domingo, março 17, 2019

INDIGNAÇÃO


Estava com um amigo num lugar chamado Sebinho, mais querendo conhecer um lugar novo do que querendo gastar dinheiro ou me perder nas vielas da literatura.  Aí meu amigo, que sabe que sou curioso (mas talvez não tenha a dimensão desse meu defeito), diz:

- Você já leu Philip Roth?

- Não.

E antes que eu dissesse que estava atrasado com mil coisas para ler, que tenho lido pouca coisa que não seja história do Brasil, ligadas ao trabalho, a Economist e a Piauí, que tenho optado pelo Netflix como companhia em noites calmas, ele me apunhala:

- Eu acho que você gostaria dele, ele é a sua cara.

Pronto.  Uma frase dessa é suficiente para derrubar um curioso com requintes de crueldade com o “a sua cara”.  E lá fui eu procurar os livros do Philip Roth.  Fiquei lendo umas orelhas, vi que tinha bastante coisa dele, como não tinha muito tempo, escolhi “de orelhada” o “Indignação”.

Dei uma enrolada, dei um jeito dele furar a fila e logo o comecei.

Gostei bastante do livro e ele cumpriu a sua função.  Queria um livro um pouco diferente mas ao mesmo tempo leve e interessante, que não me levasse a queimar neurônios em cada página lida, mas os deixasse mais inteligentes.  E que também não fosse um daqueles livros ruins demais que você tem vergonha de colocar na estante e fica sem graça de doar para o asilo de idosos (deve ter alguma proibição neste sentido no estatuto do idoso).  Enfim, queria um bom livro.

Acabei curtindo bastante o “Indignação”.  Ele não mudou a minha vida mas acabei conhecendo e curtindo um novo autor, vou colocar os livros dele perto dos livros do Paul Auster.  Pra variar fiquei meio de saco cheio da tradução e acabei comprando um segundo livro do autor, o “American Pastoral”, mas dessa vez comprei no original.  Vamos ver, entrou na fila.

POS VACACIONES


Bem, saí de férias.  Não levei o notebook.  E nem adiantaria muito, as férias foram num esquema correria.  Acho que existem duas possibilidades de férias, umas férias mais contemplativas em que você fica numa casa de praia fora de temporada ou numa casa de campo mais tempo do que deveria, aí rola um ócio meio estranho e depois de dois dias você começa a ter tempo, vontade e curiosidade para outras coisas, essas seriam as férias calmas, normalmente para lugares já conhecidos, em que na segunda semana você já sabe o nome do dono da venda mais próxima e começa a brincar de ver as nuances da pracinha. 

Em contraponto, têm as férias correria, nas quais se quer fazer um monte de coisas, mais do que deveria e menos do que gostaria, e aí, se tiver tempo, quer ir a mais de uma cidade.  Não muitas para não parecer excursão rodoviária maluca em que se fica praticamente um dia em cada lugar, mas também não se quer ficar parado.  Aí vem aquela confusão de pesquisar trajetos, depois vem a confusão logística.  Aeroporto, avião, levar gps, comprar chip de celular, aluguel de carro, hotel e etc.  Quanto mais gente no grupo, mais correria.  Quanto maior a diversidade do grupo, mais chance de alguma hora a coisa explodir.

Enfim, minhas férias foram no esquema correria.  Sempre são. As vezes penso em tirar umas férias calmas mas sempre fujo.  Penso que a vida é curta demais, que tenho dias de férias de menos, que posso tirar férias calmas quando me aposentar e arranjo mil justificativas para acelerar a minha vida.

Agora tenho que desacelerar, mas ainda não consegui entrar no vôo de cruzeiro.  Já voltei há algum tempo, só não consegui voltar a escrever.  Tenho pensando em muitas coisas mas chego em casa muito cansado para ligar o notebook e começar a escrever.  Fico longas horas diante de duas telas e chegar em casa e ligar mais uma tela me parece cansativo, mesmo que seja para fazer algo que eu gosto.

Pelo menos já escrevi um post pós férias, já é alguma coisa.