sábado, dezembro 25, 2004

BLOQUEADO

Quando finalmente pude retornar ao meu tão querido blog, cortaram o meu acesso ao blogger no trabalho (por tabela também cortaram o Orkut), e fiquei assim, sem contato com a base.

Estou procurando uma solução mas ainda tá meio difícil.

Agora estou de férias, aproveitando uns dias sem dividí-los com o trabalho, fazendo um pouco do que gosto e só volto a cultivar minha úlcera em janeiro.

Apesar de bloqueado, desconectado, enclausurado no sllêncio de minha mesa eu ainda me comunico.

E fica também um desejo de um Feliz Natal e tudo de bom em 2005!!


quarta-feira, dezembro 08, 2004

SHREK 2

Finalmente assisti o filme do desenho animado infantil no qual os adultos se divertem mais do que os infantes. Bem legalzinho.

Tenho os meus dias Shrek no quais me sinto um ogro jogado num estranho conto de fadas com personagens bizarros. Gosto de ficar trancado na minha caverna mesmo estando um sol fabuloso lá fora. Vira e mexe fico de saco cheio de falar ou de interagir, acabo me cansando do ballet relacional e prefiro me fechar numa ostra, de preferência uma ostra com ar condicionado.

Me sinto um Shrek mal educado que aprecia a necessidade de ser tosco em certos momentos, ficar uns dias sem fazer barba, sair com a calça jeans surrada e confortável, e porque não uma boa e velha camisa branca sem dizeres ou mensagens, sem logomarcas ou slogans, uma camiseta que se orgulha de nada dizer. E por que não comer calorias gordurosas e desejadas, me entreter no gosto gelado do chopp e tudo mais sem o peso na consciência.

Por entender um pouco do que é o estilo de vida de um ogro, fiquei com pena do pobre Shrek quando ele foi obrigado a ir conhecer os sogros, ter que conviver com a sombra de um Prince Charming e de uma bruxa louca que fica querendo sacaneá-lo. Pensando bem, acho que já vivi situação parecida. Situação na qual analisando hoje eu deveria ter sido mais Shrek e menos eu. Pelo menos eu não teria ficado com a sensação de ter palavras mal economizadas.

terça-feira, dezembro 07, 2004

SUBMARINO?!?

Fiquei bem puto agora a pouco! Quando entrei na Uol apareceu um pop-up de promoção no submarino de livros sem ter que pagar frete caso pagasse com Visa. Tinha um aviso de que o desconto seria dado no final da compra.

Fiquei lá procurando no site uns livros que eu queria (aliás a navegação é bem boazinha!) e tem um acervo razoável de livros. Quando fui finalizar a compra, não apareceu nada, finalizei a compra e nada, compra confirmada e nada. Enfim, não tive o desconto.

Entrei em contato com o serviço de atendimento e a mulher mandou um "só lamento". Mandei cancelar a compra e ficou o maior blá, blá, blá. Só quero ver se vai rolar cobrança depois no cartão de crédito (a Vesper fez isso comigo de cobrar mesmo depois de cancelado!).

Ironicamente, eu estava fazendo uma compra de 80 pratas e o frete eram 5 reais. Ela preferiu abrir mão de 80 para ganhar 5. Quando tive problema semelhante na Americanas e na Amazon sempre tive um tratamento no mínimo decente. A associação entre um submarino e um naufrágio eminente são óbvias.

Realmente, ainda falta muito pra gente evoluir em termos de tratamento ao consumidor. Vou aproveitar a hora do almoço para passar em uma loja e comprar os ditos livros, o calor e o risco de ser assaltado são incômodos menores do que o risco de comprar online no Submarino. Credibilidade zero.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

A VOLTA

Acho que consegui tomar as rédeas de volta e espero conseguir me dar o prazer de escrever um pouquinho no meu blog de vez em quando. Vivo repetindo que a escrita é um delicioso exercício de pensar. É uma pena porque os prazeres tem um preço, medido diretamente ou indiretamente, neste caso o preço é medido em tempo, uma moeda que por vezes faz muita falta.

Vi que uma galera passou por aqui tendo em vista o número de acessos. Não tive tempo de comemorar os mil acessos. Lamentável. Também devo ter decepcionado aqueles que deram uma passada por aqui imaginando sobre qual assunto eu estaria ruminando.

Minha sumida não era um desejo, foi mais uma necessidade. Agora espero conseguir me reequilibrar nesta esquisita corda bamba que chamam de vida e poder compartilhar com meus visitantes e comigo mesmo um bom assunto.

Um brinde a Volta!

segunda-feira, outubro 18, 2004

TÁ COMPLICADO

A vida dá umas reviravoltas e acaba que tem coisas na nossa rotina que são alteradas, mesmo que nós não queiramos. Tive algumas mudanças na minha vida profissional, para melhor aparentemente, e agora está meio difícil atualizar o blog da maneira como eu gosto. O prazer de tirar uma partizinha do meu dia pra dar uma opinião, um palpite, tentar descrever alguma sensação acaba ficando num segundo plano.

O relógio da minha mesa parece andar mais rápido, o desafio de dar passos mais largos, as dificuldades de fazer o trabalho de duas pessoas, a necessidade de aprender rápido e sem chances para errar, a busca de uma nova postura profissional, a maior liberdade que vem junto com maiores responsabilidades que vêm associadas a mudança. Tá complicado!

Bem, de qualquer jeito, vou ver se consigo reorganizar a minha rotina e ter um tempinho pra dar uma atualizada no blog. Preciso de um lugar para descansar, nem que seja fazendo uns desabafos.

Me aguardem, eu ainda estou por aqui...


terça-feira, setembro 28, 2004

A EXPECTATIVA É O QUE MATA

“Esperando Godot” tem uma idéia muito interessante sobre a expectativa e a espera que tornou o texto uma obra prima do teatro. Todos nós já esperamos algum Godot.

Desde que me entendo por gente, eu vivo alguma expectativa, aquela coisa de “o que será que o Papai Noel vai trazer”, primeiro dia de aula depois das férias, viagem, aniversário, e assim por diante, até hoje a sensação não mudou muito. Até hoje, qualquer entrega de prova é um suplício, assim como era quando eu tinha meus 10 anos. Quando a distribuição é feita em ordem alfabética o efeito é de uma bomba relógio, quando por ordem randômica, há um efeito surpresa, quando a nota é pronunciada em voz alta há uma bomba de efeito moral, tanto pro bem como pro mal dependendo da nota. Em relação a espera de que o telefone toque e seja uma determinada pessoa. Sem comentários. Haja expectativa.

Depois do ápice da expectativa, que é o segundo anterior a situação esperada, a sensação varia bastante, as vezes a desilusão, em outras a felicidade, o certo é que o antes nos deixou ansiosos.

Quando o tempo passa e a idade aumenta dizem que conseguimos controlar a expectativa e não ficamos mais tão ansiosos. Das duas uma, ou eu não envelheci ou eu sou um cara errado. Fico ansioso como uma criança quando estou esperando uma tv nova que está para ser entregue, fico como um adolescente quando estou esperando o telefonema da mulher amada, fico sem dormir na véspera de provas importantes assim como sempre fiquei. E que a vida me guarde ainda muita expectativa e que o friozinho na barriga jamais envelheça.

terça-feira, setembro 21, 2004

PRAÇA

Acho que todo mundo tem que ter uma praça na vida. Sem uma praça no caminho, uma praça perto da qual possamos tomar um chopp, uma praça na qual vejamos crianças brincando durante o dia, pessoas conversando à noite, idosos jogando dama ou baralho e adolescentes adolescendo.

Dei sorte, minha atual casa tem uma praça perto, adoro dar uma passada na praça e ver como anda a vida naquele microcosmo. Tenho gostado de almoçar em frente à praça, pra quem almoça sozinho e tem a televisão como companhia a praça é ótima, ela faz às vezes da televisão sem ter o inconveniente dos intervalos comerciais. Acho que até o garçom me atende melhor por conta do visual da praça ao fundo.

A praça faz parte da vizinhança, uma das coisas de mudar é a necessidade de estar aberto a uma nova vizinhança, novos horizontes, novos costumes e novos vícios. Saber o apelido do cara da mercearia, ver qual o caminho mais rápido pros lugares, entender um pouco sobre aquela coletividade que mora por ali. E a idéia de mudar não é restrita a vizinhança, aspecto externo, a parte mais relevante é a mudança interna e esta é mais complicada e a cada dia mais recompensadora. E que as mudanças continuem sendo para melhor.

quinta-feira, setembro 16, 2004

CONVERSA COM A MOSQUINHA DURANTE O BANHO

- Minha querida, acabei de me mudar e você já aparece aqui dentro do meu box. Assim vai ficar complicado. Coisa mais invasiva. Aposto que você deve ter saído do banheiro do 307, porra aquele cara até nisso me pentelha a paciência.
- BZZZZZ.
- Acho ruim esse lance de ficar tomando banho e você ficar me olhando. Também acho bem cafona esse lance de mosquinha dentro do box.
- BZZZZZ.
- Dá uma idéia de sujeira a sua presença. Sei que você está aqui só pelos bichinhos que ficam na umidade ou alguma merda do gênero mas realmente me incomoda.
- BZZZZZ.
- Sei lá, acho que você deveria procurar algum outro lugar. Aqui não vai rolar. Quando fecho os olhos embaixo d’água fico com medo de acabar te engolindo e outros inconvenientes. Pior do que você estar no cantinho toda molhada e com cara de paisagem é você de repente não estar.
- BZZZZZ. BZZZZ.
- Sou um cara pacífico. Você tem trinta segundos para sair do meu banheiro.
- BZZZZ. (um minuto se passa. O banho continua em sua forma contida.)
- E então, já se passou um minuto. Qual vai ser?!
- BZZZZ!! BZZZZ!!!
- Já estou pegando o papel higiênico pra te espremer na parede. Vai sair ou vai continuar nessa.
- BBZZZ.
- Bem, te avisei!
- BBBZZZ!!!! BZZZZZ!!!!! BLLAARRHHHH!! (mosquinha foge uma vez mas na segunda o papel higiênico de forma certeira amassa a mosquinha contra a parede. Fim da mosquinha).
- Pô, eu te avisei mas você não me levou a sério. A vida é assim, nem sempre dá pra ficar moscando de bobeira. Foi mal aí mas foi minha espécie que aprendeu a usar o polegar. (som de descarga sendo acionada).

segunda-feira, setembro 13, 2004

CRIVELLA II

Outro dia eu estava falando mal do Crivella por estar querendo usar sua imagem para conseguir ocupar mais de um cargo público, deixando suplentes e vices pelo caminho e utilizando sua imagem carismática e de bom moço. O sujeito é senador da república e está se candidatando a prefeito do Rio.

No entanto, dei uma pesquisada superficial e conclui que este artifício é mais utilizado do que parece. É um tal de senador assumindo ministério, deputado federal assumindo cargo de secretário de estado, deputado estadual assumindo cargo em autarquia estadual e por aí vai longe, vide Serra, Benedita da Silva, Hugo Leal, etc. Normalmente saem do poder legislativo e assumem algum cargo dentro do poder executivo. Deixam o suplente, que na maioria das vezes ninguém conhece e vão se divertir com orçamento de porte nas diversas secretarias, autarquias, sociedades de economia mista e assim por diante. Além de gerir, à distância, seus negócios em terra natal.

Enfim, se eu votei numa pessoa eu quero que ela me represente e não um suplente desconhecido. Acharia justo o retorno ao sistema em que assumindo um outro cargo, o político perde o cargo legislativo e assume o colocado seguinte. Exemplo, nas últimas eleições foram eleitos 2 senadores, Crivella e Cabral Filho. Em assumindo a prefeitura do Rio, abriria mão do cargo de senador e assumiria o cargo vago o sujeito que ficou na terceira colocação e assim por diante. Acho que a legitimidade de um terceiro colocado assumir um cargo é maior do que a de um suplente e em outro ponto de vista, o senador eleito que abriu mão do cargo teria que se explicar para seu eleitorado. A festa é maior ainda entre deputados estaduais e federais.
Lamentavelmente, os representantes escolhidos pelo povo têm afazeres mais importantes do que representar o povo. É uma pena.

sexta-feira, setembro 10, 2004

OS IGNORANTES

Depois de um longo período afastado do teatro pelos mais diversos motivos, fui assistir “Os Ignorantes”. Monólogo com Pedro Cardoso dá uma certa impressão de que vão haver risadas e mais risadas, a questão é: Será que a peça vai ser só umas risadas vendidas ou será que vai haver um humor de qualidade.

Felizmente a segunda opção se concretizou, a peça tinha o lado pastelão e um humor meio vendido em certos momentos mas também tinha um lado do humor de qualidade, poesias no estilo cordel para quebrar o concerto de gargalhadas e acima de tudo, muita, mas muita, interpretação. Que o Pedro Cardoso tem jeito de bom ator dá pra perceber na televisão e filmes e em outras peças mas que ele é um excelente ator isso só fica patente em um monólogo e a forma como ele conduz a história e o público deixa claro que ele é um grande ator. Além de ator o cara é uma grande personalidade daquelas que todo mundo gostaria de ser amigo, desde o playboy, até o mais alternativo, todo mundo acha o cara maneiro, isso é legal do estilo do cara.

Gostei da peça, só recomendo para aqueles que acham que teatro é uma grande diversão porque a peça não é tão profunda e nem tem o intuito de sê-lo. Enquadraria a peça no famoso pop de qualidade.
De qualquer forma, fiquei refletindo sobre a poesia de cordel declamada e fiquei pensando sobre o que é ser ignorante. Também gostei do lado sério da peça.

quinta-feira, setembro 09, 2004

CRIVELLA?!?

Eu não sou um cara muito chegado em teorias da conspiração mas também não deixo de me sentir incomodado por mutretas óbvias, ou atitudes cuja suposta inocência não passa de um disfarce para a malandragem.

No município do Rio temos um candidato, Marcelo Crivella, lançado no mundo político pelos evangélicos e em sua primeira eleição em 2002 foi eleito senador da república. Atualmente, está como segundo colocado nas preferências na eleição para a prefeitura carioca.

O que questiono não é origem do apoio ou a religião do candidato, mas o fato de uma pessoa que ocupa o posto de senador da república, cargo com atribuições das mais altas no nosso sistema republicano (vide nossa Constituição da República de 1988!) ter interesse em ocupar um cargo executivo de uma cidade como o Rio de Janeiro. Tecnicamente falando, isto não faz o menor sentido!

Pode-se imaginar que Crivella sendo eleito prefeito do Rio deixaria seu suplente atuando em Brasília e se dedicaria a atividades “lucrativas” na prefeitura. Ele não teria que abrir mão de nada e ainda aumentaria seu poder. Caso queira, pode se candidatar a governador do estado do Rio em 2006, deixaria um suplente no Senado, o vice na prefeitura e assumiria o cargo de governador do estado. Poder na esfera federal, estadual e municipal, poder este alcançado com a utilização de uma figura carismática que fez um lindo trabalho social que eu nunca vi. Ingênuo, ele?! De forma alguma, ingênuo são aqueles que votam nele esperando que ele esteja pessoalmente fazendo alguma coisa pelo povo.

quarta-feira, setembro 08, 2004

DURVAL DISCOS

Tinha visto o trailer do filme mas não me interessei muito em assistir. Mais tarde, um amigo meu que tem um gosto que eu levo a sério me recomendou o filme. Com tal recomendação, acabei pegando o filme em DVD pra assistir.

Achei legal o Durval, tipo de personagem que todo mundo conhece alguém parecido ou pelo menos alguém com algumas características do sujeito e que se a atuação não for levada a sério fica parecendo personagem de novela das 7. A impostação corporal do personagem é bem feita, assim como as falas e a dicção. Um personagem e tanto.

No mais, todo o resto do filme é estranho. A história que começa normal se torna estranha e faz uma fronteira que não consegui apreciar entre a comédia e o drama. Comédias que se dirigem para um drama não é algo estranho e existem filmes que aprecio que utilizam esse tipo de coisa, mas no caso do Durval Discos essa forma não conseguiu me cativar. Nem ri e nem fui contagiado pelo drama, acabei ficando perdido no meio do caminho.

Achei o personagem bom e a história começa bem. Infelizmente, o filme cai num redemoinho que acaba levando a história e até mesmo os personagens que de um momento para o outro se tornam rasos. Não recomendo o filme mas quem quiser assistí-lo que aproveite o começo porque o final não faz jus ao começo.

sexta-feira, setembro 03, 2004

CICLOS E MAIS CICLOS

Mais ou menos a cada trinta dias meu chefe, que é bem gente boa mas apesar de tudo é um chefe, vem me dar uns esporros em relação a coisas meio escrotas. Felizmente, não é nada relacionado ao meu trabalho mas a aspectos de comportamento. Ele diz coisas que são parcialmente pertinentes o que acaba me incomodando e me fazendo pensar.

Sim, a vida são ciclos. Na época do colégio tinham as famosas provas, a cada dois meses o tempo fechava e lá vamos nós ralar para afastar o fantasma da recuperação e do janeiro sem férias. Quando jogava volley o ciclo era o campeonato, meses de preparação para o campeonato carioca, turno e returno, uma semana entre um jogo e outro, o ciclo de preparação grande e um pequeno ciclo de execução.

Numa relação tem os ciclos de altos e baixos, inexplicavelmente às vezes surgem discussões ocasionadas pelo tempo e intensidade do convívio. Logicamente que se o ciclo for muito pequeno aí é porque tem alguma coisa de errado com as partes.

Um dos aspectos da idade é a criação de novos ciclos, ciclos diferentes, as provas são mais complexas, os avaliadores são menos justos, os quesitos são bastante subjetivos, as comemorações são menos óbvias.

E que eu consiga lidar com esses novos ciclos.

quarta-feira, setembro 01, 2004

PÓS-ADOLESCÊNCIA II

“Se o meu filho nem nasceu, eu ainda sou um filho.”

Essa frase que faz parte de uma das canções do Ira! – Dias de Luta - me diz muito. Tenho menos responsabilidades do que um adulto, um dos motivos é porque eu não tenho um filho, não pago escola nem plano de saúde de ninguém, nem prestação da casa própria. Na pior das hipóteses, só quem fica sem educação ou sem direito a assistência hospitalar ou sem teto sou eu, não causo danos a ninguém, muito menos a uma pessoa inocente e que depende de mim como um filho.

Não assumo dívidas a longo prazo, não tenho dívidas em valores que superem o valor da minha rescisão contratual, não tenho nada no meu nome, tenho poucos bens que eu não posso colocar embaixo do prazo e levar embora. Tenho uma poupança que ajuda e daria pra fazer uma graça mas também não dá pra fazer milagres.

Gosto de sair molhado do banho, de ficar no final de semana sem fazer barba, de ir com meu amigo ao Maracanã e xingar o árbitro ou o Botafogo, de ir pra boite e ficar meio bêbado, de ficar fazendo piadinhas que ninguém entende e rir sozinho, de não ter que usar terno para trabalhar, de dormir até não sei que horas no final de semana, entre outras coisas que me fazem parecer um pós-adolescente.
“Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou um filho. E hoje eu canto esta canção, o que cantarei depois”. Tenho curiosidade de saber qual será a próxima canção.

segunda-feira, agosto 30, 2004

PÓS-ADOLESCÊNCIA

Recentemente descobri que não sou adulto, por outro lado também não sou adolescente, talvez eu seja um jovem mas acho o termo muito genérico e prefiro me considerar um pós-adolescente.

Quando eu tinha uns 13 anos não via a hora de me tornar um adulto, ou seja, ter uns 19 ou 20 anos, eu teria minha própria casa, meu carro esporte, um trabalho e não teria que ficar aturando minha mãe me deixando de castigo. Muitas vezes eu me imaginava casado mas ainda sem filhos. Enfim, minha vida seria bem legal.

No entanto, quando cheguei aos dito vinte anos vi que a banda tocava bem diferente. Continuava estudando, dependia financeiramente dos meus pais mais do que nunca, trabalhei durante as férias e vi que meu suor valia muito pouco.

Hoje em dia, eu transpiro bastante, meu suor vale um pouco mais do que valia antes mas nada que me permita grandes devaneios. Tenho um Play Station 2 que eu não tive com meus 13 anos e o utilizo mais do que seria imaginável e tenho um blog com um quê de diário. De certa forma, continuo dependendo da minha família. Ironicamente, meus sonhos profissionais têm a ver com a atividade policial. Uso mais o discman do que o carro. Continuo passando a maior parte do meu dia fazendo coisas que não gosto do que fazendo aquelas que me dão prazer. Talvez a grande descoberta tenha sido o sexo, as bebidas e o fato de que meus planos estão mais concretos e sei mais ao certo as dificuldades que terei para alcançá-los.

Dentro da minha lógica, sou um pós-adolescente. Não sou velho, não sou cético, não sou conservador e nem tenho medo de envelhecer, definitivamente não sou adulto. Tenho algumas responsabilidades e tenho um futuro pela frente. Acabo por passar boa parte do meu dia plantando sonhos para colher realidade.

quarta-feira, agosto 25, 2004

O MENDIGO DANÇARINO

Moro em Copacabana, lugar de farta fauna e flora, infelizmente mais fauna do que flora, dentro da fauna tem um mendigo que é razoavelmente bem tratado uma vez que está sempre barbeado, cabelo cortado e um figurino peculiar que inclui terno, uniforme do Flamengo e fantasia de escola de samba, como bom doidinho de rua a mania dele é ficar ouvindo um walkman e dançando. Sob certa ótica ele é até lírico considerando a realidade da mendigagem no Rio. Quem mora na altura do Posto 3 sabe de quem eu estou falando.

Enfim, ontem eu o vi quando estava voltando do trabalho e ele estava meio stressado. Tudo bem, um cara que passa o dia inteiro dançando deve ter momentos de stress. Depois vi uma molecada de 13 ou 14 anos correndo e olhando pra esquina, daqui a pouco chegou ele e ficou se dirigindo aos moleques. Em resumo, alguma coisa devem ter aprontado com ele e lá estava o coitado stressado e resmungando.

Na hora pensei - lá tá a molecada querendo dar umas risadas as custas do retardado, sacanagem. Depois fiquei pensando, eles estavam aprontando com um cara que não tem capacidade mental de se defender, eles estavam em grupo e fisicamente também teriam vantagem e tudo isso para dar umas risadas. Na boa, isso é muita covardia.

Fiquei com um certo peso na consciência, devia ter feito alguma coisa e não fiz nada ao convenientemente me acomodar em casa. Adolescentes como aqueles um dia acabam queimando um índio num ponto de ônibus e as pessoas se esquecem que aquilo não aconteceu só pela vontade de adolescentes se mostrarem uns para os outros, aquilo aconteceu porque os moleques não tinham limite, seus pais e seus professores não lhe deram educação e não houve uma pessoa que lhes dissesse que a liberdade de um acaba onde começa a do outro. Aqueles meninos na minha rua estavam seguindo o mesmo caminho.
Dentre tantos momentos em que pequei pela omissão, aquele foi mais um. Crescer como ser humano é se tornar mais reativo, agir ao invés de ficar esperando os outros agirem, não se omitir e ter personalidade de atuar, brigar a luta justa, ser fiel aos seus ideais e não aceitar a opressão. Ontem senti que perdi a chance de crescer um pouco, espero que da próxima vez eu haja ao invés de me refugiar em casa.

E que o mendigo dançarino continue dançando na esquina da minha rua.

segunda-feira, agosto 23, 2004

... E SE VOCÊ DISSER QUE ME AMA

Se você disser que me ama,
O sol vai brilhar mais forte,
A baía de Guanabara vai ficar como um espelho refletindo o céu,
O calor vai me abraçar suavemente pela manhã,
Quando a brisa me tocar vou fechar os olhos e sentir suas mãos.

Se você disser daqui a pouco,
A demora vai soar longa,
A sua falta vai ser grande,
A distância será infinita.

Se eu falar sobre meus sonhos,
Talvez você não consiga ouvir,
Talvez você não queira ouvir,
Se eu insistir, quem sabe os seus sonhos ficam iguais aos meus,
Talvez eu consiga até te convencer a sonhar.

Se eu não souber contar,
Não vou me preocupar com a grana no final do mês,
Não vou conseguir contar o tempo longe de você,
Vou dormir te esperando.

Mas se você disser que me ama,
Eu vou te abraçar com força,
Vou segurar seu cabelo e falar suavemente no seu ouvido,
Eu também te amo.

quarta-feira, agosto 18, 2004

BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS

Lá fui eu assistir um filme sério do Jim Carrey, será que finalmente a academia vai entender que ele também tem um lado sério e vão considerá-lo como um ator de verdade ou vão preferir continuar ignorando-o. Bem, isso é papo pra semana do Oscar daqui há um tempo, não é sobre isso o que eu quero falar.

Vamos ao filme. Gostei muito. Por que? Não sei exatamente explicar o motivo, só sei que gostei. Me atraiu a premissa do filme, a mistura de sentimentos expostos no filme, a profundidade dos personagens, o inverno, a forma através do qual expuseram o sub-consciente e assim por diante.

Fiquei com medo de que alguém um dia quisesse me apagar de sua memória. E fiquei convicto de que jamais apagaria a minha memória, meus erros, meus acertos, minhas derrotas e minhas vitórias são todas minhas e não deixaria ninguém tirar isso de mim, eles são parte de quem eu sou e jamais aceitaria que alguém me roubasse de mim mesmo.

Acho que gostei do filme porque ele fala de amor de uma forma diferente e única, diferente e único como é o amor.

segunda-feira, agosto 16, 2004

GOLDFISH MEMORIES

Gosto de filmes que falem sobre relacionamentos, aliás adoro discutir relacionamentos desde que não seja o meu, e esse filme acaba sendo uma grande discussão dos mais diversos relacionamentos dos vários personagens.

O título em português ficou sofrível parecendo algum filme romântico B e acaba não refletindo a presença dos peixinhos soltos pelo filme, assim como o clichê romântico de um dos personagens e a forma simples e gostosa irlandesa de narrar as idas e vindas amorosas.

Os anos 90 iniciaram uma tentativa de quebra de paradigmas de relação, os gays saíram do armário, o solteirão e a solteirona podem ser solteiros em paz sem serem taxados e assim por diante. Nos atuais ano 2000 busca-se a solidificação de tais quebras, o aumento da liberdade e até mesmo a possibilidade de produção independente. Evoluí-se a passos curtos, mas evoluí-se.

Saí do filme e fui jantar sushi. O sushi foi leve, digestão rápida e agradável, assim como o filme.

sexta-feira, agosto 13, 2004

A PARTE MAIS BONITA DO SEU CORPO

Você me perguntou sobre qual seria a parte mais bonita do seu corpo? Na hora, foi difícil pensar numa resposta não óbvia do tipo olhos, boca, peito, nariz ou bunda.

Descobri que menti, a parte que mais gosto do seu corpo é seu ouvido. Aquele pedacinho de cartilagem bastante sexy que fica escondido nos meio dos seus cabelos, fica perto da boca, fica perto do pescoço e não consigo resistir a mordê-la nos mais diversos momentos. No entanto, o motivo pelo qual elegi seus ouvidos não se refere somente ao aspecto visual e ao tato. A razão pela qual esta parte se tornou a predileta diz respeito ao fato de você me ouvir muito, até mais do que eu ouço você. Não só você me ouve como me dá força, faz comentários, aceita a idéia de que um desabafo às vezes é necessário para continuarmos aceitando o dia-a-dia.

Através dos seus ouvidos, você entende minhas dúvidas, você compreende as minhas perguntas, você me ouve e acabo me sentindo cada vez mais próximo de você. Fico tão próximo que me intoxico.

Você é ansiosa, eu também, o desabafo, o falar, acaba sendo uma forma de diminuir a pressa, atenuar as chances de errar e a anseio se transforma em costurar projetos. Ao mesmo tempo, através de seus ouvidos, eu lhe conto meus planos, meus sonhos, minhas metas, alguns você gosta, outros você aceita, outros você finge que aceita. Através deles ainda posso lhe contar meus segredos, meus pensamentos, minhas piadas das quais você não acha a menor graça. Quando você me ouve eu sinto seu apoio, como se você estivesse do meu lado mesmo quando você está distante.

Sei que seus outros dotes físicos vão mudar e ter sua forma alterada com a idade, disto não tenho medo. No entanto, espero que seus ouvidos não envelheçam e que você continue sendo esse porto seguro que me suporta e me dá força e ainda me serve de inspiração, expiração e transpiração.

quinta-feira, agosto 12, 2004

PATROCÍNIO PÚBLICO OU INICIATIVA PRIVADA DISFARÇADA

Esse papo de espírito olímpico me tem feito refletir sobre de onde vem a grana que paga a festa toda. Trabalho num lugar e sei que um evento pra duzentas pessoas custa uma grana, uma viagem com 300 pessoas pra Petrópolis custa uma boa grana e imagino que uma ida de 700 pessoas para outro país pra disputar olimpíadas deve ser algo estupidamente caro.

De um lado temos um governo falido que cobra uma fortuna em impostos e que não consegue arrumar a casa há anos e nem consegue sonhar com uma política para educação e para os esportes. Por outro lado temos uma iniciativa privada ávida por lucros e que não tem muito interesse em ajudar projetos que não tenham um retorno palpável, vide o exemplo recente da Xerox que suspendeu sem maiores explicações a sua significativa parcela de patrocínio ao projeto esportivo da favela da Mangueira, ou seja, ou tem lucro em marketing aferível ou nada de dinheiro.

Criamos então uma realidade sui generis no Brasil. Apesar de não haver um investimento público em uma política para os esportes, sempre tem algum dinheiro pública no esquema de patrocínio. O governo através de suas empresas patrocina e banca o esporte, como exemplos, o Banco do Brasil banca o vôlei, os Correios a natação, a Caixa Econômica o atletismo, a Petrobrás paga a vela e mais uma porrada de esportes e por aí vai. Se analisar o patrocínio privado, das grandes só vejo a Telemar a qual conheço o esquema de marketing e é fácil observar que os caras gastaram mais fazendo a publicidade e colocando na televisão do que dando dinheiro para os atletas treinarem. Acho que tem também o Pão de Açúcar e a Brasil Telecom que apóiam o triatlon.

Na boa, eu como eleitor preferiria ver cinco atletas nas olimpíadas e ver a molecada praticando esportes em cada esquina em ginásios com o mínimo de estrutura, ver os velhinhos do morro jogando bocha que nem é esporte olímpico, ver a criançada não entrando no tráfico de drogas porque há um estímulo ao esporte de base que é o que efetivamente tira as crianças das drogas, ver as crianças em bibliotecas dignas lendo apesar de leitura também não ser esporte olímpico e assim por diante. Se alguma empresa privada quisesse pagar a passagem pra Atenas, sem problemas. O que eu não admito é ver tanta gente gastando o dinheiro público, que também é meu, fazendo festinha enquanto tem um moleque cheirando cola aqui na esquina. É muito contra-senso.

sexta-feira, agosto 06, 2004

MEUS DEFEITOS

As pessoas gostam muito de falar de suas próprias virtudes ou dos defeitos dos outros, seus próprios defeitos são um assunto bastante raro. Estive pensando em algum dos meus defeitos, alguns eu quero mudar, outros nem tanto porque me dão uma certa excentricidade ou fazem parte da minha personalidade.

- - Meu maior defeito é não saber dizer “não”. Quando eu digo “não” acaba soando como uma coisa meio grossa e destemperada. Como não sei dizer, acabo não gostando de dizer e fico dizendo mais “sim” do que deveria.

- - Sou muito desestimulável. É complicado, preciso sempre estar sendo estimulado pra não enjoar de alguma coisa. Se estou a fim de uma pessoa e não sou correspondido logo, desfico a fim. Faço um grande trabalho com a maior raça na primeira vez, se tiver que revisar já fico meio desanimado, se fica todo mundo dando palpite pedindo pra refazer fico completamente desanimado. Gosto que tudo dê certo da primeira vez.

- - Não sei discutir. Tenho dificuldade em expor meus argumentos. Tenho também impaciência em relação a discussões sem fim ou sem objetivos.

- - Não gosto de banho frio.

- - Não gosto de dividir muito as parcelas das despesas. Cada parcela que chega é um questionamento de se o gasto que eu fiz foi bom ou ruim. Depois que eu gastei não gosto de pensar nisto.

- - Não gosto de acordar cedo. Tenho aprimorado isso mas ainda há um longo caminho.

- - Gosto de fumar por mais politicamente incorreto que isso possa soar. Atualmente parei.

- - Não gosto de ir pra boite com namorada, e se vou pra boite gosto de ir meio bêbado.

- - Tenho preguiça de exigir meus direitos.

- - Fico tempo demais na frente da televisão.

- - Não sei lidar direito com meus sentimentos.

- - Não tenho timing para falar as coisas. Falo as coisas certas nas horas erradas, falo as coisas erradas nas horas erradas, e daí pra pior.

- - Poucas coisas eu estudo por prazer. A maioria é por obrigação.

- - Sou pouco ambicioso. Na era da ambição isso é um pecado.

- - Só gosto de ouvir opiniões quando eu peço. Prefiro dar do que receber palpites.

- - Odeio quando me chamam a atenção. Sempre levo pro lado pessoal e fico puto.

- - Não sei demonstrar felicidade ao receber um presente. Tenha eu gostado dele ou não.

É, realmente tenho muito defeitos. Acho que tenho farto tema pra mais outros posts. Daria até para mudar o nome do blog para auto-crítico do mundo. Complicado.

quinta-feira, agosto 05, 2004

BLOGS ASSOCIADOS

Alguns dos meus cronistas favoritos não escrevem mais. Coloquei o link pro blog deles pra me facilitar a vida e agora eles somem. Eles não escrevem nem dão sinal de vida. Dá a idéia de um fim com três pontinhos, com cenas do próximo capítulo, com um inimigo abrindo um olho envolto nas cinzas, um olhar atravessado em uma cena de casamento, qualquer coisa que dê uma idéia de fim provisório sem definitividade e em que não sabemos como será a continuação.

Desta forma, o Parisblues está suspenso por ida pra Suíça e o acesso a internet nos cafés deve custar algo como 15 dólares por 15 minutos e vai continuar sem atualização. O Ezgrozovados sumiu por falta de tempo pra conciliar trabalho, estudo, noitadas, etc e tal. Quanto a Alice, figuraça toda a vida, deve ter viajado com alguma paixão e vai inaugurar uma pousada em Arembepe ou no Taiti. No que se refere ao Crônicas Urbanas, não vale porque ele é uma filial tão somente.
Fica a reclamação, que não deixa de ser uma crítica em relação a estes cronistas que instigam e depois saem fora deixando seu leitor voyeur de olhos vendados. Devo buscar novos horizontes...

quarta-feira, agosto 04, 2004

CÓDIGO DA VINCI

Título alternativo: As Aventuras e Desventuras de Robert Langdon e Sophie Neveu.

Papo vai, papo vem, acabei lendo o dito Código da Vinci. Só soube que o livro estava super badalado quando já tinha começado. Rolou um certo preconceito mas lá fui eu.

O livro tem aquele esquema pop americano, ou seja, leitura cativante e relativamente rápida, capítulos curtos, letras grandes, uso de uma linguagem prática sem grandes devaneios, farto uso de lugares comuns e assim por diante. O tema é num esquema bastante em moda com menções a história e aspectos religiosos, ou seja, se Tom Clancy fez sucesso nos anos 80 com sua temática Guerra Fria, a perspectiva mudou e agora se adota um estilo menos Rambo e mais um Indiana Jones politicamente correto e inteligente.

Desta forma, na literatura comercial americana temos um anos 80 com cheiro de pólvora e um sentimento revanchista por conta do Vietnam e com sentimento yuppie, nos anos 90 temos a busca do transcendental e um lado místico e um contraponto ao materialismo e por fim temos o anos 2000 com uma perspectiva de se entender a história e a busca de uma identidade cultural e de uma individualidade prezando mais a inteligência do que a força física ou bélica.
Voltando ao livro, a discussão é se este se trata de um bom exemplar da cultura pop ou se mais um livro feito para encher o bolso de uns editores nova-iorquinos. Não tenho opinião formada, gostei do durante mas acho que não vou me lembrar dele daqui a alguns anos a não ser pela capa bonita com o olhar da Mona Lisa me encarando. Leia-o na busca de uma diversão despretensiosa, mas não o leia porque está todo mundo lendo. Isso é muito cafona.

segunda-feira, agosto 02, 2004

BISONHO, PRA NÃO DIZER BIZARRO

Ainda me assusto com comportamentos políticos muito óbvios que são utilizados e acabam atingindo o objetivo desejado, por mais mesquinho que este seja.

A política de segurança pública do governo do estado do Rio de Janeiro é comprar novas viaturas. Política de resultado questionável a julgar pela realidade. Os caras compram veículos novinhos, superfaturados (o governo de SP compra pela metade do preço) e não sei por qual motivo depois de 2 meses os carros já estão esmulhanbados por aí. Pra fazer a cerimônia de entrega, marcam 9 horas da manhã no monumento aos mortos na Segunda Guerra que fica ali no final do Aterro do Flamengo. Toda a classe média que está indo pro centro pode ver que a governadora anda nos protegendo.

O trânsito fica ruim, fica um monte de viatura passando de sirene ligada sem que haja qualquer emergência e eu me sinto ridículo por ser governado por políticos tão ridículos. Sinto-me como um caolho numa terra de cegos, cegos que não querem enxergar. Se segurança pública fosse feita com carros novos, o Rio seria uma Suíça, infelizmente, aparentemente só o caolho percebeu que a coisa é meio diferente.

quarta-feira, julho 28, 2004

PEDRINHAS

Acho que pelos menos uma vez a cada vinte minutos eu me questiono se estou seguindo o caminho certo.  Na maioria das vezes fico sem resposta, em algumas eu acho que estou fazendo merda e em algumas poucas eu acho que estou seguindo o caminho certo.

Não, não estou falando só da vida amorosa, ou da vida profissional, ou da vida familiar, ou da vida acadêmica ou de qualquer outro elemento da vida.  Estou falando do conjunto, do tudo.

Tenho uma sensação constante de perda de tempo, perco tempo num trabalho, perco tempo num ônibus, posso estar perdendo tempo num namoro, ou ainda diante da televisão.  O tempo conspira contra mim.

O que é liberdade?  Existe alguém realmente livre.  Existe alguém que não esteja preso a pelo menos uma das mais diversas amarras, quais sejam, a financeira, a espiritual, a paternal ou maternal, familiar, a pessoal e até mesmo a amarra física.  Não acredito em liberdade plena.

Tenho poucas certezas na vida.  Quando começo a questionar uma delas descubro que tenho menos certezas ainda.  A ilusão da definitividade de certos ideais, de certos princípios, de certos sentimentos é que nós permite sair do lugar e acordar de manhã.  Vivemos da ilusão do definitivo, vivemos uma busca de algo que não sabemos o que é. 

O que nos motiva é a busca mesmo que seja de algo que não consigamos nunca achar.

segunda-feira, julho 26, 2004

FANTASMAS

Não sei se minha vida sentimental é muito complicada ou se eu acabo complicando o que é extremamente simples.  Só sei que não param de aparecer fantasmas, uns legais, outros inesperados e que dão um susto gostoso mas que não deixa de ser um susto, outros completamente odiados que chegam, assustam e incomodam.

O susto gostoso é bom.  Aquela pessoa que um dia foi especial reaparece do nada.  Após o desconforto inicial a conversa surge naturalmente, bate uma saudade, uma curiosidade e um desejo de que tudo mais que aconteça com aquela pessoa seja bom.  Outro dia, quando encontrei minha primeira namorada com o marido tive esta sensação.  Eu gostava muito dela, errei, pisei na bola, o tempo passou e ela está bem com uma pessoa e quero que ela seja muito feliz, até porque antes de uma grande namorada ela foi uma amiga muito especial que sempre me deu a maior força.

Por outro lado, existem aqueles fantasmas indesejados, relacionados a fins de relação tão deteriorados que geram um ódio, uma insatisfação, uma sensação de perda de tempo.  Me senti como um personagem de Copo de Cólera, incompreendido e não compreendendo.  Atualmente, não quero ser compreendido nem compreender, quero tão somente distância.  Tal fantasma não pode deixar de aparecer, incômodo, pernóstico, prepotente, não aceitando seu lugar numa longínqua tumba.
 Vou dar uma olhada no e-bay pra ver se tem algum leilão dum daqueles lasers que eles usavam no Caça-fantasmas.  Um tiro certeiro, PPPPZZZZZIIIUUUUU e os fantasmas indesejados ficariam presos naquela caixinha indefinidamente.  Quem sabe até os bons fantasmas aparecessem mais.

sexta-feira, julho 23, 2004

VELEJADA

Gosto de comparar a vida a uma velejada.  Queremos chegar a algum lugar mas raramente se consegue através de uma reta, o vento e a natureza não são tão óbvios, assim como não é a vida.

Temos que planejar um pouco, sentir o vento, a experiência sempre ajuda.  Quando começa, temos que fazer curvas, cambar pra um lado, cambar pro outro, mudar o rumo, olhar a proa, tomar água na cara, às vezes ficar meio enjoado.  Tem também o sol, tem o vento no rosto, tem o papo com os amigos, tem o visual, o cheiro de maresia, tem a natureza e tem o mergulho quando chegamos no porto desejado. 

E se o vento estiver ruim e não der pra chegar no porto desejado.  Duas opções: ligar o motor e seguir ao som do diesel ou procurar um outro destino.  O maior prazer é a viagem e a chegada é conseqüência.  Ficar curtindo o “agora” ao invés de olhar pra trás e ficar digerindo o “como”.

Dias melhores virão, basta eu pegar um bom vento.  Se eu não pegar um bom vento, tudo bem também, estou curtindo a velejada.

segunda-feira, julho 19, 2004

CELULAR
 
Tenho uma relação difícil com o meu celular, é uma relação muito humana que estou querendo transpor para algo mais formal e distante, beirando uma relação profissional.
 
Eu ando com meu celular o tempo todo, praticamente 24 horas por dia.  Antes de dormir uso a luz dele para chegar no quarto, de manhã o despertador dele me acorda, aperto o botão “soneca” e dá dez minutos e lá está ele de novo tremendo e gritando na minha cama.  Sempre saio de casa com ele, tem um espacinho dele na bolsa e tem um lugar em que o acomodo confortavelmente no trabalho – ele fica em pé me olhando trabalhar.
 
Meu celular não é um tamagochi porque não tem aquela viadagem de ficar dando comida, botando pra dormir, brincar e demais frescuradas de pessoas que tem carência de cachorro ou de vida.  Fora uma bateria que tem que ser eventualmente carregada ele não dá trabalho, quem dá trabalho é a maldita operadora, a Claro, que é uma zona e presta um serviço bem mal, mas isso é assunto pra outro post.
 Enfim, sou um escravo de certas novas tecnologias, queira eu ou não.  Chego até mesmo ao radicalismo de dizer que tenho uma relação humana com meu celular na primeira linha.  Quanta insanidade.  Isto não faz o menor sentido.

sexta-feira, julho 16, 2004

PREVIDÊNCIA SOCIAL
 
Estou estudando um pouco os aspectos legais do sistema previdenciário, principalmente sob o enfoque público.  Na boa, posso dizer que temos um modelo que só não se iguala ao suíço ou ao sueco por muito pouco.  Há benefício nas mais diversas situações, há um aspecto social observado na impossibilidade de alguém receber menos que um salário mínimo de aposentadoria e assim por diante.
 
No entanto, apesar de nossa teoria escandinava a nossa prática é num nível etíope.  Na prática o salário mínimo é ridículo e se aumentado muito quebra as contas públicas, o INSS não funciona e a corrupção rola solta (basta ver as Jorginas da vida!), a classe média que é uma das que mais colabora não consegue sobreviver com a aposentadoria.  Se o cara se aposentar por invalidez então, ta lascado, o sistema público de saúde não funciona e as aposentadoria do cara é uma merreca. 
 
Se eu fosse da alta hierarquia do INSS eu colocaria a culpa nos estatísticos que fazem os cálculos atuariais e diria que eles não sabem fazer conta direito, por outro lado se eu fosse estatístico mandaria neguinho para de roubar na hierarquia.  Isso é o que neguinho faz na prática, passa a batata quente pro outro e vamos continuando.
 Mais uma vez temos um sistema que na teoria é bom e na prática é ridículo.  E o dinheiro que todo mês eu sou descontado compulsoriamente some em algum ralo público.  Me obrigam a pensar que se eu não fizer um plano de previdência privada eu posso me tornar mais um daqueles que foram vitimados pelo ilustre Risco-Brasil.  Deve ser monótona a vida na Suécia, por isso que eles se suicidam tanto.

terça-feira, julho 13, 2004

FIM

Duas pessoas, começo de noite, no som ao fundo toca Tim Maia.

- Do jeito que tá, não dá. Está muito difícil.
- Sei o que você quer dizer. Acho que precisamos conversar. Ainda gosto muito de você.
- Conversar?! Mais do que conversamos! Definitivamente não acho que o nosso problema seja falta de conversa. Também gosto muito de você mas nosso problema é mais sério, é compatibilidade. Você ainda não entendeu que somos incompatíveis?
- Esse negócio de incompatibilidade não convence. Nós sempre nos demos tão bem. Só nos últimos tempos que a coisa tem ficado meio estranha. Você tem agido diferente...
- Eu, estou agindo diferente! Você é que é completamente outra em relação a aquela que conheci. Naquela época você era mais doce, mais suave e tinha vida no olhar.
- Ainda tenho vida no olhar.
- Você não tem mais aquela alegria. Tudo o que fazemos soa monótono, é meio mais ou menos, é sempre aquele papo de assistirmos um filminho, cineminha, 3 chopps depois do filme, chegada em casa meia noite e pouco. De vez em quando rola uma festa de alguém mas mesmo assim antes das 2 a gente já tá na cama. Sempre condenei a vida como uma rotina, ainda mais esta rotina.
- Mas nós viajamos...
- Nós viajávamos. Há quanto tempo a gente não sai de casa sempre com aquela coisa de economizar pra isso, juntar pra aquilo outro.
- Nós estamos juntando pra realizar nossos planos, você concordou com isso.
- Concordei mas agora discordo. Ficamos só no longo prazo e esquecemos o curto prazo, o hoje, o amanhã de manhã.
- Vamos resolver isso. Deita aqui do meu lado.
- Mas como vamos resolver isto (deitando ao lado).
- Deita aqui e vamos nos preocupar com o hoje à noite.

sexta-feira, julho 09, 2004

ORKUT

- Orkut.
- Que diabos é isso?
- Uma comunidade na internet.
- E o que seria isto?
- Sei lá, um monte de gente se cadastrando, escreve um profile, coloca uma foto e fica tentando incorporar amigos a sua lista. Tem paralelamente um esquema de comunidades sobre temas bem exóticos tipo uma comunidade que fala sobre o Mussum, outra sobre Heleninha Roitman, futebol, ex-colegas de colégio e por aí vai.
- E por que isso é legal?
- Não sei.
- Então por que você faz parte?
- Meu irmão me mandou um convite, acabei preenchendo o cadastro e já estava inscrito. Depois começou aquele lance meio moda e todo mundo se inscreveu. No mais, quando você sai a noite, no almoço no trabalho e mais um monte de lugar o pessoal só fala sobre o orkut, quem encontrou e coisa e tal e não esqueci .
- Entendi que você encontra gente mas pra que diabos serve este lance?
- Vou ser sincero que não acho que serve pra nada mas acaba sendo meio divertido.
- Mas, e aí.
- E aí que eu sou um cara que assistiu No Limite, assistiu Big Brother, vê jogo da Seleção com os amigos, já teve assinatura de Super Interessante, come sanduíche promocional de curta temporada no McDonald’s e adota mais um monte de modismos. Mais um, menos um, não vai fazer diferença. Sou manipulado pela mídia e por modismos. Pelo menos eu não me tornei membro da Amway porque aí meus amigos teriam desaparecido e ...
- Porra, cara. Por que você entrou nesse lance do Orkut.
- Tá, vou assumir. Entrei porque tá na moda e é de graça, não tenho a mínima idéia de pra que serve.
- Ah, agora entendi.

quarta-feira, julho 07, 2004

ENCANTADORA DE BALEIAS

Em algum recanto perdido da Nova Zelândia, uma tribo de nativos. O conflito de gerações, o conflito entre ficar ou sair, o conflito entre os velhos e os novos valores e as diversas relações humanas. Achei interessante o filme, a atuação da protagonista é muito boa, a história também segue um caminho interessante.

No gran finale, a idéia de que pode se globalizar sem perder a identidade. Podemos ser todos uma grande nação na qual cada um tem o direito a sua individualidade, a globalização não deve ser um sinônimo de pasteurização de valores e perda da identidade mas a perspectiva de um convívio pacífico entre as diversas individualidades.

Talvez seja minha paranóia mas não consigo deixar de observar nos diversos filmes recentes a idéia da paz entre os diferentes, seja no Albergue Espanhol, seja no Adeus Lênin. Será que a utopia sairá um dia dos filmes? Que a resposta venha num canto de baleia.

terça-feira, julho 06, 2004

ATIREI UMA PEDRA NA SUA JANELA

Show da Ana Carolina, um programa incontestavelmente bom. Já assisti show em que ela estava com perna quebrada e nem isso prejudicou sua presença de palco, já teve show em festival com gente pra cacete e um frio de rachar e ela mandou ver, com ela não tem tempo ruim. Não esperava menos e ela não me decepcionou. O show dela foi muito bem dirigido, hits pro pessoal cantar junto, elementos visuais, direção musical que sabe a hora de jogar pra galera e a hora de arriscar e inovar e por aí foi. A música que recentemente me chamou atenção foi “É Mágoa”, com suas pedras atiradas em janelas e sentimentos dos mais diversos.

Acho interessante o público eclético de casais teens, trintões, quarentões, cinquentões, gays, lésbicas e simpatizantes e mais um monte de tribos. Diferente de Joana, todos gostam de Ana Carolina.

Gosto de Ana Carolina pela sua voz rouca que flerta com MPB, samba e rock e pelas suas letras que conseguem ser sentimentais sem serem cafonas. Será que ela me entende? Será que ela estava cantando pra mim? É impossível não sair apaixonado por aquele mulherão de rosto lindo, várias idéias na cabeça e muita postura e personalidade. Te dei meus olhos pra tomares conta, agora conta como hei de partir.

segunda-feira, julho 05, 2004

GREECE RULES – EUROCOPA 2004 - III

Vou admitir que meu time predileto na Eurocopa 2004 era a República Tcheca, pelos mais variados motivos tais como o futebol com uma perspectiva ofensiva, coisa rara no futebol europeu, estilo contagiante e espírito de luta da equipe, e ainda por cima pelo fato de se tratar de um país subdesenvolvido que assim como o Brasil tentar emergir economicamente, por se tratar de um país bonito com beleza geográfica e feminina e ainda por cima tem Praga como capital. Praga, ha, Praga.

Lamentavelmente, a invicta República Tcheca caiu perante a germânica Grécia (aliás, nunca vi tanto técnico alemão, verdadeiro contraponto ao futebolzinho meia boca que a Alemanha apresentou). A Grécia com seu futebol muita-defesa-e-gols-no-susto-lá-na-frente, futebol eficiente apesar de pouco bonito derrubou meu time favorito e foi pra final.

Na final, torci pra Grécia, país igualmente subdesenvolvido e com belas praias (que não conheci mas já vi em foto). Será que ela derrubaria novamente o marrento anfitrião luso num estádio lotado e desta vez numa final de Eurocopa. E não é que a Grécia, no seu estilo Santo André, derrubou Portugal em uma cobrança de córner. Timinho que bota sangue na ponta de chuteira e luta como timão. Definitivamente, Grécia rules!

sexta-feira, julho 02, 2004

DON’T WASTE YOUR TIME ON ME

Havia prometido a mim mesmo que evitaria ficar falando baboseiras piegas sobre músicas ou poesias, este post trata-se de uma exceção.

A primeira vez que ouvi "Miss You" do Blink 182 eu gostei, conhecia pouco a banda e só algumas músicas. Fiquei viciado na música. As guitarras sombrias da introdução, o ritmo cadenciado da bateria e o instrumental quebrado pela voz projetada.

Em relação a letra, gosto do fato dela sair soltando frases de efeito e utilizando expressões que em si dizem muito mas que não fazem sentido claro quando analisadas no conjunto. Acho a música romântica de uma forma própria mas também se pode achá-la meio triste, tudo depende da perspectiva e da parte da música que se acaba enfocando. Gosto da idéia de que toda alegria romântica encerra em si mesmo momentos de tristeza.

Felicidade x Tristeza. Entre outras inúmeras sensações dispostas, cada um escolhe a sua. Eu fico com o “Don’t waste your time on me”.

"I Miss You"

Hello there, the angel from my nightmare
The shadow in the background of the morgue
The unsuspecting victim of darkness in the valley
We can live like Jack and Sally if we want
Where you can always find me
We'll have Halloween on Christmas
And in the night we'll wish this never ends
We'll wish this never ends

Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)

Where are you and I'm so sorry
I cannot sleep I cannot dream tonight
I need somebody and always
This sick strange darkness
Comes creeping on so haunting every time
And as I stared I counted
Webs from all the spiders
Catching things and eating their insides
Like indecision to call you
and hear your voice of treason
Will you come home and stop this pain tonight
Stop this pain tonight

Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (miss you miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (miss you miss you)

Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you miss you)


quinta-feira, julho 01, 2004

ATÉ A BARBIE ENVELHECE

Cada vez que a encontro tenho a sensação de que estou encontrando uma barbie decadente. O corpinho continua justo, mantido a custa de muito suor e acessórios, mas não basta só ter o corpo são. Seus cabelos demonstram que os anos de tratamentos capilares e pinturas teriam como ônus os atuais cabelos empalhados com um amarelo estranho, seus olhos contêm rugas e ar de que anos se passaram e suas mãos deixam claro que a juventude é parte do passado. Sua postura ereta de bailarina aposentada se opõe aos pés tortos que demonstram uma falta de postura não condizente com um suposto passado no ballet. Que agonia aqueles pés tortos.

O pior é que a idade não a tornou uma pessoa interessante. Tenho pra mim que a maturidade é uma forma de compensar o declínio físico, faz com que as pessoas se tornem mais interessantes, espontâneas e naturais, em resumo, atrantes de uma forma própria. No caso dela, isso não ocorreu.

A barbie não pode ser barbie pra sempre, poucas coisas são eternas, e, definitivamente, este não é o caso dos humanos que desde o momento em que somos gerados tomamos o caminho inevitável do envelhecimento. Envelhecer é difícil - manter a jovialidade e a alegria da adolescência, a predisposição e a pretensão da juventude e a maturidade e a sanidade da meia-idade. Não deixar o peso da idade abalar princípios e ideais, evitar se tornar cético ou depressivo, aceitar que o fato de estar vivo deve ser celebrado todo dia.

É, acho que não gostaria de uma mulher que fosse uma barbie. Definitivamente, eu não sou o Bob.

quarta-feira, junho 30, 2004

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLAS

Nesta minha fase de volta aos filmes, assisti também esse Moça com Brinco de Pérolas. Gostei do filme, conseguiu fugir dos estereótipos que perseguem os filmes de época e paralelamente o filme é bastante sensível. Achei interessantes os personagens fortes e profundos e a fotografia marcada por constantes sombras. Em certos momentos, o filme é tenso. Dá pra sentir a tensão no ar na difícil relação entre os personagens.

Não conseguia imaginar como seria a vida de um pintor naquela época medieval e o filme deu uma luz. Devia ser bem complicado o lance de no meio do trabalho acabar a tinta vermelha e ter que ir até a lojinha mais próxima pegar a matéria prima, fazer a tinta, pra só depois poder voltar ao trabalho. Passei a valorizar bem mais o trabalho dos caras, mesmo naquelas pinturas sombrias que eu nem gosto tanto dá pra perceber que teve que dar um sangue pra ficar pronto.

É lírico, é bonitinho, é legalzinho e mais um monte de “inhos”. Bom pra assistir num dia que esteja rolando uma chuvinha, um friozinho e outro monte de “inhos”.

terça-feira, junho 29, 2004

SAFADO

Ouvi um grito ao fundo, uma voz de mulher gritou: -“Safado”. Uma voz de homem retrucou: -“E tu é uma filha da puta.” Olhei pra trás meio que com o canto do olho e vi algum movimento antes de ouvir o primeiro estampido seco. Meu único reflexo foi me adiantar um passo para protegê-la de qualquer eventualidade. Infelizmente, a eventualidade aconteceu, e comigo.

Senti a pontada na altura do estômago e não me lembro de mais nada do que estava acontecendo ao redor, se houve corre-corre, se pegaram o cara que deu os tiros, se mais alguém foi acertado. Todo o cenário em volta apagou, eu era o único protagonista daquela história e precisava, sentado recostado na parede, pensar numa solução em que eu ficasse vivo.

Sempre havia pensado se algum dia na vida eu seria capaz de morrer por alguém ou por alguma causa. Sempre concluía que eu seria capaz de morrer por ela, por um familiar próximo e por um suposto filho, dentre as causas eu só morreria pelo socialismo e mesmo assim com ressalvas. No entanto, naquele momento eu agi instintivamente, precisava protegê-la pois ela era mais frágil, talvez até mais frágil do que eu estirado na calçada. Não, não houve a nobreza de cinema americano ou o beijo da mocinha em seu herói combalido. Não, não foi surreal como o Raul fez parecer em Metrô Linha 743, também não houve lirismo ou espaço pra grandes elucubrações. Minha vida passou diante dos meus olhos e só, parti, fui, fim, finito, the end, já era. Me tornei uma saudade para aqueles que me conheciam e uma estatística a ser citada para aqueles que lutam pelo desarmamento. E só.

segunda-feira, junho 28, 2004

CAZUZA

Lá fui eu ver o filme “Cazuza – O tempo não pára” sem grandes expectativas a não ser a de ouvir umas musiquinhas do Cazuza, ver se a pretensão dos diretores de retratar os anos 80 e talvez até mesmo apreciar um pouco da vida daquele cara que tinha tudo pra ser incorporado a história da MPB mas deixou só uma amostra do seu talento.

Fui surpreendido. O filme é bom. A história é bem contada em se tratando de adaptação de um livro, as atuações são muito boas, principalmente do ator que interpreta o Cazuza que dribla as diferenças físicas e de voz com uma impostação corporal e atuação técnica. O melhor de tudo foi ver um filme nacional que almeja o sucesso popular e é bem dirigido, é tanto Xuxa, Sandy, Avassaladoras que são ruins de dar dó que quando um filme consegue fazer aquele pop de qualidade, que muitos tentam e poucos conseguem, já dá uma sensação de bom cinema. No mais, o filme consegue ser sensível sem ser piegas e como se trata de uma pessoa que viveu a pouco tempo atrás, também conseguiu fugir da fofoca de cabeleireiro. Como crítica, ficaram alguns personagens com estereótipos estranhos ao redor do protagonista.

Doideira esses anos 80! Sai do filme cheirando a bagulho, a chopp no Baixo Leblon derrubado na barra da calça e cantando. Cantando Cazuza, lógico.


terça-feira, junho 22, 2004

ADIOS A BRIZUELA

Já tinha pensado em fazer um post sobre ele quando passei andando em frente à casa dele outro dia. No entanto, dentro daquela idéia de que qualquer obra exige 1% de inspiração e 99% de transpiração, acabei não escrevendo nada sobre aquela figura que pouco conheci e que ultimamente demonstrava estar meio gagá e perdendo um pouco da senilidade.

Na boa, o cara nasceu em Carazinho (ou em algum outro lugar perdido no meio do Rio Grande do Sul) e foi governador do Rio Grande do Sul, governador do Rio de Janeiro e quando se candidatou a presidente em 1989 por muito pouco não foi ao segundo turno. Definitivamente, este cara não é bobo. Admirava o cara, suas idéias, suas parcerias, sua personalidade, sua capacidade de retórica e o fato dele ter alguma ideologia. Ele foi um personagem da política na época em que ainda se faziam personagens que tinham um credo, mesmo que errado, e um discurso que não necessariamente se rendia a falta de tempero do politicamente correto e das estatísticas.

Gostava da parceria de longa data que ele fez com o Darcy Ribeiro – intelectual político do tipo que já não existe mais. Admirava quando ele falava mal da Globo e do monopólio que ela exerce sobre a comunicação, e além de tudo o cara ainda morava em Copacabana, só faltava ele torcer pro Botafogo.

Apreciava a teoria do que ele pregava. Em relação a inconsistência entre a teoria e a prática, ele se mostrava um tanto quanto humano e comum dentre os políticos brasileiros sendo mais um daqueles que ajudaram a enterrar um pouco mais o estado do Rio de Janeiro.

As novas gerações só vão conhecer o significado toxicológico da expressão Brizola, a minha geração foi a última a ter algum contato com a figura que tanto despertou ódio e paixão de uma forma muito peculiar. Pra mim, a característica que eu mais gostava era sua teoria social populista, o que mais me incomodava era a falta de aplicação da teoria na prática. Perde-se um discurso que pouco foi aplicado na prática. Página virada, olha-se pela janela.

segunda-feira, junho 21, 2004

POLITICAMENTE CORRETO

Ultimamente tenho me sentido meio politicamente correto. Não esculhambo causas em teoria justas, não critico pessoas patéticas que fazem cara de boazinhas na TV, não me expresso sem ponderação, só faço críticas politicamente corretas. Estou perdendo a minha capacidade de falar mal daquilo que deve ser criticado. Não estou mais tão amargo como eu gosto de ser.

Por que?! Por que?! Por que?!

Acho que talvez seja um contraponto. Minha vida sob certa ótica está meio amarga, os dias demoram a passar e não faço o que gostaria de fazer e acabo tendo que me segurar em coisas doces. Sweet and Sour. . Passo mais tempo fazendo alguma coisa de que não gosto do que fazendo coisas que gosto ou que possam me agregar algo e quando posso fazer aquilo que gostaria de fazer, estou cansado ou sem paciência e acabo indo fazer alguma coisa meio nada a ver. O tempo conspira contra mim.

Como se não bastasse, estou me sentindo financeiramente incomodado. Minha grana se esvai e quando vejo já acabou, no mês passado fiquei no zero reais por dois dias e o cenário não é de melhora a curto prazo. Logicamente não fiz nada muito demais além do trivial cotidiano. Podem pensar: – Existe gente em situação bem pior! – Mesmo assim, o fato de haver pessoas mais fudidas do que eu não funciona como um consolo.

Fico me segurando nas coisas boas para ter um motivo para sair da cama de manhã, não há espaço para pessimismo, tenho que sonhar e brincar de planejar finais felizes. Tenho que procurar coisas doces naquilo que é cotidiano. Tenho que fugir da minha realidade cotidiana e aspirar profundamente, imaginando que atrás da cortina há um sol que ilumina um final feliz.

quinta-feira, junho 17, 2004

EUROCOPA II – POR QUEM TORCER

Digamos que quando não é o Botafogo ou a seleção brasileira que estão jogando eu tenho dificuldades para escolher um time por qual torcer. Convenhamos que torcer é essencial, não tem a menor graça torcer tão somente por um belo espetáculo e não fazer a menor fézinha que seja em um dos times. Em geral,, eu sigo a seguinte ordem:

- times cariocas excluindo o Vasco (ex: Fluminense x Vasco, torço pelo Fluminense),
- times cariocas incluindo o Vasco,
- times não-paulistas (Ex: Criciúma x Palmeiras, torço pelo Palmeiras),
- times não-paulistanos,
- times brasileiros,
- times latinos americanos excluindo os argentinos,
- times latinos americanos incluindo os argentinos,

Passou desta lista a coisa fica meio complicada. A Eurocopa é um bom exemplo da minha dificuldade em escolher um time pelo qual torcer.

Não sei porque mas acabo sempre escolhendo o país mais fudido entre os dois. No jogo entre Croácia e Suíça torci pela Croácia, no jogo entre Grécia e Espanha, torci pela Grécia apesar da Espanha ter feito um golaço. Se fosse um jogo entre Espanha e Alemanha, eu com certeza torceria pela Espanha.

No jogo entre França e Inglaterra, torci pela França. Ainda não engoli o fato do Blair ter apoiado a guerra do Iraque a aquele Beckham é muito marrento pra bola que joga. Ops! Estava falando de torcer pelo mais fudido e já estou falando de discurso político.

Que coisa mais maluca, comecei este post querendo falar sobre torcer no futebol e cheguei na Guerra do Iraque. Isto tá ficando meio papo de maluco, vou pensar no assunto assistindo um Inglaterra x Suíça. Logicamente torcendo pela neutra Suíça.

quarta-feira, junho 16, 2004

PASÁRGADA

Acho que o poema Pasárgada foi escrito quando o Manuel Bandeira estava desiludido com as mulheres do lugar onde ele morava. De qualquer jeito, também acho que cabem outras inúmeras interpretações ao poema, o difícil mesmo é não apreciar sua leveza, seu toque romântico, seu charme loser e ficar imaginando que deve haver um lugar esperando a gente onde fica nossa paz, nossa alegria, nosso paraíso pessoal, enfim, nossa própria pasárgada.

Lá vai o poema pra matar um pouco a saudade:


"VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de burro Brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei Banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar Histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem de tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide a vontade
Tem prostitutas bonitas
Pra gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas Triste de não ter jeito
Quando a noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou me embora pra Pasárgada."

Manuel Bandeira


terça-feira, junho 15, 2004

OUTRO DIA

Outro dia desses eu estava viajando e na pousada que eu fiquei quando estava todo grogue de sono indo tomar café da manhã fui saudado por dois filhotinhos de cachorro. Eles eram cinza e tinha umas manchinhas pretas e eram bem simpáticos e faziam aquele esquema de filhote de ficar pulando querendo lhe sujar e depois fica um pulando no outro meio que mordendo e granhindo.

Perguntei pro cara da pousada onde estavam os pais, ao que fui informado de que eles não eram de lá. Pensei seriamente em colocar os cachorros no porta-malas do carro e deixá-los na casa de um amigo meu que quer pagar uma fortuna por um pastor branco suíço. Ia chamá-los de Selvagem e Canibal como uma homenagem ao estilo rústico canino deles e as cores que pareciam camuflagem de invasão noturna.

Se eram vira-latas ou cães de uma super-raça eu não sei. Sei que a jovialidade de dois filhotes pulando pelos cantos foi uma coisa legal e acho que envelhecer significar não se permitir mais ficar pulando feliz pelos cantos e ficar mordendo a nuca de seu irmão gêmeo despretensiosamente. Definitivamente sinto a falta do Selvagem e do Canibal quando estou no trabalho.

segunda-feira, junho 14, 2004

EUROCOPA

Como o Botafogo não anda nada bem e como me amarro em futebol estou me rendendo a Eurocopa desde a semana passada. Na boa, pra ficar melhor só faltava colocarem o Brasil e a Argentina pra termos uma Copa do Mundo fora de época (se temos carnaval fora de época, porque não poderíamos ter uma Copa do Mundo?!).

Eventos como a Eurocopa são a chance de se ver um grande número de craques por metro quadrado, apesar de as seleções não serem atualmente mais os melhores times do mundo. Apesar da aparente inconsistência em se apontar que haverá inúmeros craques mas não os melhores times, eu acho que faz sentido. O futebol atingiu um nível em que o entrosamento e a tática se tornaram essenciais, até maiores do que a habilidade individual em certos casos e as seleções com os jogadores mais habilidosos de uma região não tem tempo suficiente para treinar e conseguir um entrosamento igual ao de grandes times.

O entrosamento é o que permite ao time defender melhor, tocar a bola de forma não óbvia, ter contra-ataques fulminantes e ter jogadores que de posse da bola sabem pelo cheiro onde seu colega de equipe vai estar. No entanto, certos atletas equiparados a artistas que têm visão de jogo, porte e que sabem dar o drible e o chute certos ainda fazem muito pelo futebol. E é por causa deles que eu gosto de futebol.

Hoje tem Dinamarca e Itália. Oba!!

terça-feira, junho 08, 2004

NUMA SEGUNDA-FEIRA

Hoje a manhã foi uma ilustre segunda-feira fresca de outono. Sol, céu sem nuvens e mais azul do que nunca. O Pão de Açúcar como um pedregulho imponente que nasce do mar. Apesar de ser uma segunda-feira, o dia maravilhoso fazia as pessoas parecerem mais felizes, um daqueles dias em que a gente se sente orgulhoso por ser carioca. A janela do ônibus parecia uma daquelas propagandas turísticas, só que sem mulatas, sem samba, sem carnaval, sem cobras e onças, só a simplicidade da beleza do Rio de Janeiro, e convenhamos que não há nada mais carioca do que um ônibus.

No rádio, Detonautas, REM e U2 em algumas de suas músicas mais inspiradas faziam uma trilha sonora para um visual inspirador.

E ainda tem gente que acha que devo ir para o trabalho de metrô porque é mais rápido e seguro com aquele bando de gente com cara de mal humorada e com aquela voz gritando qual é a próxima estação. Aquela viagem estranha num buraco escuro e depressivo.

Tem certos dias em que fico feliz de morar no Rio de Janeiro e ser carioca. Segunda-feira foi um deles, espero que hajam mais dias assim.

sexta-feira, junho 04, 2004

LAPSOS DE COMUNICAÇÃO

Acho que uma questão que me desafia cotidianamente é a necessidade de me expressar melhor para que fique claro o que estou tentando dizer sem haver uma interpretação equivocada, paralelamente, tento também ampliar a minha capacidade de compreender o que outras pessoas dizem, incluindo as mais diversas entrelinhas. Enfim, tento ampliar a capacidade dos outros me entenderem e de entender os outros.

Nos mais diversos momentos observamos lapsos de comunicação, seja no trabalho, entre amigos, em família, numa relação amorosa. E as pessoas vão se comunicando e gerando um “ruído de comunicação” que ocasionalmente chega a situações radicais como:

(Cena – casal na cama, ele acende um cigarro, ela puxa o lençol sutilmente)
- Achei você bastante experiente para quem está transando pela primeira vez?!
- A primeira vez sempre é meio estranha.
- Como assim estranho. Você já teve outras primeiras vezes?!
- Claro, já tive várias primeiras vezes.
- Mas como assim, você já havia transado antes na sua vida?!
- Não estou lhe entendendo. O que você acha que eu fiz para ter dois filhos com o meu ex-marido.
- Porra, mas você me falou que era virgem.
- Mas sou mesmo, nasci no dia 27 de agosto. Meu signo é virgem.
- Sei lá o que diabos você fez, mas existe alguma outra coisa que você esconde de mim?!
- Sabe aquela discussão que nós tivemos dois meses atrás. Quando eu fiz menção a Touro, eu não estava me referindo ao seu signo.

terça-feira, junho 01, 2004

BOTAFOGO X VASCO

Após um longo tempo sem ir ao Maracanã e torcer pelo Botafogo, no último domingo me aventurei na esperança de que o Botafogo com seu time peculiar despacharia o Vasco e conseguiria sua primeira vitória no Brasileiro. Curiosamente, eu não era o único que tinha essa esperança, a torcida do Botafogo era maior e cantava animadamente sem parar. A vitória tiraria o time da lanterna e seria o passo inicial para o projeto de Tókio 2006. Esperança é o segundo nome de qualquer torcedor botafoguense.

Meus sonhos não se realizaram, o time parecia um bando em campo. Não conseguia defender, não conseguia atacar, não conseguia tocar a bola, aquele monte de gente perdida no meio-campo sem saber o que fazer. Aquilo foi me dando uma agonia. Vasco 1, Vasco 2, Vasco 3 e por fim, Vasco 4 e Botafogo nada. No primeiro gol veio aquela sensação de tensão junto com a esperança da virada, no quarto gol houve um sentimento de desilusão juntamente com uma certa resignação, o Botafogo do jeito que está não tem condições de permanecer na primeira divisão do campeonato brasileiro. Lamentável.

Adoro ir ao Maracanã, os sons, a imagem, a torcida são coisas muito legais, mas o que é realmente indescritível é a sensação de sair feliz do estádio quando seu time ganha. No entanto, depois do jogo de ontem, acho que vou ficar um tempo sem ir, parece muito distante a idéia de felicidade associada ao Botafogo e para sofrer, prefiro sofrer em casa. Sofrimento sem grandes pretensões.

segunda-feira, maio 31, 2004

FETRANSPOR

Bem, após alguns posts em que eu não estava muito lá pra crítico de coisa alguma, hoje, matinalmente, fui obrigado a assistir na televisão algumas coisas que dão a entender que ou eu sou um imbecil, ou me acham um imbecil, manipulável, que fica babando defronte uma televisão e que aceita todas as mentiras e meias-verdades.

Todos sabem que existem lobbys ou grupos de interesse que atuam nas mais diversas áreas, desde a econômica até a social e que tem interesse em aumentar seu poder, sendo que uma forma de aumentar o poder é através da representação política nos mais diversos níveis, quais sejam, federal, regional/estadual e municipal. No âmbito federal a coisa é complexa e existe uma enormidade de grupos com interesses diretos e indiretos, no âmbito regional e municipal já existe um grupo mais seleto cujos interesses são diretamente ligados aos governos estaduais e municipais, no caso do Rio de Janeiro, a Fetranspor – Federação das Empresas de Transporte do Rio de Janeiro, elege governos, manda e desmanda nas suas áreas de interesse e por aí vai.

Outro dia no Bom Dia Rio, me chamaram de imbecil, o superintendente da Fetranspor falando uns absurdos tais como que no transporte de ônibus intermunicipal cerca de 37% dos usuários são gratuidades, números que para qualquer leigo soam um tanto quanto inverossímeis, além de outros argumentos esquisitos, e repetindo que as gratuidades não são remuneradas as empresas o que é outra ladainha pois são pagas nas mais diversas formas como incluídas na planilha de cálculo da tarifa e dedução de impostos. De outro lado estava o secretário estadual de transporte com um papo populista de que é preciso dialogar, que o governo quer o bem de todos, e blá, blá, blá.

Antes disto, nos idos de 1988, o problema foi criado quando nossos ilustres constituintes que em diversos momentos jogaram para a galera flertando com o populismo inseriram na Constituição Federal a gratuidade para estudantes e idosos, outro absurdo porque não distingue entre pobres que realmente precisam da gratuidade e idosos de classe média alta que não precisam de gratuidade alguma.

Conclusão, o problema foi criado por uma presepada de 1988, uma falta de política séria no assunto, o poder violento de certas associações e vai acabar no moleque que mora lá em Deus-me-livre e que quando quiser ir para a escola na segunda-feira vai ser barrado na porta do ônibus. Quem está certo ou errado eu não sei, só sei que o dito moleque vai ficar sem ir pra aula. Sacanagem.

quinta-feira, maio 27, 2004

SOLIDÃO

Nós nascemos sós, morremos sós, durante o sono estamos sozinhos mesmo que dormindo acompanhados. Na maior parte do tempo durante o dia estamos igualmente sozinhos, trabalhamos sozinhos com momentos de interação com outras pessoas, vamos para o trabalho sozinhos com ocasionais interações.

Nossos pensamentos são só nossos, para externalizá-los temos uma dificuldade enorme e na maioria das vezes ele não sai exatamente como pensamos. Certas pessoas que conseguem externalizar na forma escrita, musical, plástica, entre outras são chamados de artista, e o que distingue um artista de um bom artista e de um artista genial é a capacidade e a forma de expressão de alguma coisa. A forma de externar algo não necessariamente é a realidade.

Nós somos seres individuais que ainda por cima temos dificuldade de expor o que nós queremos dizer, apesar disto vivemos cercados de 5 bilhões de seres parecidos conosco em nossa nave mãe. Seres individualistas num ambiente coletivo.

A sensação estranha é quando nos sentimos sozinhos apesar de estarmos cercados de pessoas, procuramos referências, tentamos achar algo para fazer ou ler, a sensação de solidão cosmopolita que acontece nos mais diversos momentos. Tá aí, nasci sozinho, vou morrer sozinho, me divirto escrevendo este blog sozinho. One is the loneliest number...

quarta-feira, maio 26, 2004

O TELEFONE NÃO TOCA

Acho que todo mundo já esteve numa situação de ficar encarando um telefone aguardando alguma forma de manifestação dele. Seja esperando o telefone tocar ou aguardando uma tremida ou um daqueles toques ridículos do celular. Seja esperando uma proposta de emprego ou aquela pessoa dos sonhos que ficou de ligar.

A coisa complica mais em situações nas quais não é possível simplesmente ligar para a pessoa, ou seja, não pegaria bem ficar ligando para a responsável de Recursos Humanos, assim como não dá pra ligar pra pessoa amada depois que deixou um recado feliz na secretária eletrônica.

Nas diversas relações o celular, que deveria ajudar nossa vida, se mostra como um senhor problema. Com o identificador de chamadas mesmo que ligue, toque e a pessoa não atenda, ela já sabe que você ligou. Tem alguns celulares que mesmo desligados mostram quem ligou. Aquela coisa de ficar ligando, ligando, ligando até a pessoa atender e depois mandar um “te liguei agora por um acaso” não funciona mais. Se deixar recado, então a coisa complica geral, deixar recado significa só ter uma bala na agulha que precisa se transformar num tiro certeiro. Pode não haver um segundo tiro.

Em contraponto ao silêncio do telefone, temos o chamado de outra pessoa, temos o telefonema de uma pessoa inconveniente que deixa o telefone ocupado, temos a irmã que não tem hora melhor para se pendurar numa ligação e até mesmo a internet com sua conexão discada, ou seja, o telefone toca ou está ocupado e não é pelo motivo que nós queremos. Argh!

A vida se torna um esperar, uma vida no silêncio aguardando o som, - tocou. Com licença, mas tenho que esperar tocar mais 3 vezes e atender despretensiosamente. Ela ligou.

terça-feira, maio 25, 2004

INFORMÁTICA X MULHERES

Tenho um problema sério em entender as mulheres, assim como eu não consigo entender a informática.

Na informática acabei de ter um problema num trabalho, de repente a rede ou algo do gênero foi por água a abaixo e o programa fechou, travou tudo e rodei. As informações que inseri foram parar num dos espaços virtuais do mundo telemático e talvez em breve reapareçam pra mim.

Em relação as mulheres, tenho o mesmo problema. Faço coisas que vira e mexe não funcionam, digo coisas erradas que elas aceitam bem, faço coisas certas que elas vêem de forma repreensiva, pulo num pé só, dou estrelas e cambalhotas, uso nariz de palhaço e tudo mais. Minha relação com as mulheres sempre foi baseada num sobe e desce e nunca consegui um nível razoável de estabilidade num relacionamento. Parece que os momentos de paz eram tão somente uma prévia de um momento de crise e os momentos de crise eram o relacionamento propriamente dito.

Minha relação com a informática é igualmente tensa, eu não a entendo, eu não sei onde errei, eu não sei se me expresso direito, não sei onde ela quer chegar. Definitivamente, agora entendo porque informática está no feminino, acho que computador, software, programas, hardware também deveriam estar.

Aquela tela azul do Control+Alt+Del é a sensação que eu tenho quando a mulher diz “acho que nós temos um problema”. Na informática eu nunca usei o manual, no caso das mulheres eu, definitivamente, perdi o manual e está complicado de me guiar instintivamente, ainda mais no meio dessa neblina.

segunda-feira, maio 24, 2004

FLORIPA

Estive em Florianópolis nesse final de semana, já tinha ido a Santa Catarina mas nunca a sua afamada capital insular com 42 praias.

Sempre que vou ao Sul eu tenho uma sensação de estar num lugar provinciano que possui um alto nível de qualidade de vida e educação. Provinciano com aquele esquema de aeroporto que parece rodoviária, pessoas trajadas num esquema interioranas ou excessivamente pretensiosas, aquela adoração de ícones norte-americanos como a Estátua da Liberdade e um falar jeca observado no sotaque e uso do português que ressaltam a vida da província.

Por outro lado, há uma qualidade de vida sultanesca se comparada a média brasileira. Ruas limpas, ônibus idem, custo de vida mediano, expansão imobiliária que permite qualidade de moradia por preços razoáveis e assim por diante. Um estado que tem um interior forte e que cresce na agricultura e na indústria, carregando junto a área de serviços.

Tenho minhas ressalvas, gosto da vida cosmopolita, gosto da idéia de ser anônimo e poder caminhar sem rumo sem ser rotulado de maluco. Gosto de saber que estou no coração da vida cultural e intelectual do meu país, no qual existem redutos de coisas diferentes que podem ser feitas. O ônus é a paranóia gerada pela violência, o caos urbano e altos custos de vida.

Não sei qual vai ser o meu destino, sei que vai ser difícil escolher. De qualquer jeito, isso ainda é problema para um futuro distante. Até lá, vou curtindo a Lama ao Caos Carioca.

quarta-feira, maio 19, 2004

NA COVA DOS LEÕES

Tem gente que acha que “Daniel na Cova dos Leões” do Legião Urbana é uma música gay. Mesmo sendo gay, eu sempre gostei da letra. Sempre achei que o Renato Russo era um mestre em falar sobre um amor em relação a uma terceira pessoa, fosse homem ou mulher, e de uma forma que as mais diversas idades e preferências sexuais conseguem sentir o amor que ele quis expressar. Eu tenho uma forma minha de reler esta música.

A primeira parte, que fala do gosto amargo e que este depois se tornou doce, pra mim tem uma força indescritível. O gosto amargo do sexo depois de um tempo se torna uma doce lembrança, os problemas que induziram um fim são esquecidos e ficam somente as doces lembranças dos momentos felizes, os stresses, a falta de dinheiro, a sogra, as inseguranças são esquecidas e ficam somente as lembranças doces.

Tem aquela parte em que ele fala do cheiro. Não existe nada como sentir o cheiro da pessoa amada no seu corpo, na sua roupa, no seu travesseiro no dia seguinte. Um cheiro forte e lento.
Duas estrofes que me chamam a atenção mas que não chegam necessariamente a me tocar são: “Mas tão certo quanto o erro de ser barco a motor; e insistir em usar os remos”, e “E o salva-vidas não está lá porque não vemos”, a primeira é interessante pela idéia dos remos ao invés do motor e a segunda por aquela idéia filosófica de que algo que não é visto por ninguém não necessariamente existe.

Eu queria fazer um post mais sobre sentimentos do que descrevendo uma música. Não consegui. Outro dia eu tento novamente, mesmo que a corrente não tenha direção.

Abaixo segue a letra para referência:

“Daniel na Cova dos Leões

Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo então o salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco

Faço nosso o teu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção
Mas tão certo quanto o erro de ser barco a motor
E insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos


terça-feira, maio 18, 2004

ALUGAR OU COMPRAR

Tenho um amigo que outro dia soltou a seguinte metáfora sobre a relação atual dele com as mulheres: “Pô, eu estou querendo comprar um apartamento mas no mercado só estão querendo alugar”. O “comprar” seria ter uma relação séria com alguma perspectiva e o “aluguel” seria um caso, um affair, uma ficada, um tchaca tchaca na butchaca, uma relação Sex in the City e demais sinônimos.

Diferente do que pode ser imaginado, esse meu amigo é gente boa e boa pinta e tem como único defeito ser meio duro o que não chega a ser um problema desde que ele arranje uma mulher dura. Algumas amigas minhas consideram o cara um doce, provavelmente porque ele é muito dócil. Enfim, um cara dócil, pintoso e que não é gay. Algo raro no mercado.

Quebra-se um paradigma, a mulher quebra o tabu da necessidade de relacionamento estável e passa a atuar no “mercado” como um homem. Aí deu merda! Para se ter uma relação séria não basta achar uma mulher, tem que achar uma que ainda esteja disposta a vender, ao invés de uma que só queira alugar.

Meu lado cético diz que é impossível uma relação estável, longa e duradoura com uma mulher, a relação monogâmica seria comparada a um submarino – que apesar de boiar é feito para afundar. Meu lado romântico e idílico, por outro lado, acha que é possível encontrar senão uma alma gêmea, pelo menos uma pessoa interessante e companheira com a qual se possa compartilhar um projeto de vida e ser feliz até que a morte nos separe, seria possível o amor vencer.

Mais uma vez não chego a uma conclusão, mas parece que o meu lado cético está mostrando as caras mais nitidamente. Enquanto não dá pra comprar, sigo alugando pela vida.

O BICHO TÁ PEGANDO

O couro está comendo. Lá vai um homem-bomba na Palestina, mísseis são disparados de helicópteros israelenses, exército dando as caras no Rio pra fazer alguma coisa que nem ele sabe explicar, polícia aperta o tráfico de drogas e a bandidagem desce pro asfalto pra tentar ganhar os seus 200 reais de cada dia, no Iraque os salvadores da pátria foram pegos com um monte de prisioneiros pelados, se no Iraque está assim imagina o que não rola em Guantanamo com os prisioneiros para os quais due process é um sonho distante de ser julgado por um júri revanchista norte-americano.

O nosso ilustre Lula perdido e ainda procurando o timão pra conseguir dar um rumo ao país. Nosso congresso tão corrupto e palhaço que seria cômico se não fosse trágico. Rosinha e seus comparsas felizes aprontando mil e uma no Rio e mais uma vez deixando a população na mão nas mais diversas áreas. César Maia com a perspectiva de sua re-eleição graças ao Pan 2007 fica fazendo suas peripécias e mandando um bando de moleque vestido na cor laranja (mini-garis?!) pra escola que tem um computador em cada sala de aula mas não tem professor bem remunerado e muito menos biblioteca pública decente pro povão poder freqüentar, às vezes acho que nossas escolas querem formar navegadores de internet ao invés de alunos.

Tudo isso rolando lá fora e eu aqui sentado, fazendo meu trabalho, escrevendo post sobre homens x mulheres, mulheres x homens, e meu pensamento vai se perdendo nas abobrinhas. A futilidade é relaxante.

sexta-feira, maio 14, 2004

OSAMA

Não, este não é mais um dos posts sobre o Osama Bin Laden - com certeza meu blog agora vai fazer parte dos blogs monitorados pela CIA uma vez que está numa língua estranha – todas as línguas são estranhas para os americanos – e fez menção a Osama Bin Laden, o terrorista mais querido da Interpol, sendo que querido relacionado ao verbo querer e não como pronome de tratamento ou adjetivo. Pelo menos o número de acessos do blog deve aumentar...

Bem, o Osama do título se refere ao filme afegão que mostra a situação de uma menina que para obter alguma graninha pra família tem que se disfarçar de menino, e tudo isso em meio a um Afeganistão invariavelmente detonado e ainda por cima com os talibãs no poder.

Achei o filme bonito apesar do drama tenso. Foi feito um comentário, com o qual concordo, no sentido de que o filme refletia tudo aquilo que nós ouvíamos falar e ao ver tudo e ainda com imagens dá uma noção mais crua da dramática realidade em que vivia o povo naquele, para nós, distante confim da Ásia.

Gostei do filme, seu tom quase de documentário e acima de tudo um filme humano. Humano nas mais diversas acepções da palavra.

quarta-feira, maio 12, 2004

MAS EU ME MORDO DE CURIOSIDADE

Anteriormente, eu falei que não era ciumento. Bem, eu não sou ciumento assim, mas tenho uma pontinha de ciúmes que bate nos mais diversos momentos. Acho que o meu problema mesmo é a curiosidade.

Que agonia! Sou curioso até dizer chega, é só alguém estar fazendo alguma coisa meio em segredo ou algo sobre o qual eu não consiga descobrir do que se trata que fico obsessivamente curioso até conseguir descobrir do que se trata.

Quando junta a pontinha de ciúmes com a elefantesca curiosidade, cria-se praticamente uma bomba, uma bomba que fica presa ao meu corpo de palestino do Hamas e prestes a ser detonada quando eu chegue no posto de controle da fronteira.

Será que isso é perceptível externamente? Será que vou conseguir dormir? Quais são os sintomas? Quais são os efeitos à longo prazo? Será que vou sobreviver? Estou com medo de ouvir um kaboom....

ALGUÉM TEM QUE CEDER

Não, não vou falar sobre o filme, até porque eu não assisti. Achei o título muito bom, a idéia de em uma relação alguém ter que ceder é muito bem sacada. A relação, a principio, deve ser amorosa tendo em vista que numa relação hierárquica, o que ocupa posto mais alto pode vir a impor algo, se alguém tem que ceder é o cara mais embaixo na escala, se todos tiverem um mesmo nível, vai rolar voto e haverá a possibilidade da maioria decidir algo e a minoria ter que aceitar.

Na relação amorosa não tem essa, são duas pessoas em pé de igualdade e na qual não existe uma possibilidade de voto de Minerva. Figuras dicotômicas como um homem e uma mulher passam a ter que chegar a um acordo para a coisa toda não desandar e terminar, o que é mais fácil e conveniente do que tentar chegar a algum acordo.

Numa relação entre iguais, a solução para posições divergentes é alguém ceder. O primeiro momento em que alguém tem que ceder e já no dia seguinte a primeira ficada em que alguém tem que pegar o telefone e ligar para o outro, o que vai rolar depois não se sabe mas alguém já teve que ceder.

O problema surge nas situações em que cada um acha que tem a razão o que é a base da discórdia. Depois da queda de braço, gritaria, exercício de retórica, cara de mau, alguém acaba cedendo. Acho que todo mundo um dia já cedeu e compareceu ao aniversário do cunhado mala, da amiga de infância da consorte com cara de puta velha que enche o saco, do pessoal da faculdade almofadinha, daquela festa de criança caída, casamento pentelho e isso só pra falar de situações mais tranqüilas. Definitivamente, alguém tem que ceder.

terça-feira, maio 11, 2004

DIÁRIO DE MOTOCICLETA

Fui completamente no escuro, sem ler qualquer crítica, assistir o Diário de Motocicleta, o filme que conta a história de uma viagem do personagem Ernesto Guevara pela América Latina antes que ele fosse o Che Guevara. O novo filme da grife Walter Salles, digo grife, não numa conotação negativa, mas relacionada ao padrão de qualidade dos filmes do Walter Salles e sua produtora.

Achei a fotografia do filme muito inspiradora, o roteiro também é muito bacana com piadinhas pops e sensibilidade cada qual em seu momento, as diversas atuações são boas. A direção ajudou o filme no sentido de torná-lo um efetivo road movie, um estilo de filme que é mais difícil de fazer do que parece.

Em relação ao Ernesto Guevara, achei o personagem muito legal. No filme ele é humano, imaturo, diferente do mito que até os dias de hoje é representado em bandeiras e camisetas e associado diretamente a idéia de liberdade, luta e socialismo. Tem-se a sensação de que na mistura de sentimentos da viagem o pós-adolescente de torna um homem, um homem que vive diversas experiências e que tem sede de conhecer mais e ao mesmo tempo um carisma natural, enfim, o filme fala sobre amadurecimento e vida.

Como contraponto a vida, existem as dificuldades, a maior das quais no meu ponto de vista é a asma. Realmente, não imagino como era o tratamento da asma em 1950 e imagino que durante uma viagem por partes rústicas da América Latina ter asma realmente não era um grande negócio. Apesar das dificuldades, Ernesto sacudia a poeira e dava a volta por cima, em alguns momentos, literalmente.

O filme fala sobre amadurecimento, dificuldade, solidariedade, conhecimento, curiosidade, latinidade, satisfação, busca, enfim, fala sobre vida. Muitos filmes falam sobre isso, mas em Diário de Motocicleta isso é feito de uma forma diferente, e excepcional. Filme que dá vontade de viver.

sexta-feira, maio 07, 2004

MULHERES X HOMENS - REVELAÇÕES

Dentre as mulheres que eu namorei, teve uma situação irônica. Ela era meio perdida na vida, não sabia ao certo onde estava e para onde iria e muito menos onde gostaria de chegar. Ela estava perdida procurando um caminho. Na época, eu estava meio perdido também, não sabia qual seria o meu destino e meus planos se restringiam ao curto prazo, plantando muito mas não colhendo nada. O fato de ela estar perdida me atraiu nela, assim como a idéia de que poderíamos encontrar um caminho juntos. Um dia nós terminamos, ela argumentou que não me admirava porque eu não tinha objetivos na vida, era muito perdido.

Hoje em dia, eu trabalho fazendo o bem, ganho mais do que ela, trabalho menos que ela e tenho um chefe mais maneiro do que o dela. Tenho planos de curto, médio e longo prazo e meus objetivos têm sido alcançados.

Não, isso não é revanche. Isso é um desabafo. Aquela pentelha me levou valiosos meses de vida. Duvido que ela devolva.

quinta-feira, maio 06, 2004

MULHERES X HOMENS

Clichê número 37 da página 12 do manual masculino – “Eu não entendo as mulheres”.

Quando converso com uma mulher começo a descobrir um pouco do mundo bizarro em que elas se escondem nas mais variadas madeixas. Elas não sabem o que querem, pior, quando parece que sabem é porque aí não sabem mesmo. Ficam naquela coisa de “você escolhe o lugar, mas eu tenho poder de veto”. Só o poder de veto! Tem certeza que você não deseja mais alguma coisa.

Acho que o problema das mulheres são os hormônios. É tanto hormônio tentando se equilibrar que logicamente a coisa tende a desandar. Qualquer desequilíbrio é uma choradeira daqui, um tapa na cara de lá, um segure-se quem puder.

Se a mulher fosse menos “hormônica”, talvez fosse mais previsível. O romance ficaria mais fácil, haveria mais crianças no mundo e menos viado. Tenho a teoria de que muitos se tornam gays não porque não gostem de mulher, mas porque se cansaram de tentar entendê-las e acabam optando por seres do próprio sexo mais compreensíveis e razoáveis, ironicamente o homossexualismo feminino é mais raro e é um arranca rabo só.

Comecei falando sobre mulheres e acabei falando sobre viado. Vamos ver se consigo melhorar no próximo post.

quarta-feira, maio 05, 2004

HOMENS X MULHERES

- Meio óbvio esse papo de homens x mulheres, não?
- Também acho. Título meio babaca esse.
- Se o assunto é lugar comum por que não conseguimos dominá-lo na prática?
- Porque talvez não seja tão óbvio.
- Será que o óbvio afasta a surpresa sendo que um dos grandes lances é a sensação de conquista e de ser surpreendido?
- Pode ser, quem sabe, eu não sei.
- Então esse papo não é tão óbvio assim.
- Homens x mulheres, isso não é nada óbvio. Mulher não entende homem, homem não entende mulher, é a maior zona. E olha que isso já é assunto debatido há não sei quantos séculos. As mais diversas comédias dellarte já possuíam esse tema, toneladas de música, metros de película que se espalham pela televisão e nos cinemas. Se interpretarmos atentamente aquelas pinturas pré-históricas nas paredes vai dar pra achar alguma coisa da relação homem x mulher.
- Se você tá falando isso tudo, porque quando eu perguntei você disse que era óbvio e meio babaca.
- Pô, sei lá. Mas que soa óbvio esse lance de homens x mulheres, soa.


terça-feira, maio 04, 2004

500

Maneiro, 500 acessos houve por estas paragens. Fico feliz em saber que existem pessoas que de vez em quando dão uma passada, dão uma lidinha. Algumas pessoas que eu conheço, pessoas que nunca vi e nem elas me viram na vida, uns discordam mas não tem paciência de fazer comment, outros discordam e tem paciência de fazer comment. E a gente vai indo e chega a 500 acessos, pra algumas pessoas isso seria quase nada, pra mim é muito. Ironicamente, eu não escrevo para os outros, escrevo para mim, mas fico feliz em saber que as pessoas passam por aqui.

500 como um número, os números dizem muito pouco por si, dizendo muito mais para aqueles que o geram. 500 orgasmos pode soar como quase nada. 500 cigarros pode soar como muito. 500 livros lidos pode soar como muita cultura. 500 coca-colas pode soar como um grande arroto. Os números tentam enumerar as sensações, as relações, as diversas realidades mas não conseguem. A realidade é mais complexa e pode-se tentar narrá-la mas não contá-la.

Fico por aqui, feliz em saber que na nova fase do blog uma rapaziada passou por aqui.

Abro o champagne, rolha voando, espuma saindo, taças servidas e um brinde. Um brinde a todos nós. Saúde e obrigado por nos incluir em seu caminho.