terça-feira, junho 24, 2003

PREVIDÊNCIA

Existe uma grande diferença entre um direito e um privilégio, em alguns momentos, no entanto tentam fazer com que a diferença seja inexistente ou extremamente sutil.

Atualmente está na moda se falar no Brasil em reforma da previdência. Muito antes de ser tema do Jornal Nacional um amigo meu economista me explicou os vários aspectos da necessidade de uma reforma de previdência no país e concluiu: “são muito poucos os que mamam muito nas tetas da mãe gentil enquanto uma grande maioria é completamente desassistida de previdência social”.

Concordei com ele e fiquei feliz em ver que o governo Lula se prontificou a acabar com tais privilégios, quem quiser se aposentar ganhando salário integral de fim de carreira que faça descontos progressivos e que façam sentido em termos atuariais. O oficial das forças armadas, por exemplo, começa como tenente e faz uma longa carreira, no final da carreira chega a coronel e depois de uns 3 anos na função pode se aposentar com ganhos na função acima, ou seja, general. O cara nunca colaborou para a previdência como general e vai ficar até morrer recebendo como um. Não quero entrar no mérito dos baixos salários militares que não justificam esse tipo de privilégio. Apesar de eu mencionar os militares, cabe ressaltar que em outras diversas carreiras públicas existe esse mesmo tipo de “contabilidade”. Não precisa dizer que quem tapa o buraco financeiro é o governo, União, a pátria mãe gentil.

Enfim, isso não é um direito. Isso é um privilégio. Enquanto a maioria da população chega a idade de aposentadoria e se depara com um salário mínimo ridículo com o qual ele supostamente tem que viver sua terceira idade, uma minoria continua ganhando, e bem, para não fazer nada, ou nos piores casos em que há uma aposentadoria cedo o sujeito se aposenta, ganha a sua grana e ainda vai trabalhar em um escritório ou em uma consultoria. Convenhamos, isso não é razoável, isso não é justo, isso não é um direito. Abaixo o corporativismo e viva a esperança de um sistema de previdência social justo.

sexta-feira, junho 13, 2003

DIA DOS NAMORADOS

Botei o título só pra zoar. Na boa que seria um tema óbvio, possivelmente superficial e acabaria recaindo no piegas. Alguns posts atrás prometi a mim mesmo que tentaria não ser mais um cara óbvio.

Acho que estou conseguindo, mesmo que para isso tenha que colocar um título óbvio e depois me explicar que não vou falar sobre um assunto óbvio. Que armadilha...
BODE PRÉ FINAL DE SEMANA

Queria falar um pouco sobre o Lula e seu começo de governo mas estou completamente cansado e com vontade de fazer as pazes com Morfeu.
Promessa de post sobre o assunto em breve.

Um monte de aniversários nesse final de semana e estou no maior bode. Desinteresse total de rever pessoas que não vejo há um tempão, sendo que o pior não é nem que eu não goste das pessoas, o que eu não quero encontrar são aquelas pessoas que eu conheço mais ou menos e vou acabar me sentindo obrigado a tentar achar um papo em comum e ficar forçando um lance social e babaquices do gênero.

Acho que vou passar o final de semana pensando num nome para o meu bode.
EXISTE ESPERANÇA

Estava saindo hoje cedo para o centro e encontrei com minha vizinha do apartamento de baixo no elevador. Acabou que ela também ia para o centro e fomos juntos batendo papo sobre os mais diversos assuntos fúteis. Apesar de ela viver no casulo embaixo do meu eu nunca tinha tido oportunidade de conversar com ela. Rolava no máximo um papo de elevador de 20 segundos e só.

Achei legal bater um papo despretensioso e fútil sem grandes pretensões além de um papo matinal no ônibus. Me senti como uma daquelas pessoas de cidade do interior que podem conversar umas com as outras sem que fique caracterizado algum interesse. A conversa é para passar o tempo e ao mesmo tempo conhecer um pouco mais de uma pessoa, e só. Não rola azaração, não rola golpe do baú, não rola tentativa de estrangulamento, não rola papinho de status sem graça, em resumo, não rola nada mais do que um papo light matinal sem qualquer relação com as paranóias urbanas de não fale com estranhos.

Fiquei feliz em conhecer a pessoa que mora abaixo de mim há não sei quantos anos e ver que às vezes no susto encontramos pessoas interessantes nas esquinas da vida. Ainda existe uma esperança na humanidade.

Já ia me esquecendo, também pedi desculpas pela infiltração que obrigou a quebrar todo o banheiro dela.

terça-feira, junho 10, 2003

TIROS EM COLUMBINE 2

Finalmente consegui assistir o filme, me atrasei e perdi uns 10 minutos do filme mas deu pra entender o contexto.

O aspecto negativo é que o Michael Moore tem aquela típica pretensão norte-americana de se achar o cara mais fodão do mundo e vai seguindo essa trilha de o sujeito que busca a verdade acima de tudo. O que acontece é que ele usa a sua prepotência de uma forma diferente ou alternativa o que faz com que haja uma torcida a seu favor em qualquer berço semi-intelectual brasileiro que vê o americano típico com ressalvas.

No mais, o filme é um bom documentário. Cenas das mais diversas, assuntos dos mais diversos, alguma comédia, algum drama e aquele aspecto de colcha de retalhos chique que não faz com o que filme pareça um daqueles documentários malas do People & Arts. Achei curiosa aquela coisa dele chamar atenção quando ele fala o óbvio na frente das pessoas e fica se repetindo esperando uma resposta e o interlocutor com cara de bunda sem saber o que responder, é meio didático e mas a torcida gosta desse tipo de atitude.

O que eu mais gostei foi do humor dele em certos momentos, aquela coisa de ficar abrindo as portas no Canadá ou o filminho sobre a história dos americanos. O ponto culminante do filme foi o fato de ele não fechar com uma conclusão. Já temos tantas conclusões na vida e às vezes é bom assistir um bom documentário sem conclusão e depois ficar debatendo por um certo tempo o filme comendo pizza e tomando chopp com uns amigos gente boa.
FRASE DO DIA

“Sou contra qualquer forma de opressão ao homem, a começar pela cueca”.

(autor anônimo)

terça-feira, junho 03, 2003

MATRIX RELOADED

Achei muito maneiro aquele lance de “Por que a pergunta se você já sabe a resposta?”. Interessante observar que na vida uma grande maioria das perguntas que nós fazemos já sabemos as respostas mas fazemos mesmo assim pra confirmar nossas expectativas ou confirmar a nossa certeza. Nós não somos tão bobos quanto parecemos e nosso cérebro funciona bem direitinho.

O complicado que esse nosso mecanismo de pré-respostas cria o preconceito, ou seja, um conceito antes do conceito, o que por vezes é ruim pois damos passos maiores do que deveríamos com base em aspectos superficiais ou em premissas que vira e mexe estão erradas.

Tenho que admitir que sou preconceituoso, adoro criar conceitos anteriores e ver que acertei ou errei em relação aos mais variados aspectos. Algumas pessoas são previsíveis e não tem a menor graça pois são o óbvio ululante Nelson-rodrigueano. Já em relação as outras, imprevisíveis, não tenho como não dizer que isso não me fascina numa pessoa.

Quero não ser óbvio. Me desculpe se isso soou como um comentário óbvio.

segunda-feira, junho 02, 2003

TIROS EM COLUMBINE

No meu domingo lamentável e deprê eu queria ter ido assistir esse filme. Acabou não rolando, fiquei com preguiça de ligar pra todo mundo e as pessoas ou dizerem que não tavam a fim de ir ou me chamar para fazer algum programa que eu não estava a fim.

Acabei combinando com uma amiga de ir no próximo domingo. Estou me sentindo completamente europeu nesse esquema de combinar as coisas com uma semana de antecedência.

Duas coisas esquisitas é que estou criando uma expectativa animal em relação ao filme que dificilmente será correspondida e que estou ficando com uma vontade surreal de furar e fazer alguma outra coisa melhor. Sinistro! Eu nunca tive tanta vontade de furar um programa só pra fazer jus aquele lance de “no Brasil nada se combina com antecedência pois nós somos muito informais”.

Já sabe, se na próxima segunda não houver um post sobre o Tiros em Columbine é pq honro a minha origem latina acima de tudo e não porque sou um chato mimado que gosta de ir no contra em tudo e que acha que as pessoas devem fazer o que eu estiver a fim de fazer quando eu estiver a fim de fazer.

... também estou a fim de assistir o Conto de Outono. Mas isso já é assunto para outro post.
DOMINGO

Às vezes acho que o domingo é uma ode a morte disfarçada no fim de semana. Acaba sendo um dia em que se faz menos do que deveria, e se faz-se mais do que deveria haverá resquício ao longo de toda a semana que se inicia.

Se rola um certo bode no final de semana, o domingo é o dia no qual o bode toma proporções absurdas que beira a depressão.

Todo domingo eu fico com dor de cabeça, seja porque dormi demais ou porque dormi de menos. Dormir a tarde no domingo é um paliativo. O pior é que acaba rolando uma insônia dominical e stress porque tem que acordar cedo no dia seguinte. Que saco!

Domingo tem várias coisas escrotas. Meu domingo típico ideal seria: acordar umas 8, assistir Globo Rural tomando café da manhã, assistir a Formula 1 lendo o jornal, voltar a dormir. Acordar e ficar lendo algum livro interessante na cama. Receber um telefonema de uma alguém interessante e ir andar nas paineiras. Depois da caminhada, almoço em Santa Teresa. Ir para casa, tomar um banho, ver o Botafogo ganhar de algum time difícil, ir ao cinema assistir um filme maneiríssimo, cheio de idéias novas e sem uma gota de sangue. Sair do cinema e ir com pessoas interessantes tomar 3 chopps e discutir o filme e o mundo todo em nossa volta. Dormir bem de domingo para segunda.

Na boa, não falei nada demais e tenho consciência de que não estou pedindo muito nesse domingo dos sonhos palpáveis. Acho que nunca vou realizar esse domingo típico ideal, seja por culpa do Botafogo, pelos filmes em cartaz, pelo fato de que eu não poderia me dar o prazer de desfrutar de um domingo típico ideal. Com licença, tenho que voltar ao trabalho e até o próximo domingo.