RELIGIÃO
Algo interessante e que raramente discutimos é religião. Normalmente a discussão sobre esse tema é ou entre pessoas que concordam entre si ou é metendo o pau nas religiões das quais discordamos como, por exemplo, meter o pau nos evangélicos por conta do Garotinho, ou dizer que os muçulmanos são todos malucos e vivem se estourando pelos cantos.
Enfim, religião sempre é um assunto dogmático e para evitar polêmicas simplesmente passamos por cima. Chamo atenção para a diferença entre “religião” e “fé”, a religião é quase como um time de futebol que escolhemos por achar que ele reflete uma série de coisas, incluindo nossa fé. A fé é algo muito mais difícil de se discutir, é algo que acreditamos sem ter visto e muito mais complexo. Discutir fé é tentar explicar algo que não pode ser explicado, discutir religião, se não levado a radicalismos, é algo bastante saudável.
Há um tempo atrás li um livro razoavelmente grande e bastante interessante sobre a história do Islamismo. Achei muito bonita a história com seus vários personagens e o desenvolvimento da religião e os diversos aspectos diferentes da fé.
Achei boa a discussão sobre religião entre um budista, um católico, um agnóstico e uma hippie. Recomendo a discussão.
Dois caras sentados num banco de praça ficavam olhando as pessoas passando. Ficaram ali horas, analisando, criticando e discutindo sobre a vida. Lá pelas tantas um deles diz: Nós estamos aqui nos sentindo os críticos do mundo! O outro acreditou que ele realmente seria o crítico do mundo e criou esse blog. Bem-vindo!
sexta-feira, abril 30, 2004
TONI GARRIDO NÃO DEVE CANTAR EM INGLÊS
Fui num show da dita carreira solo do Toni Garrido, tinha aquela visão inocente de que o Toni Garrido seria o cérebro do Cidade Negra e que um show solo dele seria surrealmente bom. Me enganei.
No show, ele tocou música de outros autores, algumas versões ficaram muito maneiras e bem produzidas, outras davam uma sensação de que o show se tratava na verdade de um karaokê com o Toni Garrido no microfone. Apesar de tudo, a banda se comportou bem e mostrou ao que veio em certas músicas. O que deu mais agonia foi que apesar de um show de música covers, todas as músicas eram meio lugar comum, ele tocou Titãs, Caetano, Djavan, mas só aquele lado mais do que batido. Não tinha nada diferente do famoso lugar comum. Como diria um amigo meu “você sente que está ficando velho quando o óbvio já não lhe atrai mais”.
Não bastando isso, o cara entrou numa de cantar em inglês. Acho que alguém deveria ter dito “ei, Toni, desencana, você não sabe cantar em inglês”. Como ninguém fez esse favor, tive que ouvir o cara se engasgando no Stevie Wonder, Nirvana e etc (aliás alguém deveria dizer a mesma coisa pro Caetano).
Foi uma pena, ele podia ter evitado um repertório tão clichê, ele podia ter pulado a parte em inglês e ainda ter mandado algumas obras-primas do Orfeu. Ele perdeu a chance de dizer que não era só um vocalista carismático mas um artista com bom gosto e capacidade de se guiar apesar de não ter uma voz das mais virtuosas. Vou continuar curtindo o Cidade Negra.
Fui num show da dita carreira solo do Toni Garrido, tinha aquela visão inocente de que o Toni Garrido seria o cérebro do Cidade Negra e que um show solo dele seria surrealmente bom. Me enganei.
No show, ele tocou música de outros autores, algumas versões ficaram muito maneiras e bem produzidas, outras davam uma sensação de que o show se tratava na verdade de um karaokê com o Toni Garrido no microfone. Apesar de tudo, a banda se comportou bem e mostrou ao que veio em certas músicas. O que deu mais agonia foi que apesar de um show de música covers, todas as músicas eram meio lugar comum, ele tocou Titãs, Caetano, Djavan, mas só aquele lado mais do que batido. Não tinha nada diferente do famoso lugar comum. Como diria um amigo meu “você sente que está ficando velho quando o óbvio já não lhe atrai mais”.
Não bastando isso, o cara entrou numa de cantar em inglês. Acho que alguém deveria ter dito “ei, Toni, desencana, você não sabe cantar em inglês”. Como ninguém fez esse favor, tive que ouvir o cara se engasgando no Stevie Wonder, Nirvana e etc (aliás alguém deveria dizer a mesma coisa pro Caetano).
Foi uma pena, ele podia ter evitado um repertório tão clichê, ele podia ter pulado a parte em inglês e ainda ter mandado algumas obras-primas do Orfeu. Ele perdeu a chance de dizer que não era só um vocalista carismático mas um artista com bom gosto e capacidade de se guiar apesar de não ter uma voz das mais virtuosas. Vou continuar curtindo o Cidade Negra.
quarta-feira, abril 28, 2004
SOUTH PARK
Tem alguns seriados que começam bem e depois de um tempo perde a linha, cai a qualidade e vira mais um ex-seriado. Outros conseguem amadurecer e ficar até melhor com o tempo, podem ficar calmos que não vou usar a analogia ao vinho amadurecendo.
Atualmente, estou bem empolgado com South Park. Assisti uns episódios logo da primeira temporada mas rapidamente enjoei era sempre o mesmo papinho do Kenny morrer e a coisa acabava cansando. Depois de um tempo assisti o longa metragem do South Park e achei muito maneiro e assistia alguns episódios ocasionalmente. Nas duas últimas semanas, assisti uns episódios muito maneiros um com a Towelie e outro em que os moleques vão parar no Afeganistão. Tem uma paródia com o Senhor dos Anéis que também é boa. Em resumo, estou bem empolgado com a parada.
Descobri também um personagem secundário cult para cultuar, é a Towelie, a toalhinha geneticamente modificada que foge do laboratório depois de fumar um baseado com um dos estagiários. A Towelie é muito maneira com seu chavão “do you wanna get high?”.
Pra dar uma de politicamente correto e citar fontes, o website do South Park é www.southparkstudios.com. Pensei em colocar uma foto da Towelie como fundo de tela no computador do trabalho mas achei que isso poderia não soar muito politicamente correto. Só me resta assistir o programa e sorrir diante da idéia de rir de umas piadinhas completamente politicamente incorretas e mais ainda quando uma toalhinha manda um "do you wanna get high".
Tem alguns seriados que começam bem e depois de um tempo perde a linha, cai a qualidade e vira mais um ex-seriado. Outros conseguem amadurecer e ficar até melhor com o tempo, podem ficar calmos que não vou usar a analogia ao vinho amadurecendo.
Atualmente, estou bem empolgado com South Park. Assisti uns episódios logo da primeira temporada mas rapidamente enjoei era sempre o mesmo papinho do Kenny morrer e a coisa acabava cansando. Depois de um tempo assisti o longa metragem do South Park e achei muito maneiro e assistia alguns episódios ocasionalmente. Nas duas últimas semanas, assisti uns episódios muito maneiros um com a Towelie e outro em que os moleques vão parar no Afeganistão. Tem uma paródia com o Senhor dos Anéis que também é boa. Em resumo, estou bem empolgado com a parada.
Descobri também um personagem secundário cult para cultuar, é a Towelie, a toalhinha geneticamente modificada que foge do laboratório depois de fumar um baseado com um dos estagiários. A Towelie é muito maneira com seu chavão “do you wanna get high?”.
Pra dar uma de politicamente correto e citar fontes, o website do South Park é www.southparkstudios.com. Pensei em colocar uma foto da Towelie como fundo de tela no computador do trabalho mas achei que isso poderia não soar muito politicamente correto. Só me resta assistir o programa e sorrir diante da idéia de rir de umas piadinhas completamente politicamente incorretas e mais ainda quando uma toalhinha manda um "do you wanna get high".
quinta-feira, abril 22, 2004
REPÚBLICA DOMINICANA
E mais uma potência retira suas tropas da guerra do Iraque. Voltam pra casa 300 soldados que faziam parte das tropas que lançam sementes de paz em território dominado pelo mal e pelas religiões pagãs.
Não sei porque mas essa história do Iraque continua cheirando como uma nova Cruzada. Assim como as cruzadas da idade média, a atual também tem aquele cheiro de ambiguidade em relação aos verdadeiros motivos por trás de uma guerra. E, cá entre nós, o cheiro não é nada bom.
E mais uma potência retira suas tropas da guerra do Iraque. Voltam pra casa 300 soldados que faziam parte das tropas que lançam sementes de paz em território dominado pelo mal e pelas religiões pagãs.
Não sei porque mas essa história do Iraque continua cheirando como uma nova Cruzada. Assim como as cruzadas da idade média, a atual também tem aquele cheiro de ambiguidade em relação aos verdadeiros motivos por trás de uma guerra. E, cá entre nós, o cheiro não é nada bom.
terça-feira, abril 20, 2004
HONDURAS
Hoje li uma notícia de que Honduras estava discordando dos rumos que a invasão do Iraque tinha tomado e de que estava trazendo suas tropas de volta para casa.
Bem, acho que essa notícia não precisa comentários, ela em sua simplicidade já se explica. A relevância do país é tão grande que quase mereceu uma nota de rodapé. Enquanto os pequenos não começarem a se entender como pequenos, enquanto os subdesenvolvidos não começarem a buscar soluções compatíveis com seu perfil, enquanto os diversos interesses divergentes não passarem a ser administrados em favor da coletividade e na busca de uma solução nós vamos continuar a ter essas lambanças.
Ou será que Honduras mandou modestos vinte soldados para o Iraque porque tinha vontade de colaborar para a paz mundial e, depois, desiludido, resolveu retirar suas tropas ao observar que a coisa estava tomando um rumo que não era a paz mundial. Honduras realmente é um país complexo.
Hoje li uma notícia de que Honduras estava discordando dos rumos que a invasão do Iraque tinha tomado e de que estava trazendo suas tropas de volta para casa.
Bem, acho que essa notícia não precisa comentários, ela em sua simplicidade já se explica. A relevância do país é tão grande que quase mereceu uma nota de rodapé. Enquanto os pequenos não começarem a se entender como pequenos, enquanto os subdesenvolvidos não começarem a buscar soluções compatíveis com seu perfil, enquanto os diversos interesses divergentes não passarem a ser administrados em favor da coletividade e na busca de uma solução nós vamos continuar a ter essas lambanças.
Ou será que Honduras mandou modestos vinte soldados para o Iraque porque tinha vontade de colaborar para a paz mundial e, depois, desiludido, resolveu retirar suas tropas ao observar que a coisa estava tomando um rumo que não era a paz mundial. Honduras realmente é um país complexo.
NORDESTINIZAÇÃO DO RIO DE JANEIRO
A mudança da capital federal para Brasília e a fusão do estado do Rio de Janeiro com o estado da Guanabara foi o começo do declínio da cidade do Rio de Janeiro. Acabavam-se as regalias e a renda do governo federal e o filho mimado agora tinha que trabalhar e adquirir sua própria renda.
O estado do Rio de Janeiro sempre foi algo razoavelmente decadente, um interior vasto e pobre com algumas poucas ilhas de qualidade de vida por conta de veranistas ou investimentos que não dependiam do estado. O estado do Rio de Janeiro, principalmente o norte, se confunde facilmente com o Espírito Santo, um outro estado que está incluído na tradição política nordestina.
Por que nordestinização política é depreciativo? Resposta simples, o coronelismo, a manutenção secular de oligarquias que se revezam no poder para administrar seus próprios interesses e nas horas vagas o estado, políticos com a visão retrógrada e incapacidade de gerir um estado sem pesado suporte financeiro do governo federal e aquele lado de beijar o anel do político para fazer o que quer que seja. Em resumo, uma putaria generalizada em que o mais pobre fica cada dia mais pobre e a oligarquia fica mais rica mamando nas tetas da pátria mãe gentil. O nordeste é o eterno wannabe.
No Rio de Janeiro está acontecendo o mesmo fenômeno nordestino, inúmeros políticos fajutos dominam a assembléia legislativa fazendo o que querem, o governo do estado está nas mãos de uma família populista que não sabe gerir o estado e muito menos sabem atrair investimentos externos ou estimular investimentos internos no estado que já está um tanto quanto fudido.
A oligarquia e os arredores do poder se dão bem, os pobres ficam cada vez mais fudidos na luta pelo pão de cada dia, a classe média se estrepa por tabela, a renda do estado cai a cada dia, sem investimentos os empregos pioram e a economia não anda e não absorve o exército de reserva de empregados. Conseqüências da falta de verdadeiros líderes são óbvias tais como: desemprego, economia informal, drogas, falta de política de segurança, violência, clandestinidade, sonegação, ...
Sem comentários, o último a sair, por favor apague a luz e feche a porta.
A mudança da capital federal para Brasília e a fusão do estado do Rio de Janeiro com o estado da Guanabara foi o começo do declínio da cidade do Rio de Janeiro. Acabavam-se as regalias e a renda do governo federal e o filho mimado agora tinha que trabalhar e adquirir sua própria renda.
O estado do Rio de Janeiro sempre foi algo razoavelmente decadente, um interior vasto e pobre com algumas poucas ilhas de qualidade de vida por conta de veranistas ou investimentos que não dependiam do estado. O estado do Rio de Janeiro, principalmente o norte, se confunde facilmente com o Espírito Santo, um outro estado que está incluído na tradição política nordestina.
Por que nordestinização política é depreciativo? Resposta simples, o coronelismo, a manutenção secular de oligarquias que se revezam no poder para administrar seus próprios interesses e nas horas vagas o estado, políticos com a visão retrógrada e incapacidade de gerir um estado sem pesado suporte financeiro do governo federal e aquele lado de beijar o anel do político para fazer o que quer que seja. Em resumo, uma putaria generalizada em que o mais pobre fica cada dia mais pobre e a oligarquia fica mais rica mamando nas tetas da pátria mãe gentil. O nordeste é o eterno wannabe.
No Rio de Janeiro está acontecendo o mesmo fenômeno nordestino, inúmeros políticos fajutos dominam a assembléia legislativa fazendo o que querem, o governo do estado está nas mãos de uma família populista que não sabe gerir o estado e muito menos sabem atrair investimentos externos ou estimular investimentos internos no estado que já está um tanto quanto fudido.
A oligarquia e os arredores do poder se dão bem, os pobres ficam cada vez mais fudidos na luta pelo pão de cada dia, a classe média se estrepa por tabela, a renda do estado cai a cada dia, sem investimentos os empregos pioram e a economia não anda e não absorve o exército de reserva de empregados. Conseqüências da falta de verdadeiros líderes são óbvias tais como: desemprego, economia informal, drogas, falta de política de segurança, violência, clandestinidade, sonegação, ...
Sem comentários, o último a sair, por favor apague a luz e feche a porta.
segunda-feira, abril 19, 2004
PENSAMENTOS DE UBATUBA III
RELÓGIO
O Charlie Brown em uma de suas músicas diz “eu odeio gente chique, eu não uso sapatos”. Sei lá, acho que um ato de efetiva revolta não seria utilizar um tênis ao invés de um sapato mas seria o de não utilizar relógio.
Diz a história que o homem encarou os relógios quando a necessidade de pontualidade dos trens durante a revolução industrial exigiu o culto aos minutos que desde então só aumentou. Diz também que quem inventou o relógio de pulso foi Santos Dumont sendo que eu duvido que tenha ficado bonito mas vá lá.
Alguns dias sem relógio, sem televisão, sem rádio nos permitem abstrair. Sem a ditadura dos minutos do relógio, inicialmente o dia aumenta, dorme-se quando tem vontade, acorda-se quando o sono acaba, come-se quando se tem fome. O dia passa a ser governado por horas num sentido amplo e pela existência ou não de luz e não pelos extremamente curtos minutos.
Infelizmente, meu cotidiano não comporta a abstração das horas, sou tutelado pelas horas e minutos e me senti subversivo por ter ficado alguns dias sem o olhar de um relógio me encarando. Uso relógio de ponteiro pois o relógio digital criava a ditadura dos segundos, e aí já é demais.
RELÓGIO
O Charlie Brown em uma de suas músicas diz “eu odeio gente chique, eu não uso sapatos”. Sei lá, acho que um ato de efetiva revolta não seria utilizar um tênis ao invés de um sapato mas seria o de não utilizar relógio.
Diz a história que o homem encarou os relógios quando a necessidade de pontualidade dos trens durante a revolução industrial exigiu o culto aos minutos que desde então só aumentou. Diz também que quem inventou o relógio de pulso foi Santos Dumont sendo que eu duvido que tenha ficado bonito mas vá lá.
Alguns dias sem relógio, sem televisão, sem rádio nos permitem abstrair. Sem a ditadura dos minutos do relógio, inicialmente o dia aumenta, dorme-se quando tem vontade, acorda-se quando o sono acaba, come-se quando se tem fome. O dia passa a ser governado por horas num sentido amplo e pela existência ou não de luz e não pelos extremamente curtos minutos.
Infelizmente, meu cotidiano não comporta a abstração das horas, sou tutelado pelas horas e minutos e me senti subversivo por ter ficado alguns dias sem o olhar de um relógio me encarando. Uso relógio de ponteiro pois o relógio digital criava a ditadura dos segundos, e aí já é demais.
PENSAMENTOS DE UBATUBA II
SERÁ QUE ESTAMOS SOZINHOS
Saindo das grandes cidades, em noites sem nuvem, de preferência sem lua cheia, somos brindados com um céu cheio de estrelas. Depois que a vista acostuma nem precisa mais de luz artificial, o céu se encarrega de iluminar sutilmente o nosso caminho.
Olhando pra estrelas, perguntei em voz alta: - Será que tem alguém do lado de lá? Pergunta de maluco que cai muito bem quando se está olhando a Via Láctea e mais um monte de coisa. Meus amigos começaram a falar em diversas teorias físicas malucas da quais não me lembro agora. Minha teoria é mais simples, não é possível que numa porra de um espaço enorme, tão grande que chegamos a achar que é infinito, não exista mais ninguém, é muita pretensão humana achar que estamos sozinhos com todo esse quintal pra gente. Mais um gole de vodka e acho que amanhã não vai ter como fazer caipirinha.
SERÁ QUE ESTAMOS SOZINHOS
Saindo das grandes cidades, em noites sem nuvem, de preferência sem lua cheia, somos brindados com um céu cheio de estrelas. Depois que a vista acostuma nem precisa mais de luz artificial, o céu se encarrega de iluminar sutilmente o nosso caminho.
Olhando pra estrelas, perguntei em voz alta: - Será que tem alguém do lado de lá? Pergunta de maluco que cai muito bem quando se está olhando a Via Láctea e mais um monte de coisa. Meus amigos começaram a falar em diversas teorias físicas malucas da quais não me lembro agora. Minha teoria é mais simples, não é possível que numa porra de um espaço enorme, tão grande que chegamos a achar que é infinito, não exista mais ninguém, é muita pretensão humana achar que estamos sozinhos com todo esse quintal pra gente. Mais um gole de vodka e acho que amanhã não vai ter como fazer caipirinha.
sexta-feira, abril 16, 2004
PENSAMENTOS DE UBATUBA I
CIÚMES
As pessoas têm uma impressão de que não sou ciumento. Bem, essa idéia está errada.
Tem um livro do Zuenir Ventura que faz parte da coleção sobre os 7 pecados capitais em que ele fala sobre a inveja. O livro em si é uma merda, a única parte que se salva são as definições de ciúmes, inveja e outra coisa que me esqueci. O ciúme é querer ter algo e não querer que ninguém tire aquilo de você, a inveja é querer ter algo que o outro tem (vou ser sincero de que não me lembro os detalhes pois tem uns 5 anos que li o dito livro!).
De qualquer forma, aprendi a duras penas que o ciúme é muito bonitinho em novela e filme, mas numa situação real é algo que pode minar e até mesmo destruir uma relação. Aprendi também que somos espíritos livres vagando nas terras de Deus, ninguém é de ninguém, ou seja, alguém só tem dono se quiser ter. Logicamente, que em certas circunstâncias pode ocorrer uma menor ou maior dependência, mas mesmo assim o espírito continua livre.
Enfim, se somos livres, a vontade de ter alguém e não querer que possam tirar aquela pessoa de nós, não depende só de nós, depende também que aquela pessoa queira ficar conosco. O medo de perder a pessoa gera um desconfiança na própria capacidade de sedução e de construção de uma relação e cria a necessidade de se tentar dominar a outra, ou seja, instrumentalizar o ciúme.
Tenho medo de perder as pessoas de quem gosto mas sei que a instrumentalização deste medo, deste ciúme, pode ser pior. Prefiro engolir a seco e me lembrar que somos todos espíritos livres, inclusive eu.
CIÚMES
As pessoas têm uma impressão de que não sou ciumento. Bem, essa idéia está errada.
Tem um livro do Zuenir Ventura que faz parte da coleção sobre os 7 pecados capitais em que ele fala sobre a inveja. O livro em si é uma merda, a única parte que se salva são as definições de ciúmes, inveja e outra coisa que me esqueci. O ciúme é querer ter algo e não querer que ninguém tire aquilo de você, a inveja é querer ter algo que o outro tem (vou ser sincero de que não me lembro os detalhes pois tem uns 5 anos que li o dito livro!).
De qualquer forma, aprendi a duras penas que o ciúme é muito bonitinho em novela e filme, mas numa situação real é algo que pode minar e até mesmo destruir uma relação. Aprendi também que somos espíritos livres vagando nas terras de Deus, ninguém é de ninguém, ou seja, alguém só tem dono se quiser ter. Logicamente, que em certas circunstâncias pode ocorrer uma menor ou maior dependência, mas mesmo assim o espírito continua livre.
Enfim, se somos livres, a vontade de ter alguém e não querer que possam tirar aquela pessoa de nós, não depende só de nós, depende também que aquela pessoa queira ficar conosco. O medo de perder a pessoa gera um desconfiança na própria capacidade de sedução e de construção de uma relação e cria a necessidade de se tentar dominar a outra, ou seja, instrumentalizar o ciúme.
Tenho medo de perder as pessoas de quem gosto mas sei que a instrumentalização deste medo, deste ciúme, pode ser pior. Prefiro engolir a seco e me lembrar que somos todos espíritos livres, inclusive eu.
quarta-feira, abril 14, 2004
CUSTO RIO
Não discuto a idéia de que o Rio de Janeiro é uma cidade bacana, tem uma vida cultural legal, tem um visual de montanha e praia e por aí vai. Infelizmente as mais diversas coisas boas da vida tem um preço, para morar na Dinamarca e usufruir da educação e saúde pública de 1o. mundo paga-se um imposto de renda de quase 50%, para viver nas Ilhas Fiji tem que se suportar a falta de água e seu alto custo.
Dentro deste contexto, há um custo para se viver no Rio tais como altos aluguéis e preços de imóveis derivados de uma especulação imobiliária sem tamanho gerada por uma falta de política pública de expansão urbana e de criação de infra-estrutura de transportes que permitam que se aumente a cidade e assim como este temos outras diversas situações semelhantes mas de certa forma aceitáveis.
No entanto, o Custo Rio ganhou mais um item de custo, a violência da marginalidade. Anos de corrupção policial e ausência de uma política de segurança séria criaram a realidade que hoje se vê no Rio do show de balas traçantes no ar que dão a aparência de que se está em Sarajevo ou Bagdá.
Outro dia fui ao cinema, quando voltei do filme tinham tentado rouba o rádio do meu carro, o sujeito quebrou o vidro e deu uma empenada no rádio pois não conseguiu arrancar porque ele fica preso na estrutura do carro. Enfim, R$140 do conserto do vidro e mais uma grana do conserto do rádio, não sei como debitar isso, estou pensando em abrir uma conta contábil chama Custo Rio de Janeiro e espero que no final do ano essa conta contábil não tenha um valor absurdamente alto debitado tal como um conhecido ferido ou algo do gênero. Enquanto a conta ficar em 200 pratas, a gente vai levando, mas é claro que tudo tem limite.
Não discuto a idéia de que o Rio de Janeiro é uma cidade bacana, tem uma vida cultural legal, tem um visual de montanha e praia e por aí vai. Infelizmente as mais diversas coisas boas da vida tem um preço, para morar na Dinamarca e usufruir da educação e saúde pública de 1o. mundo paga-se um imposto de renda de quase 50%, para viver nas Ilhas Fiji tem que se suportar a falta de água e seu alto custo.
Dentro deste contexto, há um custo para se viver no Rio tais como altos aluguéis e preços de imóveis derivados de uma especulação imobiliária sem tamanho gerada por uma falta de política pública de expansão urbana e de criação de infra-estrutura de transportes que permitam que se aumente a cidade e assim como este temos outras diversas situações semelhantes mas de certa forma aceitáveis.
No entanto, o Custo Rio ganhou mais um item de custo, a violência da marginalidade. Anos de corrupção policial e ausência de uma política de segurança séria criaram a realidade que hoje se vê no Rio do show de balas traçantes no ar que dão a aparência de que se está em Sarajevo ou Bagdá.
Outro dia fui ao cinema, quando voltei do filme tinham tentado rouba o rádio do meu carro, o sujeito quebrou o vidro e deu uma empenada no rádio pois não conseguiu arrancar porque ele fica preso na estrutura do carro. Enfim, R$140 do conserto do vidro e mais uma grana do conserto do rádio, não sei como debitar isso, estou pensando em abrir uma conta contábil chama Custo Rio de Janeiro e espero que no final do ano essa conta contábil não tenha um valor absurdamente alto debitado tal como um conhecido ferido ou algo do gênero. Enquanto a conta ficar em 200 pratas, a gente vai levando, mas é claro que tudo tem limite.
terça-feira, abril 13, 2004
ELEPHANT
Assisti o novo filme do Gus van Sant, o Elephant. Fui num esquema esperando muito, infelizmente. Talvez se eu estivesse esperando menos eu teria gostado mais, de qualquer forma o filme é legal, bem feito, bem dirigido, as atuações são boas.
Além da expectativa que criei em relação ao filme por conta da crítica, perdi também o efeito surpresa que seria um salzinho a mais que acabou sendo diluído por conta das resenhas que ficam contando por aí o final do filme, tudo bem que o final é previsível mas esse lance de adiantá-lo na resenha é bem caído. O benefício da dúvida em relação ao que vai acontecer é um direito do expectador.
Enfim, o que faltou ao filme foi uma ausência de crítica. Por mais que isso possa soar estranho não deixa de ser uma dramática realidade. De qualquer forma, sempre é legal assistir um filme bem feito que sai daquele esquema cinemão americano e consegue dar a idéia de que um filme de qualidade no domingo à noite cai super bem.
Assisti o novo filme do Gus van Sant, o Elephant. Fui num esquema esperando muito, infelizmente. Talvez se eu estivesse esperando menos eu teria gostado mais, de qualquer forma o filme é legal, bem feito, bem dirigido, as atuações são boas.
Além da expectativa que criei em relação ao filme por conta da crítica, perdi também o efeito surpresa que seria um salzinho a mais que acabou sendo diluído por conta das resenhas que ficam contando por aí o final do filme, tudo bem que o final é previsível mas esse lance de adiantá-lo na resenha é bem caído. O benefício da dúvida em relação ao que vai acontecer é um direito do expectador.
Enfim, o que faltou ao filme foi uma ausência de crítica. Por mais que isso possa soar estranho não deixa de ser uma dramática realidade. De qualquer forma, sempre é legal assistir um filme bem feito que sai daquele esquema cinemão americano e consegue dar a idéia de que um filme de qualidade no domingo à noite cai super bem.
segunda-feira, abril 12, 2004
UBATUBA
Nesse feriado fui pra Ubatuba. Gosto de viajar e acho que toda a viagem tem um gostinho de coisa nova e diferente, logicamente que fatores como duração da viagem ou distância do destino aumentam bastante essa equação, mas mesmo assim passar 3 dias em Ubatuba tem um bom gostinho de viagem e deixa um gostinho de quero mais quando termina.
A primeira regra da viagem é saber escolher o time. Neste caso, o time foi bem selecionado. O destino idem. Lá vamos nós. Stress de praxe com trânsito e com isso e com aquilo. No entanto, quando chegamos lá começou a rolar uma experiência exótica, não havia televisão nem rádio nem CD player, só havia nós.
Todo o esquema foi bom, a praia estava gostosa, a entrevista do Laerte na Caros Amigos desceu redonda como a cerveja, ficamos batendo papo, jogando baralho, mas o grande lance foi a ida pra praia à noite. Num esquema só com a luz reflexa da cidade distante e ficar imaginando como a humanidade é pequena e ficar dando tchauzinho para os outros planetas, mergulhar na água sem saber ao certo onde aquilo ia dar, ver plânctons piscantes e finalizar tudo com o nascer da lua.
Foi uma boa experiência, o prazer do silêncio, o prazer de uma boa conversa e o prazer de dialogar um pouco com a mãe natureza. And after all, there is a sad way back home.
Nesse feriado fui pra Ubatuba. Gosto de viajar e acho que toda a viagem tem um gostinho de coisa nova e diferente, logicamente que fatores como duração da viagem ou distância do destino aumentam bastante essa equação, mas mesmo assim passar 3 dias em Ubatuba tem um bom gostinho de viagem e deixa um gostinho de quero mais quando termina.
A primeira regra da viagem é saber escolher o time. Neste caso, o time foi bem selecionado. O destino idem. Lá vamos nós. Stress de praxe com trânsito e com isso e com aquilo. No entanto, quando chegamos lá começou a rolar uma experiência exótica, não havia televisão nem rádio nem CD player, só havia nós.
Todo o esquema foi bom, a praia estava gostosa, a entrevista do Laerte na Caros Amigos desceu redonda como a cerveja, ficamos batendo papo, jogando baralho, mas o grande lance foi a ida pra praia à noite. Num esquema só com a luz reflexa da cidade distante e ficar imaginando como a humanidade é pequena e ficar dando tchauzinho para os outros planetas, mergulhar na água sem saber ao certo onde aquilo ia dar, ver plânctons piscantes e finalizar tudo com o nascer da lua.
Foi uma boa experiência, o prazer do silêncio, o prazer de uma boa conversa e o prazer de dialogar um pouco com a mãe natureza. And after all, there is a sad way back home.
quinta-feira, abril 08, 2004
ENVELHEÇO NA CIDADE
Hoje é meu aniversário e um bom dia para ficar refletindo sobre a vida. Onde eu queria estar, onde estou, onde quero chegar, o que vale a pena na vida, o que vale a pena stressar, os filmes e livros que devem ser consumidos e por aí vai.
O Ano Novo é um momento de pensar a passagem de um ano dentro da coletividade e imerso naquele ritual de passagem de ano em que todos estão pensando algo semelhante. O aniversário é um momento de reflexão individual, eu me avalio em relação a mim mesmo e ninguém tem nada a ver com isso.
Fiz várias avaliações positivas esse ano, tem muitas coisas boas acontecendo e tem mais um monte que estou plantando para acontecer a curto e médio prazo. Sei que se eu não plantar, regar, cuidar, não vou colher nada e é o tipo de situação que não dá pra ficar colocando a culpa nos outros. Tenho alguns pontos negativos que eu gostaria de mudar, mas esses pontos negativos são pequenos e contornáveis e desaparecem perante os aspectos positivos.
Estou feliz e chego a minha idade me sentido bem, jovem e cheio de desafios e objetivos a serem alcançados. Agora, põe o Ira na vitrola, pega a cerveja no gelo e vamos animar o ambiente e comemorar. YYOOOOHHHOOOOOO!!!!
Hoje é meu aniversário e um bom dia para ficar refletindo sobre a vida. Onde eu queria estar, onde estou, onde quero chegar, o que vale a pena na vida, o que vale a pena stressar, os filmes e livros que devem ser consumidos e por aí vai.
O Ano Novo é um momento de pensar a passagem de um ano dentro da coletividade e imerso naquele ritual de passagem de ano em que todos estão pensando algo semelhante. O aniversário é um momento de reflexão individual, eu me avalio em relação a mim mesmo e ninguém tem nada a ver com isso.
Fiz várias avaliações positivas esse ano, tem muitas coisas boas acontecendo e tem mais um monte que estou plantando para acontecer a curto e médio prazo. Sei que se eu não plantar, regar, cuidar, não vou colher nada e é o tipo de situação que não dá pra ficar colocando a culpa nos outros. Tenho alguns pontos negativos que eu gostaria de mudar, mas esses pontos negativos são pequenos e contornáveis e desaparecem perante os aspectos positivos.
Estou feliz e chego a minha idade me sentido bem, jovem e cheio de desafios e objetivos a serem alcançados. Agora, põe o Ira na vitrola, pega a cerveja no gelo e vamos animar o ambiente e comemorar. YYOOOOHHHOOOOOO!!!!
terça-feira, abril 06, 2004
GINÁSTICA OLÍMPICA
Fora o fato da mídia estar colocando a Daiane dos Santos num pedestal do qual ela pode facilmente cair, vi algumas coisas interessante nessa recente febre de ginástica olímpica.
A plasticidade realmente é deslumbrante, aquelas mulheres que parecem feitas de borracha fazem e acontecem nos mais variados equipamentos e no solo. Particularmente, prefiro as mulheres aos homens uma vez que as mulheres conseguem ter uma leveza e estética associada a força, enquanto os homens são muito mais força. Apesar de haver umas baixinhas que tem um corpo mais masculinizado do que muito homem por aí.
De qualquer forma, o que mais me chamou a atenção é o quanto os caras devem ter caído e se fudido antes de chegar naquele nível. Convenhamos, não é trivial ficar em cima de uma barra de 10 centímetros, vulgo cavalo, quanto mais dar um mortal, um salto no trampolim e mais um monte de coisa ao subir num lance daqueles. Na boa, mesmo sendo craque deve rolar um dia de menor inspiração e umas quedas bizarras, pior para os homens que ainda tem as bolas que vira e mexe dão umas topadas nos equipamentos. Apesar das quedas e quebradas, no final fica bonito. Tudo pela estética, os fins justificam os meios.
Fora o fato da mídia estar colocando a Daiane dos Santos num pedestal do qual ela pode facilmente cair, vi algumas coisas interessante nessa recente febre de ginástica olímpica.
A plasticidade realmente é deslumbrante, aquelas mulheres que parecem feitas de borracha fazem e acontecem nos mais variados equipamentos e no solo. Particularmente, prefiro as mulheres aos homens uma vez que as mulheres conseguem ter uma leveza e estética associada a força, enquanto os homens são muito mais força. Apesar de haver umas baixinhas que tem um corpo mais masculinizado do que muito homem por aí.
De qualquer forma, o que mais me chamou a atenção é o quanto os caras devem ter caído e se fudido antes de chegar naquele nível. Convenhamos, não é trivial ficar em cima de uma barra de 10 centímetros, vulgo cavalo, quanto mais dar um mortal, um salto no trampolim e mais um monte de coisa ao subir num lance daqueles. Na boa, mesmo sendo craque deve rolar um dia de menor inspiração e umas quedas bizarras, pior para os homens que ainda tem as bolas que vira e mexe dão umas topadas nos equipamentos. Apesar das quedas e quebradas, no final fica bonito. Tudo pela estética, os fins justificam os meios.
sexta-feira, abril 02, 2004
MONOGRAFIA II
No post anterior eu estava reclamando da monografia. Pois bem, o que já estava mal poderia ficar pior. Tive que fazer uma apresentação de 20 minutos, ficar sendo indagado sobre questões relacionadas até mesmo ao título da monografia e notas de rodapé. Em resumo, foi foda.
Sobrevivi, não quero mais fazer monografia tão cedo. Estou com uma ressaca moral e psicológica. Certas pessoas conseguem ver um lado bom em tudo no melhor estilo Cândido de Voltaire. Eu,infelizmente, me atenho aos aspectos negativos da crítica e fico remoendo meus erros querendo uma chance de não cometê-los novamente, neste caso, não repetir erros significa significa ficar um bom tempo sem fazer uma nova monografia.
No post anterior eu estava reclamando da monografia. Pois bem, o que já estava mal poderia ficar pior. Tive que fazer uma apresentação de 20 minutos, ficar sendo indagado sobre questões relacionadas até mesmo ao título da monografia e notas de rodapé. Em resumo, foi foda.
Sobrevivi, não quero mais fazer monografia tão cedo. Estou com uma ressaca moral e psicológica. Certas pessoas conseguem ver um lado bom em tudo no melhor estilo Cândido de Voltaire. Eu,infelizmente, me atenho aos aspectos negativos da crítica e fico remoendo meus erros querendo uma chance de não cometê-los novamente, neste caso, não repetir erros significa significa ficar um bom tempo sem fazer uma nova monografia.