quinta-feira, fevereiro 27, 2003

HISTORICISMO X ILUMINISMO

Tenho lido algumas coisas sobre direito e filosofia do direito. Estou lendo, junto com outras coisas, “O Positivismo Jurídico” do Norberto Bobbio e estou achando o livro muito interessante.

Tem umas questões bem legais que o Bobbio coloca de uma forma simples o que faz tudo soar ainda mais interessante a discussão.

Uma das coisas que acho interessantes nesse tipo de discussão é tomar partido de um dos lados, mas às vezes as correntes tem ponto de vista tão interessante que fica até difícil a gente escolher uma. Estou intrigado com as diversas linhas de pensamento, fico na dúvida de qual dos dois seria mais maneiro, ser um historicista ou ser um iluminista.

Pseudo conclusões em breve...

quarta-feira, fevereiro 26, 2003

TRECHOS DE DOIS BÊBADOS INCONCLUSIVOS FALANDO SOBRE MÚSICA CLÁSSICA E MÚSICA POP

Estava discutindo com um amigo meu sobre o fato do Gil ter sido escolhido ministro da Cultura (sei que parece assunto de 2 meses atrás mas ainda o acho pertinente!).

Meu amigo achava muito bom pois o Gil como ministro significa que o pop havia alcançado algum reconhecimento e que não mais poderíamos ignorar os diversos movimentos culturais existentes no país. Ele usou uma argumentação muito interessante na distinção entre as funções do ministério da cultura e o da educação e o papo foi muito interessante. Estive pensando também em algumas outras discussões que já tive dentro do conflito entre música clássica e música pop, mais especificamente quando dizem que a música clássica não atrai mais a juventude.

Não entendo muito de música mas acho que a música pop é aquela que hoje em dia está em voga, melodias simples e curiosas, letras colantes e mais um monte de coisa. O Pop nas suas mais variadas vertentes está presente no nosso dia a dia com suas guitarras, sintetizadores e assim por diante. Dentro desse contexto eu incluiria também as variantes do techno, dances, heavy metal e rock.

Por outro lado, existe a música clássica ou erudita. Muito mais complexa, de um técnica extremamente complicada e de uma coordenação que só é possível depois de muito ensaio e treinamento. Um dos momentos em que é fácil notar a complexidade é quando vemos 10 violinistas tocando a mesma coisa e por outro lado numa banda de rock de 5 caras dá umas erradas bizonhas num arranjo mais simples.

Porra, tocar uma sinfonia (por mais bundona que seja) direito é foda! Por outro lado, tocar um rock mais ou menos não exige mais do que um ano de prática de 5 caras normais. Compor uma música techno também não é das coisas mais difíceis, se alguém vai dançar sem estar muito doidão é outra história.

A música erudita é extremamente complexa enquanto a música pop é algo bem mais simples. Não adianta você beber um whisky de 60 anos ernvelhecido em barril de não sei o quê se no final for se misturar com guaraná, uma caipirinha de limão com cachaça 51 pode ser algo mais simples e mais gostoso. Acho que o paladar musical atual está sem condições de degustar algo mais complexo em vista de vários fatos característicos do desenvolvimento de nossa sociedade e do fato da música ser considerado um lazer secundário da coletividade.

Se for se buscar um pop de qualidade, você vai ter uma porrada de cara velhão levando um som do caralho. Por outro lado uma sinfônica de amadores é uma merda. Meio que dá pra concluir que influencia no fato do som ser bom ou ruim os seus interpretes, não é só questão de estilo.

A sensação de ouvir os primeiros acordes entoados no ópera de Viena até hoje não me sai da cabeça. Porra, não me pergunte o nome da peça (acho que era As Valkirias!) mas a sensação do som foi foda. O som de um violino bem tocado faz com que eu me sinta perto de Deus. E não sei nada de música clássica, imagina se eu soubesse.

E o Jazz, o que seria?
O Jazz é meio erudito e meio pop, é mais complexo do que o pop e tem uns arranjos fodésimos mas não tem ainda aquela quantidade de gente tocando instrumentos diferentes de forma homogênea que é de tirar o folêgo. Muito maneiro aqueles negões meio figuras que fazem um som do caralho. Tem uns que são meio enrolões e fingem que tocam bem mas tem um cara bem engraçada.

A sensação de ouvir os primeiros acordes de um show de Oasis também é bem maneira. A guitarra distorcida, o vocal irado, a fumaça, a galera gritando. Rock também é uma porrada de sensação maneira. Dá vontade de pular. Porra, e o Silverchair no Rock in Rio tem como não achar muito foda o som porrada dos três caras.

Eu relaxo geral ouvindo música clássica. Tem uma que dão umas sensações muito fodas. O Quebra Nozes, mesmo sem o ballet a música é muito maneira. Uma parada que dá mais ânimo é se você souber da historinha por trás da música e entender o contexto histórico. Porra, esse negócio parece vinho que você tem que saber a historinha da região, da safra e de não sei mais o quê antes de dar o primeiro gole. Isso as vezes é maneiro mas também é meio caído.

Outro dia passou um show do Roger Waters na televisão. Achei uma merda, achei o som um merda, achei tudo nada empolgante, o cara é pretensioso. Um bando de coroa se sentindo rock ‘n roll e malandrão, que coisa mais depressiva. Quase mais depressivo do que show dos Stones. Mas o show dos Stones tem aquelas guitarrinhas do Keith Richards que só de pensar já fazem a gente pular.

Tá foda, queria chegar a alguma conclusão sobre esse assunto mas acho que vai ser difícil, não estou com condições psicológicas. O violino é muito maneiro, um som de uma guitarra bem levada, idem. A música trás umas sensações indescritíveis, são tão indescritíveis que eu escrevi esse post todo e a coisa toda não fez o menor sentido. Que se foda a porra toda e aumenta o som aí...
O FILHO DA NOIVA

Estava enrolando um pouco para escrever sobre esse filme porque tinha medo de estar sendo movido pela emoção e minha opinião acabar não sendo uma coisa sincera mas pateticamente empolgada. Passadas algumas semanas que assisti o filme posso dizer categoricamente que o filme é um dos melhores que já assisti.

Não sei se já falei isso antes, mas acho que numa avaliação de um filme existem diversos fatores subjetivos que entram na conta queiramos ou não. Se você está meio apaixonadinho e vai assistir um filme da Meg Ryan com a dita pessoa amada você pode até acabar falando bem do filme. Por outro lado, se você acabou um relacionamento a pouco tempo, acho até difícil que vá assistir um filme da Meg Ryan. Relendo essa frase, sei que estou forçando a barra porque filme da Meg Ryan em geral é de dar dó. Por outro lado, tenho algumas lembranças favoráveis de um longínquo Harry & Sally. Enfim, como você está se sentindo antes de entrar no cinema é um ponto de influência.

Fui assistir ao Filho da Noiva sozinho numa sexta-feira começo de noite e saí emocionado do filme. Achei o filme muito sensível, principalmente no que se refere as relações dos velhinhos pais do protagonista, assim como na relação dele com a filha. Até mesmo a relação dele com o restaurante é muito foda. Tá aí, eu descreveria o filme como um filme sensível. Fica claro que não é sensível e piegas mas um filme muito bem dosado e que não fica forçando a barra pra tentar emocionar o público.

Além da sensibilidade nas relações, o filme tem um humor muito sutil e preciso. Piadas muito bem sacadas que são colocadas no filme e por vezes representam até mesmo um contraste com o drama reinante. Tem umas 3 piadas que não saem da minha cabeça e que não vou dar o desprazer de repeti-las porque fora de contexto não tem a menor graça.

Me impressiona como um filme pode ser tão simples nos aspectos visuais e estéticos e ao mesmo tempo tão foda no que se refere a conteúdo.

Recomendo assistir sozinho (filme bom sempre é melhor quando se assiste sozinho pra não ter que ficar comentando com alguém depois, até porque a outra pessoa pode não ter gostado tanto quanto você e ao invés de degustar o filme acaba tendo que se defender o filme!). Num daqueles dias em que você está meio pensativo, meio sonhando, meio derrubado, meio puto, meio feliz, meio sem saco, em resumo, num dia em que a sua humanidade esteja a flor da pele. Nesses dias não há nada melhor do que um filme sutil e sensível e acima de tudo humano.

quinta-feira, fevereiro 20, 2003

Tanta coisa acontecendo e não tenho tempo para criticar.

O Cesar Maia querendo fazer um outro Teatro Municipal na Barra mas continuar pagando um salário ridículo para os músicos da orquestra sinfônica do Rio de Janeiro. Se for fazer um novo teatro municipal pra ter show do Zezé Di Camargo e Luciano, na boa que eu prefiro que ele invista em algo que preste.

A Rosinha Garotinho se fazendo de vítima de uma forma brega e escrota. Quem será que votou nessa mulher pra governadora?

O Bushinho dizendo que respeita outros pontos de vista diferentes do dele mas que caga pra tais opiniões. Vai pra guerra mesmo e foda-se o mundo e a história americana cujos presidentes americanos anteriores a ele suaram a camisa pra fazer a Liga das Nações e depois a ONU. Segurança coletiva não funciona pro Cowboy.

O Botafogo está em quinto lugar no Campeonato Carioca e vai ficar fora das finais. Que merda de time sem vergonha! O Americano está em quarto e se tornou a nova "potência" do combalido futebol carioca. Será que existe algo sério a fazer pelo Botafogo pra que ele não naufrague de vez. Nem adianta ameaçar vender a camisa porque não dá pra trocar nem por um picolé.

E pra quem achou que ia me esquecer do regime de cotas. Sinto muito, não esqueci. Esse tema vai dar muito pano pra manga aqui no Blog. Estou com o dedo coçando pra escrever sobre esse assunto.

Taxa de juros a 26,5%. Será que estou bêbado ou alguém não leu a cartilha e o projeto de governo direito.

Aliás, radicalismo ou revolução cinza? Alguma dessas seria adequada ou sendo tramada no Brasil atual?

Também assisti uns filmes: O Filho da Noiva, Minority Report, uns filmes do Eric Rohmer. Revi Amores Perros. Queria também falar sobre eles.

Tenho que começar a escrever um pouco mais pra manter a minha resolução de ano novo (que coisa mais brega esse papo de resolução de ano novo!). Estamos em fevereiro e está funcionando mesmo que tenha que forçar a barra com posts como esse.

Até mais ver...

terça-feira, fevereiro 11, 2003

MOMENTO DESABAFO

Esse Blogger.com é uma zona! Esse lance de computador é tudo uma merda! Esse Bill Gates é um bobão porque inventou algo que funciona parcialmente (pior do que não funcionar é funcionar parcialmente porque cria a ilusão de funcionar e na hora que você precisa - tela azul !).

Acabo de fazer um post e a parada saiu toda sem pular linha, sem parágrafo, sem porra nenhuma. Um merdel sem tamanho. Espero que dentre os famosos milagres da informática acabe acontecendo do blog ficar arrumadinho de novo, incluindo o meu último post.

Tanta coisa pra eu falar sobre e eu tenho que ficar me preocupando se o blog vai funcionar ou não.
Aliás, meu computador acabou de travar parcialmente. Eu nunca vi isso! O Outlook travou, um dos Explores que abri também travou. O Word e um Explorer estão funcionando (até por isso que eu estou fazendo esse post). Esse papo de computador é realmente complicado e não adianta vir com aquele papo de erro do operador porque eu não fiz nada diferente do meu padrão normal. Que saco!

Assim não dá pra ser feliz....

BOB’S

Não vejo um lugar mais criticável do que o Bob’s mas não sei porque alguma força oculta sempre me faz voltar lá, mesmo que seja para falar mal do atendimento ou da sujeira depois. Parece um daqueles lugares temáticos nos quais o lance é ser atendido por um pirata, ou comer comida de forma medieval ou ainda ser mau tratado pelos atendentes. Será que o Bob’s é um lugar temático e passei a vida toda achando que o lugar é uma zona...

Introduzindo a história do Bob’s, ele é um fast food carioca criado nos anos 60 por um gringo que preferiu ficar aqui pelo Rio. O primeiro Bob’s foi aberto em Copacabana (assim como o primeiro McDonald’s do Brasil viria a ser, ou seja, Copacabana era um ícone de alguma coisa no âmbito nacional!). O Bob’s inovou em diversos aspectos trazendo o esquema de junk food americano (o que será que as pessoas comiam ao invés do hamburguer?!?) e como qualquer símbolo de imperialismo novo, fez grande sucesso.

Abriu outras lojas no Rio e não sei exatamente quando foi vendido. Abriu outras lojas em outros lugares e foi vendido. Fechou umas lojas em outros lugares e foi vendido. E assim foi indo a história do Bob’s até chegar aos dias de hoje sob o controle de não sei quem. Comparações entre o Bob’s e um corrimão acho que são válidas, afinal ambos já passaram na mão de um monte de gente. No entanto, não é disso que eu quero falar.

O Bob’s em geral é um lugar depressivo porque está vazio e os funcionários ficam com uma cara de bunda de dar pena. Pra piorar, quando ele está vazio a pessoa acaba tendo uma relação pessoal demais com os atendentes o que é uma contradição uma vez que a maior característica do fast food é a impessoalidade, o cara nem deveria saber que você existe. Se você quiser ser reconhecido ao comer besteira é só ir a um boteco duas semanas seguidas comer coxinha que na terceira semana quando você chegar o cara já vai colocar uma coxinha no prato quando você passar da porta. Voltando ao assunto, no Bob’s vazio você fica vendo o cara fazendo um monte de presepada pra tentar atender o seu pedido, um funcionário fica tentando lhe atender como ele aprendeu no manual, o sub-gerente fica dando esporro escroto em outro funcionário na sua frente achando que você não se incomoda, um sujeito fica fazendo a faxina com um esfregão mais sujo do que o chão e por aí vai.

O Bob’s vazio é um lugar estranho mas na boa que o milk shake de Ovomaltine mau batido é um paraíso terreno. Pode-se comer de colherzinha ou ficar fazendo um exercício de sucção no canudo mas qualquer uma das opções vale a pena. Não vou tentar descrever a sensação, quem quiser que prove.

Em oposição ao Bob’s vazio, temos o Bob’s cheio. Se o Bob’s for um daqueles que vive vazio você tá ferrado porque a coisa vai degringolar e vai ficar tudo uma merda. No entanto, no centro da cidade tem uns Bob’s que estão sempre cheios que são ótimos. Nesses Bob’s dá pra curtir um outro lado bom do Bob’s. Os sanduíches ficam prontos na hora, aquela gritaria, neguinho queimando a mão na hora de tirar a batata frita, o melhor de tudo é que o sabor do sanduíche do Bob’s é incomparável, só de pensar no Big Bob ou no Franfilé feitos na hora e quentinhos já fico com água na boca. As batatas não são essas coisas mas estão quentes. Só não vale a pena pedir milk shake quando o Bob’s está cheio porque é feito meio que na pressa e acaba não tendo o mesmo sabor. Os sanduíches de atum, o franlitos ou o queijo com banana podem ser boas pedidas pra variar.

Uma coisa maneira do Bob’s é que ele praticamente só existe no Rio até porque faliu quando quis abrir em outras cidades, o que não poderia ser diferente tendo em vista que o atendimento em geral é ruim (todo mundo tem uma história pra contar!) e a coisa toda é uma zona e meio sujinho. O Bob’s só dá certo no Rio porque na maioria dos lugares de comida o atendimento é horroroso. Ruim por ruim, a pessoa acaba indo no Bob’s. Um segundo fator é que o carioca já ficou viciado no Bob’s e não se incomoda em ser mau tratado porque já esperava isso mesmo. Por outro lado, em outras cidades, o cliente é mau tratado e nunca mais volta e não dá tempo das pessoas se acostumarem com a relatividade do conceito de atendimento e eficiência do Bob’s.

Enfim, o Bob’s é animal e vai ser difícil alguém superá-lo, realmente concordo com a propaganda, “Gostoso é no Bob’s”.

sexta-feira, fevereiro 07, 2003

Após o meu interesse inicial em fazer um blog que ficasse falando mal de tudo e de todos, acabei saindo um pouco pra uma crítica cinematográfica que acho bem mais interessante e relaxante de ser feita.

Convenhamos que falar de filmes é melhor do que ficar falando das não poucas escrotices do mundo. No entanto, tenho um negócio entalado na garganta que está difícil de não criticar.

Vamos falar sobre Lula, PT e governabilidade.

Dentro do estudo dos três poderes que regem o modelo republicano brasileiro, quais sejam, o poder executivo (responsável pela gestão do Estado), legislativo (responsável pela criação de leis entre outras funções) e judiciário (fiscal da lei no Estado), explicação sumária, simples e incompleta. Temos o modelo presidencialista pluripartidário adotado no Brasil.

Dentro dos vários modelos de governo existentes, temos alguns modelos onde a coesão governista é mais simples como por exemplo o parlamentarismo bipartidário, modelo adotado na Inglaterra, no qual um dos dois partidos existentes acaba por eleger a maioria dos representantes do congresso. Essa maioria elege o primeiro ministro que acaba por ter um amplo apoio do poder legislativo. Portanto, o primeiro ministro consegue aprovar praticamente tudo o que lhe interessa e tem efetivamente o timão do governo. A oposição fica assistindo e torcendo pro governo errar e ter chances na próxima eleição.

Nos modelos parlamentaristas pluripartidários, após a eleição dos representantes do povo que formam o legislativo existe a escolha do primeiro ministro. Como raramente um partido consegue 50% mais um dos representantes do congresso são necessárias coalizões que escolhem um primeiro ministro. A coalizão deixando de existir, dá uma lambança e há a possibilidade de cair o primeiro ministro e ser escolhido outro. É um modelo interessante onde muita coisa pode acontecer e a pluralidade das alianças pode prejudicar a governabilidade. Como exemplos de países que adotam esse modelo temos a Holanda, a Alemanha e Israel.

Saindo do parlamentarismo e indo para o presidencialismo, temos o presidencialismo bipartidário onde o poder executivo fica na mão de um presidente eleito pelo povo e o congresso/poder legislativo é eleito independentemente. Um presidente que tenha um congresso de maioria do outro partido tem que saber negociar muito bem para conseguir a governabilidade e a aprovação das várias medidas necessárias para o país. Como exemplo deste presidencialismo temos os Estados Unidos.

Por fim temos o presidencialismo pluripartidário adotado em nosso país que veio a ser novamente implementado com o fim do governo militar. Como nesses casos é difícil o partido do presidente ter a maioria do congresso do mesmo partido tornam-se necessárias alianças para que seja alcançada a tal governabilidade. No entanto, temos alguns problemas.

Vivemos num país emberbe onde reina um capitalismo selvagem e um coronelismo ainda mais selvagem. Somos o país do jeitinho, do você sabe com quem está falando e mais um monte de merda. A idéia de democracia é rala, tão rala quanto a educação das pessoas e até mesmo da classe média que deveria ser formadora de opinião e ocasionalmente influenciar o rumo a ser seguido pelo país.

Antigamente as pessoas tinham aula obrigatória de OSPB (Organização social e política do Brasil) mas com o fim do regime militar as aulas perderam a função doutrinadora e se entendeu por bem tirá-las do currículo escolar de forma que um típico cidadão de classe média com boa educação e ensino universitário não tem idéia da estrutura social e política do país e muito menos da função de um senador ou de um deputado federal no congresso. O que acaba acontecendo é que nas eleições as pessoas votam no senador e deputado que para elas seja o mais bonito, mais mentiroso, com a história mais peculiar, campeão de volêi, da mesma igreja, mais engraçado, mais relacionado com a sua comunidade ou uma outra série de motivos. No entanto, as pessoas não tem a menor idéia do que o deputado ou o senador vai fazer no congresso. Que merda de voto!

Voltando a questão do presidencialismo pluripartidário no Brasil, nós temos praticamente um monstro criado em Brasília em vista da lambança política derivada da falta de conhecimento e educação de nosso povo. Acabamos por eleger um presidente que, de certa forma, reflete o interesse nacional de uma maior atenção as questões sociais e assim por diante. Por outro lado, temos um congresso bizarro de uma ecleticidade sem ideologia no qual figuras como Landims da vida são re-eleitos em seus currais eleitorais e transitam livremente, e o pior, votam. Votam naquilo que há de ser o projeto de futuro do país.

Todo esse texto é para colocar o drama que entendo que vá ser a governabilidade do Lula. Existe um risco um tanto quanto nítido de que o país continue ancorado em vista do poder concedido em alianças como as que o PT está fazendo com velhos coronéis como ACM e Sarneys da vida, assim como em relação aos novos coronéis como Garotinho, Ciro Gomes e Aécio Neves (este último será nosso futuro presidente, podem escrever!). Ele repetiria aquilo que o governo FHC havia prometido e não cumpriu em vista de uma desonrosa aliança com o PFL.

Em resumo, o PT vivia uma angústia de ser a eterna oposição e não ter alcançado a presidência nas eleições anteriores. Agora, o problema será ficar no poder sem ter a governabilidade, tendo que ceder a barganhas de fundo político e efetivamente chegar perto de implementar o projeto de um governo petista. Bem complicada a situação de nosso país.

Como deu para perceber, o nosso futuro continua mais complicado do que nunca. Solução? Isso eu não tenho e duvido que alguém tenha uma que seja concretizável antes de eu morrer. Eu me propus a colocar o problema, solução já é outra história.

Bem, acho que tenho uma. Vamos jogar para o alto todo e qualquer conhecimento que tenhamos obtido na vida que nos permita ter um pouco de razão e liderar uma caravana a Nossa Senhora de Aparecida. Se o Brasil vai ser salvo, eu não sei, mas a esperança de viver em um país melhor só acho que só pode ser alcançado é na base da reza mesmo. Oremos...

quarta-feira, fevereiro 05, 2003


Tenho visto algumas coisas estranhas atualmente no que se refere as relações entre amigos. Sinto que a cada dia estou ficando mais hipócrita e meus amigos também, não só entre eles mas também comigo.

Vejo a afilhada da minha irmã e ela chega pra as outras crianças e diz “vamos brincar?” e se a outra criança for extrovertida ela vai, se for mais tímida se agarra na perna da mãe e depois de um mínimo trabalho de convencimento ela acaba indo brincar. Se a criança for chata, ela não vai brincar mas ela que se foda e fique sem se divertir pra deixar de ser chata.

As relações infantis são extremamente simples, diretas e objetivas, na qual até uma criança de 3 anos consegue ver que a outra não quer brincar.

Esse meu universo adulto é mega escroto. Não vou falar de trabalho ou de ambientes onde existe um concorrente querendo comer seu cérebro, mas da relação com meus amigos e pessoas que de certa forma quero bem.

Vejo amigos se degladiando porque estão a fim da mesma mulher ou ex-namorados meio enrolados mas nesses casos interesses divergentes, sentimentos, paixão e hormônios tornam a coisa toda bem delicada, o amor não é lógico e todo mundo sabe que essas situações sempre acabam dando merda...

Pretendo falar daquelas situações onde você não pode ser você mesmo, ainda que esteja num ambiente de amigos, porque uma coisa que vocÊ faça ou diga poderia ser vista de forma negativa. Você abre mão de ser você para ser alguém que os outros querem que você seja e agir dessa forma de uma forma que soe praticamente natural. Entendo que isso seria a hipocrisia nas relações entre amigos.

Estou falando de situações normais como aquele amigo que nunca liga. Gosto dele mas fico meio de saco cheio de ficar sempre ligando e lá pelas tantas desencano de ficar ligando, no máximo um forward de piada e só. Um dia o cara liga e diz “vou fazer meu aniversário em um lugar da moda, caro, cheio de gente desconhecida e beirando o insuportável”. Bem no meu mundo hipócrita vejo duas possibilidades:

- ir e ficar com cara de bunda. Se estiver namorando levar a namorada após barganha básica e ficar falando mal das pessoas no ambiente.

- dizer que vai e na hora dar um belo no-show e quando encontrar novamente inventar uma desculpa esfarrapada

Convenhamos que as duas possibilidades são hipócritas tendo em vista que o ideal seria sair com meu amigo um dia desses que não necessariamente fosse o aniversário dele e botar o papo em dia ou fazer alguma outra coisa na qual eu fosse efetivamente me divertir.

Ao mesmo tempo sem hipocrisia as amizades não seriam possíveis. Aquele que nunca foi num filme mais ou menos com a amiga que só ficava falando do namorado (pior ainda, do ex-namorado) mas que em compensação depois daquele suplício teve a sensação de maior amizade. Quem nunca saiu com um amigão num dia em que o cara estava mega depressivo só pra dar uma força? Quem nunca teve que inventar maravilhas sobre uma viagem pra ver se conseguia formar um grupo maneiro para ir na dita viagem? Quem não teve que aturar o amigo ranzinza no dia em que roubaram o carro dele? Ou ainda, quem não teve às 3 da manhã que ajudar na faxina pós-festa na casa do amigo?

Enfim, acho que a hipocrisia é necessária em pequena quantidade e dentro de um contexto de reciprocidade. Sem reciprocidade já é pedir demais!
De qualquer jeito, acho necessário ter limites e às vezes eu acho que estou chegando perto do meu com certas pessoas. Tento ser hipócrita, até porque esta atitude é associada a educação, mas fico bem se saco cheio em certas situações ficando a beira de explodir, estourar animal, mandar neguinho ir se fuder, bloquear e-mail, não atender telefonema e nunca mais querer falar na vida.
Tudo na vida tem limite, até mesmo a hipocrisia.

Desabafei, agora deixa eu tomar um banho, preparar um sorriso porque tem um chopp de aniversário do namorado da minha amiga. Chopp desinteressante, o cara é chato, os amigos dele são chatos, preferia ficar em casa lendo alguma coisa interessante mas vou encarar um hipocrisil e seguir em frente e de repente tem alguém interessante ou eu posso bater papo com minha amiga enquanto seu namorado entretém seus amigos péla-sacos.

Só posso prometer uma coisa. Um dia ainda estouro com alguém que esteja chegando ao limite, adeus hipocrisia e sim a liberdade de ser. Perco a amiga mas tenho certeza de que vou dormir bem mais leve e com um sorrisinho de alívio.

terça-feira, fevereiro 04, 2003

Que calor é esse?!?
Assim não dá pra ser feliz. Na boa, 42 graus no centro da cidade com sol a pino é demais.

Não dá pra visualizar uma cena de felicidade sem que esteja presente um ar-condicionado ou uma praia parasidíaca com um vento fresco e coisas geladas por perto.

Outro dia, durante o recesso de natal tive que resolver algumas coisas no centro. Nada interessante e só coisas burocráticas chatas e que exigem aquela montanha de documentos que a gente fica com medo de ter esquecido um e ter que voltar pra casa pra fazer tudo de novo no dia seguinte.

Enfim, fui entrar no prédio e o cara falou. "Só pode entrar de calça."
Que coisa ridícula, eu estava com uma respeitosa bermuda na altura do joelho e não poderia entrar, a tchuchuca com sainha funk pode, a mulher do umbigo meio cabeludo de fora pode, o sujeito humilde com a roupa esmelinguida pode, o office boy fedido pode, em resumo, eu por estar mais confortável sem aqueles trinta centímetros de pano não poderia entrar no prédio.

Na boa, não me stressei com o segurança porque o cara com certeza estava ali só cumprindo ordens e não faria sentido tal comportamento, mas que isso é ridículo, é.

Aproveitemos nosso calor sem dignidade e continuemos a importar nossa moda e costumes dos países da Europa ou dos EUA, com certeza isso vai dar a impressão de que somos um país civilizado onde pessoas de bermuda em prédios não entram e não existem índios andando pelados pela rua. Vamos continuar vivendo na nossa ilusão barata de que somos civilizados porque usamos calças, dessa forma algum dia nos tornaremos um país de primeiro mundo.