SOCIEDADE IDEAL
Fui incitado por um amigo a pensar um pouco em como seria a sociedade ideal. Além daquelas coisas básicas de que todos seriam iguais, as pessoas viveriam em paz, não haveria poluição e demais questões que podem ser observadas em qualquer discurso cotidiano na ONU estive pensando em alguns aspectos pessoais dessa dita sociedade perfeita...
Numa sociedade perfeita todos os homens seriam barbudos (não ter que fazer barba de manhã!!! Todo mundo no estilo Los Hermanos), gordinhos (churrascarias seriam mais populares do que comida à quilo), todo mundo só andaria de bermuda e camiseta. Jogos de futebol seriam todos de qualidade, gratuitos e com transporte de qualidade.
Nos mais diversos lugares haveria bebedores públicos com chopp, caipirinha de caju, capuccino, milkshake de Ovomaltine e pespsi twist (não precisa ser light pois todo mundo já é gordinho mesmo!!).
Toda casa teria um video-game e um computador ligado em rede, todos programas seriam freeware, filmes seriam alugados de graça e livros bons seriam igualmente gratuitos.
Não haverá limite de velocidade nas estradas e nosso combustível não seria fóssil nem poluente, se não quiser dirigir é só ligar o piloto automático.
À noite, diversos bares de blues e boites onde todo mundo ficaria bêbado e se divertiria. Logicamente, não haveria ressaca pois as bebidas seriam feitas de forma que não houvesse pesadelos ou gosto de cabo de guarda-chuva no dia seguinte. Haveria diversas raves nas quais seriam liberadas as diversas substâncias que pesquisas conclusivas determinaram que não fazem mal a saúde e que houve intriga da oposição em tal afirmação.
Todos poderiam transar com as mulheres mais gatas do mundo e curtir a vida adoidado. Quando cansasse poderia ter uma esposa gatíssima, inteligente e bem humorada que ainda gostaria de jogar video-game, assistir jogo do Botafogo, de pizza de pepperoni, de assistir desenho animado de manhã e que não seria paranóica em relação ao estado de seu cabelo ou de sua pele.
Seria possível viajar pelo menos duas vezes por ano, uma vez dentro do Brasil e uma viagem ao exterior, isso sem contar que haveria tempo para dar umas boas velejadas com os amigos.
Pegando embalo num antigo samba-enredo, não se paga pra sonhar...
Dois caras sentados num banco de praça ficavam olhando as pessoas passando. Ficaram ali horas, analisando, criticando e discutindo sobre a vida. Lá pelas tantas um deles diz: Nós estamos aqui nos sentindo os críticos do mundo! O outro acreditou que ele realmente seria o crítico do mundo e criou esse blog. Bem-vindo!
terça-feira, dezembro 23, 2003
segunda-feira, dezembro 22, 2003
INVASÕES BÁRBARAS
Fui assistir o filme quase obrigado, todo mundo estava falando bem, desde a crítica até os meus amigos cinéfilos e acinéfilos. Lá vou eu...
Gostei do filme, não vou dizer que é a maior obra prima do século e coisas do gênero que a crítica faz para ver se consegue atrair gente pra salinha escura mas vou dizer que já fazia um tempo que eu não via um filme tão bem feitinho com fotografia adequada e elenco harmônico e de qualidade, um roteiro sensível na dose certa (e olha que a própria idéia de um filme cujo tema é os últimos dias do protagonista já daria margem a um dramalhão guarda-chuva, o que não acontece!!).
Achei interessante o contraponto das gerações, o pai de uma geração dos anos 70 cheio de ideais sociais, apaixonado pelas mulheres e pela vida boêmia e por outro lado o filho dos anos 90, cético, apegado ao seu objetivo de vida e com a objetividade dos resultados como ideal. Ironicamente, diversos filhos dos anos 70 aparecem recalcados com o fato de não serem parte de uma família de comercial de margarina.
O filme tem diversas frases e situações de impacto. Gostei de diversas delas. O filho ao se despedir do pai é uma cena bastante bonita. As conversas do filho com a junkie são legaizinhas. A cena em que a esposa do filho explica a relação dela com o filho é bastante curiosa e acho que reflete bem a lógica dos anos 90 do tipo “eu não preciso amar, mas quero alguém que faça sentido e não seja como meus pais”.
Gostei do filme, fazia um tempo que eu não assistia um filme que eu pudesse pensar e que me fizesse discutir um pouco com os outros sobre os diversos sentimentos humanos. Não é uma obra prima, mas que faz pensar, faz.
Fui assistir o filme quase obrigado, todo mundo estava falando bem, desde a crítica até os meus amigos cinéfilos e acinéfilos. Lá vou eu...
Gostei do filme, não vou dizer que é a maior obra prima do século e coisas do gênero que a crítica faz para ver se consegue atrair gente pra salinha escura mas vou dizer que já fazia um tempo que eu não via um filme tão bem feitinho com fotografia adequada e elenco harmônico e de qualidade, um roteiro sensível na dose certa (e olha que a própria idéia de um filme cujo tema é os últimos dias do protagonista já daria margem a um dramalhão guarda-chuva, o que não acontece!!).
Achei interessante o contraponto das gerações, o pai de uma geração dos anos 70 cheio de ideais sociais, apaixonado pelas mulheres e pela vida boêmia e por outro lado o filho dos anos 90, cético, apegado ao seu objetivo de vida e com a objetividade dos resultados como ideal. Ironicamente, diversos filhos dos anos 70 aparecem recalcados com o fato de não serem parte de uma família de comercial de margarina.
O filme tem diversas frases e situações de impacto. Gostei de diversas delas. O filho ao se despedir do pai é uma cena bastante bonita. As conversas do filho com a junkie são legaizinhas. A cena em que a esposa do filho explica a relação dela com o filho é bastante curiosa e acho que reflete bem a lógica dos anos 90 do tipo “eu não preciso amar, mas quero alguém que faça sentido e não seja como meus pais”.
Gostei do filme, fazia um tempo que eu não assistia um filme que eu pudesse pensar e que me fizesse discutir um pouco com os outros sobre os diversos sentimentos humanos. Não é uma obra prima, mas que faz pensar, faz.
TESE DE MESTRADO / DOUTORADO
Está rolando na internet e já foi até mesmo tema do Fantástico o sujeito que fez uma tese de doutorado em antropologia sobre o churrasquinho de rua no subúrbio. Após alguns segundos de hesitação fiquei puto com a história.
Existe todo um interesse coletivo no ensino e por isso existem faculdades públicas nas quais o aluno não paga pra estudar ou em certos casos chega até mesmo a ser remunerado para estudar. Imagina-se que o objeto do estudo nessas faculdades devem igualmente refletir o interesse coletivo que gerou a criação e manutenção de tais cursos.
Não consigo ver o interesse da coletividade em um tese de doutorado sobre o churrasquinho de fundo de quintal, assim como tenho dificuldade em enxergar a necessidade de teses sobre o chorinho, samba ou futebol. Esses são temas populares mas não de interesse público. A pesquisa sobre samba ou churrasquinho pode ser muito interessante de se fazer, no estilo “unir o útil ao agradável”, mas a minha ressalva é justamente quanto a utilidade para a coletividade que com seus impostos mantêm a faculdade.
Como não sou completamente preconceituoso, acho que aqueles que queiram pesquisar tais assuntos devem utilizar um pouco a imaginação e buscar patrocínio privado para sua pesquisa que não necessariamente tem que ser uma tese mas pode ser um livro ou um artigo. Por exemplo, se eu quero fazer uma pesquisa sobre o churrasquinho de subúrbio posso buscar um patrocínio na Sadia, Perdigão ou outro frigorífico, se o pesquisador conseguir mostrar a relevância de sua pesquisa duvido que eles se neguem a financiar tal trabalho. Em relação ao Samba, temos a Associação de Escolas de Samba com dinheiro até dizer chega (se com os valores que eles cobram eles não tiverem dinheiro, isso pode até mesmo ser a matéria da pesquisa), acho que um projeto bem feito deverá ser patrocinado pela associação sem problemas.
Por outro lado, sinto falta de pesquisas bem feitas em que há interesse público. Não vejo pesquisas contendo números claros sobre a educação, saúde, violência e assim por diante. Esses são assuntos muito debatidos na mídia mas as fontes são um tanto quanto escassas. A polícia ainda utiliza como referencial para a questão da violência na favela uma tese de 1985 que traça o perfil das diversas favelas do Rio e aspectos correlatos a estas.
Acho que a conclusão é óbvia, dá muito mais trabalho fazer um trabalho sério sobre um assunto sério do que comer um churrasquinho na casa do vizinho. Então, que o malandro saiba ser malandro para conseguir o dinheiro para viver da sua malandragem em outra freguesia, e que tal a freguesia privada.
Está rolando na internet e já foi até mesmo tema do Fantástico o sujeito que fez uma tese de doutorado em antropologia sobre o churrasquinho de rua no subúrbio. Após alguns segundos de hesitação fiquei puto com a história.
Existe todo um interesse coletivo no ensino e por isso existem faculdades públicas nas quais o aluno não paga pra estudar ou em certos casos chega até mesmo a ser remunerado para estudar. Imagina-se que o objeto do estudo nessas faculdades devem igualmente refletir o interesse coletivo que gerou a criação e manutenção de tais cursos.
Não consigo ver o interesse da coletividade em um tese de doutorado sobre o churrasquinho de fundo de quintal, assim como tenho dificuldade em enxergar a necessidade de teses sobre o chorinho, samba ou futebol. Esses são temas populares mas não de interesse público. A pesquisa sobre samba ou churrasquinho pode ser muito interessante de se fazer, no estilo “unir o útil ao agradável”, mas a minha ressalva é justamente quanto a utilidade para a coletividade que com seus impostos mantêm a faculdade.
Como não sou completamente preconceituoso, acho que aqueles que queiram pesquisar tais assuntos devem utilizar um pouco a imaginação e buscar patrocínio privado para sua pesquisa que não necessariamente tem que ser uma tese mas pode ser um livro ou um artigo. Por exemplo, se eu quero fazer uma pesquisa sobre o churrasquinho de subúrbio posso buscar um patrocínio na Sadia, Perdigão ou outro frigorífico, se o pesquisador conseguir mostrar a relevância de sua pesquisa duvido que eles se neguem a financiar tal trabalho. Em relação ao Samba, temos a Associação de Escolas de Samba com dinheiro até dizer chega (se com os valores que eles cobram eles não tiverem dinheiro, isso pode até mesmo ser a matéria da pesquisa), acho que um projeto bem feito deverá ser patrocinado pela associação sem problemas.
Por outro lado, sinto falta de pesquisas bem feitas em que há interesse público. Não vejo pesquisas contendo números claros sobre a educação, saúde, violência e assim por diante. Esses são assuntos muito debatidos na mídia mas as fontes são um tanto quanto escassas. A polícia ainda utiliza como referencial para a questão da violência na favela uma tese de 1985 que traça o perfil das diversas favelas do Rio e aspectos correlatos a estas.
Acho que a conclusão é óbvia, dá muito mais trabalho fazer um trabalho sério sobre um assunto sério do que comer um churrasquinho na casa do vizinho. Então, que o malandro saiba ser malandro para conseguir o dinheiro para viver da sua malandragem em outra freguesia, e que tal a freguesia privada.
sexta-feira, dezembro 19, 2003
VOLTEI !!!!!
Após problemas técnicos dos mais diversos e uma quarentena forçada eu consegui voltar...
Ainda continua a velha configuração esquisita, os acentos estranhos, a falta total de saber como inserir anexos e mais um monte de coisa mas pelo menos estou de volta.
Citando Roberto Carlos:
"Eu voltei, voltei para ficar
Por que aqui, aqui é meu lugar..."
Após problemas técnicos dos mais diversos e uma quarentena forçada eu consegui voltar...
Ainda continua a velha configuração esquisita, os acentos estranhos, a falta total de saber como inserir anexos e mais um monte de coisa mas pelo menos estou de volta.
Citando Roberto Carlos:
"Eu voltei, voltei para ficar
Por que aqui, aqui é meu lugar..."