sexta-feira, janeiro 30, 2004

NOTAS MUSICAIS

· Acho que rock tem que ter pegada, tem que ser porrada e letra contagiante. Odeio solos virtuosos de 15 minutos (Aerosmith me cansa por causa disso!). Sou fã confesso do rock anos 90.

· Estou me amarrando geral em Charlie Brown Jr, o som dos caras tem pegada, tem letra, os caras tem aquela postura skatista que fica falando linguagem jovem. Maneiro. Só acho ruim esse esquema over que a mídia está fazendo com os caras agora.

· Coldplay tem aquela introspecção e uma qualidade animais. Adoro ouvir de manhã indo pro trabalho.

· Apesar de falar que eram mais famosos do que todo mundo, o que soou meio cafona (pretensão no rock faz parte mas excesso de pretensão eu acho cafona), o Oasis faz um som que eu me amarro. Rock de qualidade com seus devidos clássicos.

· Sinto falta de novos talentos verdadeiros nacionais, a mídia está fazendo aquela coisa de “goste de qualquer forma dos caras porque eles não vão te deixar em paz”. Essa tal de Pitty, Detonautas e assim vai. Os caras às vezes tem algumas coisas interessantes mas ainda tem que amadurecer o som e esse esquema de projeção excessiva acaba com os caras, todo mundo se enjoa do som e o rock fica parecendo dance music.

· Dentre os novos tem os ilustres Los Hermanos, gosto de algumas músicas deles mas tenho que admitir que ouvir um disco inteiro é meio enfadonho.

· Às vezes sinto falta do The Verve com um disco como aquele que tem Bitter Sweet Simphony.

· Pato Fu e Ira! são bandas que eu acho, e acho que sempre vou achar, animais (quanto “acho” na mesma frase!). A voz da Fernanda Takai e a levada do Ira! sempre surpreendentes pra mim.

· O Ultraje a Rigor apesar de ter composto uma das melhores letras do rock, “Eu gosto é de mulher” (não é uma música, aquilo é um hino!), está sumido. Sinto falta do Roger falando merda e com aquela gargalhada peculiar.

· Para finalizar essas notas musicais com uma frase de efeito copiada do Celso Blues Boy – Aumenta que isso aí é rock and roll

quinta-feira, janeiro 29, 2004

MOSKA

Assisti o show do Paulinho Moska ontem. O esquema era o cara e um violão, eu já não sou fã desse esquema de economia na banda porque acho que fica faltando alguma coisa, mas lá fui eu.

Eu acho ele um dos melhores compositores atuais, ele tem uma forma meio descritiva de compor as letras que eu acho interessante, apesar de ser um intérprete meramente esforçado. O cara entrou numa de tocar as músicas de seu próximo disco o que é meio caído, ou seja, o cara sem banda e ainda tocando música desconhecida é bem mais ou menos. Felizmente, lá pelas tantas ele decidiu jogar pra galera e começou com suas músicas mais conhecidas. Acabou que no final das contas foi legal, mas o mais legal é contar pros outros que você foi no dito show, os outros não precisam saber que o show foi meio mais ou menos.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

CARTA À MINHA ILUSTRE PRIMINHA

Prezada Rachel,

Seja bem-vinda a vida. Fiquei feliz com o seu muito esperado nascimento no dia 25, estavam todos muito ansiosos e gostamos da notícia de que você veio ao mundo com saúde.

Torço para que você puxe bastante ao seu pai e a sua mãe, eles são ótimos, pessoas excelentes. Ao que parece, pela sua calvície, você puxou mais ao seu pai, de qualquer forma tenho esperança que você também tenha traços de sua mãe.

Não sei se já lhe contaram que seu nome é uma homenagem, uma homenagem a minha avó e que seria sua bisavó. Com certeza foi uma ótima escolha para o seu nome. Ela foi uma pessoa muito íntegra e querida, tinha uma personalidade forte e como característica o fato de ser introspectiva, todos adoravam ela. Não se esqueça de pedir para seus tios-avós contarem alguma histórias sobre ela quando possível. O fato de você ficar mais perto do fim na lista de chamada e demorar mais para descer para o recreio está plenamente justificado.

Em relação ao resto do mundo ao qual você foi apresentada, acho que rapidamente você vai perceber que esse é um mundo engraçado e ao mesmo tempo estranho. Como você já deve ter percebido, algumas vezes está quente, outras vezes está frio. Não se preocupe com isso, é só usar a roupa adequada, no começo seus pais vão lhe ajudar e depois você vai fazer isso sozinha. Quando você estiver pronta para se vestir sozinha, você vai ter a oportunidade de se vestir nos mais variados estilos e isso é bastante divertido desde que não se torne uma obsessão. Somente tome cuidado para não se vestir de forma cafona quando for passear comigo, de qualquer forma, tenho certeza que você terá bom gosto.

Além de fazer frio e calor, o mundo também tem um monte de coisa diferente. Ele é composto de continentes, que são compostos de países, que são compostos de cidades, que são compostos de bairros e assim vai. Alguns desses continentes, países, cidades e bairros às vezes tem uns desentendimentos uns com os outros mas na maior parte do tempo vivem em paz.

Em relação aos outros seres humanos como você, acho que aí sim você vai perceber como tudo é muito estranho e peculiar. Tem uns que vivem bem e tem tudo sem nem precisar chorar, eles são chamados de ricos, tem também outros que mesmo que chorem e esperneiem não tem nada, esses são os pobres, entre os dois tem a classe média, da qual você faz parte, que consegue algumas coisas chorando e esperneando e às vezes não consegue nada. No começo achei estranho isso mas acabei me acostumando.

Os seres humanos também têm algumas coisas legais, um dia você vai acabar gostando de um deles, se apaixonando loucamente e esse outro ser humano não vai querer nada com você (pior pra ele!!), você vai ficar chateada, comer chocolate, brigar com todo mundo e depois se recuperar. Aí vai acontecer de você acabar gostando de outro, se apaixonando e ele também vai ficar louco por você, e então vocês serão felizes para sempre. Não quero me adiantar muito nesse assunto até porque apesar de estar há mais tempo na vida eu ainda não tenho muita experiência neste assunto.

Enfim, tem um monte de coisa boa e um monte de coisa estranha nesse lance de vida fora do útero. Não quero adiantar muito o assunto para não tirar a surpresa ou quebrar as expectativas, você vai ter que aprender vivendo e quebrando a cara, comemorando acertos, ficando chateada quando errar, tentando consertar coisas, conhecendo sempre pessoas novas, tendo surpresas e por aí vai. Eu só lhe escrevi essa carta para lhe dar as boas vindas e espero que você goste deste lugar tanto quanto eu. Sempre que precisar de alguma coisa, pegue o telefone e me ligue, terei o maior prazer em lhe atender enquanto eu estiver por aqui. Tenha uma boa vida e a gente vai se falando.

Beijão,

Seu primo

terça-feira, janeiro 27, 2004

DOGVILLE

Gostei do filme apesar de que achei menos angustiante e surpreendente do que a crítica queria que eu achasse.

Como filme eu não achei genial mas achei cinema de qualidade daqueles que marcam pelo fato do diretor ter tentado fazer algo novo e original e ainda por cima com qualidade. O filme tem estilo e personalidade e aos poucos seu cenário e estilo teatral cativam. A qualidade da atuação do elenco também é algo diferente nos dias atuais em que se confunde ator com modelo/manequim. O filme é levado no braço, os filmes do dogma influenciam Lars Von Trier que se sente capaz de fazer um teatro cinematrográfico, aliando a intensidade da atuação teatral com a possibilidade da camera que permite que o público flutue dentro do teatro acompanhando as diversas cenas.

Em relação a história, nada de muito novo mas não deixa de ser interessante. Acho que Dogville é um daqueles filmes em que se deixa claro que o importante não é só a história mas a forma como esta é contada. E que forma!

segunda-feira, janeiro 26, 2004

BRASIL II – 11 JOGADORES A PROCURA DE UM TÉCNICO

Outro dia estava escrevendo sobre como eu gostava de assistir os jogos da seleção pré-olímpica, estava empolgado com o futebol leve e o toque de bola contagiante da rapaziada sub-23. Infelizmente tudo foi ficando mais complicado, o time moleque teve sua carteira furtada, o malandro teve seu terno de linho sujo numa poça de lama, a navalha não estava suficientemente afiada e no final das contas o malandro pelo qual torcíamos se deu mal.

Acho que o time tinha jogadores um tanto quanto virtuosos e que podem se considerar bem sucedidos profissionalmente convivendo com outros com um horizonte promissor. Ovelhas das mais diversas a procura de um pastor. No entanto, sem tirar a culpa das ovelhas que não demonstraram raça, seriedade e espírito de equipe em momentos em que isso seria necessário, acho que o grande responsável foi o pastor, vulgarmente chamado de técnico.

O Ricardo Gomes deu mole, tinha um time bom mas sem estabilidade e preparo técnico, isso era nítido na defesa que apesar de possuir jogadores habilidosos passava sufoco como se estivesse jogando contra o melhor time do universo. Numa boa, se o adversário for mal estudado fica bem difícil neutralizar suas jogadas de ataque e meio-campo, ficam onze personagens em busca de um autor em campo. Enquanto isso, o Paraguai e outros times faziam direitinho seu dever de casa tático e técnico. Sim, 80% da culpa é do técnico, os outros 20% são dos jogadores que não souberam compensar a falta de tática com raça, o que é lamentável se o jogador está usando o manto sagrado verde e amarelo.

Vou torcer pelo Paraguai nas olimpíadas...

quinta-feira, janeiro 22, 2004

ANO DO MACACO

Gostaria de desejar a todos um feliz ano-novo do macaco! Para aqueles que como eu não sabem nada do esquema do ano novo oriental, resta desejar a todos um novo ano cheio de caretas, pulos em árvore, alegria transcedental, muito sexo com fêmeas no cia, muita retirada de piolho dos seus respectivos filhotes, muita jogada de merda no público espectador e acima de tudo muita banana. Banana pra dar e vender nesse novo ano que se inicia.

Fiquemos iguais aos primatas do Odisséia 2001 – nos encantemos com o fogo e admiremos a grande obra da humanidade. Emitamos vários gritos e sons ininteligíveis. Usemos nossos braços como apoio no deslocamento e assim por diante.

Hoje é dia da festa do macaco. Bom ano Macaco!!

quarta-feira, janeiro 21, 2004

DAY AFTER

Depois do dia que passei mal com o camarão infecto rolou uma coisa diferente comigo. De repente, acordei super sensibilizado.

Não conseguia ler e fiquei como um ser plasmótico assistindo televisão com controle remoto na mão. Percebi que estava sensível quando ao assistir “Uma Dupla quase perfeita” (aquele filme meio antigo do Tom Hanks em que ele acaba fazendo parceria com um cachorro de um velinho que morre e que destrói a casa dele e que baba em tudo). Tem uma hora no filme em o velhinho morre assassinado e o cachorro ao lamentar a morte do velhinho começa a chorar. Eu, na minha versão sensível, comecei a sentir algumas lágrimas despontando no canto do olho. Pisquei algumas vezes e ficou tudo bem. Depois estava assistindo X-Men (desenho animado) e mais drama e mais sensibilidade.

Não sei qual é a explicação. Achei estranho mas meio bom ser sensível por um dia. Tantas mulheres procurando um cara sensível e eu lá sozinho na cama. Que desperdício.
ELIMINADA

Nem estou viciado em Big Brother como já fui antes. Acho que o formato enjoou, as pessoas não são interessantes e mais uma dúzia de motivos. De vez em quando dou uma olhadinha e agora com a casa cheia vale a pena assistir as intrigas e os barracos.

Acho divertido aquele lance do líder mandando um sujeito para o paredão, deve ser uma sensação exótica você olhar pra um cara que você nem conhece direito e mandar pro paredão. O stress deve ser se o cara ficar e na semana seguinte virar líder. O pior é que o cara que foi apontado não pode nem dizer “eu não, manda outro”. A votação naquela salinha também é legal, os participantes se sentem como se estivessem fazendo alguma justiça ou sendo sinceros, nessas horas se vê como a humanidade é patética.

A mulher que foi eliminada eu achei que foi bem feito. A mulher é toda esquisita com um estilo Shena a Rainha da Selva, com um jeito de homem, fala com uma voz de marombeiro, usa um lance na cabeça que é uma moda caída, usa uns anéis e relógios esquisitos e o pior é que é uma mulher extremamente desinteressante. Acho que até eu mandaria aquela mulher pro paredão.

Lá se foi o sonho da carreira de modelo e manequim, ou a chance de arranjar uma ponta no programa do Didi fazendo o papel de Jane. Nem deu tempo de aparecer. Com sorte ela vira uma daquelas celebridades instantâneas que entra em umas boites de graça e é chamada pro lançamento de alguma coisa. Boa sorte, eliminada.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

BLARGH !!!

Na sexta-feira fui jantar com amigos meus em um rodízio japonês no Flamengo, mais precisamente na Marquês de Abrantes, perto da Bennett (é bom que todos saibam pra não recair no mesmo erro que eu!). Já tinha comido nesse lugar algumas vezes e achei que o lugar tinha uma relação custo-benefício bastante justa, até essa sexta-feira.

Tenho um estômago de avestruz e consigo sobreviver as mais diversas aventuras gastronômicas sem maiores problemas. Já, nessa sexta-feira, a coisa foi diferente, aprendi que a intoxicação alimentar causada por alimentos do mar (não sei se foi o camarão ou algum peixe mas desconfio seriamente do camarão) tem de ser respeitada. O resumo é que passei mal pra caralho. Vi a morte de perto, o sujeito com aquela capa preta e ancinho tocou no meu ombro e mandou um “Formou?!?”, por sorte sobrevivi. Vomitei até a alma, por pouco não criei um daqueles incidentes em que me tornaria o centro das atenções. Após uma noite horrorosa com direito a febre sinistra e dormir com cobertor no meio do verão carioca, acordei vomitando o que também não é uma sensação maravilhosa. Fiquei o day after só na água de coco, coca-cola (agora entendi porque ela foi inventada), alka seltzer (paladar um tanto quanto exótico), tylenol e dormindo. Me recuperei razoavelmente bem e tomei umas pílulas de carvão vegetal.

Tirei algumas conclusões desse mal estar e do meu jogo de xadrez com o cara do manto preto e ancinho.

1- Vou demorar um bom tempo pra voltar a comer peixe ou camarão. Vou demorar um tempo maior ainda pra pensar em comer peixe ou camarão crus novamente.

2- Nós não somos feitos tão a imagem e semelhança de Deus assim. Se fossemos tão perfeitos não teríamos problemas estomacais tão sérios.

3- Dentro do contexto divino, será que não seria uma punição divina pela minha gula enquanto tantos passam fome no mundo.

4- A última vez que tinha vomitado com comida foi quando tinha dez anos de idade e comi um Big Mac estragado. Naquela época vomitei no tanque de lavar roupa que apesar de vazio foi uma merda para desentupir. Passar mal com bebida me fez adquirir técnica para vomitar sem me cagar todo ou sem entupir pias.

5- Essa narrativa está começando a me deixar com estômago embrulhado.

6- Fiquei um dia inteiro só absorvendo líquidos. Além de descobrir que isso é possível me senti mais leve depois.

7- Quem quiser ir nesse lugar que eu falei deve estar preparado para ouvir um “eu te disse, eu te disse” depois.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

O CRÍTICO ESTÁ DE RESSACA MORAL

O time brasileiro que eu elogiei ontem não jogou nada. Como se não bastasse estou trabalhando que nem um maluco para conseguir a fórmula da paz no mundo.

Fica até difícil escrever um pouco. Eu penso, penso, penso mas tempo de escrever, infelizmente, é um item escasso.

Vou nessa, curtir o final de semana. Bom final de semana pra vocês, até segunda e tudo de bom.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

BRASIL

Hoje tem jogo da seleção brasileira pré-olímpica brasileira e lá vou eu. Estou gostando dos jogos da seleção sub-23, eles são mais leves, mais rápidos, os zagueiros são mais bobos (o que permite jogadas mais ousadas) e o Brasil está com um bom time. Eu nem estava tão empolgado, assistia os jogos meio que por obrigação cívica e tolerava o Galvão Bueno lendo alguma coisa mas isso tudo mudou quando o Maicon com seu jeitão de jogador nigeriano fez um golaço trazendo a bola do meio do campo, driblando, conduzindo, tirando o goleiro e golaço. Fiquei muito empolgado. Não perco mais os jogos do pré-olímpico e assisto até mesmo jogos que não envolvem o Brasil apesar de admitir que torcer pro Paraguai ganhar do Chile e pra Bolívia ganhar da Argentina foram tarefas bastante difíceis.

Em relação aos jogadores, não gosto do Robinho, acho ele muito marrento paulista e apesar de jogar direitinho ele não joga tudo aquilo que querem dar a entender e muito menos do que ele acha que joga. O Diego também tem aquela marra paulista mas acho que manda muito bem quando está inspirado. O Fábio Rochenback é uma eterna promessa com seu contrato desde o berço com o Barcelona e acho muito elegante o toque de bola dele mas ainda não fez nada genial que justifique a fama. O Alex e o outro zagueiro (que me esqueci o nome) mandam bem e tem fama mas na seleção ainda não tiveram grande trabalho na minha opinião, acho maneiro a cara de bobo deles quando tomaram o gol ridículo. Acho maneiro o Paulo Almeida, o cara faz aquele esquema de carregar o piano, corre o tempo todo e fica na batalha ajuda os outros a fazer gol mas não faz nada de tão excepcional.

Acho interessante no futebol a idéia de Coro e do Corifeu. Um não fica tão completo sem o outro, um bom coro é essencial mas na hora da verdade quem faz a diferença é o corifeu o que temos de sobra na seleção sub-23.
DA JANELA LATERAL

Estava no meu ônibus cambaleante indo para o trabalho aproveitando a visão lateral matinal de Copacabana quando parado no sinal a vi na esquina. Ela mora perto da minha casa e de vez em quando a encontro em circunstâncias em que não consigo me comunicar com ela e nem ao menos dar um tchauzinho.

Ela é amiga de uma amiga minha. Minha amiga disse que ia apresentá-la e que ela seria meu par ideal. Saímos os 4, minha amiga e seu consorte, ela e eu. Tentei ser agradável, bacana, cheiroso, elegante e todos os outros adjetivos que possam ser associados a uma boa primeira impressão. No final da noite estava apaixonado, ela é bonita mas acima de tudo parecia ser uma pessoa bastante interessante. Ela faz sentido, tem os diversos padrões e interesses que eu tenho, mora perto da minha casa e assim por diante. Pra não dizer que não tem defeitos, ela é um pouco mais alta do que eu, justo eu que sempre achei cafona casais cujas mulheres são mais altas do que o homem, mas vendo o lado positivo isso me levaria a corrigir a postura e caso ela não usasse saltos altos não haveria um problema.

Infelizmente, ela não quis nada comigo. Minha amiga tentou marcar outros programas e os diversos subterfúgios que uma amiga utiliza quando quer formar um casal. Ela inventava desculpas e o processo de paixão foi amenizado. Sempre que ocasionalmente a encontro eu fico com uma pontinha de saudades de estar a fim dela, finjo uma indiferença para não dar o braço a torcer para mim mesmo. Fico tentando descobrir onde eu errei e chego a conclusão de que eu não errei, fui eu mesmo, fui legal, só que eu não contava com o fato de que ela poderia não ficar a fim de mim. Definitivamente, esse é um jogo em que nem sempre se ganha.

terça-feira, janeiro 13, 2004

SOLUÇÃO SIMPLES PARA O TRÂNSITO E PARA CRIAR EMPREGOS

Estive pensando com minha irmã numa solução simples para o trânsito caótico e para aumentar empregos.

Os novos prédios teriam que ter suas garagens na cobertura. Como não haveria cobertura haveria maior igualdade social no prédio e todos poderiam aproveitar a vista quando fossem buscar seus carros. Tais obras seriam mais complexas e mais difíceis de ser executadas o que geraria um maior número de engenheiros e peões empregados.

Além dos mais, para poder estacionar os carros haveria aquele esquema de voltinhas com colunas pintadas de amarelo (tipo o Botafogo Praia Shopping só que mais apertado!). Inevitavelmente as pessoas ficariam com preguiça de guardar o carro, se fossem sair para beber então não iam sair de carro nem por decreto pois saberiam que seria impossível guardar o carro na volta. Mais empregos para taxistas.

Com os inúmeros arranhões e porradas que seriam dados nas garagens haveria uma maior demanda por consertos o que geraria um aumento de emprego e de utilização de mão de obra, isso sem falar nos cursos profissionalizantes que se encheriam de gente para fazer cursos de lataria. As pessoas tenderiam a trocar mais de carro pq enjoariam mais rápido de seu carro todo amarrotado, mais empregos nas fábricas de carros.

Por fim, como as pessoas teriam menos vontade de sair de carro e usariam mais os transportes coletivos haveria economia de combustível e grande bem para o meio ambiente. O trânsito com certeza diminuiria significativamente.

Por outro lado, se as pessoas decidirem estacionar na rua, viverem na clandestinidade e usarem garagens subterrâneas ou os preços dos imóveis ficar impossível de ser comprado, não estarei sendo nada muito diferente de inúmeras outras políticas públicas. Para resolver eu coloco a culpa no Bush, na recessão mundial, risco Brasil, na alta do dólar ou coisas do gênero...
Situação 5 – Na estrada – trânsito feriadão, uma fila infinita de carros. O sujeito com seu monza 2.0 acha que o trânsito está muito devagar e começa a ultrapassar em curvas e em situações arriscadas no meio de uma estrada sem acostamentos.

Pensamento do sujeito – “vou fazer umas ultrapassagens pra chegar mais rápido, daqui a pouquinho eu estou na praia enquanto esse monte de otário ainda vai estar aqui na estrada. Meu carro é do balacobaco e vambora”.

Resultado – o sujeito causa um acidente e morre ele que é babaca e mais não sei quantos inocentes. Na melhor das hipóteses, não havendo acidentes, o cara causou vários riscos de acidentes e chegou em sua casa de praia 3 a 4 minutos antes do que seu vizinho que estava no trânsito. Relação custo-benefício questionável.
Situação 4 – Azaração na noite – a garota toda patricinha está lá com umas 3 amigas ainda mais patricinhas, tomou duas cocas light e já está indo embora. Chega o sujeito meio feioso, bêbado feito um gambá com bafo de Caninha da Roça. O cara chega junto

Pensamento do sujeito – “se a mulher está na pista é porque quer morrer lá vou eu. Ela não vai perceber o meu bafão pois comi uma balinha Tic Tac. Vou falar de perto pra ela ouvir melhor o meu papo inteligente. Acho que ela vai achar sexy tomar uns perdigotos.”

Resultado – a mulher além de sair no 0 x 0 fica ainda mais puta por conta do gambá que chegou nela. Não vai mais voltar na boite, só vai sair a noite quando houver alguma boa, vai tentar arranjar algum namorado pra não ter que ir em boites mais e a noite do Rio fica essa pouca vergonha de 10 homens pra cada mulher.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Situação 3 – Azaração de Rua – a garota bonitinha saindo da praia passa perto da obra. Um dos peões solta um “vai ser gostosa assim lá em casa”.

Pensamento do sujeito: “essa menina toda bonitinha está disposta a ter relações com pessoas diferentes daquelas pertencentes ao cotidiano dela. Tenho que falar algo original que chame a atenção dela, se ela olhar para trás é porque vai formar o esquema.”

Resultado – a mulher acha escrota a situação, torce para a obra acabar logo, muda o itinerário da volta da praia e o sujeito nem pode se deleitar com o visual da menina voltando da praia e ter a perspectiva de compor algo do nível de Garota de Ipanema.
Situação 2 – Futebol – O time está perdendo de 1 x 0 em casa, o atacante mais ou menos recebe a bola na intermediária. Tem 3 zagueiros a sua frente, dois deles são da seleção brasileira.

Pensamento do sujeito: “agora vou resolver esse jogo. Estou sozinho com 3 zagueiros, minha dupla de ataque está empacada no meio do campo mas quem disse que preciso dele, vou driblar esses caras, tirar o goleiro e fazer um gol de placa”.

Resultado – o atacante meio que dribla o primeiro zagueiro, mas o zagueiro que estava na sobra domina a jogada com facilidade e leva a bola pro meio campo pra mais um ataque avassalador. A torcida grita o nome do atacante seguido de “pede pra sair”.
O QUE O CARA ESTAVA PENSANDO

Tem certas situações na vida que para um observador externo a atitude do sujeito parece sem o menor sentido. Nestas ocasiões eu realmente gostaria de conseguir ler o pensamento que rola na cabeça do sujeito.

Começa a sessão – O que o cara estava pensando?!?

Situação 1 – Futebol – o time perdendo de 1 x 0 em casa, 40 minutos do segundo tempo, o zagueiro perna de pau recebe a bola a uns 27 metros do gol, quase no meio do campo, e resolve dar um chutão que passa tão longe do gol que o goleiro nem pula na bola.

Pensamento do sujeito: “agora vou resolver esse jogo, vou ser idolatrado e todos vão cantar meu nome nos próximos 10 jogos. Eu acertei dois chutes dessa mesma distância no último treino, tudo bem que eu errei 98, mas esse eu vou acertar.”

Resultado – o time não empata, a torcida nem grita UUUHHHH e parte sai do estádio puta e achando que não vale a pena pegar trânsito pra assistir essa pelada. O time perde uma das últimas chances de ataque de uma forma ridícula.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

ZERADO

Não tenho vergonha de admitir que não sei nada de informática. Não sei nada de hardware, software, http e coisas do gênero. Apesar de todas essas limitações, consegui inserir um counter novo no blog. Fiquei orgulhoso de mim mesmo, estou pensando em até colocar isso no meu currículo. Zerei o counter para começar tudo de novo.

Consegui também inserir um link para o meu outro projeto de blog. O nome é Crônicas Urbanas (cronicaurbana.blogspot.com), estou querendo separar o meu lado crítico de um talvez existente lado lírico apesar de ser inevitável uma fusão entre os dois.

Com a criação do outro blog por causa de problemas técnicos com este eu me senti praticamente um músico que fica procurando projetos paralelos. Sei lá.

O parisblues dispensa apresentações...

Bienvenidos al Crítico del Mundo

quinta-feira, janeiro 08, 2004

RECIPROCIDADE X NÃO RECIPROCIDADE

Não me perguntem se existe ou não algum verbo que expresse a reciprocidade, não vou olhar no dicionário. Caso exista, haveria o problema da conjugação. Deixo pra lá.

Enfim, essa discussão atual da necessidade ou não do Brasil requerer que os norte-americanos se identifiquem ao chegar ao Brasil com base na reciprocidade me fez questionar algumas coisas.

Qualquer atuação estatal tem por base uma necessidade, ou seja, os EUA se sentem inseguros e querem ter maior controle nas suas fronteiras. Nas entrelinhas podemos também observar uma vontade de controlar imigrantes ilegais e enriquecer o banco de dados norte-americano de identificação de pessoas. É muita ingenuidade achar que a coisa toda foi feita só por causa do terrorismo. Quanto a legalidade, constitucionalidade ou efetividade da ação não quero discutir para não tirar o foco da discussão sobre reciprocidade, a conclusão é que existe uma conduta com base em um motivo.

No Brasil, nós temos um controle um tanto quanto flexível em nossas fronteiras. Na melhor das hipóteses se digitam uns números, se fazem algumas perguntas e por fim um “Welcome to Brazil”. Não temos problemas de terrorismo, imigração ilegal de norte-americanos para trabalhar no Brasil não chega a ser um problema concreto e não temos um banco de dados decente nem mesmo de criminosos quanto mais de civis e quiçá de estrangeiros.
Aplicar pura e simplesmente a reciprocidade é algo um tanto quanto dom quixoteana uma vez que nesse caso não há utilidade para a atuação estatal. Nossa ilustre república das bananas se sente rugindo, os policarpos quaresmas de plantão vão ao delírio. Equipamentos, material e mão de obra são desperdiçados tirando fotos de turistas branquelos que querem ver o que acontece abaixo da linha do Equador. Serão realizadas licitações milionárias para equipamentos, policiais que deveriam estar correndo atrás de bandidos federais ficaram sentadinhos no ar-condicionado, verbas que poderiam ser mais bem gastas em outras áreas são jogadas pela janela.

Acredito na reciprocidade como instrumento de política diplomática mas usemos tal instrumento de uma forma que faça o mínimo de sentido.
NOBODY KNOWS IT BUT YOU’VE GOTTA A SECRET SMILE
...AND YOU USE IT ONLY FOR ME

Tem certas pessoas que tem um certo encantamento que depois de alguns instantes de conversa nos enfeitiçam de uma forma indescritível. Eu, logicamente, já fui enfeitiçado por uma pessoa assim.

Ela era uma conhecida que na verdade eu conhecia muito pouco, diversas circunstâncias da vida acabaram nos aproximando e depois de um tempo eu estava completamente platonicamente apaixonado por ela. Corri muito atrás dela com as devidas forçações e com aquela gana que não faz o menor sentido, com a lógica de uma pessoa entorpecida pela paixão. Fiz os planos secretos mais óbvios do mundo e buscava motivação nas mais diversas entrelinhas. Tinham ocasiões em que me esquecia dela mas bastava um telefonema ou até mesmo ouvir o nome dela que todo o sentimento adormecido voltava à tona. Ela tinha que ser especial.

Nesse período de insanidade acho que ela acabou me conhecendo bastante, eu não tinha necessidade e não fazia sentido utilizar máscaras ou personagens. Quando eu estava com ela eu podia ser eu mesmo e até a loucura apaixonada era sincera e verdadeira.

Um belo dia nós ficamos. Foi como um sonho. Mais do que um sonho, era um sonho que se tornava realidade. Não queria que continuasse um sonho mas tenho que admitir que a realidade era bastante complicada, minha utopia jamais havia previsto a realidade.

Tentei encarar a realidade de uma forma séria e madura, começar algo. Eu merecia. No entanto, a mesma distância que dava um tempero todo especial agora se mostrava cruel. Era horrível falar ao telefone e saber que não seria possível abraçar aquela pessoa em menos de 6 horas, era horrível ter um salário de estagiário que limitava significativamente as minhas loucuras, era sofrível sentir que eu não tinha condições de ficar com ela. Ela se foi e fiquei com o coração na mão fingindo que aquilo não me incomodava. Os dias que passamos juntos como namorada e namorado são para mim inesquecíveis e sempre que eu ouço o nome dela eu me lembro e é difícil agir com indiferença, mas eu consigo.

Sei que não posso viver de passado mas é legal olhar pra frente e dar aquela olhadinha no retrovisor e ver que no passado rolaram momentos especiais e que o futuro também guarda alguns momentos como aquele.

Falei com ela outro dia. Fiquei radiante, me senti leve e feliz. E quando estava indo para o trabalho ouvi a música e me lembrei de um segredo guardado e que nobody knows it but she’ve gotta a secret smile and she uses it only for me.

quarta-feira, janeiro 07, 2004

FUTEBOL DOMINICAL

Uma das coisas que eu acho estranho é essa coisa de no final de ano não ter futebol na televisão. Nem sou tão viciado assim em futebol mas é estranho aquele lance de nunca ter um joguinho razoável na televisão pra assistir e acabar dormindo aos 20 do primeiro tempo (Obs: isso não engloba os jogos do Botafogo cujo estado de tensão não permitem que eu durma).

Domingo à tarde então, nem se fala. Depois do almoço, nada de bom na televisão, leseira demais para ler e ....
... nada de futebol. Como opção de filme, Lagoa Azul ou algum filme recente do gênero.

Felizmente daqui à pouco as peladas estão de volta!!
STRESS

Estou ficando stressado.

Acho interessante as diversas formas como as pessoas respondem ao stress. Inicialmente existem as respostas psicológicas, tem gente que grita e esmurra a mesa, que fica calada e não pode ser incomodada nem por Deus, que fica sem fome, que fica com muita fome e assim por diante.

Depois do impacto psicológico, tem o impacto físico. Tem gente que transpira, que a mão começa a suar descontroladamente, que fica com caspa, que perde cabelo, que fica com cabelo branco, que consegue uma gastrite, que fica peidando, que tem a coluna pinçada, que tem mais não sei o que pinçado, problemas cardíacos, pulmonares, renais e assim por diante.

E por fim vêm as respostas. Tem gente que esmurra o cachorro, o estagiário, a esposa ou um saco de boxe. Outros tem um ataque cardíaco fulminante e certos sortudos conseguem fazer ainda uma ponte de safena. Alguns mandam o chefe ir pastar e mudam de emprego, enquanto outros mandam todo mundo ir pastar e abrem pousadas em Mauás, Arembepe, São Tomé das Letras e similares.

São tantas opções, será que tem um formato para opções em múltipla escolha?!?

terça-feira, janeiro 06, 2004

ADEUS LÊNIN

Achei muito bacana o filme. Ele deixa ainda mais claro que existe uma nova geração de diretores, pra ser sincero nem sei se os caras são novos mas as idéias, que é o que importa, tem algo de novo. Os caras refletem os anos 90, uma geração que não viveu e não acredita em antagonismos de capitalismo x comunismo, anarquistas x estatistas, pobre x ricos mas tão simplesmente quer um mundo melhor onde seja possível viver feliz.

Ironicamente, a social-democracia que assumiu o poder nos mais diversos países, incluindo o Brasil, não representou esse caminho diferente, a teorizada terceira via. Os ditos governos sociais democratas acabaram se esgueirando por caminhos estranhos e muitas vezes recaíram no continuísmo o que significa as mesma mazelas com um rótulo diferente.

Deve ter sido um período estranho para viver no leste europeu naquele período de glasnost e Perestroika, um período de mudanças radicais que beiram a revolução mas em que não há uma guerra que deixe claro que tudo mudou, as coisas somente foram mudando e mudaram.

Achei legal a visão final do autor no que se refere a Alemanha oriental e o que ele queria que ela fosse, assim como achei semelhante e também gostei da visão expressa no Albergue Espanhol sobre essa questão. Gostei do Adeus Lênin porque deu pra ver que existe gente que pensa como eu, e essa sensação é deliciosa.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

2004

Fiquei um tempinho sem postar em vista do famigerado final de ano. Deu para aproveitar bastante, só que dessa vez eu quis fazer uma coisa diferente, ou seja, não fiz qualquer resolução de ano novo. Curti o ritmo de festa e também não fiquei reavaliando e pensando no que estava fazendo da minha vida ou o que seria desta daqui há dois, cinco, dez anos como costumava fazer.

Digamos que o melhor plano é não ter planos. Aos nove anos eu planejava ser policial, bombeiro ou astronauta ou qualquer outra profissão que fosse barulhenta ou tivesse seriado na TV. Aos 15 achava que com 20 anos teria saído de casa, moraria sozinho ou com uma esposa e viajaria todo ano para algum lugar bacana ao redor do planeta. Aos 20 e poucos achava que assim que me formasse seria um profissional bem sucedido e teria uma fortuna, mulheres e aqueles lances do desenho do Pica-pau.

... e na levada de Zeca Pagodinho – “deixa a vida me levar, vida leva eu”.