quarta-feira, julho 28, 2004

PEDRINHAS

Acho que pelos menos uma vez a cada vinte minutos eu me questiono se estou seguindo o caminho certo.  Na maioria das vezes fico sem resposta, em algumas eu acho que estou fazendo merda e em algumas poucas eu acho que estou seguindo o caminho certo.

Não, não estou falando só da vida amorosa, ou da vida profissional, ou da vida familiar, ou da vida acadêmica ou de qualquer outro elemento da vida.  Estou falando do conjunto, do tudo.

Tenho uma sensação constante de perda de tempo, perco tempo num trabalho, perco tempo num ônibus, posso estar perdendo tempo num namoro, ou ainda diante da televisão.  O tempo conspira contra mim.

O que é liberdade?  Existe alguém realmente livre.  Existe alguém que não esteja preso a pelo menos uma das mais diversas amarras, quais sejam, a financeira, a espiritual, a paternal ou maternal, familiar, a pessoal e até mesmo a amarra física.  Não acredito em liberdade plena.

Tenho poucas certezas na vida.  Quando começo a questionar uma delas descubro que tenho menos certezas ainda.  A ilusão da definitividade de certos ideais, de certos princípios, de certos sentimentos é que nós permite sair do lugar e acordar de manhã.  Vivemos da ilusão do definitivo, vivemos uma busca de algo que não sabemos o que é. 

O que nos motiva é a busca mesmo que seja de algo que não consigamos nunca achar.

segunda-feira, julho 26, 2004

FANTASMAS

Não sei se minha vida sentimental é muito complicada ou se eu acabo complicando o que é extremamente simples.  Só sei que não param de aparecer fantasmas, uns legais, outros inesperados e que dão um susto gostoso mas que não deixa de ser um susto, outros completamente odiados que chegam, assustam e incomodam.

O susto gostoso é bom.  Aquela pessoa que um dia foi especial reaparece do nada.  Após o desconforto inicial a conversa surge naturalmente, bate uma saudade, uma curiosidade e um desejo de que tudo mais que aconteça com aquela pessoa seja bom.  Outro dia, quando encontrei minha primeira namorada com o marido tive esta sensação.  Eu gostava muito dela, errei, pisei na bola, o tempo passou e ela está bem com uma pessoa e quero que ela seja muito feliz, até porque antes de uma grande namorada ela foi uma amiga muito especial que sempre me deu a maior força.

Por outro lado, existem aqueles fantasmas indesejados, relacionados a fins de relação tão deteriorados que geram um ódio, uma insatisfação, uma sensação de perda de tempo.  Me senti como um personagem de Copo de Cólera, incompreendido e não compreendendo.  Atualmente, não quero ser compreendido nem compreender, quero tão somente distância.  Tal fantasma não pode deixar de aparecer, incômodo, pernóstico, prepotente, não aceitando seu lugar numa longínqua tumba.
 Vou dar uma olhada no e-bay pra ver se tem algum leilão dum daqueles lasers que eles usavam no Caça-fantasmas.  Um tiro certeiro, PPPPZZZZZIIIUUUUU e os fantasmas indesejados ficariam presos naquela caixinha indefinidamente.  Quem sabe até os bons fantasmas aparecessem mais.

sexta-feira, julho 23, 2004

VELEJADA

Gosto de comparar a vida a uma velejada.  Queremos chegar a algum lugar mas raramente se consegue através de uma reta, o vento e a natureza não são tão óbvios, assim como não é a vida.

Temos que planejar um pouco, sentir o vento, a experiência sempre ajuda.  Quando começa, temos que fazer curvas, cambar pra um lado, cambar pro outro, mudar o rumo, olhar a proa, tomar água na cara, às vezes ficar meio enjoado.  Tem também o sol, tem o vento no rosto, tem o papo com os amigos, tem o visual, o cheiro de maresia, tem a natureza e tem o mergulho quando chegamos no porto desejado. 

E se o vento estiver ruim e não der pra chegar no porto desejado.  Duas opções: ligar o motor e seguir ao som do diesel ou procurar um outro destino.  O maior prazer é a viagem e a chegada é conseqüência.  Ficar curtindo o “agora” ao invés de olhar pra trás e ficar digerindo o “como”.

Dias melhores virão, basta eu pegar um bom vento.  Se eu não pegar um bom vento, tudo bem também, estou curtindo a velejada.

segunda-feira, julho 19, 2004

CELULAR
 
Tenho uma relação difícil com o meu celular, é uma relação muito humana que estou querendo transpor para algo mais formal e distante, beirando uma relação profissional.
 
Eu ando com meu celular o tempo todo, praticamente 24 horas por dia.  Antes de dormir uso a luz dele para chegar no quarto, de manhã o despertador dele me acorda, aperto o botão “soneca” e dá dez minutos e lá está ele de novo tremendo e gritando na minha cama.  Sempre saio de casa com ele, tem um espacinho dele na bolsa e tem um lugar em que o acomodo confortavelmente no trabalho – ele fica em pé me olhando trabalhar.
 
Meu celular não é um tamagochi porque não tem aquela viadagem de ficar dando comida, botando pra dormir, brincar e demais frescuradas de pessoas que tem carência de cachorro ou de vida.  Fora uma bateria que tem que ser eventualmente carregada ele não dá trabalho, quem dá trabalho é a maldita operadora, a Claro, que é uma zona e presta um serviço bem mal, mas isso é assunto pra outro post.
 Enfim, sou um escravo de certas novas tecnologias, queira eu ou não.  Chego até mesmo ao radicalismo de dizer que tenho uma relação humana com meu celular na primeira linha.  Quanta insanidade.  Isto não faz o menor sentido.

sexta-feira, julho 16, 2004

PREVIDÊNCIA SOCIAL
 
Estou estudando um pouco os aspectos legais do sistema previdenciário, principalmente sob o enfoque público.  Na boa, posso dizer que temos um modelo que só não se iguala ao suíço ou ao sueco por muito pouco.  Há benefício nas mais diversas situações, há um aspecto social observado na impossibilidade de alguém receber menos que um salário mínimo de aposentadoria e assim por diante.
 
No entanto, apesar de nossa teoria escandinava a nossa prática é num nível etíope.  Na prática o salário mínimo é ridículo e se aumentado muito quebra as contas públicas, o INSS não funciona e a corrupção rola solta (basta ver as Jorginas da vida!), a classe média que é uma das que mais colabora não consegue sobreviver com a aposentadoria.  Se o cara se aposentar por invalidez então, ta lascado, o sistema público de saúde não funciona e as aposentadoria do cara é uma merreca. 
 
Se eu fosse da alta hierarquia do INSS eu colocaria a culpa nos estatísticos que fazem os cálculos atuariais e diria que eles não sabem fazer conta direito, por outro lado se eu fosse estatístico mandaria neguinho para de roubar na hierarquia.  Isso é o que neguinho faz na prática, passa a batata quente pro outro e vamos continuando.
 Mais uma vez temos um sistema que na teoria é bom e na prática é ridículo.  E o dinheiro que todo mês eu sou descontado compulsoriamente some em algum ralo público.  Me obrigam a pensar que se eu não fizer um plano de previdência privada eu posso me tornar mais um daqueles que foram vitimados pelo ilustre Risco-Brasil.  Deve ser monótona a vida na Suécia, por isso que eles se suicidam tanto.

terça-feira, julho 13, 2004

FIM

Duas pessoas, começo de noite, no som ao fundo toca Tim Maia.

- Do jeito que tá, não dá. Está muito difícil.
- Sei o que você quer dizer. Acho que precisamos conversar. Ainda gosto muito de você.
- Conversar?! Mais do que conversamos! Definitivamente não acho que o nosso problema seja falta de conversa. Também gosto muito de você mas nosso problema é mais sério, é compatibilidade. Você ainda não entendeu que somos incompatíveis?
- Esse negócio de incompatibilidade não convence. Nós sempre nos demos tão bem. Só nos últimos tempos que a coisa tem ficado meio estranha. Você tem agido diferente...
- Eu, estou agindo diferente! Você é que é completamente outra em relação a aquela que conheci. Naquela época você era mais doce, mais suave e tinha vida no olhar.
- Ainda tenho vida no olhar.
- Você não tem mais aquela alegria. Tudo o que fazemos soa monótono, é meio mais ou menos, é sempre aquele papo de assistirmos um filminho, cineminha, 3 chopps depois do filme, chegada em casa meia noite e pouco. De vez em quando rola uma festa de alguém mas mesmo assim antes das 2 a gente já tá na cama. Sempre condenei a vida como uma rotina, ainda mais esta rotina.
- Mas nós viajamos...
- Nós viajávamos. Há quanto tempo a gente não sai de casa sempre com aquela coisa de economizar pra isso, juntar pra aquilo outro.
- Nós estamos juntando pra realizar nossos planos, você concordou com isso.
- Concordei mas agora discordo. Ficamos só no longo prazo e esquecemos o curto prazo, o hoje, o amanhã de manhã.
- Vamos resolver isso. Deita aqui do meu lado.
- Mas como vamos resolver isto (deitando ao lado).
- Deita aqui e vamos nos preocupar com o hoje à noite.

sexta-feira, julho 09, 2004

ORKUT

- Orkut.
- Que diabos é isso?
- Uma comunidade na internet.
- E o que seria isto?
- Sei lá, um monte de gente se cadastrando, escreve um profile, coloca uma foto e fica tentando incorporar amigos a sua lista. Tem paralelamente um esquema de comunidades sobre temas bem exóticos tipo uma comunidade que fala sobre o Mussum, outra sobre Heleninha Roitman, futebol, ex-colegas de colégio e por aí vai.
- E por que isso é legal?
- Não sei.
- Então por que você faz parte?
- Meu irmão me mandou um convite, acabei preenchendo o cadastro e já estava inscrito. Depois começou aquele lance meio moda e todo mundo se inscreveu. No mais, quando você sai a noite, no almoço no trabalho e mais um monte de lugar o pessoal só fala sobre o orkut, quem encontrou e coisa e tal e não esqueci .
- Entendi que você encontra gente mas pra que diabos serve este lance?
- Vou ser sincero que não acho que serve pra nada mas acaba sendo meio divertido.
- Mas, e aí.
- E aí que eu sou um cara que assistiu No Limite, assistiu Big Brother, vê jogo da Seleção com os amigos, já teve assinatura de Super Interessante, come sanduíche promocional de curta temporada no McDonald’s e adota mais um monte de modismos. Mais um, menos um, não vai fazer diferença. Sou manipulado pela mídia e por modismos. Pelo menos eu não me tornei membro da Amway porque aí meus amigos teriam desaparecido e ...
- Porra, cara. Por que você entrou nesse lance do Orkut.
- Tá, vou assumir. Entrei porque tá na moda e é de graça, não tenho a mínima idéia de pra que serve.
- Ah, agora entendi.

quarta-feira, julho 07, 2004

ENCANTADORA DE BALEIAS

Em algum recanto perdido da Nova Zelândia, uma tribo de nativos. O conflito de gerações, o conflito entre ficar ou sair, o conflito entre os velhos e os novos valores e as diversas relações humanas. Achei interessante o filme, a atuação da protagonista é muito boa, a história também segue um caminho interessante.

No gran finale, a idéia de que pode se globalizar sem perder a identidade. Podemos ser todos uma grande nação na qual cada um tem o direito a sua individualidade, a globalização não deve ser um sinônimo de pasteurização de valores e perda da identidade mas a perspectiva de um convívio pacífico entre as diversas individualidades.

Talvez seja minha paranóia mas não consigo deixar de observar nos diversos filmes recentes a idéia da paz entre os diferentes, seja no Albergue Espanhol, seja no Adeus Lênin. Será que a utopia sairá um dia dos filmes? Que a resposta venha num canto de baleia.

terça-feira, julho 06, 2004

ATIREI UMA PEDRA NA SUA JANELA

Show da Ana Carolina, um programa incontestavelmente bom. Já assisti show em que ela estava com perna quebrada e nem isso prejudicou sua presença de palco, já teve show em festival com gente pra cacete e um frio de rachar e ela mandou ver, com ela não tem tempo ruim. Não esperava menos e ela não me decepcionou. O show dela foi muito bem dirigido, hits pro pessoal cantar junto, elementos visuais, direção musical que sabe a hora de jogar pra galera e a hora de arriscar e inovar e por aí foi. A música que recentemente me chamou atenção foi “É Mágoa”, com suas pedras atiradas em janelas e sentimentos dos mais diversos.

Acho interessante o público eclético de casais teens, trintões, quarentões, cinquentões, gays, lésbicas e simpatizantes e mais um monte de tribos. Diferente de Joana, todos gostam de Ana Carolina.

Gosto de Ana Carolina pela sua voz rouca que flerta com MPB, samba e rock e pelas suas letras que conseguem ser sentimentais sem serem cafonas. Será que ela me entende? Será que ela estava cantando pra mim? É impossível não sair apaixonado por aquele mulherão de rosto lindo, várias idéias na cabeça e muita postura e personalidade. Te dei meus olhos pra tomares conta, agora conta como hei de partir.

segunda-feira, julho 05, 2004

GREECE RULES – EUROCOPA 2004 - III

Vou admitir que meu time predileto na Eurocopa 2004 era a República Tcheca, pelos mais variados motivos tais como o futebol com uma perspectiva ofensiva, coisa rara no futebol europeu, estilo contagiante e espírito de luta da equipe, e ainda por cima pelo fato de se tratar de um país subdesenvolvido que assim como o Brasil tentar emergir economicamente, por se tratar de um país bonito com beleza geográfica e feminina e ainda por cima tem Praga como capital. Praga, ha, Praga.

Lamentavelmente, a invicta República Tcheca caiu perante a germânica Grécia (aliás, nunca vi tanto técnico alemão, verdadeiro contraponto ao futebolzinho meia boca que a Alemanha apresentou). A Grécia com seu futebol muita-defesa-e-gols-no-susto-lá-na-frente, futebol eficiente apesar de pouco bonito derrubou meu time favorito e foi pra final.

Na final, torci pra Grécia, país igualmente subdesenvolvido e com belas praias (que não conheci mas já vi em foto). Será que ela derrubaria novamente o marrento anfitrião luso num estádio lotado e desta vez numa final de Eurocopa. E não é que a Grécia, no seu estilo Santo André, derrubou Portugal em uma cobrança de córner. Timinho que bota sangue na ponta de chuteira e luta como timão. Definitivamente, Grécia rules!

sexta-feira, julho 02, 2004

DON’T WASTE YOUR TIME ON ME

Havia prometido a mim mesmo que evitaria ficar falando baboseiras piegas sobre músicas ou poesias, este post trata-se de uma exceção.

A primeira vez que ouvi "Miss You" do Blink 182 eu gostei, conhecia pouco a banda e só algumas músicas. Fiquei viciado na música. As guitarras sombrias da introdução, o ritmo cadenciado da bateria e o instrumental quebrado pela voz projetada.

Em relação a letra, gosto do fato dela sair soltando frases de efeito e utilizando expressões que em si dizem muito mas que não fazem sentido claro quando analisadas no conjunto. Acho a música romântica de uma forma própria mas também se pode achá-la meio triste, tudo depende da perspectiva e da parte da música que se acaba enfocando. Gosto da idéia de que toda alegria romântica encerra em si mesmo momentos de tristeza.

Felicidade x Tristeza. Entre outras inúmeras sensações dispostas, cada um escolhe a sua. Eu fico com o “Don’t waste your time on me”.

"I Miss You"

Hello there, the angel from my nightmare
The shadow in the background of the morgue
The unsuspecting victim of darkness in the valley
We can live like Jack and Sally if we want
Where you can always find me
We'll have Halloween on Christmas
And in the night we'll wish this never ends
We'll wish this never ends

Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)

Where are you and I'm so sorry
I cannot sleep I cannot dream tonight
I need somebody and always
This sick strange darkness
Comes creeping on so haunting every time
And as I stared I counted
Webs from all the spiders
Catching things and eating their insides
Like indecision to call you
and hear your voice of treason
Will you come home and stop this pain tonight
Stop this pain tonight

Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (miss you miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (miss you miss you)

Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)


quinta-feira, julho 01, 2004

ATÉ A BARBIE ENVELHECE

Cada vez que a encontro tenho a sensação de que estou encontrando uma barbie decadente. O corpinho continua justo, mantido a custa de muito suor e acessórios, mas não basta só ter o corpo são. Seus cabelos demonstram que os anos de tratamentos capilares e pinturas teriam como ônus os atuais cabelos empalhados com um amarelo estranho, seus olhos contêm rugas e ar de que anos se passaram e suas mãos deixam claro que a juventude é parte do passado. Sua postura ereta de bailarina aposentada se opõe aos pés tortos que demonstram uma falta de postura não condizente com um suposto passado no ballet. Que agonia aqueles pés tortos.

O pior é que a idade não a tornou uma pessoa interessante. Tenho pra mim que a maturidade é uma forma de compensar o declínio físico, faz com que as pessoas se tornem mais interessantes, espontâneas e naturais, em resumo, atrantes de uma forma própria. No caso dela, isso não ocorreu.

A barbie não pode ser barbie pra sempre, poucas coisas são eternas, e, definitivamente, este não é o caso dos humanos que desde o momento em que somos gerados tomamos o caminho inevitável do envelhecimento. Envelhecer é difícil - manter a jovialidade e a alegria da adolescência, a predisposição e a pretensão da juventude e a maturidade e a sanidade da meia-idade. Não deixar o peso da idade abalar princípios e ideais, evitar se tornar cético ou depressivo, aceitar que o fato de estar vivo deve ser celebrado todo dia.

É, acho que não gostaria de uma mulher que fosse uma barbie. Definitivamente, eu não sou o Bob.