sábado, janeiro 08, 2005

TSUMANI É AQUI

Não vou falar sobre a desgraça causada pelas ondas gigantes que atingiram países pobres e ganharam espaço na mídia mundial por conta dos inúmeros milhares de mortos e pelo fato de ter atingido balneários freqüentados por endinheirados europeus e americanos que fugiam do inverno de seus lares. Isto está na televisão e não tenho muito a agregar.

O que tem me chamado atenção é a pressão da mídia em relação a ajuda humanitária do Brasil. Vai-se ao batalhão da polícia militar do Leblon, área nobre do Rio de Janeiro, e vê-se uma quantidade enorme de mantimentos para serem enviados para o Sri Lanka para ajudar as vítimas dos tsunamis do outro lado do mundo.

Andando pela cidade do Rio de Janeiro e pelos mais variados cantos do Brasil às vezes eu tenho a impressão de que o Brasil foi afetado por inúmeras tsunamis e ainda há a tentativa do povo de reconstruir modestamente aquilo que foi destruído. Quando vejo o Complexo do Alemão cheio de casebres modestíssimos cercando um conjuntinho de meia dúzia de casas populares contruídas pelo governo, ou quando vejo a favela da Maré cercando um pobre centro poliesportivo, casebres pendurados em morros na iminência de queda, enormes populações suburbanas em ruas de barro, ou ainda as favelas de Salvador e Recife, tenho a impressão de que nós fomos atingidos por ondas gigantes em certas áreas de nossas metrópoles tamanha a miséria.

Quando se vê o número de mortos anualmente pela marginalidade então se vê que nossa tsumani vai crescendo ano após ano. Muitos pobres se tornam baixas diárias e ocasionalmente um estrangeiro de país rico é vitimado. Assim como na Ásia, tal estrangeiro ganha mais páginas de jornal do que mil pobres juntos. Faz parte.

Concluindo, eu não quero que se deixe de ajudar as incontáveis vítimas do leste asiático que vivem o drama de terem perdido amigos, familiares, casa e bens por conta da tragédia da natureza. Eu só gostaria, que os brasileiros, tão solidários com os povos asiáticos, abrissem os olhos para aqueles que estão passando necessidade aqui do lado, aqueles que falam a mesma língua, tem a mesma nacionalidade e que precisam de um remédio, de um tijolo, de comida, de uma vida mais digna e que atualmente não são ajudados por ninguém. Se é para ser solidário, por que não ser solidário por completo e deixar os modismos e a influência da mídia de lado por uma boa causa. Os beneficiados agradecem.

terça-feira, janeiro 04, 2005

MEU TIO MATOU UM CARA
Lá estava eu em Porto Alegre, meio sem nada para fazer pois já tinha visitado as feias atrações turísticas, já tinha comido churrasco bom, passeado no parcão e estava de volta ao hotel, fazendo hora para pegar o vôo. Estava folheando o Zero Hora, jornal que se chamado de bairrista é pouco, e vi que tinha um cinema no aeroporto. Achei maneiro e decidi ir pro aeroporto logo e fazer meu check-in e assistir um filme até a hora do vôo de volta.
Escolhi o "Meu tio matou um cara", filme brasileiro do qual nunca tinha ouvido falar nada. O filme não me decepcionou, simplesinho, bonitinho, bem amarradinho, engraçadinho, interpretado na medida certa, o famoso pop de qualidade. Peguei o vôo bem mais feliz depois.
Pensei que talvez o segredo por trás de Porto Alegre não esteja no seu visual, isso não tem muito a ser feito tendo em vista que a cidade não foi tão abençoada assim por Deus e não passa de uma cidade de 1 milhão e 300 mil habitantes meio feiosa, mas o segredo deve estar nas pessoas, pessoas pensantes que estão fazendo cultura, cultivando intelectualidade, germinando crescimento, discutindo política e semeando desenvolvimento. Estas pessoas inclusive fazem filmes, filmes gostosos como o "Meu tio matou um cara".