonhos,
Talvez você não consiga ouvir,
Talvez você não queira ouvir,
Se eu insistir, quem sabe os seus sonhos ficam iguais aos meus,
Talvez eu consiga até te convencer a sonhar.

Se eu não souber contar,
Não vou me preocupar com a grana no final do mês,
Não vou conseguir contar o tempo longe de você,
Vou dormir te esperando.

Mas se você disser que me ama,
Eu vou te abraçar com força,
Vou segurar seu cabelo e falar suavemente no seu ouvido,
Eu também te amo.

quarta-feira, agosto 18, 2004

BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS

Lá fui eu assistir um filme sério do Jim Carrey, será que finalmente a academia vai entender que ele também tem um lado sério e vão considerá-lo como um ator de verdade ou vão preferir continuar ignorando-o. Bem, isso é papo pra semana do Oscar daqui há um tempo, não é sobre isso o que eu quero falar.

Vamos ao filme. Gostei muito. Por que? Não sei exatamente explicar o motivo, só sei que gostei. Me atraiu a premissa do filme, a mistura de sentimentos expostos no filme, a profundidade dos personagens, o inverno, a forma através do qual expuseram o sub-consciente e assim por diante.

Fiquei com medo de que alguém um dia quisesse me apagar de sua memória. E fiquei convicto de que jamais apagaria a minha memória, meus erros, meus acertos, minhas derrotas e minhas vitórias são todas minhas e não deixaria ninguém tirar isso de mim, eles são parte de quem eu sou e jamais aceitaria que alguém me roubasse de mim mesmo.

Acho que gostei do filme porque ele fala de amor de uma forma diferente e única, diferente e único como é o amor.

segunda-feira, agosto 16, 2004

GOLDFISH MEMORIES

Gosto de filmes que falem sobre relacionamentos, aliás adoro discutir relacionamentos desde que não seja o meu, e esse filme acaba sendo uma grande discussão dos mais diversos relacionamentos dos vários personagens.

O título em português ficou sofrível parecendo algum filme romântico B e acaba não refletindo a presença dos peixinhos soltos pelo filme, assim como o clichê romântico de um dos personagens e a forma simples e gostosa irlandesa de narrar as idas e vindas amorosas.

Os anos 90 iniciaram uma tentativa de quebra de paradigmas de relação, os gays saíram do armário, o solteirão e a solteirona podem ser solteiros em paz sem serem taxados e assim por diante. Nos atuais ano 2000 busca-se a solidificação de tais quebras, o aumento da liberdade e até mesmo a possibilidade de produção independente. Evoluí-se a passos curtos, mas evoluí-se.

Saí do filme e fui jantar sushi. O sushi foi leve, digestão rápida e agradável, assim como o filme.

sexta-feira, agosto 13, 2004

A PARTE MAIS BONITA DO SEU CORPO

Você me perguntou sobre qual seria a parte mais bonita do seu corpo? Na hora, foi difícil pensar numa resposta não óbvia do tipo olhos, boca, peito, nariz ou bunda.

Descobri que menti, a parte que mais gosto do seu corpo é seu ouvido. Aquele pedacinho de cartilagem bastante sexy que fica escondido nos meio dos seus cabelos, fica perto da boca, fica perto do pescoço e não consigo resistir a mordê-la nos mais diversos momentos. No entanto, o motivo pelo qual elegi seus ouvidos não se refere somente ao aspecto visual e ao tato. A razão pela qual esta parte se tornou a predileta diz respeito ao fato de você me ouvir muito, até mais do que eu ouço você. Não só você me ouve como me dá força, faz comentários, aceita a idéia de que um desabafo às vezes é necessário para continuarmos aceitando o dia-a-dia.

Através dos seus ouvidos, você entende minhas dúvidas, você compreende as minhas perguntas, você me ouve e acabo me sentindo cada vez mais próximo de você. Fico tão próximo que me intoxico.

Você é ansiosa, eu também, o desabafo, o falar, acaba sendo uma forma de diminuir a pressa, atenuar as chances de errar e a anseio se transforma em costurar projetos. Ao mesmo tempo, através de seus ouvidos, eu lhe conto meus planos, meus sonhos, minhas metas, alguns você gosta, outros você aceita, outros você finge que aceita. Através deles ainda posso lhe contar meus segredos, meus pensamentos, minhas piadas das quais você não acha a menor graça. Quando você me ouve eu sinto seu apoio, como se você estivesse do meu lado mesmo quando você está distante.

Sei que seus outros dotes físicos vão mudar e ter sua forma alterada com a idade, disto não tenho medo. No entanto, espero que seus ouvidos não envelheçam e que você continue sendo esse porto seguro que me suporta e me dá força e ainda me serve de inspiração, expiração e transpiração.

quinta-feira, agosto 12, 2004

PATROCÍNIO PÚBLICO OU INICIATIVA PRIVADA DISFARÇADA

Esse papo de espírito olímpico me tem feito refletir sobre de onde vem a grana que paga a festa toda. Trabalho num lugar e sei que um evento pra duzentas pessoas custa uma grana, uma viagem com 300 pessoas pra Petrópolis custa uma boa grana e imagino que uma ida de 700 pessoas para outro país pra disputar olimpíadas deve ser algo estupidamente caro.

De um lado temos um governo falido que cobra uma fortuna em impostos e que não consegue arrumar a casa há anos e nem consegue sonhar com uma política para educação e para os esportes. Por outro lado temos uma iniciativa privada ávida por lucros e que não tem muito interesse em ajudar projetos que não tenham um retorno palpável, vide o exemplo recente da Xerox que suspendeu sem maiores explicações a sua significativa parcela de patrocínio ao projeto esportivo da favela da Mangueira, ou seja, ou tem lucro em marketing aferível ou nada de dinheiro.

Criamos então uma realidade sui generis no Brasil. Apesar de não haver um investimento público em uma política para os esportes, sempre tem algum dinheiro pública no esquema de patrocínio. O governo através de suas empresas patrocina e banca o esporte, como exemplos, o Banco do Brasil banca o vôlei, os Correios a natação, a Caixa Econômica o atletismo, a Petrobrás paga a vela e mais uma porrada de esportes e por aí vai. Se analisar o patrocínio privado, das grandes só vejo a Telemar a qual conheço o esquema de marketing e é fácil observar que os caras gastaram mais fazendo a publicidade e colocando na televisão do que dando dinheiro para os atletas treinarem. Acho que tem também o Pão de Açúcar e a Brasil Telecom que apóiam o triatlon.

Na boa, eu como eleitor preferiria ver cinco atletas nas olimpíadas e ver a molecada praticando esportes em cada esquina em ginásios com o mínimo de estrutura, ver os velhinhos do morro jogando bocha que nem é esporte olímpico, ver a criançada não entrando no tráfico de drogas porque há um estímulo ao esporte de base que é o que efetivamente tira as crianças das drogas, ver as crianças em bibliotecas dignas lendo apesar de leitura também não ser esporte olímpico e assim por diante. Se alguma empresa privada quisesse pagar a passagem pra Atenas, sem problemas. O que eu não admito é ver tanta gente gastando o dinheiro público, que também é meu, fazendo festinha enquanto tem um moleque cheirando cola aqui na esquina. É muito contra-senso.

sexta-feira, agosto 06, 2004

MEUS DEFEITOS

As pessoas gostam muito de falar de suas próprias virtudes ou dos defeitos dos outros, seus próprios defeitos são um assunto bastante raro. Estive pensando em algum dos meus defeitos, alguns eu quero mudar, outros nem tanto porque me dão uma certa excentricidade ou fazem parte da minha personalidade.

- - Meu maior defeito é não saber dizer “não”. Quando eu digo “não” acaba soando como uma coisa meio grossa e destemperada. Como não sei dizer, acabo não gostando de dizer e fico dizendo mais “sim” do que deveria.

- - Sou muito desestimulável. É complicado, preciso sempre estar sendo estimulado pra não enjoar de alguma coisa. Se estou a fim de uma pessoa e não sou correspondido logo, desfico a fim. Faço um grande trabalho com a maior raça na primeira vez, se tiver que revisar já fico meio desanimado, se fica todo mundo dando palpite pedindo pra refazer fico completamente desanimado. Gosto que tudo dê certo da primeira vez.

- - Não sei discutir. Tenho dificuldade em expor meus argumentos. Tenho também impaciência em relação a discussões sem fim ou sem objetivos.

- - Não gosto de banho frio.

- - Não gosto de dividir muito as parcelas das despesas. Cada parcela que chega é um questionamento de se o gasto que eu fiz foi bom ou ruim. Depois que eu gastei não gosto de pensar nisto.

- - Não gosto de acordar cedo. Tenho aprimorado isso mas ainda há um longo caminho.

- - Gosto de fumar por mais politicamente incorreto que isso possa soar. Atualmente parei.

- - Não gosto de ir pra boite com namorada, e se vou pra boite gosto de ir meio bêbado.

- - Tenho preguiça de exigir meus direitos.

- - Fico tempo demais na frente da televisão.

- - Não sei lidar direito com meus sentimentos.

- - Não tenho timing para falar as coisas. Falo as coisas certas nas horas erradas, falo as coisas erradas nas horas erradas, e daí pra pior.

- - Poucas coisas eu estudo por prazer. A maioria é por obrigação.

- - Sou pouco ambicioso. Na era da ambição isso é um pecado.

- - Só gosto de ouvir opiniões quando eu peço. Prefiro dar do que receber palpites.

- - Odeio quando me chamam a atenção. Sempre levo pro lado pessoal e fico puto.

- - Não sei demonstrar felicidade ao receber um presente. Tenha eu gostado dele ou não.

É, realmente tenho muito defeitos. Acho que tenho farto tema pra mais outros posts. Daria até para mudar o nome do blog para auto-crítico do mundo. Complicado.

quinta-feira, agosto 05, 2004

BLOGS ASSOCIADOS

Alguns dos meus cronistas favoritos não escrevem mais. Coloquei o link pro blog deles pra me facilitar a vida e agora eles somem. Eles não escrevem nem dão sinal de vida. Dá a idéia de um fim com três pontinhos, com cenas do próximo capítulo, com um inimigo abrindo um olho envolto nas cinzas, um olhar atravessado em uma cena de casamento, qualquer coisa que dê uma idéia de fim provisório sem definitividade e em que não sabemos como será a continuação.

Desta forma, o Parisblues está suspenso por ida pra Suíça e o acesso a internet nos cafés deve custar algo como 15 dólares por 15 minutos e vai continuar sem atualização. O Ezgrozovados sumiu por falta de tempo pra conciliar trabalho, estudo, noitadas, etc e tal. Quanto a Alice, figuraça toda a vida, deve ter viajado com alguma paixão e vai inaugurar uma pousada em Arembepe ou no Taiti. No que se refere ao Crônicas Urbanas, não vale porque ele é uma filial tão somente.
Fica a reclamação, que não deixa de ser uma crítica em relação a estes cronistas que instigam e depois saem fora deixando seu leitor voyeur de olhos vendados. Devo buscar novos horizontes...

quarta-feira, agosto 04, 2004

CÓDIGO DA VINCI

Título alternativo: As Aventuras e Desventuras de Robert Langdon e Sophie Neveu.

Papo vai, papo vem, acabei lendo o dito Código da Vinci. Só soube que o livro estava super badalado quando já tinha começado. Rolou um certo preconceito mas lá fui eu.

O livro tem aquele esquema pop americano, ou seja, leitura cativante e relativamente rápida, capítulos curtos, letras grandes, uso de uma linguagem prática sem grandes devaneios, farto uso de lugares comuns e assim por diante. O tema é num esquema bastante em moda com menções a história e aspectos religiosos, ou seja, se Tom Clancy fez sucesso nos anos 80 com sua temática Guerra Fria, a perspectiva mudou e agora se adota um estilo menos Rambo e mais um Indiana Jones politicamente correto e inteligente.

Desta forma, na literatura comercial americana temos um anos 80 com cheiro de pólvora e um sentimento revanchista por conta do Vietnam e com sentimento yuppie, nos anos 90 temos a busca do transcendental e um lado místico e um contraponto ao materialismo e por fim temos o anos 2000 com uma perspectiva de se entender a história e a busca de uma identidade cultural e de uma individualidade prezando mais a inteligência do que a força física ou bélica.
Voltando ao livro, a discussão é se este se trata de um bom exemplar da cultura pop ou se mais um livro feito para encher o bolso de uns editores nova-iorquinos. Não tenho opinião formada, gostei do durante mas acho que não vou me lembrar dele daqui a alguns anos a não ser pela capa bonita com o olhar da Mona Lisa me encarando. Leia-o na busca de uma diversão despretensiosa, mas não o leia porque está todo mundo lendo. Isso é muito cafona.

segunda-feira, agosto 02, 2004

BISONHO, PRA NÃO DIZER BIZARRO

Ainda me assusto com comportamentos políticos muito óbvios que são utilizados e acabam atingindo o objetivo desejado, por mais mesquinho que este seja.

A política de segurança pública do governo do estado do Rio de Janeiro é comprar novas viaturas. Política de resultado questionável a julgar pela realidade. Os caras compram veículos novinhos, superfaturados (o governo de SP compra pela metade do preço) e não sei por qual motivo depois de 2 meses os carros já estão esmulhanbados por aí. Pra fazer a cerimônia de entrega, marcam 9 horas da manhã no monumento aos mortos na Segunda Guerra que fica ali no final do Aterro do Flamengo. Toda a classe média que está indo pro centro pode ver que a governadora anda nos protegendo.

O trânsito fica ruim, fica um monte de viatura passando de sirene ligada sem que haja qualquer emergência e eu me sinto ridículo por ser governado por políticos tão ridículos. Sinto-me como um caolho numa terra de cegos, cegos que não querem enxergar. Se segurança pública fosse feita com carros novos, o Rio seria uma Suíça, infelizmente, aparentemente só o caolho percebeu que a coisa é meio diferente.