sexta-feira, fevereiro 27, 2004

ACHADOS E PERDIDOS

Em meio ao carnaval molhado aproveitei para ler Achados e Perdidos do Luiz Alfredo Garcia-Roza. Já tinha lido Vento Sudoeste e achei muito maneiro, estava na maior fissura de encarar um bom policial novamente.

A história de Achados e Perdidos é bem bacana, o livro tem pegada, tem emoção, tem ritmo, tem citações eruditas, tem sangue, tem sexo e é bem escrito. No entanto, essas são qualidades que agregam a um livro policial mas, pra mim, o essencial mesmo são os personagens. Se os personagens são insossos ou fodas demais a história fica sem graça.

Os melhores personagens são aqueles bem humanos, com fraquezas e virtudes, com sentimentos e dificuldades, com problemas e paixões, tem que ser um personagem que nós poderíamos encontrá-lo a qualquer momento na rua. Se os personagens forem bons, aí sim podemos ter uma história. Neste sentido, Achados e Perdidos tem excelentes personagens, o Delegado Espinosa é muito maneiro, em diversas situações eu queria ser que nem ele, o cara é muito bem sacado, tem o lance do cara morar em Copacabana que é um apelo inegável, só faltava ele ser botafoguense como eu. Os demais personagens também são bons e aos poucos cativam o leitor, cada um a sua maneira.

Em relação a história do livro, não vou falar nada. Quem quiser saber a história que leia o livro. Tenho a consciência de que qualquer parte de um livro policial ao ser contada pode estragar o final ou estragar surpresas. Aliás, o título do blog é Crítico do Mundo e não Contador de Histórias do Mundo. Para quem for se aventurar, boa leitura. Para que não for, você não sabe o que está perdendo.

Nada como um bom livro policial no carnaval...
A GENTE FOMOS

Qualquer pessoa que tenha lido o título A GENTE FOMOS deve no mínimo me achar um semi-analfabeto, até mesmo meu corretor de texto do Word que é um semi-analfabeto percebeu e apontou a minha construção peculiar. No entanto, não sou semi-analfabeto mas um erudito.

Em conversa com uma amiga minha estudante estudiosa de letras ela explicou que “A gente fomos” tem uma espécie de concordância que a gramática considera uma exceção na qual esta construção está correta desde que seja utilizada uma formação que inclua o autor da frase. O exemplo típico é “Os brasileiros somos”, por ser brasileiro eu me incluo no grupo e apesar de tudo está subentendido o uso do “nós”.

Agora, cá entre nós, apesar de poder estar correto, não use. Até você explicar a exceção gramatical pode ser tarde demais e a fama de analfabeto pode já ter colado, assim como o sublinhado verde do corretor do Word.

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

CARNAVAL III – A RESSACA

Voltei.

Bem, acabou o carnaval, volta pra casa e pro cotidiano. Aos poucos estou conseguindo entender o significado do carnaval para aqueles que como eu trabalham de segunda à sexta e ficam contando os dias para dar uma fugidinha do cotidiano.

Foi ótimo passar uns dias sem relógio, celular desligado, sem hora para fazer nada e sem trabalho na segunda-feira. Poder beber, dormir, sair, pular na piscina, jogar baralho, ler e tudo mais sem maiores stresses e na hora que fosse conveniente. Senti falta do sol, não tenho uma germanicidade que me permita ficar meses sem sol e no feriado teria sido muito bom um solzinho. A falta de sol foi compensada pelo papo com os amigos maneiros, pela cerveja gelada, pela caipirinha, pelos churrascos, pelos jogos de mau-mau e pela rave a beira-mar.

Volta-se a realidade, conversa-se sobre o feriado, cimenta-se a ressaca e restabelece-se o cotidiano. Para os mais organizados, planeja-se a Semana Santa. Gostei do meu carnaval, definitivamente precisava de uns dias como aqueles. Now, back to life.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

CARNAVAL II

Bem, chega a hora em que todo mundo precisa de uns dias para recarregar as baterias, sendo que minha baterias são movidas a energia solar e a cerveja.

Meu dia chegou. Amanhã estou partindo de férias e como boas férias não posso ficar postando porque não ficaria perdido o propósito de descansar e esquecer da vida, internet e e-mails pra mim são coisas que me deixam presos a realidade. Gosto de receber e-mails dos meus amigos e ver as atualidades, o lado ruim é que dentre os meus e-mails vira e mexe vem uns perrengues e uns pepinos para resolver e acabo não conseguindo me libertar do meu cotidiano.

Uns dias fora também devem me permitir espanar as idéias e buscar coisas novas que serão refletidas nos meus posts. Até depois do carnaval...
ARACNÍDEO

Estava vendo uma aranha na parede outro dia e dei um soprão. Fiquei pensando que se o bichinho era tão pequeno a ponto de voar com meu sopro ele deve passar um perrengue razoável para achar uma parceira.

As aranhas apesar de possuir oito patas, suas patas são curtas, ainda mais se comparadas as nossas duas pernas que tem cerca de um metro. Para piorar, as aranhas devem ter uma vida curta se comparada a vida humana. Como se não bastasse, aracnídeos não tem carros, não tem telefone, avião, internet e demais tecnologias que nos permitem chegar aos mais diversos lugares e estar sempre conhecendo gente nova. Se mesmo conhecendo tanta gente nova existe uma certa dificuldade em encontrarmos uma parceira com o qual queiramos crescer e reproduzir-nos imagine se nós fossemos aranhas.

A aranha se conseguir conhecer um raio de 3 km do ponto de nascimento com aquelas perninhas curtas já é muito (chute de palpiteiro!). Acho que se eu fosse uma aranha em minha vida solitária, assim que encontrasse uma aranha fêmea já ia “chegar chegando” e acho que dependendo do tempo que ela estivesse na fissura não ia haver grande complicação. No entanto, quando eu fosse comprar cigarro e voltasse dois meses depois a minha parceira com certeza já teria ido embora.

Sei lá, fiquei feliz em não ser uma aranha. Espero que eu fique bastante tempo nesta encarnação humana e na próxima eu vire alguma coisa maneira. Reencarnar deve ser complicado.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

CARNAVAL

Esse lance de viajar durante o carnaval é bem engraçado. Tem aquela coisa meio de obrigação social, na quinta-feira fica todo mundo perguntando pra onde você foi. Se você responder que ficou no Rio, as pessoas perguntam “e aí, desfilou em qual escola”. Enfim, se você responder que não viajou e não desfilou você está “out”.

Ano passado não viajei e até me diverti um pouco no Rio. Nesse ano estava meio que na pilha de viajar, já sabendo dos perrengues de preços inflacionados, engarrafamentos na ida e na volta, bêbados mala e por aí vai. De qualquer forma, tem o lado bom. Dar uma espairada nas idéias com os amigos, conhecer algum lugar diferente, pegar uma praia e sair um pouco da routina. Ver que o mundo lá fora não se resume a Rio de Janeiro e que se uma cerveja gelada com os amigos na piscina não é a solução para todos os problemas do mundo, pelo menos no permite ficar bêbados alegres até o engarrafamento da volta.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

SOU RUIM DA CABEÇA OU DOENTE DO PÉ

Cheguei a uma conclusão dramática. Não gosto de samba, ou seja, ou sou ruim da cabeça ou sou doente do pé , bom sujeito eu sei que não sou.

Esse lance de véspera de carnaval e o aumento considerável dos programas envolvendo samba me levam a algumas conclusões. A primeira é que não sei dançar/sambar, seja samba rápido, devagar, rostinho colado ou qualquer coisa do gênero. A segunda é que acho escola de samba um sinônimo de barulho, não dá pra entender a letra e tem algumas letras que realmente é melhor não entender. As únicas ressalvas que faço são em relação ao lado antropológico do samba que eu acho curioso e ao samba mais lento e tranqüilo, principalmente os mais antigos, tem alguma coisa que eu gosto e não me canso de ouvir pelos cantos mas tenho que ser sincero que jamais compraria um CD para ficar ouvindo no carro ou ir para o trabalho ouvindo.

Tem algumas letras de sambas clássicos que acho verdadeiras poesias quando leio, mas quando ouço acho as interpretações muito vazias e raramente conseguem me contagiar. Admitir não gostar de samba no Rio ainda mais com a atual moda é complicado, o jeito é me exilar no carnaval. Fugir do samba, da axé-music e similares e me esconder em algum lugar e ver qual vai ser a da vida.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

ZOOCIDA

Nossa imprensa que adora veicular notícias de tablóide está se fartando com um suposto “zoocida”, qual seja, um sujeito que fica matando os animais do zoológico de São Paulo. Fora a lamentável atuação de mídia que fica fabricando depoimentos, mais uma vez nossa polícia é que paga mico (infelizmente não em sentido literal pois seria uma possibilidade de recompor os que morreram). O sujeito usa veneno que de alguma forma os animais ingerem, nada muito mais complexo do que isto.

Na boa, qualquer imbecil com boa vontade e razoáveis técnicas de investigação conseguiria descobrir quem é o dito zoocida. Depois jogava para a galera e ficava conhecido como o super investigador que desvendou o mistério do zoocida, depois era se candidatar a vereador e o céu é o limite. Será que ninguém na polícia ainda entendeu o que a mídia quer?

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

PURPLE HAZE

Roxo, lilás, púrpura, violeta ou qualquer outra cor,
A cor é o que menos me importa,
You are my purple haze.

O simples, o complicado,
O desconexo e o conexo,
A antítese da tese,
Uma irresistível alegria noturna no ambiente soturno,
I don’t care, you still my purple haze.

A pluralidade como base da existência,
Simples de explicar mas difícil de compreender,
Mais difícil ainda de viver.

Haze como maltratar, humilhar? ou será
Haze como nevoeiro, neblina?
Prefiro que seja um nevoeiro,
Um vôo na neblina sem instrumentos

Já que plagiei o título, copio também parte da música
Méritos a Hendrix,
Ele deve ter vivido a versão original

Purple Haze all around,
don't know if I'm coming up or down.
Am I happy or in misery
Whatever it is, that girl put a spell on me.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

CRIME E CASTIGO

Tenho a impressão de que se Crime e Castigo fosse escrito hoje, Raskolnikov não teria matado a agiota mas seu chefe.

Acho o livro do Dostoievski genial e outro dia pensando nele fiquei analisando as relações que Raskolnikov tinha e o que levou ele a cometer o crime título do livro (quem não leu o livro pode ficar despreocupado pois os fatos que exporei em nada prejudicam a leitura). Entendo que a forma de opressão feudal era diretamente relacionada ao dinheiro, aquele dinheiro era diretamente ou indiretamente utilizado para oprimir as pessoas que tinham alguma forma de relação com aquele possuidor do capital. A idéia do agiota que empenha os bens de terceiros por valores risíveis está associada àquela pessoa que possui um certo capital e o utiliza de uma forma opressora. Ironicamente, atualmente atividades bancárias mais dignas e outras menos dignas foram centralizadas pelo Estado ou permitidas a particulares sob supervisão do Estado. Enfim, os tempos mudaram e as relações são diferentes daquelas da Rússia feudal.

Atualmente, apesar de na maioria dos casos não deter diretamente o capital, o chefe se tornou o estigma capitalista da opressão. Cá entre nós, ele é um fudido como seu subalterno e em geral ele também tem um chefe, mas em determinada relação ele assume a postura de opressor, assim como a agiota oprimia Raskolnikov.

Raskolnikov mata a dita mulher por uma série de fatores, um deles era a opressão. Na atualidade, acho que o maior opressor nas mais diversas relações acaba sendo o dito chefe. Por mais gente boa que ele seja, ele é opressor e com certeza seria a vítima da machadada.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

MANGUEIRA

Outro dia encarei um ensaio no Grêmio Recreativo e Escola de Samba da Estação Primeira de Mangueira, naquele esquema sábado de janeiro num dia de verão quente pra cacete. Devia ter percebido a furada quando minha amiga me chamou. Ela é gente boa e apesar de às vezes surpreender gosta de programas meio óbvios daqueles que todos os supostos descolados vão para depois ficar dizendo que são cool quando na verdade o programa é uma merda. Como outros exemplos temos a Feira de São Cristóvão, Portas Abertas em Santa Teresa e assim por diante.

Já fui na Mangueira em eventos anteriores em setembro e outubro no maior esquema mordomia e achei legalzinho, fiquei tomando cerveja, fumando cigarro, ouvindo o mega-esporro e nos intervalos conversando. No entanto, na última vez que fui estava um calor infernal, cheio pra cacete, sem mordomia, playboyzada pra dar e vender, vinte pratas de entrada, cerveja cara e lá pelas 3 da manhã faltou luz.

Em resumo, programa de índio 10 machadinhas. Na volta, fingi que tinha achado um esquema normal pra não dar uma de enjoado mas agora, cá entre nós, não volto lá nem tão cedo. Noites como essa me fazem questionar se realmente é válido sair à noite. No dia seguinte, uma certa ressaca moral. Definitivamente, a pior ressaca é a ressaca moral.

terça-feira, fevereiro 10, 2004

O HOMEM DO ANO

Estou pensando seriamente em pintar meu cabelo de louro como o protagonista do O Homem do Ano. De acordo com o filme, isso me levaria a mudar de vida, uma forma de por uma rédea no cavalo ao invés da vida me levar como um rio. Ia sair fazendo merda pensando no dia, nada de pensar no amanhã ou no daqui a dez anos. Os malditos planos é que atrapalham tudo. Não adianta pensar em ter filho daqui a cinco anos se ainda não tem mulher. Não adianta pensar em comprar apartamento se não é possível saber se vai haver salário. Não adianta querer comprar carro se não tenho garagem. Não adianta fazer planos.

Pintar o cabelo de louro e pensar nas 24 horas seguintes, nada mais. Mandar uma meia dúzia ir se fuder. Não levar nada muito a sério. Ficar tomando coca-cola sem gelo. Ter um porquinho de estimação e ficar muito puto se matarem ele no dia do seu aniversário.

Às vezes eu queria ser mais como ele. O primeiro problema é que me falta a coragem de pintar o cabelo de louro. É bem esquisito, meio viado, meio Vinnie. Quem sabe um dia mas aí é para ser o Homem do Ano...

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

IRUAN

Tenho acompanhado ao longe esse lance do Iruan, o molequinho que o pai levou para Taiwan e ao morrer o moleque ficou com os tios apesar da guarda ter sido dada pela justiça brasileira a sua avó materna brasileira. A dita avó hoje na televisão falou que aquela situação era um desrespeito a ela, ao Dr. Paulo (não faço idéia de quem seja!) e ao povo brasileiro.

Primeiro, tenho que admitir que como povo brasileiro eu não me senti nem um pouco desrespeitado pelo fato de não terem mandado o neto dela pro Brasil. O neto é dela, e o problema é dela de querer tirar o moleque de Taiwan, eu com parte daquilo que se entitula povo brasileiro, não me sinto incomodado. Talvez até o moleque se sinta um pouco incomodado por estar vivendo numa ilhota de dissidentes capitalistas chineses meio esquisita apesar de que a porrada de brinquedos maneiros que o moleque deve ganhar com certeza deve fazê-lo esquecer do trauma da ilhota.

Em relação ao tempo de execução da decisão, qualquer pessoa que tenha visto um processo de execução de sentença estrangeira no Brasil acharia até que o processo taiwanês foi rápido. Se fosse a situação inversa em que houvesse uma decisão taiwanesa a ser executada no Brasil, provavelmente o moleque só iria visitar a suposta avó taiwanesa com uns 20 anos e mesmo assim para curtir umas férias com a namorada. É ridículo ficar tacando pedra na justiça dos caras enquanto a nossa é no mínimo patética.

A única coisa boa que eu vi nesse caso todo foi que havia um diplomata brasileiro envolvido e correndo atrás para ajudar a família brasileira. Um funcionário público brasileiro que efetivamente estava executando suas funções.

Fora essa parte do diplomata, o resto do papo é assunto pro Ratinho e congêneres ficarem debatendo, dando porretada na mesa e por aí vai. Vou passar a bola pra eles, até que eles criem um novo assunto para entreter os pseudo-nascionalistas de plantão.
HIGHFLYER

Num espírito de cinema pipoca assisti dois filmes de atores que gosto: Jackie Chan e Jim Carrey. Respectivamente, “Quem sou eu?” e “O Todo Poderoso”.

O Jackie Chan tem aquelas interpretações meio toscas e umas histórias meio exóticas, o que eu acho que ele manda bem é no humor e no ritmo da direção das cenas de ação o que inclui umas cenas de porrada muito maneiras e umas perseguições bacanas, além do cara colocar umas orientais maravilhosas para fazer parceria com ele. O cara usa poucos efeitos especiais e dublês, dá uma certa agonia ver os sustos que ele toma nos erros de gravação como quando ele estava gravando uma cena no alto do prédio e dá uma errada na coreografia e ele não sente o chão com o braço. Os heróis dele são clássicos, são inteligentes, batem, apanham e vai levando a vida.

Gosto também do Jim Carrey por mais cafona que isso possa soar. Acho engraçadas as caretas dele e acho que ele tem um ritmo de comédia bom. Neste filme achei impagável a cena em que ele com os poderes de Deus sai andando pela rua com a música “I’ve gotta the power” tocando ao fundo.

No sábado não estava a fim de pensar e queria assistir uns filmes descontraídos e engraçados. Missão cumprida. Valeu Jackie, valeu Jim, até a próxima.
NERD POR UM DIA

Como eu disse, vi o blog da Lila por acaso. Tinha uma coisas mais urgentes e acabei fechando o Explorer. O perrengue começou, como eu faço para achar o blog de novo. Fui no Google e a busca por Alice mostrou um milhão de links, busca por Alice do lado de lá, busca por Alice do lado de cá e mais um monte de possíveis títulos. Ter memória ruim é um saco. Não achei nada. Água.

Hoje de manhã fui no temporary files pois tive um bug no meu explorer causado pelo site da BCP/Claro. Tive a idéia de procurar por Alice entre os zilhões de temporary files e cookies (acho que ninguém nunca tinha limpado a parada!). Não consegui resolver o bug mas achei o endereço do blog. Fiquei feliz, me senti um nerd muito malandro, quase tão malandro do que quando consegui inserir um counter no meu blog. Estou ficando sinistro! Nerds tremei.

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

O QUE ALICE ENCONTROU LÁ

Por acaso outro dia quando estava saindo da página do Blogger vi um título de Blog inusitado “O que Alice encontrou lá”, movido pelo título fui dar uma fuçada no blog. Diferente de 99,9% dos blogs que eu já fui que são uma merda, esse blog era interessante. A Lila consegue escrever coisas legais e despertar aquele lado voyeur que eu sempre tenho quando leio o blog de uma pessoa que não conheço.

Interessante é a necessidade que eu tenho de procurar pontos afins. Ela tem mais ou menos a mesma idade que eu, trabalha, mora numa metrópole brasileira (Belo Horizonte) e assim vai. Sei lá, gostei do blog dela. Vou colocar na lista de recomendados e quem quiser conhecer, bon voyage.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

EDUARDO E MÔNICA

Tenho um problema que não encerra em si mesmo uma solução. Não sou Eduardo nem sou Mônica. Diferente dos protagonistas da música do Legião que apesar de tão diferentes acabaram ficando juntos, eu acho que tenho um pouco dos dois e sou pessimista em relação a possibilidade de encontrar uma Mônica.

As mulheres mais alternativas não querem nada comigo pois me acham mauricinho/padrão do tipo que quer ter filhos, um labrador, um Citroen Picasso e almoço na casa dos sogros aos domingos. Por outro lado, as mulheres patricinhas/padrão me acham um cara tosco que não consegue achar normal uma mulher passar 3 horas no cabeleireiro e que acha que leitura pode ser considerado um hobbie e academia deve ser considerada uma obrigação e não um prazer.

Em resumo, estou no meio. Que perrengue. Além de ter uma dificuldade muito maior em achar uma companheira, amiga e amante vai ser um tanto quanto difícil eu virar título de música. Vida que segue.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

ROSINHA

Sei que tacar pedra na Rosinha é ficar repetindo o óbvio, mas eu não agüento mais. A máfia Garotinho é ridícula. Não dá pra agüentar. Os caras fazem uma política populista escrachada naquele esqueminha que não faz sentido numa estado de direito, tiram do essencial para colocar no eleitoreiro e assim vão vivendo querendo chegar a presidência do Brasil.

A gota d’água pra mim foi a propaganda sobre educação do estado na televisão. Porra, o cara fica colocando propaganda na televisão e a secretaria de saúde não tem dinheiro nem para comprar remédio essencial para os doentes renais ou consertar o elevador do Iaserj que fica tempos e tempos quebrado. Isso torna difícil entender a filosofia por trás da farmácia de 1 real com suas propagandas televisivas de muitos reais.

Sou contra a revolução armada, sou contra a pena de morte e demais formas de opressão do homem pelo homem, mas que o Rio de Janeiro precisava de uma guerra civil para defenestrar a república Garotinho do poder, isso precisava. Acho que não soa sem sentido começar a pensar em uma guerrilha urbana com fim político com sede na Floresta da Tijuca. Só não sei se todos os voluntários caberiam na floresta.
GUERRA AO JORNAL II

Alguns dias atrás eu falei que ia instituir uma política de substituição do jornal por outra forma de leitura matinal. Bem, comecei a implementar a política.

Comprei a Caros Amigos e estou lendo uns dois artigos de manhã e às vezes outros antes de dormir. O lado bom é que os artigos são interessantes, profundos e bem escritos, bem mais do que o jornal. Como nem tudo são virtudes, os artigos que li até agora são bastante pessimistas e meio pesados (o que para leitura matinal é complicado!), alguns meio presunçosos do tipo “Fulano de tal é o maior gênio vivo neste assunto e o resto é tudo imbecil” ou “só aceito literatura assim, o resto é porcaria” e isso na seção chamada Janelas Abertas, imagina se fosse Janela com Persianas ou Janelas Fechadas.

De qualquer forma, estou gostando da experiência. Quando acabar essa edição pretendo comprar a Revista Cult que apesar do nome pretensioso parece ser interessante.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

VOCÊ COM SEU VISUAL MODERNO E SUA MENTE QUADRADA

Outro dia estava no ponto do ônibus indo para o trabalho e tinha um cara todo “fantasiado” de clubber diurno, piercing, expandidor de orelha, roupas peculiares e por aí vai. Logo depois que cheguei no ponto o cara me deu uma olhada meio estranha, de cima a baixo, um misto de arrogância com desdém, e entendi que nas entrelinhas ele queria dizer algo como “um outro membro do sistema”.

Fiquei pensando no que seria o sistema e o que seria subverter o sistema. Cheguei a conclusão de que aquele cara que se achava acima do sistema por causa de seu visual, era muito mais parte do sistema do que ele imaginava, a começar pelo preconceito que é algo sem o qual o sistema não sobrevive. Analisando friamente, o visual clubber é uma forma de se buscar uma identidade dentro do sistema, é mais parte dele do que nunca, integra a sociedade de consumo haja vista as modinhas que mudam do dia para à noite, não tem grandes idéias ou ideais, é só uma postura de encarar e se enquadrar.

Acho que a verdadeira subversão está nas idéias. Cada dia isso fica mais nítido para mim. Diferente do que se imagina a subversão não está só nos grandes atos mas também nos pequenos, na forma de se encarar e agir no cotidiano. A subversão está na capacidade de mesmo em se integrando ao sistema, ter discernimento entre o que vale a pena deixar de lado por ora e o que vale a pena brigar imediatamente. Em resumo, a tão falada revolução cinza de Mao.

Aquele bostinha pretensioso tem muito o que pensar antes de chegar a algum lugar. Entender que a vida não é só atitude no visual mas, principalmente, atitude no agir, no pensar e em seu interior, percebam os outros ou não. A subversão trabalha em silêncio e não pelos louros da glória ou da luz roxa.
GUERRA AO JORNAL

Estou começando uma campanha, que considero mais um desafio pessoal, contra a assinatura de jornal. No Brasil a média dos jornais é de ruim a sofrível, o Rio não é exceção. O Globo e o Jornal do Brasil são fraquinhos e nem me manifesto sobre o Extra e o O Dia. O único jornal que considero bom é a Folha de São Paulo que tem um defeito bisonho de ser paulista demais e faz pouco sentido se a pessoa mora no Rio.

Os jornais, em regra, são manipulados, tendenciosos e superficiais, por mais que isso soe como o óbvio ululante tal fato desanima muito. Sempre quando se tem um conhecimento do assunto pode-se observar a visão tendenciosa do jornal de jogar as pessoas na direção que lhe interesse. Paralelamente, tem aquela coisa de assessoria de imprensa que fica plantando pauta e das mais diversas formas fica colocando na mídia o conteúdo que seu cliente queira divulgar. Jornalismo isento é uma piada.

No mais, ficar lendo jornal todo dia é um monte de informação inútil. Em relação ao O GLOBO, a parte de cultura é fraca e salvo alguns jornalistas não vale a pena ser lido, o caderno de literatura emagrece dia após dia e torna-se cada vez mais superficial, a parte de economia e mundo tem umas materiazinhas fracas e descontextualizadas, o caderno Rio tem sangue demais e passa longe de assuntos importantes e até os quadrinhos pioraram de um tempo pra cá.

Não quero mais aquele monte de lixo anti-ecológico na minha casa. Aquela zona de papel sujando tudo. Tenho que ser ecológico e mais culto. Vou começar a ler revistas de cultura de manhã nos momentos em que lia jornal e espero me tornar um ser humano melhor e consiga me livrar do vício e enxergar o mundo lá fora de uma forma diferente.