segunda-feira, janeiro 21, 2019


VACACIONES

Desde que retomei o blog eu estou de férias do trabalho.  Houve uma feliz coincidência nesse timing.

Tudo bem que ao invés de estar escrevendo o meu querido diário, eu deveria estar dando um gás num artigo que é um projeto paralelo do meu trabalho cotidiano.  Também deveria estar lendo uma bibliografia mais séria do que os meus próprios escritos de 15 anos atrás.

A agradável ironia é que dentre os meus posts eu achei um que era uma carta a minha priminha escrita no dia em que ela nasceu.  Eu me emocionei relendo porque havia menção à minha avó e trazia um estado de espírito muito meu à época.  Eu não tinha filhos e não sabia como me relacionar com um recém-nascido, tal como um dos reis magos que não sabia escolher um presente, fui naquele  que mais tinha a ver comigo e escrevi uma carta.

Dois dias atrás, como está chegando o aniversário de 15 anos dela, mandei o link da carta redescoberta.  Ela estava adolescentando pelo mundo e quando leu, também curtiu (chupa Baltazar e seus incensos ou ouro!).  Bem, acho que nenhum artigo de trabalho que eu escrevi serviu para tocar alguém.

Acabou que isso me deu uma motivação extra para continuar escrevendo.  E aí, no meio da motivação extra nas férias rolou o momento em que vou viajar.  Aí fica aquele lance meio confuso.  Levo o notebook?  Pró, posso escrever se rolar tempo.  Contra, é mais peso.  Pró, em viagens temos inspirações e sensações diferentes.  Contra, notebooks são ímas que atraem agentes de alfândega.  E por aí vai.

Amanhã vou decidir.  Se eu sumir, foi porque não levei o notebook (não, não vou fazer algo moderno que possa ser produzido no celular) e vou ficar um tempo sem postar que eu espero que não dure 13 anos.  Se eu postar, é porque eu estou viciado neste meu diário de bordo e provavelmente vou passar umas madrugadas numa varanda de hotel pensando na vida e tirando um tempinho para me divertir do meu modo.

Estou achando que esse notebook vai viajar amanhã...



PRIMEIRA NAMORADA

Uma pessoa sobre a qual nunca escrevi foi a minha primeira namorada.  Já escrevi sobre apaixonites, paixões platônicas, paixões de carne e osso, tocos, mas sempre evitei falar sobre ela (não escrever o seu nome vai ser uma parte difícil desse texto).  Mesmo depois de todos esses anos os sentimentos em relação a ela são fortes, nada óbvios, difíceis de serem expressados ou administrados.  Ela me marcou muito, as coisas boas ajudaram a formar a minha idéia de relacionamento e namoro que carrego até hoje, e o nosso fim, cortou meu coração e deixou uma cicatriz amarga e profunda, alguma hora eu talvez fale sobre isso.

Quando a conheci, ela era discreta, tímida, uma daquelas várias meninas que passam desapercebidas pelo corredor de uma escola e que as pessoas nunca reparam.  Eu reparei.  E para mim ela era diferente.  Tinha um sorriso lindo, e o aparelho dava um charme.  Tinha uma voz que eu adorava e que eu conseguia ouvir por horas sentado num aparador no pátio interno do colégio.  Ela escrevia muito bem, era sintética e tinha um texto lindo, enquanto minha vida era (e ainda é) pescar adjetivos, ela os utilizava de forma precisa e direta.  Ela era um pouco mais nova do que eu, mas tinha um jeito de agir maduro, uma consciência, uma personalidade, uma timidez... Subitamente, eu estava  apaixonado.

Numa de nossas conversas no pátio interno, passou a professora Regina.  Ela tinha sido minha professora de português e nesse ano era professora dela.  Em 0.001 segundos ela percebeu o que havia entre nós.  Vi no olhar cúmplice dela uma benção.  Eu sabia que depois ela iria me zoar de uma forma cifrada que só eu entenderia, essa era a Regina, mas para mim o importante foi a sua aprovação como quem diz: - Essa é uma menina muito legal, vai fundo!

E eu fui.

Ironicamente, agora, escrevendo este texto, não me lembro como foi o nosso primeiro beijo.  Me lembro como foi o meu primeiro beijo, mas não me recordo do primeiro beijo do primeiro namoro, se foi no colégio, se foi em uma festa, se foi roubado ou esperado, mas sei que deve ter sido bom.  Aliás, um dos meus grandes defeitos sempre foi o de ter pouca memória para marcos e datas, mas algumas  situações e sensações ficam firmes na memória.  Me recordo fortemente da minha vontade de ficar perto dela o tempo todo.  Nossas longas conversas, nossos gostosos silêncios.  Nossa interpretação ingênua de namoro e de amor.  Nossas idas ao cinema nos finais de semana, filmes bons, filmes ruins, com um lanche depois que com o tempo evoluiu para um jantar modesto no La Mole que era muito prazeroso porque estávamos juntos.

Com o passar dos meses, ela ficou ainda mais bonita.  Tirou o aparelho e manteve o sorriso.  Mudou o estilo do cabelo e ficou mais linda.  Começou a vestir roupas que valorizavam mais o seu corpo, que era muito bonito e deixou de ficar escondido.  Ela desabrochava e virava um mulherão.  Eu fingia que não tinha ciúmes e moderava o enorme orgulho que tinha em estar ao seu lado.

Fazíamos várias coisas juntos, e eu queria ficar com ela o maior tempo possível.  Eu me enrolei na universidade, ela repetiu de ano.  Não sei se ela repetiu pela falta de foco ou pela pouco aptidão à física e a matemática, inaptidão que não era compensada pelas suas notas em português, literatura, história e geografia onde o seu texto fazia a diferença.  Mas eu acho que atrapalhei ela, coloquei essa repetência na minha conta, talvez eu pudesse ter racionalmente ajudado mais e atrapalhado menos, mas não eram tempos racionais para mim.

Em meio ao nosso caos acadêmico, com pressão familiar de ambos os lados, nós éramos felizes.  Acho que foi quando aprendi que é possível ser feliz no meio do caos quando se está com uma pessoa que você ama.  Nos afogamos juntos, abraçados.


domingo, janeiro 20, 2019


YOU

Se a proposta é criticar o mundo, não dá pra fugir das séries do Netflix.  Têm umas bacanas, outras curiosas, outras ruins e umas que me dão sono.

Mas e aí, e a tal da “You” do título?  Bem, acho que série, assim como cinema e teatro, dependem de diversos fatores que vão além do ser “tecnicamente bom”.  A avaliação vai depender do estado pessoal do expectador, do momento de vida, do dia, da expectativa, e de vários fatores pessoais intransponíveis.  Nesse cenário, eu acabei curtindo “You” justamente porque ela “encaixou”. 

Eu queria uma série que não fosse aquele lance policial de tiro, porrada e bomba, queria algo mais tranquilo.  Tudo bem que “You” não é necessariamente tranquila, mas tem uma parte de romance, o trabalho da conquista (mesmo que num esquema bem psycho!) e uma cadência meio diferente.

Curti bastante o roteiro, tem elementos bem bacanas na construção de dois personagens curiosos, profundos e bem construídos.  A Beck é simplesmente apaixonante, a heroína e anti-heroína perfeita.  O rosto lindo e o sorriso ajudam, mas não bastam.  Ela é frágil e ao mesmo tempo forte, tem um humor sagaz, uma impulsividade e senso de autodestruição, consegue ter sonhos e correr atrás deles, ao mesmo tempo em que dá de cara num muro.  Ela vive numa montanha russa de grandes subidas e quedas, e isso ainda antes de conhecer o Joe.

O Joe tem aquele lance de stalker romântico.  Nos primeiros 5 minutos dá pra sentir que ele é meio “diferente”.  Para o diferente virar um stalker apaixonado foi um pulo.  Admito que em vários momentos torci por ele.  Quem nunca deu umas stalkeadas na vida que seja o primeiro a cancelar o perfil fake no Facebook.

Também curti as cenas de romance, mesmo sabendo que o voo em velocidade de cruzeiro não ia durar muito.  Em cada episódio, quando a coisa ficava fofa, love is in the air, e tal, aí já dá pra sentir que vai “dá ruim”, o caldo vai entornar, e o bicho vai pegar a qualquer momento.
 
Acho que eu não teria curtido se fosse uma série puramente romântica, eu não estava nessa vibe.  O que me fidelizou foi o lado imprevisível onde as coisas são boas, mas não raramente desandam porque a vida (pelo menos a minha) é meio assim, tem coisa que anda, coisa que não anda e coisa que desanda e descarrilha e dá merda.

Um brinde aos descarrilhamentos! E a esperança de que não tenham muitos mortos e feridos no acidente! 

sábado, janeiro 19, 2019

MAS ALGO MUDOU SIM

Realmente o meu domínio de tecnologia não mudou desde que o blog foi criado, continuo no nível “tosco resignado”.  Acho que se eu me concentrar, posso vir a subir para o nível “tosco esforçado” em algum tempo. Mas, fora isso, e minha péssima relação com as vírgulas, minha vida mudou bastante.

Quando o blog começou eu era um perdido na vida.  Relação de amor e ódio com o trabalho, náufrago no amor, esquema sem grana (menos ainda!), o lado bom é que eu tinha vários amigos maneiros, uma família bacana e muita disposição para ver o que acontecia além do muro da minha casa.

Aí, num dia de 2006, eu mudei de trabalho. Num outro belo dia, eu me casei.  Minha vida mudou bastante.  O meu senso de irresponsabilidade passou a ser mais comedido, os meus instintos acalmados, a 1ª pessoa do singular virou a 1ª pessoa do plural.

Depois vieram os filhos, e na mesma proporção que vem a felicidade, vem também a responsabilidade.  Você agora tem uma pessoinha que depende de você e te ama incondicionalmente, e, ao mesmo tempo, você o ama de uma forma que jamais imaginava que seria possível.  A vida acelera em um ritmo louco e as coisas tomam rumos meio complexos, só o que salva é o tal do amor incondicional.  Ao longo do tempo esse amor vai mudando, mas não perde a sua incondicionalidade.

Muitos amigos e pessoas queridas ficaram pelo caminho, a maioria, mesmo que sumida, continua guardada num cantinho do lado esquerdo do meu peito.  Outros ficaram pelo caminho porque realmente não faziam mais sentido.  Surgiram também amigos novos e muitas pessoas queridas.

São muitos anos e a vida segue serpenteando.  Tropeços, acertos, frustrações e sonhos, e a vida segue o seu caminho curioso de ritmo incerto.
O MUNDO MUDOU E EU NÃO

Nossa, parece que foi ontem que eu decidi voltar a ter um blog para chamar de meu.  Bem, tecnicamente foi ontem, o meu post anterior foi antes de meia-noite e aí era realmente ontem.

Uma coisa que achei curiosa foi pensar em como as coisas mudaram desde que esse blog surgiu.  Se o blog já foi um meio de comunicação descolado, hoje ele é um diário perdido, flertando com o vintage.  Surgiram vlogs, canais de Youtube, Twitter, Facebook, WhatsApp, etc.
 
Sim, é difícil imaginar um mundo sem WhatsApp e FB, um mundo onde o celular era só um telefone portátil revolucionário e caro.  Internet maneira no celular, não rolava.  Comunicação cool, só textinho via SMS que era caro pra “baralho” (minha outra resolução de 2019 foi diminuir os palavrões).

Eu não vou ficar filmando a minha cara para fazer um canal de Youtube.  Eu não sou tão conciso para usar o twitter, eu ando “fulo” da vida com o Facebook (resolução de novo!).  Bem, aí o lance é o blog mesmo.

Palavras voam com o vento, arquivos de Word se perdem em backups, discussões de FB são manipuladas pelos russos... Só o que vai sobreviver no fim da humanidade mesmo serão as baratas e os blogs.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

QUASE 9 ANOS DEPOIS

Bem, quase nove anos depois do último post, num almoço com amigos queridos, falamos sobre blogs. No fim do dia, eu fui ver se o meu blog ainda continuava vivo.

Fiquei feliz em saber que ele ainda está!

 Fiquei lendo o meu “querido diário” de outros tempos e me emocionei, tive saudades, li coisas que atualmente considero bizarras, outras que me deixaram muito feliz, lembrei de muita gente, de várias situações. Discordei de algumas reflexões, ri de outras, concordei com algumas, muitas das minhas posições mudaram, mas se hoje eu sou diferente é porque há 13 anos atrás eu era daquele jeito e fui evoluindo (ou involuindo), me metamorfoseando, vivendo.

Acho que o que me deixou mais feliz quando eu estava "me lendo" foi descobrir que a minha vida de 9, 13, 14 anos atrás não era tão miserável assim como eu pensei que era. Isso foi um alívio.

Vamos lá, resolução de ano novo, 2019, manter um espaço para pensar na vida, um blog. Erros de português, opiniões malucas, teorias sobre a vida, algumas pitadas de alegria e críticas para dar e vender. Enfim, algo que eu possa ler em alguns anos e pensar: “meu Deus, fui eu que escrevi isso!”. E possa rir, chorar, me constranger ou celebrar. Vamos pensar num post...