FOGÃO!!!
Minha relação com meu time do coração continua tumultuada. Depois do heroísmo do campeonato carioca depois do longo jejum, após a fase amor total com a vitória no brasileiro em 1995, depois da relação de sofrimento com os dois anos de risco de rebaixamento, da fase de humilhação com o rebaixamento para a 2a. divisão, da fase de superação com o vice da segundonam, estou numa fase estranha, tão estranha que não sei como denominá-la.
Durante o Carioca 2005 comprei meu ingresso por 1 Real e fui lá ver o Botafogo pagando mico perante a sua torcida com uma derrota ridícula para o Americano. Fiquei desiludido e fiquei sem ir a jogos ao longo do Carioca. Quando o brasileiro começou, eu estava de férias, viajando, sem internet, sem televisão e quando voltei fui surpreendido com a notícia de que o Botafogo está beliscando a liderança, alguns dias depois lá estava o alvinegro no topo da tabela. A camisa que estava embolorada no armário voltou a ser usada com orgulho.
Em meio a toda essa alegria veio a minha maldição pessoal. Quando eu assisto um jogo do Botafogo, ele perde. No Botafogo x Juventude, fiquei ouvindo o jogo no pay per view com todos os inconvenientes de quem não é assinante (ficam umas manchas na tela e vira e mexe o canal desaparece mas é menos angustiante do que o rádio). Quando o Juventude fez 2 x 0 eu desisti e mudei o canal, posteriormente houve a virada heróica do time e vitória em 3 x 2. A história se repetiu no jogo contra o São Paulo e contra o Fluminense que eu também assisti pela televisão. Jogos mais difíceis para o Botafogo ele ganhava e perdia os jogos fáceis que eu assistia.
Vivo o dilema de querer assistir os jogos do meu time mas sei que existe o risco de prejudicá-lo. Tal qual num Feitiço de Áquila, a coexistência entre eu assistindo o jogo e a vitória de meu time é impossível. Estou pensando em ir num pai-de-santo, num médium ou em alguma entidade que possa retirar essa urucubaca de mim e eu possa voltar a gritar pela janela os gols do Botafogo e curtir os momentos de glória em campo do meu time.
Dois caras sentados num banco de praça ficavam olhando as pessoas passando. Ficaram ali horas, analisando, criticando e discutindo sobre a vida. Lá pelas tantas um deles diz: Nós estamos aqui nos sentindo os críticos do mundo! O outro acreditou que ele realmente seria o crítico do mundo e criou esse blog. Bem-vindo!
sábado, agosto 06, 2005
sexta-feira, julho 29, 2005
MARQUISE
Nunca usava guarda-chuva, eu gostava da sensação de molhar o cabelo na chuva, do vento úmido batendo no rosto e nos dias chuvosos bastava um casaco de chuva e um sapato velho e eu estava tranqüilo. Como parte de um instinto, além de fugir das poças, eu me esgueirava entre as marquises para me molhar um pouco menos. A única coisa que me incomodava eram as pessoas com seus guarda-chuvas cheios das mais variadas pontas e que ficavam andando por baixo da marquise para não se molhar. Ora, se já estão com guarda-chuvas não precisavam andar embaixo da marquise para se molhar.
Um tempo se passou, várias luas depois eu sou parte da massa trabalhadora e mais uma parte da engrenagem / sistema. Como tal, não posso andar esculhambado como gostaria e se eu me molhar da forma como eu me molhava antes iria rapidamente ser vitimado por uma pneumonia por conta dos malditos ar condicionados dos ambientes de trabalho. Acabei sendo obrigado a aderir aos guarda-chuvas, instrumentos que quando não perdidos, esquecidos em casa ou deteriorados, servem para nos proteger da chuva.
Comprei um guarda-chuva relativamente caro daqueles portáteis que se dobram todo e cabem na pasta, botão para abrir, tem material isso, garantia daquilo e vamos lá. Na primeira chuva, descobri que o aspecto tamanho é proporcional a proteção da chuva, ou seja, quanto menor o guarda chuva menos ele protege da água que cai do céu. O meu telhado portátil sub-compacto protege a minha cabeça e uma parte dos ombros e olhe lá quando a chuva está forte.
Outro dia, em meio a uma gelada e chata chuva de inverno, eu vi um ser da mesma espécie que eu era andando todo molhado pela marquise. Acabei me solidarizando, um dia já fui ele. Dei um passo para o lado e fiquei na fronteira entre a marquise e a chuva cedendo terreno para o rapaz que estava todo molhado e parecia contente. Fiquei feliz em saber que ainda existem jovens que saem de rosto aberto na chuva e que gostam de se molhar. Espero que eles nunca deixem de existir.
Nunca usava guarda-chuva, eu gostava da sensação de molhar o cabelo na chuva, do vento úmido batendo no rosto e nos dias chuvosos bastava um casaco de chuva e um sapato velho e eu estava tranqüilo. Como parte de um instinto, além de fugir das poças, eu me esgueirava entre as marquises para me molhar um pouco menos. A única coisa que me incomodava eram as pessoas com seus guarda-chuvas cheios das mais variadas pontas e que ficavam andando por baixo da marquise para não se molhar. Ora, se já estão com guarda-chuvas não precisavam andar embaixo da marquise para se molhar.
Um tempo se passou, várias luas depois eu sou parte da massa trabalhadora e mais uma parte da engrenagem / sistema. Como tal, não posso andar esculhambado como gostaria e se eu me molhar da forma como eu me molhava antes iria rapidamente ser vitimado por uma pneumonia por conta dos malditos ar condicionados dos ambientes de trabalho. Acabei sendo obrigado a aderir aos guarda-chuvas, instrumentos que quando não perdidos, esquecidos em casa ou deteriorados, servem para nos proteger da chuva.
Comprei um guarda-chuva relativamente caro daqueles portáteis que se dobram todo e cabem na pasta, botão para abrir, tem material isso, garantia daquilo e vamos lá. Na primeira chuva, descobri que o aspecto tamanho é proporcional a proteção da chuva, ou seja, quanto menor o guarda chuva menos ele protege da água que cai do céu. O meu telhado portátil sub-compacto protege a minha cabeça e uma parte dos ombros e olhe lá quando a chuva está forte.
Outro dia, em meio a uma gelada e chata chuva de inverno, eu vi um ser da mesma espécie que eu era andando todo molhado pela marquise. Acabei me solidarizando, um dia já fui ele. Dei um passo para o lado e fiquei na fronteira entre a marquise e a chuva cedendo terreno para o rapaz que estava todo molhado e parecia contente. Fiquei feliz em saber que ainda existem jovens que saem de rosto aberto na chuva e que gostam de se molhar. Espero que eles nunca deixem de existir.
sábado, julho 16, 2005
CICATRIZES DE GUERRA
É um fato que a guerra trás inúmeras baixas para os lados participantes. Seja a guerra uma guerra militar, aberta, civil, santa, fria ou terrorista. Numa guerra morrem pessoas, gasta-se dinheiro e, o pior de tudo, perde-se a paz.
Uma das maiores cicatrizes que eu acho que ficam são os sobreviventes que perderam pessoas queridas na guerra. Quando um irmão está nos cemitérios da 2a. Guerra na Normandia, ou quando seu pai teve um funeral na Faixa de Gaza, quando seu tio está em valas comuns onde foram enterrados armênios massacrados por turcos ou quando sua mãe foi morta num supermercado iraquiano bombardeado equivocadamente, isso gera cicatrizes que dificilmente desaparecerão e suas marcas profundas deixam uma ferida aberta que só cicatrizará com a revanche, a vingança ou com um longo tempo.
Tais cicatrizes motivam a eterna rivalidade entre os europeus que até hoje cria dificuldade para a formação de uma comunidade européia mesmo depois de tanto tempo. Motiva um jovem palestino a atar bombas ao seu corpo e explodir num posto de segurança israelense para matar três jovens soldados que são tão instrumentos quanto aquele palestino. Imagine o tempo que vai levar para cicatrizar os horrores das guerras entre Sérvios e Croatas?
Tais cicatrizes quando aliadas a uma humilhação diária e a falta de perspectiva relacionada com a estagnação econômica cria um ambiente de nitroglicerina pura, favorável a radicais e a bandeira da vingança. Basta ver o exemplo recente do Iraque indo contra os seus “libertadores”, ou os irlandeses cujo IRA recrutou jovens empobrecidos e humilhados para explodir ingleses.
Se vingança e revanche são sentimentos nobres, eu não sei. Só sei que se um estrangeiro invadindo o meu país matasse alguém de minha família, eu iria matá-lo na próxima esquina. Se não tivesse uma arma, iria ser com uma faca, uma pedra, uma garrafa. Poderiam me chamar de guerrilheiro, terrorista ou o que quer que seja. A família dele também ficaria com uma cicatriz.
É um fato que a guerra trás inúmeras baixas para os lados participantes. Seja a guerra uma guerra militar, aberta, civil, santa, fria ou terrorista. Numa guerra morrem pessoas, gasta-se dinheiro e, o pior de tudo, perde-se a paz.
Uma das maiores cicatrizes que eu acho que ficam são os sobreviventes que perderam pessoas queridas na guerra. Quando um irmão está nos cemitérios da 2a. Guerra na Normandia, ou quando seu pai teve um funeral na Faixa de Gaza, quando seu tio está em valas comuns onde foram enterrados armênios massacrados por turcos ou quando sua mãe foi morta num supermercado iraquiano bombardeado equivocadamente, isso gera cicatrizes que dificilmente desaparecerão e suas marcas profundas deixam uma ferida aberta que só cicatrizará com a revanche, a vingança ou com um longo tempo.
Tais cicatrizes motivam a eterna rivalidade entre os europeus que até hoje cria dificuldade para a formação de uma comunidade européia mesmo depois de tanto tempo. Motiva um jovem palestino a atar bombas ao seu corpo e explodir num posto de segurança israelense para matar três jovens soldados que são tão instrumentos quanto aquele palestino. Imagine o tempo que vai levar para cicatrizar os horrores das guerras entre Sérvios e Croatas?
Tais cicatrizes quando aliadas a uma humilhação diária e a falta de perspectiva relacionada com a estagnação econômica cria um ambiente de nitroglicerina pura, favorável a radicais e a bandeira da vingança. Basta ver o exemplo recente do Iraque indo contra os seus “libertadores”, ou os irlandeses cujo IRA recrutou jovens empobrecidos e humilhados para explodir ingleses.
Se vingança e revanche são sentimentos nobres, eu não sei. Só sei que se um estrangeiro invadindo o meu país matasse alguém de minha família, eu iria matá-lo na próxima esquina. Se não tivesse uma arma, iria ser com uma faca, uma pedra, uma garrafa. Poderiam me chamar de guerrilheiro, terrorista ou o que quer que seja. A família dele também ficaria com uma cicatriz.
sábado, julho 09, 2005
ANTES DO PÔR DO SOL
Outro dia eu mencionei que assisti ao filme, Antes do Amanhecer. Gostei do filme. Logicamente, fiquei curioso para assistir o Antes do Pôr do Sol. Fiquei decepcionado.
Quando assisti o Antes do Amanhecer com um atraso de sete anos, eu o curti com um gostinho de saudosismo. No entanto, apesar de gostar de viajar eu não sou mais mochileiro, e esperava que o Antes do Pôr do Sol fosse fazer uma referência mais clara a minha fase atual. Algo do tipo um ex-mochileiro que não quer se engolido pela rotina, um ex-jovem que não se sente confortável sendo chamado de senhor, aquele período de vida em que continuamos sonhando mas os sonhos tem uma maior dose de realidade do que quando pensávamos em ser astronautas, líder de uma banda de rock ou de transar com a Claudia Schiffer.
Infelizmente, o Antes do Pôr do Sol colocou nove anos depois do Antes do Amanhecer dois personagens meio esquizofrênicos, pessoas pesadas corroídas por angústias pouco explicadas e que vivem em um saudosismo desmesurado e com o recalque de não terem sido felizes juntos. Soa como uma grande falta de perspectiva o fato de se colocar a culpa de todos os seus problemas no fato de não ter reencontrado aquela pessoa que um dia foi especial.
Enfim, perderam a chance de fazer um bom filme contando a história de duas pessoas que um dia se apaixonaram que se encontram nove anos depois. Acho melhor fingir que não assisti e continuar esperando para descobrir se os dois se encontraram ou não 6 meses depois na estação de trem de Viena.
Outro dia eu mencionei que assisti ao filme, Antes do Amanhecer. Gostei do filme. Logicamente, fiquei curioso para assistir o Antes do Pôr do Sol. Fiquei decepcionado.
Quando assisti o Antes do Amanhecer com um atraso de sete anos, eu o curti com um gostinho de saudosismo. No entanto, apesar de gostar de viajar eu não sou mais mochileiro, e esperava que o Antes do Pôr do Sol fosse fazer uma referência mais clara a minha fase atual. Algo do tipo um ex-mochileiro que não quer se engolido pela rotina, um ex-jovem que não se sente confortável sendo chamado de senhor, aquele período de vida em que continuamos sonhando mas os sonhos tem uma maior dose de realidade do que quando pensávamos em ser astronautas, líder de uma banda de rock ou de transar com a Claudia Schiffer.
Infelizmente, o Antes do Pôr do Sol colocou nove anos depois do Antes do Amanhecer dois personagens meio esquizofrênicos, pessoas pesadas corroídas por angústias pouco explicadas e que vivem em um saudosismo desmesurado e com o recalque de não terem sido felizes juntos. Soa como uma grande falta de perspectiva o fato de se colocar a culpa de todos os seus problemas no fato de não ter reencontrado aquela pessoa que um dia foi especial.
Enfim, perderam a chance de fazer um bom filme contando a história de duas pessoas que um dia se apaixonaram que se encontram nove anos depois. Acho melhor fingir que não assisti e continuar esperando para descobrir se os dois se encontraram ou não 6 meses depois na estação de trem de Viena.
sábado, junho 18, 2005
REALPOLITIK
Falam-se em modelos e muitas vezes esquecemos a realidade. A política admite a criação de modelos, busca-se o modelo republicano perfeito, o modelo federativo ideal, idéias de representatividade, participação popular, de sentimento democrático. Desta forma, convivem no mundo o modelo cantonês suíço, o modelo federativo norte-americano, o modelo de poder central francês, e por aí vai. O que existe em comum é a idéia de que esses modelos trazem o melhor para aqueles que vivem no país.
Lamentavelmente, a realidade é muito cruel com modelos. Em se tratando de economia no Brasil nós temos diversas histórias para contar de modelos teóricos lindos e perfeitos que naufragaram por conta da realidade. A realidade é cruel, fria, crua e não perdoa equívocos. No que se refere a política ela também não perdoa os modelos quando estes chegam a prática.
No Brasil adotamos um lindo modelo na Constituição de 1988, criava representatividade a estados minúsculos no âmbito federal, dava poder aos municípios, amadurecia certos órgãos de fiscalização e dava força a um legislativo que viveu durante décadas de enfeite para um governo ditatorial. O modelo da Constituição de 1988 se mostrou adequado a um país que aguardava ansiosamente uma chance de voltar a democracia.
Na prática, a realidade é desvirtuante. Os estados pequenos utilizam sua representatividade de formas questionáveis fazendo alianças prostitutas, os órgãos de fiscalização são absorvidos pela corrupção, o legislativo se apresenta como uma quadrilha nos mais variados níveis que oferece o seu apoio a quem quiser a preços muito altos.
Atualmente, através da denúncia de um ilustre deputado, chegou ao conhecimento do público que se paga uma mesada para que certos políticos ditos aliados mantenham o seu apoio ao governo. Pra mim isso não é novidade, é uma péssima notícia mas não me deixa surpreso. Novidade seria saber que um deputado vive mensalmente com R$8.000,00 líquidos por mês, seria descobrir que as campanhas custam o que realmente é arrecadado, que não há corrupção ou tráfico de influência, que o mundo real não é completamente desvirtuado do modelo republicano e federativo que achávamos que tínhamos adotado.
Um dia Herbert Vianna cantou “Luis Inácio falou, Luís Inácio avisou, são 500 picaretas”. Lamentavelmente este mesmo Luis Inácio foi absorvido pela realidade, vamos ter que alterar a música ou parar de cantá-la. De qualquer jeito, espero que haja uma nova música.
Falam-se em modelos e muitas vezes esquecemos a realidade. A política admite a criação de modelos, busca-se o modelo republicano perfeito, o modelo federativo ideal, idéias de representatividade, participação popular, de sentimento democrático. Desta forma, convivem no mundo o modelo cantonês suíço, o modelo federativo norte-americano, o modelo de poder central francês, e por aí vai. O que existe em comum é a idéia de que esses modelos trazem o melhor para aqueles que vivem no país.
Lamentavelmente, a realidade é muito cruel com modelos. Em se tratando de economia no Brasil nós temos diversas histórias para contar de modelos teóricos lindos e perfeitos que naufragaram por conta da realidade. A realidade é cruel, fria, crua e não perdoa equívocos. No que se refere a política ela também não perdoa os modelos quando estes chegam a prática.
No Brasil adotamos um lindo modelo na Constituição de 1988, criava representatividade a estados minúsculos no âmbito federal, dava poder aos municípios, amadurecia certos órgãos de fiscalização e dava força a um legislativo que viveu durante décadas de enfeite para um governo ditatorial. O modelo da Constituição de 1988 se mostrou adequado a um país que aguardava ansiosamente uma chance de voltar a democracia.
Na prática, a realidade é desvirtuante. Os estados pequenos utilizam sua representatividade de formas questionáveis fazendo alianças prostitutas, os órgãos de fiscalização são absorvidos pela corrupção, o legislativo se apresenta como uma quadrilha nos mais variados níveis que oferece o seu apoio a quem quiser a preços muito altos.
Atualmente, através da denúncia de um ilustre deputado, chegou ao conhecimento do público que se paga uma mesada para que certos políticos ditos aliados mantenham o seu apoio ao governo. Pra mim isso não é novidade, é uma péssima notícia mas não me deixa surpreso. Novidade seria saber que um deputado vive mensalmente com R$8.000,00 líquidos por mês, seria descobrir que as campanhas custam o que realmente é arrecadado, que não há corrupção ou tráfico de influência, que o mundo real não é completamente desvirtuado do modelo republicano e federativo que achávamos que tínhamos adotado.
Um dia Herbert Vianna cantou “Luis Inácio falou, Luís Inácio avisou, são 500 picaretas”. Lamentavelmente este mesmo Luis Inácio foi absorvido pela realidade, vamos ter que alterar a música ou parar de cantá-la. De qualquer jeito, espero que haja uma nova música.
sexta-feira, junho 17, 2005
ANTES DO AMANHECER
Após um atraso de alguns anos finalmente eu conheci o filme que motivou muitos dos mochileiros na época em que eu fui um, o Antes do Amanhecer.
Gostei dos diálogos do filme, é um raro filme verborrágico que não fica enjoativo, talvez pelo jeito jovem dos personagens, talvez pelos assuntos variados e contundentes. As interpretações são leves, Viena se mostra ainda mais charmosa do que ao vivo, a viagem de trem possui aquele habitual lirismo que não atinge aqueles que viajam cotidianamente mas que é uma experiência saborosa para o viajante.
Acho que quem já realmente viajou teve a chance de encontrar sua Celine, mas quando falo em viajar, me refiro a viajar mesmo, de corpo e alma, não aquela história de sair de férias para tirar fotos em pontos turísticos. A chance de conhecer uma Celine aparece naturalmente, uma pessoa especial com a qual sentimos um misto de afinidade e curiosidade que se transforma em uma paixão e imaginamos ser possível ser feliz para o resto da vida com ela. Lamentavelmente existem oceanos de distância, pouco dinheiro para passagens aéreas, uma faculdade por fazer e apesar das cartas ocasionais o cotidiano nos fulmina.
Um dia, deixamos de ser o viajante e passamos a ser o estagiário, que se transforma no empregado, e de repente, tudo vira uma rotina. O lado do mochileiro fica como uma doce lembrança, as fotos ficam guardadas junto com as camisas de flanela, com os CDs do Pearl Jam e do Nirvana e com o sapato de sola gasta. Aquela camiseta de Praga quando usada hoje mais do que nunca assume um cara de “lembrança” e não de uma mera camiseta.
Naquela época, as paixões eram diferentes, a sede era intensa, a busca deslumbrava. Era bom saber que existia algo além do meu umbigo no mundo. Estou curioso para assistir o Antes do Pôr do Sol e dessa vez não vou esperar 10 anos.
Após um atraso de alguns anos finalmente eu conheci o filme que motivou muitos dos mochileiros na época em que eu fui um, o Antes do Amanhecer.
Gostei dos diálogos do filme, é um raro filme verborrágico que não fica enjoativo, talvez pelo jeito jovem dos personagens, talvez pelos assuntos variados e contundentes. As interpretações são leves, Viena se mostra ainda mais charmosa do que ao vivo, a viagem de trem possui aquele habitual lirismo que não atinge aqueles que viajam cotidianamente mas que é uma experiência saborosa para o viajante.
Acho que quem já realmente viajou teve a chance de encontrar sua Celine, mas quando falo em viajar, me refiro a viajar mesmo, de corpo e alma, não aquela história de sair de férias para tirar fotos em pontos turísticos. A chance de conhecer uma Celine aparece naturalmente, uma pessoa especial com a qual sentimos um misto de afinidade e curiosidade que se transforma em uma paixão e imaginamos ser possível ser feliz para o resto da vida com ela. Lamentavelmente existem oceanos de distância, pouco dinheiro para passagens aéreas, uma faculdade por fazer e apesar das cartas ocasionais o cotidiano nos fulmina.
Um dia, deixamos de ser o viajante e passamos a ser o estagiário, que se transforma no empregado, e de repente, tudo vira uma rotina. O lado do mochileiro fica como uma doce lembrança, as fotos ficam guardadas junto com as camisas de flanela, com os CDs do Pearl Jam e do Nirvana e com o sapato de sola gasta. Aquela camiseta de Praga quando usada hoje mais do que nunca assume um cara de “lembrança” e não de uma mera camiseta.
Naquela época, as paixões eram diferentes, a sede era intensa, a busca deslumbrava. Era bom saber que existia algo além do meu umbigo no mundo. Estou curioso para assistir o Antes do Pôr do Sol e dessa vez não vou esperar 10 anos.
segunda-feira, junho 13, 2005
O ROBERTO JEFFERSON ME DEVE R$272,37
A questão é simples. O deputado Roberto Jefferson fez acusações de que outros parlamentares aliados do governo recebiam uma mesada e quem se deu mal fui eu. Fiz despesas em dólar no cartão aproveitando o câmbio favorável e hoje por conta da dita acusação a cotação do dólar subiu cerca de 5 centavos, comparado com o câmbio da véspera, totalizando um aumento de R$272,37 no valor que eu irei pagar na minha fatura.
Se o meu prejuízo foi de quase um salário mínimo, fico imaginando o que aconteceu com as empresas sérias que investem no Brasil e que aqui tem seus lucros, assim como importadores e assim por diante. Imagina a dificuldade de um diretor de empresa brasileira explicar numa reunião com acionistas gringos que um deputado petropolitano numa picuinha de congressistas influenciou na economia e diminuiu a remessa de lucros para a matriz em alguns milhões. Imagina, agora, o quanto os ditos acionistas vão pensar antes de investir um centavo que seja num país que coloca um terno para parecer sério mas continua agindo como o moleque malandro de sempre.
Estou aguardando a assessoria do deputado entrar em contato comigo para acertar como vai ser feito o meu reembolso. Espero que eles sejam competentes, assim como o é a assessoria de imprensa do ilustre que conseguiu plantar a notícia em todos os jornais e telejornais do Brasil e ganhar bravamente a mídia dita isenta, incomodando não só os parlamentares aliados como também o mercado financeiro que busca desesperadamente oportunidades como esta para iniciar um jogo especulativo.
Meu silêncio tem um preço que é de R$272,37, esse é o valor da indenização pelo que vou perder. Prometo que uma vez reembolsado, de brinde, eu não vou questionar a idoneidade do deputado, questionar a aliança do deputado com o ex-presidente Fernando Collor (ninguém vai ser lembrado que ele votou contra o impeachment no que depender de mim!) e não vou dizer que o deputado foi leviano ao fazer graves acusações sem apresentar ao menos umas provinhas do alegado (nisso eu gosto do ACM, ele sempre leva o dossiê fajuto embaixo do braço quando vai fazer suas denúncias), dentre outras coisas. Enfim, vou ter aquela memória curta que faz com que os eleitores cometam as atrocidades que cometem a cada dois anos, atrocidades dentre as quais se inclui a eleição do deputado Roberto Jefferson e outros como ele.
A questão é simples. O deputado Roberto Jefferson fez acusações de que outros parlamentares aliados do governo recebiam uma mesada e quem se deu mal fui eu. Fiz despesas em dólar no cartão aproveitando o câmbio favorável e hoje por conta da dita acusação a cotação do dólar subiu cerca de 5 centavos, comparado com o câmbio da véspera, totalizando um aumento de R$272,37 no valor que eu irei pagar na minha fatura.
Se o meu prejuízo foi de quase um salário mínimo, fico imaginando o que aconteceu com as empresas sérias que investem no Brasil e que aqui tem seus lucros, assim como importadores e assim por diante. Imagina a dificuldade de um diretor de empresa brasileira explicar numa reunião com acionistas gringos que um deputado petropolitano numa picuinha de congressistas influenciou na economia e diminuiu a remessa de lucros para a matriz em alguns milhões. Imagina, agora, o quanto os ditos acionistas vão pensar antes de investir um centavo que seja num país que coloca um terno para parecer sério mas continua agindo como o moleque malandro de sempre.
Estou aguardando a assessoria do deputado entrar em contato comigo para acertar como vai ser feito o meu reembolso. Espero que eles sejam competentes, assim como o é a assessoria de imprensa do ilustre que conseguiu plantar a notícia em todos os jornais e telejornais do Brasil e ganhar bravamente a mídia dita isenta, incomodando não só os parlamentares aliados como também o mercado financeiro que busca desesperadamente oportunidades como esta para iniciar um jogo especulativo.
Meu silêncio tem um preço que é de R$272,37, esse é o valor da indenização pelo que vou perder. Prometo que uma vez reembolsado, de brinde, eu não vou questionar a idoneidade do deputado, questionar a aliança do deputado com o ex-presidente Fernando Collor (ninguém vai ser lembrado que ele votou contra o impeachment no que depender de mim!) e não vou dizer que o deputado foi leviano ao fazer graves acusações sem apresentar ao menos umas provinhas do alegado (nisso eu gosto do ACM, ele sempre leva o dossiê fajuto embaixo do braço quando vai fazer suas denúncias), dentre outras coisas. Enfim, vou ter aquela memória curta que faz com que os eleitores cometam as atrocidades que cometem a cada dois anos, atrocidades dentre as quais se inclui a eleição do deputado Roberto Jefferson e outros como ele.
sábado, janeiro 08, 2005
TSUMANI É AQUI
Não vou falar sobre a desgraça causada pelas ondas gigantes que atingiram países pobres e ganharam espaço na mídia mundial por conta dos inúmeros milhares de mortos e pelo fato de ter atingido balneários freqüentados por endinheirados europeus e americanos que fugiam do inverno de seus lares. Isto está na televisão e não tenho muito a agregar.
O que tem me chamado atenção é a pressão da mídia em relação a ajuda humanitária do Brasil. Vai-se ao batalhão da polícia militar do Leblon, área nobre do Rio de Janeiro, e vê-se uma quantidade enorme de mantimentos para serem enviados para o Sri Lanka para ajudar as vítimas dos tsunamis do outro lado do mundo.
Andando pela cidade do Rio de Janeiro e pelos mais variados cantos do Brasil às vezes eu tenho a impressão de que o Brasil foi afetado por inúmeras tsunamis e ainda há a tentativa do povo de reconstruir modestamente aquilo que foi destruído. Quando vejo o Complexo do Alemão cheio de casebres modestíssimos cercando um conjuntinho de meia dúzia de casas populares contruídas pelo governo, ou quando vejo a favela da Maré cercando um pobre centro poliesportivo, casebres pendurados em morros na iminência de queda, enormes populações suburbanas em ruas de barro, ou ainda as favelas de Salvador e Recife, tenho a impressão de que nós fomos atingidos por ondas gigantes em certas áreas de nossas metrópoles tamanha a miséria.
Quando se vê o número de mortos anualmente pela marginalidade então se vê que nossa tsumani vai crescendo ano após ano. Muitos pobres se tornam baixas diárias e ocasionalmente um estrangeiro de país rico é vitimado. Assim como na Ásia, tal estrangeiro ganha mais páginas de jornal do que mil pobres juntos. Faz parte.
Concluindo, eu não quero que se deixe de ajudar as incontáveis vítimas do leste asiático que vivem o drama de terem perdido amigos, familiares, casa e bens por conta da tragédia da natureza. Eu só gostaria, que os brasileiros, tão solidários com os povos asiáticos, abrissem os olhos para aqueles que estão passando necessidade aqui do lado, aqueles que falam a mesma língua, tem a mesma nacionalidade e que precisam de um remédio, de um tijolo, de comida, de uma vida mais digna e que atualmente não são ajudados por ninguém. Se é para ser solidário, por que não ser solidário por completo e deixar os modismos e a influência da mídia de lado por uma boa causa. Os beneficiados agradecem.
Não vou falar sobre a desgraça causada pelas ondas gigantes que atingiram países pobres e ganharam espaço na mídia mundial por conta dos inúmeros milhares de mortos e pelo fato de ter atingido balneários freqüentados por endinheirados europeus e americanos que fugiam do inverno de seus lares. Isto está na televisão e não tenho muito a agregar.
O que tem me chamado atenção é a pressão da mídia em relação a ajuda humanitária do Brasil. Vai-se ao batalhão da polícia militar do Leblon, área nobre do Rio de Janeiro, e vê-se uma quantidade enorme de mantimentos para serem enviados para o Sri Lanka para ajudar as vítimas dos tsunamis do outro lado do mundo.
Andando pela cidade do Rio de Janeiro e pelos mais variados cantos do Brasil às vezes eu tenho a impressão de que o Brasil foi afetado por inúmeras tsunamis e ainda há a tentativa do povo de reconstruir modestamente aquilo que foi destruído. Quando vejo o Complexo do Alemão cheio de casebres modestíssimos cercando um conjuntinho de meia dúzia de casas populares contruídas pelo governo, ou quando vejo a favela da Maré cercando um pobre centro poliesportivo, casebres pendurados em morros na iminência de queda, enormes populações suburbanas em ruas de barro, ou ainda as favelas de Salvador e Recife, tenho a impressão de que nós fomos atingidos por ondas gigantes em certas áreas de nossas metrópoles tamanha a miséria.
Quando se vê o número de mortos anualmente pela marginalidade então se vê que nossa tsumani vai crescendo ano após ano. Muitos pobres se tornam baixas diárias e ocasionalmente um estrangeiro de país rico é vitimado. Assim como na Ásia, tal estrangeiro ganha mais páginas de jornal do que mil pobres juntos. Faz parte.
Concluindo, eu não quero que se deixe de ajudar as incontáveis vítimas do leste asiático que vivem o drama de terem perdido amigos, familiares, casa e bens por conta da tragédia da natureza. Eu só gostaria, que os brasileiros, tão solidários com os povos asiáticos, abrissem os olhos para aqueles que estão passando necessidade aqui do lado, aqueles que falam a mesma língua, tem a mesma nacionalidade e que precisam de um remédio, de um tijolo, de comida, de uma vida mais digna e que atualmente não são ajudados por ninguém. Se é para ser solidário, por que não ser solidário por completo e deixar os modismos e a influência da mídia de lado por uma boa causa. Os beneficiados agradecem.
terça-feira, janeiro 04, 2005
MEU TIO MATOU UM CARA
Lá estava eu em Porto Alegre, meio sem nada para fazer pois já tinha visitado as feias atrações turísticas, já tinha comido churrasco bom, passeado no parcão e estava de volta ao hotel, fazendo hora para pegar o vôo. Estava folheando o Zero Hora, jornal que se chamado de bairrista é pouco, e vi que tinha um cinema no aeroporto. Achei maneiro e decidi ir pro aeroporto logo e fazer meu check-in e assistir um filme até a hora do vôo de volta.
Escolhi o "Meu tio matou um cara", filme brasileiro do qual nunca tinha ouvido falar nada. O filme não me decepcionou, simplesinho, bonitinho, bem amarradinho, engraçadinho, interpretado na medida certa, o famoso pop de qualidade. Peguei o vôo bem mais feliz depois.
Pensei que talvez o segredo por trás de Porto Alegre não esteja no seu visual, isso não tem muito a ser feito tendo em vista que a cidade não foi tão abençoada assim por Deus e não passa de uma cidade de 1 milhão e 300 mil habitantes meio feiosa, mas o segredo deve estar nas pessoas, pessoas pensantes que estão fazendo cultura, cultivando intelectualidade, germinando crescimento, discutindo política e semeando desenvolvimento. Estas pessoas inclusive fazem filmes, filmes gostosos como o "Meu tio matou um cara".
Lá estava eu em Porto Alegre, meio sem nada para fazer pois já tinha visitado as feias atrações turísticas, já tinha comido churrasco bom, passeado no parcão e estava de volta ao hotel, fazendo hora para pegar o vôo. Estava folheando o Zero Hora, jornal que se chamado de bairrista é pouco, e vi que tinha um cinema no aeroporto. Achei maneiro e decidi ir pro aeroporto logo e fazer meu check-in e assistir um filme até a hora do vôo de volta.
Escolhi o "Meu tio matou um cara", filme brasileiro do qual nunca tinha ouvido falar nada. O filme não me decepcionou, simplesinho, bonitinho, bem amarradinho, engraçadinho, interpretado na medida certa, o famoso pop de qualidade. Peguei o vôo bem mais feliz depois.
Pensei que talvez o segredo por trás de Porto Alegre não esteja no seu visual, isso não tem muito a ser feito tendo em vista que a cidade não foi tão abençoada assim por Deus e não passa de uma cidade de 1 milhão e 300 mil habitantes meio feiosa, mas o segredo deve estar nas pessoas, pessoas pensantes que estão fazendo cultura, cultivando intelectualidade, germinando crescimento, discutindo política e semeando desenvolvimento. Estas pessoas inclusive fazem filmes, filmes gostosos como o "Meu tio matou um cara".