Estava com um amigo num lugar chamado Sebinho, mais querendo
conhecer um lugar novo do que querendo gastar dinheiro ou me perder nas vielas
da literatura. Aí meu amigo, que sabe
que sou curioso (mas talvez não tenha a dimensão desse meu defeito), diz:
- Você já leu Philip Roth?
- Não.
E antes que eu dissesse que estava atrasado com mil coisas
para ler, que tenho lido pouca coisa que não seja história do Brasil, ligadas ao
trabalho, a Economist e a Piauí, que tenho optado pelo Netflix como companhia em noites calmas, ele me apunhala:
- Eu acho que você gostaria dele, ele é a sua cara.
Pronto. Uma frase
dessa é suficiente para derrubar um curioso com requintes de crueldade com o “a
sua cara”. E lá fui eu procurar os
livros do Philip Roth. Fiquei lendo umas
orelhas, vi que tinha bastante coisa dele, como não tinha muito tempo, escolhi “de
orelhada” o “Indignação”.
Dei uma enrolada, dei um jeito dele furar a fila e logo o comecei.
Gostei bastante do livro e ele cumpriu a sua
função. Queria um livro um pouco
diferente mas ao mesmo tempo leve e interessante, que não me levasse a queimar
neurônios em cada página lida, mas os deixasse mais inteligentes. E que também não fosse um daqueles livros
ruins demais que você tem vergonha de colocar na estante e fica sem graça de
doar para o asilo de idosos (deve ter alguma proibição neste sentido no estatuto
do idoso). Enfim, queria um bom livro.
Acabei curtindo bastante o “Indignação”. Ele não mudou a minha vida mas acabei conhecendo
e curtindo um novo autor, vou colocar os livros dele perto dos livros do Paul
Auster. Pra variar fiquei meio de saco cheio
da tradução e acabei comprando um segundo livro do autor, o “American Pastoral”,
mas dessa vez comprei no original. Vamos
ver, entrou na fila.